Sábado, Janeiro 31, 2009

Eleição de Patriarca Ortodoxo 8


Comunismo sem padres

O clero e os crentes ortodoxos viram na morte de José Estaline uma espécie de nova era com grandes perspectivas para o desenvolvimento da sua Igreja. Um decreto do Presidium do Soviete Supremo da URSS, publicado em 1954, deixou sair antecipadamente das prisões os reclusos que tinham cumprido dois terços da pena e os idosos, o que permitiu a libertação de numerosos sacerdotes e bispos.
Ao mesmo tempo, as autoridades comunistas preparavam uma nova campanha anti-religiosa. O jornal Pravda publicou duas decisões do CC do PCUS: no dia 7 de Julho de 1954, “Sobre as grandes insuficiências na propaganda científico-ateísta e as medidas para o seu melhoramento” e, a 10 de Novembro de 1954, “Sobre os erros na realização da propaganda científico-ateísta entre a população”(30).
Esta contradição na política da direcção soviética em relação à religião, em geral, e à Igreja Ortodoxa Russa, em particular, devia-se à luta pelo poder nela. Por paradoxal que possa parecer, os “estalinistas” defendiam uma posição mais ponderada nessa questão do que Nikita Khrutchov, político que sucedeu a Estaline à frente do Partido Comunista da União Soviética e, por conseguinte, do Estado.
A última campanha anti-religiosa e anticlerical na União Soviética, realizada sob direcção do ideólogo comunista Mikhail Suslov, teve início nos finais de 1958. A explicação oficial para a nova campanha rezava: “...O que significa permitir o reforço da religião? Iso significa resistir à causa da educação comunista do povo e, por conseguinte, travar o movimento da sociedade soviética para o comunismo”(31).
Em relação às campanhas anteriores deste tipo, a nova política anticlerical tinha um objectivo bem maior: acabar definitivamente com a religião na União Soviética.
“A semelhança (com campanhas anteriores) consistia na intenção de liquidar a Igreja como um instituto importante, afastá-la da vida social do país. Mas a diferença consistia em que nunca antes foi oficialmente colocado o objectivo de liquidá-la totalmente, exterminar a religião no país. Esse objectivo foi colocado no início dos anos 60” – escreve o historiador Alexandre Vinnikov (32).
No XXII Congresso do PCUS, realizado em 1960, Nikita Khrutchov proclamou que “a próxima geração dos soviéticos irá viver no comunismo” e prometeu, nessa altura, mostrar pela televisão “o último padre”.
O sistema comunista recorria aos mais diversos meios para conseguir este seu objectivo: propaganda anticlerical, detenção de membros do clero acusados de “fuga ao fisco” ou “desvio de meios financeiros”, infiltração de agentes do Comité de Defesa do Estado (KGB) nas comunidades religiosas com vista a dividí-las e desintegrá-las, proibição de baptizar as crianças sem autorização de ambos os pais.
Neste último caso, a decisão dos pais de baptizar o seu filho era comunicada à empresa onde trabalhavam e as represálias não tardavam a chegar.
É também nesta época que é criado o Instituto do Ateísmo da Academia de Ciências Sociais junto do CC do PCUS e os alunos universitários são obrigados a estudar uma nova disciplina: “Ateísmo Científico” (33).
Além disso, as autoridades comunistas publicavam um grande número de jornais e revistas de cariz anti-religioso, bem como obras literárias estrangeiras que continham críticas à religião. Por exemplo, obras de Eça de Queirós como “Crime do Padre Amaro” e “Relíquia” foram publicadas, em russo e noutras línguas dos povos da União Soviética (georgiano, estónio, ucraniano, etc.), em épocas de campanha anticlerical mais intensa como nos anos 30 e 60 do séc. XX.
Vladimir Kuroedov, presidente do Conselho para os Assuntos da Igreja Ortodoxa, informava: “Só em 1960, foram retirados dos registos (leia-se encerrados) 1365 templos e casas de oração..., encerrados 12 mosteiros, liquidados os seminários de Stavropol e Kiev, fechadas 7 dioceses. No ano corrente de 1961, colocamos um sério objectivo: devolver às organizações sociais todos os edifícios ... que o clero conseguiu manhosamente ocupar nos anos da guerra e do pós-guerra”(34).

Dança macabra de políticos ucranianos






O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, responsabilizou a primeira-ministra Iúlia Timochenko da situação catastrófica na economia do país e exige alterações urgentes no Orçamento de 2009.
“Em nome do país, exijo do Governo e do Parlamento que preparem imediatamente um orçamento honesto, onde as despesas correspondam às possibilidades da economia. É o vosso dever constitucional, estatal e político”, declarou Iuschenko, numa mensagem televisiva transmitida por todos os canais ucranianos.
“Sublinho, continuou o dirigente ucraniano, que segundo a Constituição, a primeira-ministra Iúlia Timochenko é totalmente responsável pela situação económica, pela ruptura do processo orçamental, pela destruição do sistema bancário”.
“Quando chegar ao limiar crítico, ela não conseguirá esconder-se na oposição”, sublinhou.
Iuschenko declarou ter decidido recorrer à mensagem televisiva para prevenir da situação catastrófica da economia ucraniana.
“Decidi dirigir-me a vós para transmitir uma avaliação exacta e sincera da situação económica, orçamental e financeira na Ucrânia. Apelo-vos que aumentem as exigências face ao Governo e à maioria parlamentar para que ponham fim à torrente de mentiras, falsidades e ajam imediatamente, sublinho, imediatamente, para salvar a economia nacional”, dramatizou Iuschenko.
O Presidente ucraniano acusou também a primeira-ministra de ter assinado contratos sobre gás com a Rússia prejudiciais para o seu país, que obrigarão a Ucrânia a gastar mais dois mil milhões de euros em 2009.
“Os contratos não correspondem às minhas ordens. As decisões da primeira-ministra foram pessoais, sem uma opinião colectiva do governo”, frisou, mas acrescentou que “eles devem ser cumpridos”.
As relações entre Iuschenko e Timochenko deterioram-se rapidamente à medida que se aproximam as eleições presidenciais, que se deverão realizar em finais de 2009 ou início de 2010.
Timochenko tem acusado Iuschenko de ter feito tudo para enfraquecer a grivna, moeda nacional que, em três meses, perde metade do valor em relação ao euro.
A oposição parlamentar ao Presidente decidiu afastar do cargo o dirigente do Banco Estatal da Ucrânia do seu cargo, mas Iuschenko não acatou a decisão.
Segundo a imprensa ucraniana, a primeira-ministra pretende, na próxima semana, realizar uma remodelação governamental com vista a afastar do executivo os ministros próximos do Presidente.



P.S. Apenas gostaria de deixar aqui algumas perguntas: será que os actuais dirigentes ucranianos só terminarão estas guerras pessoais quando o seu país estiver completamente em ruínas? Até onde vai a falta de vergonha de pessoas que ocupam os mais altos cargos de Estado? E é com uma política destas que os dirigentes ucranianos querem ingressar na União Europeia?



Nada mais me resta do que apresentar aqui as minhas condolências aos ucranianos.

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

Cimeira Russo-Cubana


A cimeira russo-cubana, que ambas as partes não se cansam de chamar "histórica", também serviu de pretexto para entrar no Kremlin, esse belíssimo conjunto de edifícios situado no centro de Moscovo.

Não obstante as limitações impostas pelas medidas de segurança, sempre é possível ver algumas das salas mais monumentais do Grande Palácio do Kremlin. Já as visitei várias vezes, mas não perdem a sua grandeza por isso. É pena que as pessoas comuns não tenham acesso a esta obra-prima da arquitectura russa. Sei que não é fácil abrir a residência oficial do Presidente da Rússia ao grande público e que a imagem não é suficientemente completa para transmitir o que se sente ao visitar lugares desses.

Mas se algum dos leitores esttiver interessado em visitar o Kremlin sem sair de casa, recomendo este sítio: http://www.kremlin.ru/articles/kremlin.shtml

Quanto à cimeira proporiamente dita, aqui ficam as minhas impressões que escrevi para a Agência Lusa.


"Os presidentes da Rússia e Cuba, Dmitri Medvedev e Raul Castro, anunciaram hoje no Kremlin que as relações bilaterais adquirem o carácter de “parceria estratégica”.
“Estou seguro de que estamos em boas condições de conferir às nossas relações bilaterais um carácter de parceria estratégica”, declarou Medvedev ao receber o seu homólogo russo no Kremlin, residência oficial do Presidente russo.
Dmitri Medvedev viu-se obrigado a repetir essas palavras, porque Raul Castro se esquecera de colocar no ouvido o auscultador da tradução.
Superado o problema técnico, o dirigente cubano apoiou as palavras de Medvedev.
O Presidente russo frisou, porém, que não está satisfeito com o nível das relações comerciais entre o seu país e Cuba.
“Considero que as nossas trocas comerciais são hoje modestas e poderemos avançar comnsideravelmente. A importância de 239 milhões de dólares não é um nível satisfatório”.
Terminadas as conversações, os dois presidentes assistiram à assinatura de dez documentos a fim de incrementar as relações bilaterais.
Os governos de Moscovo e Havana assinaram um acordo que prevê a concessão a Havana de um crédito de 20 milhões de dólares, que deverão ser gastos na aquisição de produtos russos.
Os ministros das Finanças da Rússia, Alexei Kudrin, e o ministro dos Investimentos Estrangeiros e da Cooperação de Cuba, Rodrigo Malmierca, assinaram um acordo que prevê o fornecimento de 25 mil toneladas de cereais russos a Cuba “na qualidade de ajuda humanitária, para pôr fim à agudeza do problema alimentar”.
Mais tarde, o Kremlin anunciou que essa ajuda poderá ser aumentada até 100 mil toneladas de cereais.
Além disso, dirigentes do Vneshekonombank russo e da companhia cubana Aviaimport assinaram um documento que prevê o fornecimento a Cuba de um avião de passageiros TU-204 CE.
A fábrica de camiões Kamaz assinou com a empresa cubana Tradex um acordo que prevê a criação de uma linha de montagem de veículos pesados russos em Cuba.

O Kremlin não poupou esforços para sublinhar a importância da visita de Raul Castro a Moscovo.
Na véspera, Raul Castro foi recebido no mesmo ambiente informal em que ele e o seu irmão foram recebidos há 25 anos atrás, na casa de campo dos dirigentes soviéticos em Zavidovo, nos arredores de Moscovo, faltando apenas a caça ao veado para repetir quase fielmente algumas das imagens exibidas no filme documental com que, ontem, Medvedev presenteou o seu hóspede.
Nas conversações realizadas em Moscovo, Medvedev estava rodeado de onze ministro e conselheiros que permitiam advinhar as áreas de cooperação prioritárias entre os dois países.
Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexei Kudrin, ministro das Finanças, e Igor Setchin, vice-primeiro-ministro do Governo russo representavam, nas conversações, o “regresso diplomático e económico” à Cuba e à América Latina.
A participação nas conversações de Mikhail Dmitriev, director do Serviço Federal para a Cooperação Técnico-Militar, mostra que o reatamento dos fornecimentos de armamentos russos a Cuba esteve na ordem de dia.
Segundo o canal televisivo russo RenTV, Moscovo pretende fornecer a Havana sistemas de defesa anti-aérea.
Nikolai Patruchev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia, representou o reinício da cooperação entre os serviços secretos cubanos e russos. Na véspera, Medvedev defendeu uma cooperação do sistema de segurança russo com os seus análogos na América Latina.
Raul Castro estava acompanhado de Ramiro Valdes Menendes, ministro da Informática e Comunicação, Ricardo Cabrisas Ruis, vice-presidente do Conselho de Ministros, Rodrigo Malmierca, ministro dos Investimentos Estrangeiros e da Cooperação de Cuba.
Os contactos oficiais para o Presidente cubano terminaram hoje, mas ele regressará a Havana apenas a 04 de Fevereiro.
Segundo a Lusa conseguiu apurar em Moscovo, Raul Castro irá encontrar-se com o novo Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill.
Kirill esteve em Havana em Outubro de 2008 para benzer o primeiro templo ortodoxo edificado em Cuba, onde, segundo dados oficiais, vivem cerca de três mil ortodoxos, a maioria dos quais originários de antigas repúblicas soviéticas."

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Eleição de Patriarca Ortodoxo 7


No campo dos actos, o ditador comunista autorizou o restabelecimento do Patriarcado na Rússia. A 8 de Setembro de 1943, o Concílio dos Bispos da Igreja Ortodoxa Russa elegeu, por unanimidade, Serguei Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia. Além disso, foram libertados os poucos bispos e sacerdotes ortodoxos que conseguiram sobreviver aos campos de concentração do GULAG.
Quando o Patriarca Serguei faleceu a 15 de Maio de 1944, a notícia foi publicada no diário Izvestia e noutros jornais soviéticos e a organização da eleição do novo dirigente da Igreja Ortodoxa Russa esteve a cargo pelo Conselho para os Assuntos da Igreja Ortodoxa Russa junto do Conselho de Ministros da URSS, órgão criado em 1943 para controlar os ortodoxos russos.
Desta vez, foi decidido eleger o novo Patriarca não num Concílio Nacional, mas Universal. Estaline precisava de uma Igreja que correspondesse ao poderio da União Soviética depois da Segunda Guerra Mundial e foi ressuscitada, após a eleição de Alexis I para substituir Serguei, a tese de “Moscovo – Terceira Roma”.
““Moscovo – Terceira Roma” continua a ser o símbolo da ideia reunificadora universal, em contrapeso ao papado, ao seu desejo de autocracia espiritual, à aristocracia episcopal e aos sonhos maníacos de poder terrestre... “Moscovo é a Terceira Roma e não haverá uma quarta”, como diziam os nossos antepassados durante o reinado de Ivan III...”(26).
A direcção da Igreja Ortodoxa Russa retribuía com a participação no culto da personalidade do ditador comunista: “Só se pode alcançar a paz abençoada, o bem-estar firme e o vedadeiro sossego na via da verdade; a verdade dos povos está de forma invisível, mas real ligada com a Verdade de Deus... À Verdade de Deus está também ligado o desejo dos povos amantes da paz de viver na paz e na justiça... Estamos felizes porque o nosso povo realiza essa verdade sobre a condução firme do Chefe reconhecido por todos e do inspirador dos povos amantes da paz, José Estaline...”(27).
É necessário reconhecer que esta atitude da Igreja Ortodoxa Russa permitiu ganhar tempo para restabelecer parcialmente as suas fileiras. Segundo dados oficiais, entre 1946 e 1949, o número de paróquias de 10 544 para 14 477. Em Janeiro de 1948, na URSS estavam registados 11 827 sacerdotes e diáconos ortodoxos(28).
No então, a partir de 1949 e até à morte de José Estaline, a 3 de Março de 1953, as autoridades comunistas lançaram novas ofensivas contra a Igreja Ortodoxa Russa, embora de menor intensidade do que as dos anos 20 e 30 do séc. XX. A quantidade de templos não parava de diminuir: 14 445 em 1.1.1949, 14 323 em 1.1.1950, 13 913 em 1.1.1951, 13 786 em 1.1.1952 e 13 555 em 1.1.1953.(29)

Condolências atrasadas


O Presidente russo justificou o silêncio sobre o assassínio de um advogado e de uma jornalista, na passada semana, para não influenciar as investigações, disse o editor do bissemanário Novaia Gazeta, citado hoje pela agência Interfax.
Dmitri Medvedev debateu o duplo assassínio com o último líder soviético Mikhail Gorbatchov, que é também um dos accionistas do Novaia Gazeta, onde trabalhava a jornalista assassinada, Anastassia Baburova. Ao encontro assistiu o editor Dmitri Muratov.
Medvedev e Gorbatchov «discutiram o facto do Presidente russo não ter apresentado as suas condolências por estes dois crimes", disse Muratov, acrescentando que Gorbatchov começou por dizer que "se tratava um erro o facto de o presidente do país não ter apresentado condolências e não ter considerado esse acontecimento uma tragédia".
"Ele (Gorbatchov) tentou discutir com Medvedev, mas este explicou que a apresentação de condolências em nome do Presidente poderia ser recebida como uma ampla declaração com a avaliação do sucedido".

Medvedev acusou o seu homólogo ucraniano, Victor Iuschenko, que apresentou as condolências aos familiares das vítimas, porque a jornalista nasceu na cidade ucraniana de Sebastopol, de "tentar construir imagem no sangue".

O advogado Stanilav Marguelov e a jornalista Anastassia Baburova foram assassinados a tiro no passado 19 de Janeiro, no centro de Moscovo.

Nem o primeiro-ministro Vladimir Putin, nem o Presidente Medvedev pronunciaram uma palavra sobre o facto até hoje. Na reunião com Gorbatchov, o último acabou por dar condolências à família das vítimas.

Quanto ao autor dos disparos, o mais provável é que não o encontrem, assim como não foram detidos os encomendadores e executores contra outros jornalistas da Novaya Gazeta: Anna Politkovskaia, Iúri Tchekhotchikhin, etc.

Rússia quer bater recorde no Espaço


A Agência Espacial da Rússia (Roscosmos) pretende efectuar, este ano, 39 lançamentos, o que constituirá o recorde mundial absoluto, anunciou hoje Alexei Krasnov, responsável pelos voos tripulados.
“Vamos bater um recorde. Planeamos realizar, este ano, 39 lançamentos espaciais. Trata-se de um número sem precedentes na hisória da astronáutica mundial, que teve início com o voo de Iúri Gagarin, a 12 de Abril de 1961”, declarou Krasnov.
O responsável russo recordou também que a tripulação da Estação Espacial Internacional deverá aumentar de três para seis astronautas durante o ano corrente e, por isso, a Roscosmos terá de enviar para essa estação quatro naves tripuladas Soiuz, cinco transportadores espaciais Progress e um módulo de investigação.
Krasnov admitiu também a possibilidade de a “vida operativa da Estação Espacial Internacional ser prolongada até 2020”, mas acrescentou que essa decisão deverá ser tomada pelos governos dos 15 países que participam no projecto.
“A Roscosmos irá propôr ao Governo russo a criação, até ao ano de 2020, numa órbita de baixa altitude, um complexo experimental que será a base para o futuro programa lunar e, a longo prazo, para o programa marciano”, declarou.
O programa espacial russo de 2009 deveria começar na quinta-feira com o lançamento do satélite de exploração solar Koronas Foto, mas, por questões técnicas, foi adiado para sexta-feira.

Desemprego na Rússia ameaça bater recordes em 2009


O número de desempregados na Rússia poderá chegar aos 07 milhões em 2009, admitiu hoje Maksim Topilin, vice-ministro russo da Saúde e do Desenvolvimento.
Numa conferência de imprensa realizada em Moscovo, Topilin declarou que o número de desempregado legalmente registados é de 1,548 milhões, mas reconheceu que o número real é de 5 800 mil, ou seja, 07,7pc da população activa.
O vice-ministro da Saúde e do Desenvolvimento Social admitiu uma deterioração da situação no campo do emprego, declarando que, no fim de 2009, o número de desempregados legalmente registados aumentará até 2.200 mil e o número real poderá chegar aos 07 milhões.
Evgueni Gontmakher, director do Centro de Política Social da Academia das Ciências da Rússia, defende que, em 2009, o número real de desempregados deverá duplicar e atingir os 10 milhões.
“Eu não penso que esse prognóstico se venha a realizar”, responde Topilin, sublinhando que “a maioria das grandes empresas tenta, hoje, proteger o seu pessoal à custa da redução da semana de trabalho, de férias sem pagamento de salários e de outros métodos”.
“Penso que o perigo maior acontecerá se os empregadores não pagarem atempadamente os salários”, frisou.
O subsídio mensal máximo de desemprego na Rússia era, no dia 01 de Janeiro, de 4.900 rublos (menos de 110 euros).
Evgueni Gontmakher chama a atenção para o facto de no país existir um número significativo de “monocidades”, ou seja, cidades cuja população depende de uma ou de algumas poucas grandes empresas.
O encerramento de uma dessas empresas tem consequências económias e sociais funestas se o Estado não intervir atempadamente.

Eleição de Patriarca Ortodoxo 6


Em 1934, a campanhia anti-religiosa abrandou, mas voltou a reacender com nova força no ano seguinte, quando foi dado início à “limpeza do elemento anti-soviético das grandes cidades”. Ela provocou prisões em massa e desterro entre o clero ortodoxo. O número de detenções de bispos foi tão grande que obrigou o metropolita Serguei a dissolver o Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa (órgão máximo desta Igreja) a 18 de Maio de 1935. (20)
O ano de 1937, também conhecido por “ano do grande terror”, ficou marcado por mais uma onda de repressão contra a Igreja Ortodoxa. Nesse ano, foram encerrados oito mil templos, 136 900 crentes e sacerdotes foram alvos de repressão, 85 300 dos quais foram fusilados. Em 1938, esses números foram, respectivamente, de 28 300 e 21 500; em 1939 – 1500 e 900; em 1940 – 5100 e 1100”(21).

Guerra obriga Estaline a dar marcha atrás

A política do regime estalinista face à Igreja Ortodoxa Russa e a outras confissões religiosas sofreu uma mudança brusca depois das tropas hitlerianas terem invadido a União Soviética em 21 de Junho de 1941.
No dia seguinte, o metropolita Serguei publica uma mensagem dirigida ao clero e crentes, onde apela a levantarem-se em defesa da Pátria. No dia 26, celebra uma missa “pela vitória” na Catedral da Aparição de Moscovo.
Em Julho, Estaline recebe o metropolita na sua casa de campo e manifesta o seu apoio à actividade da Igreja Ortodoxa Russa no sentido da mobilização dos soviéticos na luta contra o nazismo. Além disso, reabilita grandes figuras da História da Rússia, incluindo santos ortodoxos como Alexandre Nevski.
Entre as razões que levaram Estaline a mudar radicalmente de posição face à religião, os historiadores russos destacam o receio que o ditador tinha que os hierarcas da Igreja Ortodoxa Russa pudessem cair nas mãos de Hitler e serem utilizados por Berlim para fins políticos.
“Receando o possível êxito da ofensiva alemã contra Moscovo, o Governo, no início de 1941, decidiu evacuar os dirigentes religiosos para Tchkalov (Orenburg). Isso foi feito com um único objectivo: não permitir a possibilidade de prisão de hierarcas ortodoxos pelas tropas alemãs no caso da conquista da capital e a sua posterior utilização pelos alemães” – escreve o historiador Vladimir Iakunin. (22)
Além disso, Estaline necessitava também de melhorar a imagem do seu regime aos olhos dos povos ocidentais que poderiam formar uma coligação anti-hitleriana, principalmente dos norte-americanos.
O Presidente dos Estados Unidos, Franklim Roosevelt, enviou uma mensagem ao Papa Pio XII para o tentar convencer que “Estaline é melhor do que Hitler”(23).
A espionagem soviética aconselhou também Estaline a mudar de posição em relação à Igreja Ortodoxa Russa. Piotr Sudoplatov, um dos dirigentes da espionagem soviética, escreve a propósito: “Na nossa nota dirigida ao Governo, nós também apoiámos essas Propostas, tendo em vista o importante papel consolidador da Igreja Ortodoxa Russa no crescente movimento antifascista dos povos eslavos e nos Balcãs”(24).
A hierarquia da Igreja Ortodoxa Russa responde à nova política com a recolha de meios para apoiar o Exército Vermelho. No dia 30 de Dezembro de 1942, o metropolita Serguei dá início à recolha de fundos para a construção de uma coluna de tanques.
No telegrama dirigido a Estaline no ano novo, o hierarca ortodoxo escreve: “Numa mensagem especial por nós enviada, convido o clero, os crentes para contribuirem para a construção da coluna de tanques Dmitri Donskoi...Pedimos que seja aberta uma conta especial no Banco de Estado. Que termine em vitória sobre as forças negras do fascismo o feito heróico nacional por Vós dirigido”.
Esta mensagem teve honras de publicação no jornal Pravda, órgão do CC do Partido Comunista da União Soviética, tendo sido acompanhada da resposta de José Estaline: “Ao Metropolita Serguei. Peço que envie ao clero ortodoxo russo e aos crentes a minha saudação e agradecimento do Exército Vermelho pela preocupação revelada para com as forças blindadas do Exército Vermelho. Foi dada ordem para abrir uma conta especial no Banco de Estado. Estaline”(25).

Reflexões sobre intervenção de V.Putin em Davos


Vladimir Putin, primeiro-ministro da Rússia, teve a honra de ser o primeiro convidado a discursar no Forum Internacional Económico de Davos, o que mostra que os organizadores da conferência continuam a considerá-lo o dirigente máximo da Rússia.
E com razão, pois, não obstante a Constituição da Rússia determinar que a política externa do país é prerrogativa do Presidente, ninguém duvida, pelo menos na Rússia, quem manda por estes lados.
A determinada altura, Putin declarou que “Na Cimeira do G-20, os dirigentes das maiores economias do mundo acordaram não recorrer à criação de barreiras na via do comércio mundial e do movimento de capitais. A Rússia apoia essa posição”.
Estranho, então não foi o Governo de Vladimir Putin que impôs um pesado imposto sobre a importação de veículos estrangeiros, medida que está a provocar fortes protestos sociais no Extremo Oriente russo?
“O segundo erro é a ingerência exagerada do Estado na vida económica, acreditando cegamente na omnipotência do Estado”, disse Putin.
Estranho, haverá país onde o poder tenha um maior grau de ingerência na vida económica do que na Rússia? Onde empresas públicas como a Gazprom são utilizadas na luta interna e externa?
“Sejamos francos, a provocação da instabilidade político-militar, conflitos, regionais e outros é um método cómodo para distrair a atenção das pessoas dos problemas sócio-económicos internos de um país. Não se excluir, lamentavelmente, que tais intentos se venham a fazer também no futuro”, frisou o primeiro-ministro russo.
O sargento russo - que as autoridades militares russas dizem ter sido raptado pelos serviços secretos, mas que uma fonte da investigação citada pela agência oficiosa Rian-Novosti afirma ter abandonado o quartel por vontade própria (ver postagem publicada ontem) – declarou que a Rússia começou a deslocar para a Ossétia do Sul militares e armamentos pesados em Junho de 2008.
Putin está contra o aumento dos gastos militares em detrimento da solução dos problemas sócio-económicos.
Quem não se esqueceu ainda das manobras e demonstrações militares das Forças Armadas da Rússia em todos os mares e continentes, deve perguntar como é possível fazer tudo isso sem aumentar as despesas militares.
“Infelizmente, diz Putin, a Carta Energética actual não se transformou num instrumento de trabalho capaz de regularizar os problemos surgidos”, propondo a elaboração de um novo documento.
Recordo que a Carta Energética não vigora porque a Rússia assinou esse documento, mas não o ratificou.
Em Agosto, quando o barril do petróleo estava a cerca de 150 dólares o barril, Putin afirmava que a Rússia é “uma ilha de estabilidade” e, um pouco mais tarde, quando a crise mundial já batia à porta de todos, dizia que ela passaria ao lado deste país.
Se, nessa altura, cerca de 34 rublos valiam 1 euro, hoje, 1 euro já vale 45 rublos. Na última semana, o Fundo de Estabilização da Rússia emagreceu em 10 mil milhões de dólares.

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Eleição de Patriarca Ortodoxo 5


A política do Partido Comunista da Rússia de “extinção total das superstições religiosas", fixada no programa do seu VIII Congresso em Março de 1919, teve consequências tenebrosas para a Igreja Ortodoxa. Entre Fevereiro de 1919 e Março de 1920, foram profanados 63 túmulos de santos ortodoxos. Entre 1918 e 1921, foram encerrados 1113 asilos e 772 dos 1253 mosteiros, tendo os restantes sido extintos até 1934. Durante a guerra civil, foram assassinados cerca de 10 mil clérigos ortodoxos. (16)
Depois da morte do Patriarca Tikhon, a direcção da Igreja Ortodoxa Russa passa para as mãos do Metropolita Serguei (1867-1944), que dá um novo passo para a aproximação ao regime comunista. Em 29 de Julho de 1927, publica um documento de extrema importância que se tornou conhecido por “Declaração do Metropolita Serguei”: “Não precisamos de provar em palavras, mas na prática que cidadãos fiéis da União Soviética, leais ao Poder Soviético, podem ser não só as pessoas que olham para a Ortodoxia com indiferença, não só os que traíram, mas também os seus crentes mais fervorosos, para os quais ela é cara como verdade, como vida, com todos os seus dogmas e tradições, com toda a sua bagagem canónica e teológica. Queremos ser ortodoxos e, ao mesmo tempo, ter consciência da União Soviética como nossa Pátria cívica, cujas alegrias e êxitos são as nossas alegrias e êxitos, enquanto que os fracassos são os nossos fracassos”(17).
A Declaração do Metropolita Serguei provocou uma profunda cisão na Igreja Ortodoxa Russa. O clero e os crentes que conseguiram fugir da Rússia Soviética não acataram essa decisão e formaram a Igreja Ortodoxa Russa no Estrangeiro. Parte do rebanho ortodoxo no interior do país passou à clandestinidade e criou a Igreja das Catacumbas.
As cedências do chefe da Igreja Ortodoxa Russa não foram suficientes para inverter a política realizada face à religião por José Estaline, que sucedeu a Vladimir Lénine à frente do Estado Soviético a partir de 1924.
O princípio ideológico: “a luta de classes aumenta à medida que o socialismo avança”, criado por José Estaline, justificou as mais cruéis atrocidades cometidas contra todas as camadas sociais, incluindo clero e crentes ortodoxos.
O ponto de partido foi o relatório político apresentado por ele ao XV Congresso do Partido Comunista da Rússia, realizado nos finais de 1927. Então, José Estaline afirmou: “Temos ainda mais um aspecto negativo como o abrandamento da luta anti-religiosa.
O plano estalinista de luta contra a religião começou a ser energicamente realizado no ano seguinte e, a partir do início de 1930, tornou-se num verdadeiro programa nacional. A 2 de Janeiro desse ano, um decreto governamental privava o clero de parte dos seus direitos cívicos, levando à expulsão dos sacerdotes e suas famílias de suas casas, à privação de senhas de racionamente e de assistência médica.(18)
Outro decreto secreto do Presidium do Comité Executivo Central “Sobre o lançamento de impostos sobre os actuais e antigos servidores do culto durante 1930-1931” foi mais um potente instrumento para obrigar o clero e os seus familiares a renunciarem a Deus. O clero foi sujeito ao pagamento de pesados impostos e, caso não fossem pagos, os padres e membros da direcção das paróquias eram presos e os templos encerrados. (19)

Relações entre Rússia e Geórgia voltam a deteriorar-se


O Ministério da Defesa da Rússia exigiu da Geórgia a libertação imediata do sargento russo Alexandre Glukhov(na foto), capturado na Ossétia do Sul por forças de segurança georgianas, declarou Alexandre Drobichevski, seu porta-voz.
“A investigação prévia mostrou que Alexandre Glukhov foi capturado por forças da ordem georgianas na região de Akhalgor, na Ossétia do Sul, e transportado para Tbilissi”, precisou.
Tbilissi respondeu anunciando que o soldado russo abandonou o quartel onde prestava serviço militar em Akhalgor e pediu ajuda à polícia georgiana.
Segundo o Ministério do Interior da Geórgia, “o soldado tomou essa decisão porque não conseguiu suportar as condições nas tropas russas”.
“O militar está a ser reabilitado e ficará a viver na Geórgia”, acrescenta o ministério.
Em declarações à imprensa, o sargento russo declarou que Moscovo começou a enviar tropas e armamentos pesados, secretamente, para a Ossétia do Sul em Junho de 2008, o que se vier a comprovar, deixará claro que a Rússia não reagiu a um ataque militar da Geórgia contra a Ossétia do Sul, mas planeou e preparou a operação com muita antecipação.
As declarações do sargento russo estão a provocar forte nervosismo da capital russa, mas resta saber se ele realmente abandonou o quartel devido a maus tratos ou foi raptado pelos serviços secretos georgianos.
O dirigente russo nacional-palhaço, Vladimir Jirinovski, já apelou ao Kremlin que siga o exemplo de Israel e invada a Geórgia para "libertar" o militar russo, imitando assim Telavive na operação militar contra o Líbano.
Mas há outra razão para a deterioração das já más relações russo-georgianas.
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, nomeou o embaixador Alexandre Golovine para o cargo de representante especial encarregado da delimitação e da demarcação das fronteiras com a Comunidade dos Estados Independentes, a Geórgia, a Abkházia e a Ossétia do Sul, anuncia hoje a imprensa russa.
A criação deste posto está ligado ao início, pela Rússia, do processo de registo jurídico da fronteira com a Abkházia e a Ossétia do Sul.
Alexandre Golovine dirige, desde 2007, a delegação russa nas negociações sobre o Mar Cáspio e, desde 2008, a delegação que está encarregada de definir o estatuto do Mar Azov e do Estreito de Kertch e de delimitar o Mar Negro.
Moscovo não conseguiu chegar a acordo com a Geórgia sobre a definição da fronteira, mas espera agora ter êxito nas negociações com as regiões separatistas georgianas que proclamaram a sua independência: Abkházia e Ossétia do Sul, com o apoio militar russo.
“Realizam-se consultas sobre a aprovação de um acordo sobre a fronteira, principalmente tendo em vista a segurança da República da Abkházia”, declarou à rádio Eco de Moscovo Raul Khadjimba, vice-presidente desse teritório separatista, acrescentando que “excluo quaisquer conflitos com a Rússia nessa questão” e que “é possível delegar poderes de controlo do mar (Negro) à parte russa”.
O Governo da Ossétia do Sul já veio também anunciar que o Túnel de Roki, via estratégica que liga as Ossétias do Norte e Sul, “é propriedade da Rússia”, enquanto que Tbilissi defende que ele pertence à Geórgia.
A Agência de Geodésia e Cartografia da Rússia prepara-se para publicar um mapa em que a Ossétia do Sul e da Abkházia aparecem como Estados independentes.
O Ministério dos Negócios da Geórgia reagiu com uma nota, onde se apela à comunidade internacional “que tome uma posição firme face às acções aventureiras da parte russa, visto que todos compreendem a que consequências difíceis elas podem conduzir”.
“Isso mostra uma vez mais as tentativas da Rússia de, através de todas as formas, legitimar os regimes fantoches por ela criados”, sublinha-se na nota.

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Kirill eleito novo Patriarca Ortodoxo Russo


O metropolita de Smolenski e Kalininegrado, Kirill, foi eleito 16º Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia da Igreja Ortodoxa, tendo recebido 508 votos dos 701 delegados do Concílio Local.
O outro concorrente ao cargo, o metrolopolita de Kalujski e Kolomenski, Kliment, conseguiu 169 votos. 23 votos foram considerados nulos.
A votação foi secreta e, para evitar falsificações, os eleitores utilizaram boletins de votos impressos na Casa da Moeda da Rússia e no escrutínio foram utilizadas urnas cedidas pela Comissão Eleitoral Central do país.
Kirill sucede a Alexis II, que foi eleito Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa em 1990 e dirigiu a maior confissão religiosa do país até à sua morte, no passado dia 05 de Dezembro.
Kirill, cujo nome laico é Vladimir Gundiaev, dirige há cerca de 20 anos a Secção Internacional do Patriarcado de Moscovo da Igreja Ortodoxa Russa (IOR), cargo que lhe deu grande visibilidade pública não só na Rússia, mas também no mundo, e foi nomeado Patriarca interino a 06 de Dezembro, por decisão do Santo Sínodo, que o nomeou para esse cargo depois da morte do Patriarca Alexis II.
Ordenado sacerdote em 1969, Kirill foi, no ano seguinte, nomeado primeiro-secretário do metropolita da então cidade de Leningrado - hoje São Petersburgo – e, em 1971, representante do patriarcado de Moscovo no Conselho Mundial de Igrejas.Desde então, Kirill esteve empenhado pessoalmente nas relações exteriores da Igreja Ortodoxa Russa, e mais especialmente nas relações ecuménicas com outras comunidades ortodoxas e cristãs.Após ter sido bispo de Viborg, foi nomeado, em 1984, arcebispo de Smolensk e, em 1991, de Kaliningrado até chegar a metropolita nesse mesmo ano. Há mais de dez anos é também um dos mais conhecidos clérigos da ortodoxia russa, pela sua participação no programa televisivo semanal "Palavra do Pastor".Devido aos seus contatos com as demais igrejas cristãs, Kirill tem sido alvo de inúmeros ataques por parte da ala mais conservadora e nacionalista da IOR, que chegou até a acusá-lo de abuso de privilégios, concedidos à igreja Ortodoxa nos anos 1990, nomeadamente de importar cigarros sem pagar impostos.
Conotado com os sectores liberais da Igreja Ortodoxa Russa, o novo Patriarca tentou, na sua campanha eleitoral, apresentar-se como um adversário de reformas, fazendo assim uma vénia aos sectores mais conservadores dessa confissão cristã.
No final do ano passado, o metropolita Kirill manifestou a sua “oposição categórica a qualquer reforma” na IOR, ao observar que nenhum dos candidatos ao cargo de Patriarca não tem o “vírus reformista” e que “uma reforma que destrói valores chama-se heresia”.
O novo Patriarca tencionava visitar Portugal entre 08 e 14 de Dezembro do ano passado, mas a morte de Alexis II, seu antecessor à frente da IOR, obrigou-o a mudar de planos.
A agenda de Kirill em Portugal previa a visita às cidades de Porto, Faro e Lisboa, bem como encontros com autoridades portuguesas.

Viagem à Rússia em Abril



Eleição de Patriarca Ortodoxo 4


O poder bolchevique respondeu acusando a Igreja Ortodoxa de “contra-revolucionária” e colocando o Patriarca ortodoxo sob prisão domiciliária em Dezembro de 1918.
“... Os representantes do poder soviético desconfiam que nós, servidores e propagadores da Verdade de Cristo, sejamos contra-revolucionários encobertos, que supostamente pretendem derrubar esse poder. Mas declaramos decididamente que semelhantes desconfianças não têm justificação... A Igreja não se identifica com alguma forma definida de poder, porque ela tem apenas um significado histórico relativo...”(11).
As relações entre as autoridades comunistas e a Igreja Ortodoxa russa agravaram-se ainda mais devido ao início da “grande fome”, no Verão de 1921.
Os períodos de seca nas regiões meridionais da Rússia são frequentes. Porém, nessa época, à falta de água veio juntar-se a destruição provocada pela guerra civil entre “vermelhos” e “brancos” (1917-1922) e a requisição total dos cereais aos camponeses por parte dos “destacamentos alimentares soviéticos”, que nem sequer deixavam sementes para novas colheitas. Segundo dados oficiais, no território atingido pela fome viviam de 26 a 27 milhões de pessoas.
A Igreja Ortodoxa Russa prontificou-se a fazer doações para as vítimas da fome, mas as autoridades soviéticas acharam isso, primeiramente, desnecessário, mas, depois, insuficiente. O Patriarca Tikhon escreveu a propósito: “Em Agosto de 1921 foi criado o Comité Nacional da Igreja para ajudar as vítimas da fome, mas o Governo Soviético considerou essa organização desnecessária. Porém, em Dezembro de 1921, o Governo propôs-nos juntar dinheiro para prestar ajuda aos famintos, nós autorizámos entregar para as necessidades dos famintos adornos e objectos religiosos que não são utilizados no culto religioso, o que foi comunicado à população ortodoxa a 6 (19) de Fevereiro, através de um apelo especial que foi impresso com a autorização do governo e distribuído entre a população. A 13 (26) de Fevereiro, o Comité Executivo Central da Rússia ordenou a retirada dos templos de todos os objectos religiosos valiosos, incluindo os vasos sagrados e outros objectos de culto. Do ponto de vista da Igreja, trata-se de um acto de profanação”(12).
Numerosos sacerdotes recusaram-se a obedecer às ordens do poder soviético, que reagiu com o julgamento desses cléricos ortodoxos e do próprio Tikhon. No dia 12 de Maio, três sacerdotes encontraram-se com o Patriarca Tikhon e comunicaram-lhe que se ele não aceitasse entregar o poder a um dos hierarcas que se encontrava em liberdade e não se afastasse voluntariamente do cargo, todos os condenados seriam fuzilados por terem resistido à confiscação dos bens da Igreja.
A 3 de Julho, Tikhon entrega temporariamente o poder ao metropolita Agagalguel, mas o último foi impedido de entrar em Moscovo. Sem alternativa, o Patriarca escreve uma mensagem de arrependimento: “... Tendo em conta a nossa culpa perante o Poder Soviético, que se revelou numa série de nossas acções anti-soviéticas passivas e activas..., isto é, na resistência à confiscação dos valores da Igreja a favor dos famintos, na excomunhão do Poder Soviético, na oposição à Paz de Brest, nós pedimos perdão e lamentamos as vítimas provocadas por essa actividade anti-soviética. A Igreja é apolítica e não quer ser “nem branca, nem vermelha” (13).
Em Março de 1924, o Presidium do Comité Executivo Central da URSS ordenou encerrar o processo-crime contra o Patriarca Tikhon, o que não significou o fim das perseguições contra os ortodoxos. Em Dezembro do mesmo ano, o hierarca supremo ortodoxo escapou ileso a um atentato.
Tikhon faleceu a 25 de Março de 1925, mas, pouco antes, a 7 de Janeiro, publica o testamento, onde reconhece o poder comunista: “Nos anos de convulsões civis, por vontade de Deus, sem a qual nada no mundo se realiza, à frente da Rússia está o Poder Soviético. Sem pecar contra a nossa fé e a Igreja, não permitindo quaisquer compromissos e recuos no campo da fé, nós devemos, no campo civil ser honestos para com o Poder Soviético e trabalhar para o bem comum...”(14).
É de assinalar que alguns estudiosos e clérigos consideram falso esse documento(15).

Raul Castro vai passar uma semana em Moscovo


Raul Castro, Presidente de Cuba, visitará a Rússia entre 28 de Janeiro e 04 de Fevereiro a convite do Presidente Dmitri Medvedev, informou hoje o centro de imprensa do Kremlin.
Antes, o Kremlin tinha anunciado o início da visita do dirigente cubano para 30 de Janeiro, mas o prolongamento da sua estadia na Rússia é visto como uma forma de dar maior relevância a este acontecimento.
Segundo fontes da Lusa na capital russa, Raul Castro encontrar-se-á com Dmitri Medvedev no dia 30 de Janeiro, mas também manterá contactos com outros dirigentes russos “ligados aos sectores mais envolvidos na cooperação com Havana”.
“A visita anterior de Raul Castro foi em 1984 e se o Presidente cubano considerou possível realizar em 2009 outra visita, significa que mudaram as condições históricas”, comentou Igor Setchin, vice-primeiro-ministro do Governo russo, depois de uma reunião da comissão intergovernamental russo-cubana de cooperação, realizada no passado dia 24.
Os trabalhos dessa comissão terminaram com a assinatura de vários documentos no domínio da cooperação bilateral.
O banco estatatal russo Vnesheconombank, o Ministério dos Transportes de Cuba e a Corporação Unificada de Construção Naval da Rússia assinaram um memorando que define as fontes de financiamento para a construção de navios em estaleiros russos para Cuba.
O Consórcio Nacional de Petróleo, criado na Rússia para realizar projectos na Venezuela, cooperará também com a empresa cubana Cubatetróleo.
O consórcio russo foi fundado a 08 de Outubro de 2008, pertencendo 20 pc das suas acções às companhias Rosneft, Gazprom, Lukoil, Surgutneftegaz e TNK-BP.
As empresas Cubaníquel e Norilski Niquel assinaram um convénio de cooperação e financiamento de prospecção geológica nas minas cubanas de Nícaro.
Além disso, o Ministério do Turismo de Cuba e a corporação Cubalse, por um lado, e a empresa russa AvtoVaz, por outra, assinaram uma carta de intenções sobre o aluguer de automóveis Lada em Cuba e a sua manutenção técnica. Os dirigentes da maior empresa automóvel russa já tinham manifestado o seu interesse em construir em Cuba uma fábrica de montagem de veículos Lada.
Foram também assinados memorandos de cooperação no domínio das telecomunicações, engenharia genética, biotecnologias.
Na segunda-feira, Setchin, braço direito do primeiro-ministro russo nas relações com a América Latina e África, declarou que a Rússia tenciona continuar a cooperação militar e tecnológica com Cuba e realiza-a em conformidade com as normas jurídicas internacionais.
“Esse trabalho está ser realizado em conformidade com acordos internacionais. Nós realizamos esse trabalho e, continuando a ser parceiros estratégicos, iremos continuar a realizá-lo”, declarou Setchin, antigo agente do KGB que trabalhou em Angola e Moçambique nos anos 80 do séc. XX.
Ele sublinhou que a cooperação no campo militar e tecnológico é parte integrante da interecção entre os dois países e frisou a importância desse tipo de cooperação.
“A nossa interacção nesta esfera visa criar garantias de segurança da existência dos nossos Estados e é um direito soberano dos nossos países”, precisou Setchin.

Segunda-feira, Janeiro 26, 2009

Eleição de Patriarca Ortodoxo 3


Do ponto de vista puramente político e jurídico, o Poder Soviético ia ao encontro das expectativas das mais amplas camadas da sociedade russa: “Paz aos povos”, “Terra aos camponeses”, “Fábricas aos operários”. Em relação à religião, a lei prometia a liberdade de consciência, de religião e de culto.
O artigo 13 do Capítulo V da primeira Constituição Soviética, aprovada em 1918, reza : “A fim de garantir aos trabalhadores a liberdade de consciência real, a igreja é separada do Estado e a escola da igreja. Todos os cidadãos têm a liberdade de realizar propaganda religiosa e anti-religiosa”(5).
Na realidade, os cidadãos soviéticos só tinham liberdade de realizar ou ouvir propaganda anti-religiosa. Vladimir Lénine, o primeiro dirigente da Rússia Soviética, escreveu a propósito: “O partido do proletariado exige que o Estado declare a religião um assunto pessoal, mas está longe de considerar “assunto pessoal” a questão da luta contra o ópio do povo, da luta contra as superstições religiosas, etc.”(6).
Além disso, ele considerava que os crentes deviam ser expulsos do Partido Comunista da Rússia. “Eu sou pela exclusão do partido dos que participam em cerimónias (religiosas)” – escrevia Lénine ao Bureau da Organização do Comité Central do Partido Comunista a 30 de Maio de 1919 (7).
O alto clero, como representante das classes exploradoras e com grande “potencialidade contra-revolucionária”, foi um dos primeiros alvos a neutralizar pelas novas autoridades comunistas.
O recém-eleito Patriarca Nikon não escondia a sua oposição ao novo poder. Protestando contra o decreto do Conselho dos Comissários do Povo sobre a separação da Igreja e do Estado e contra a Paz de Brest (acordo de paz assinado entre a Rússia Soviética e a Alemanha, segundo o qual os comunistas entregaram parcelas significativas das regiões ocidentais do país aos alemães em troca da suspensão do avanço das tropas germânicas), o Patriarca Tikhon escreveu a 18 de Janeiro de 1918: “Loucos, reconsiderai, ponham fim às desavenças sangrentas... às cruelíssimas perseguições lançadas contra a Santa Igreja de Cristo: os sacramentos que abençoam o nascimento do homem ou que santificam a união conjugal da família cristã são abertamente considerados inúteis, os templos sagrados são sujeitos ou à destruição por armas mortíferas (os templos sagrados do Kremlin de Moscovo) ou à pilhagem e profanação (o Templo do Salvador em Petrogrado), as moradas sagradas veneradas pelo povo crente (como os mosteiros Alexandre Nevski e Potchaevski) são ocupadas pelos dirigentes ateus do século da escuridão...”(8).
No dia seguinte, Tikhon vai mais longe no seu combate contra os bolcheviques: “Com o poder que Deus nos deu, nós excomungamo-vos” (9).
No primeiro aniversário da revolução comunista, a 07 de Novembro de 1918, Tikhon envia uma mensagem ao Conselho dos Comissários do Povo: “... Depois de terem tomado o poder e de apelado ao povo para acreditar em vós, que promessas lhe fizeram e como as cumpriram? Em verdade vos digo, vós deste-lhe uma pedra em vez de pão e uma serpente em vez de peixe... Ao povo, esgotado por uma guerra sangrenta, vós prometesteis a paz sem anexações e contribuições... Em vez de “anexações e contribuições”, a nossa grande Pátria foi conquistada, humilhada, despedaçada e vós levais para a Alemanha o ouro que não acumulasteis para pagar o tributo que foi lançado sobre ela... Festejai o aniversário da vossa chegada ao poder com a libertação dos presos, o fim do derramamento de sangue, da violência, da destruição...”(10).

Península Ibérica será alternativa à Rússia no fornecimento do gás à Europa?


Caros leitores, antes de publicar um artigo interessante artigo do diário moscovita "Vremia Novostei", escrito pelo seu correspondente em Lisboa, Alexander Zditovetsky, gostaria de esclarecer que o mesmo vinha acompanhado da fotografia acima publicada, como sendo de Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Não sei quem é o político lá representando, mas tenho a certeza de que não se trata do chefe da diplomacia russa.

Estou convencido que o erro aconteceu na redacção em Moscovo, mas vamos ao texto onde há ideias sensatas que esperam uma realização operativa, não obstante as hesitações do ministro Luís Amado, o verdadeiro, e não o da foto.
"O primeiro-ministro português José Socrates jurou no sábado que não poupará esforços para retirar o país da crise económica, utilizando, inclusive, o facto de o seu território servir para o trânsito de gás da África para a Europa. Actualmente, Portugal e Espanha, dois vizinhos na Península Ibérica, preparam projectos de novos gasodutos para França e novos terminais para receber gás natural liquefeito. Estes planos podem acelerados pelo conflito do gás entre a Rússia e a Ucrânia, em Janeiro

Os países europeus buscam uma alternativa ao gás russo.

«Estes planos deverão assegurar o abastecimento de gás proveniente da África ao Sul da Europa, o que reduz a dependência do gás russo transportado através da Ucrânia », - explicou, recentemente José Penedos, chefe da empresa portuguesa de electricidade REN. Segundo ele, «já agora Portugal e Espanha poderiam ajudar a UE a reduzir a pressão da parte da Rússia».
O diário português «Delovaya Gazeta» (Jornal de Negócios) confia que, em breve, Portugal e Espanha encontrarão «uma alternativa ao gás russo». Antes, essa publicação relatou que a Comissão Europeia, liderada pelo português José Manuel Durão Barroso, tenciona «utilizar a situação geoestratégica da Península Ibérica como alternativa à Rússia». O conflito do gás entre Moscovo e Kiev impulsionou Bruxelas, que se mostra agora disposta a apoiar, política e financeiramente, a criação do mercado único de gás no sul da Europa.

A 12 de Janeiro, numa reunião de emergência do Conselho da Europa sobre segurança energética, convocada devido à suspensão do abastecimento de gás pela Rússia, falou disso Manuel Pinho, ministro português da Economia.

A imprensa portuguesa afirma que o comissário europeu da Energia Andris Piebalgs também é um apoiante do «projecto ibérico».

Actualmente, à Península Ibérica o gás chega através do gasoduto Magrebe - Europa, montado no fundo do Mediterrâneo a partir da Argélia, e da Nigéria por mar, que chega a seis terminais para receber gás liquefeito nos portos de Espanha e um terminal no porto português de Sines. Pela sua capacidade, etes terminais superam os existentes na Europa. Mas as necessidades energéticas em gás de Portugal ocupam um lugar modesto (apenas 14%), depois de petróleo (58%) e das energias renováveis (15%).

A 22 Janeiro, na cidade espanhola de Zamora, realizou-se a 24 ª cimeira dos líderes de Portugal e Espanha. A reunião contou com a presença de mais de duas dezenas de ministros de ambos os países. Como resultado, foi anunciado para 15 de Junho deste ano a criação de um mercado único de energia.

O ponto fraco desta alternativa ibérica é a falta de um gasoduto de Espanha para a França, pois estes dois países estão separados pela elevada cadeia dos Pirenéus. Para superar esse obstáculo, Madrid e Paris já projetam a construção do gasoduto «Midkat».

No entanto, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Amado (na foto) afirmou ao "Vremya Novostei" que, por enquanto, Lisboa « não tem nenhuma posição oficial sobre esta questão»: «Por enquanto, isso são apenas considerações avançadas pelas empresas de energia »

«A Comissão Europeia está, obviamente, a acompanhar de perto as questões do abastecimento de gás natural aos países da UE e estuda todas as opções para a solução do problema, porque queremos diversificar as fontes e rotas de aprovisionamento energético », acrescentou.

Segundo o ministro, «o Governo de Portugal não fez nenhuma proposta na Comissão Europeia sobre essa alternativa, embora seja uma perspectiva brilhante para as nossas empresas que trabalham no fornecimento de hidrocarbonetos provenientes de África».
Alexander ZDITOVETSKY, Lisboa"
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Domingo, Janeiro 25, 2009

Resultados da primeira volta da eleição do Patriarca Ortodoxo da Rússia










Resultado do primeiro escrutínio: Kirill (foto da esquerda), metropolita de Smolenski e Kalininegrado, Patriarca interino, recebeu 97 votos; O metroplita de Kalujski e Borovski, Kliment (foto do centro) - 32 votos;o metropolita de Minsk e Slutski,Filaret (foto da direita) - 16 votos.




O metropolita Iuvenal, que os analistas considerava um forte candidato ao cargo de Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia, ficou em 4º lugar com 13 votos e, por conseguinte, não passou à segunda volta.




Na votação participaram 198 bispos e arcebispos ortodoxos.




O Concílio Local da Igreja Ortodoxa Russa, que irá pôr um ponto final na eleição, vai realizar-se a 27 de Janeiro. A entronização está prevista para 01 de Fevereiro.

Eleição de Patriarca Ortodoxo russo 2


A revolução comunista de Outubro de 1917 na Rússia provocou uma reviravolta total em todas as áreas da vida política, económica e social, tendo sérias repercussões também no campo religioso. A tomada do poder pelos bolcheviques (comunistas) em São Petersburgo deu início a perseguições nunca vistas contra todas as confissões religiosas existentes no Império Russo. O ateísmo foi proclamado doutrina oficial do novo Estado e os poucos templos poupados pela barbárie foram transformados em armazéns, pocilgas, escritórios, ou, num número ínfimo de casos, ficaram de portas abertas para “provar” que o regime comunista respeitava a Constituição por ele aprovada.
Esta nova política anticlerical e anti-religiosa, conduzida por Vladimir Lénine, o primeiro dirigente da União Soviética, baseava-se no pensamento de Karl Marx e de Frederich Engels sobre o fenómeno religioso.
Karl Marx prestou uma grande atenção à religião nas suas obras. Isso devia-se ao facto da influência de que gozava a religião na Alemanha daquela época. Os princípios fundamentais da crítica marxista da religião foram expostos numa das suas primeiras obras “Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel”, embora Marx e Engels tenham abordado esse tema mais tarde.
“A religião não faz o homem, mas, ao contrário, o homem faz a religião: este é o fundamento da crítica irreligiosa. A religião é a autoconsciência e o autosentimento do homem que ainda não se encontrou ou que já se perdeu”(3) – escreve Karl Marx na obra citada.
Aqui, Marx não vai além da crítica da religião feita por Feueurbach que via em Deus um ideal do homem elevado ao céu e no amor por Deus, na adoração de Deus, ou seja, na religião, via uma forma indirecta e abstracta de amor fraternal entre os homens. Mas se em Feueurbach trata-se do homem abstracto, extra-histórico, na obra de Marx, o homem está mergulhado na história e é fruto de uma ou outra situação económica: “...Mas o homem não é um ser abstracto, isolado do mundo. O homem é o mundo dos homens, o Estado, a sociedade. Este Estado, esta sociedade, engendram a religião, criam uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido... É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana carece de realidade concreta. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indirectamente, a luta contra aquele mundo que tem na religião o seu aroma espiritual” (4).
O filósofo alemão não teve oportunidade de ver a forma como os seus seguidores concretizaram as suas ideias sobre a religião na Rússia, mas o facto é que os bolcheviques russos levaram à letra a seguinte frase de Marx: “A verdadeira felicidade do povo implica que a religião seja suprimida, enquanto felicidade ilusória do povo”.

Primeira etapa da eleição do Patriarca Ortodoxo Russo










Clero da Igreja Ortodoxa Russa (IOR) reuniu-se hoje de manhã na capital russa, no Templo de Cristo Redentor, para eleger aquele que irá substituir Alexis II, falecido em Dezembro passado, no cargo de Patriarca da mais numerosa confissão religiosa da Rússia.
Os bispos terão de escolher três candidatos ao cargo de Patriarca e um deles, no Concílio Local, reunião onde participam representantes leigos e religiosos das dioceses e mosteiros e que deverá realizar-se a 27, será entronizado.
As cerimónias mais importantes têm honras de transmissão directa no canal público televisivo “Rossia”, cujo sinal chega a todo o país e a numerosas regiões do globo.
O novo Patriarca será eleito no Concílio Local, que reúne clérigos e leigos que representam 30 mil paróquias e mais de 800 mosteiros da Igreja Ortodoxa Russa não só na Rússia, mas também no estrangeiro. Os delegados das dioceses e mosteiros foram eleitos em reuniões feitas a nível local e regional.
Segundo os estatutos da IOR, pode ser eleito Patriarca “qualquer clérigo com mais de 40 anos de idade, formação teológica superior e experiência diocesal”. O Concílio Local poderá fazer avançar amanhã um número ilimitado de candidatos ao cargo de Patriarca, mas, se não surgirem surpresas, a final deverá ser disputada entre o metropolita de Smolenski e Kalinninegrado Kirill (foto da esquerda), nomeado Patriarca interino pelo Concílio Episcopal, o metropolita de Kalujski e Borovski, Kliment (foto da direita) e o metropolita de Krutitski e Kolominsk, Iuvenal (foto do centro).
A “campanha eleitoral” foi dura e ficou marcada por fortes ataques lançados pelos sectores ortodoxos mais conservadores contra o principal pretendente ao cargo, Kirill, nomeadamente na Internet.
Kirill foi acusado de continuar a colaborar com o Conselho Mundial das Igrejas e a participar no movimento ecumenista com igrejas protestantes que defendem “casamentos homossexuais”, de “cripto-catolicismo” e de “ganhar dinheiro com a importação, sem pagamento de impostos, de vodka e cigarros”, privilégio dado à IOR pelo antigo Presidente russo, Boris Ieltsin, nos anos 90 do séc. XX, para conseguir meios financeiros para reconstruir as centenas de templos e mosteiros deixadas em ruínas pelos comunistas.
Igor Vijanov, porta-voz da Secção Internacional da Igreja Ortodoxa Russa, departamento também dirigido por Kirill, refuta todas as acusações e, no caso das relações com o Vaticano, em que Kirill é também acusado de “não travar a expansão católica na Rússia”afirma: “se neste campo foram obtidos êxitos, ouso atribuí-los aos nossos humildes esforços sob a direcção do actual Patriarca interino”.
Além disso, Kirill conta com o apoio do Kremlin, o que leva o deputado Serguei Markov, vice-presidente do Comité da Duma para Questões das Organizações Sociais e Religiosas, a dizer que “só um milagre” será capaz de evitar a eleição de Kirill.
“Só um milagre poderá impedir a eleição de Kiriil, pois trata-se do clérigo ortodoxo com maior apoio no interior da Igreja, tem realizado um excelente trabalho à frente da Secção Internacional da IOR”, declarou Markov à agência Lusa.
Uma votação organizada na Internet:
www.zapatriarha.ru, dá também a vitória ao metropolita Kirill com 40,9 pc dos votos, seguindo do metropolita de Tóquio e do Japão, Daniil, com 39,5 pc.
Mas para evitar surpresas, Kirill fez reverências aos sectores conservadores que apoiam Kliment, desmentindo qualquer intenção sua de realizar reformas no seio da IOR, manifestando-se também contra a introdução do russo moderno como língua litúrgica.

Sábado, Janeiro 24, 2009

Eleição de Patriarca Ortodoxo russo 1


Amanhã, dia 25, o Concílio local da Igreja Ortodoxa Russa, irá começar a eleição do seu Patriarca, que deverá estar concluída no dia 27. Para assinalar este acontecimento, que irei seguir com toda a atenção, publico aqui por partes um artigo que escrevi, no ano passado, sobre as relações entre o regime comunista soviético e a Igreja Ortodoxa Russa.

"A Igreja do Estado
Em toda a História da Humanidade, a Rússia foi palco da maior tentativa de pôr fim à religião como fenómeno social. O regime comunista, que governou esse país entre 1917 e 1991, levando à letra uma das máximas de Karl Mark de que “a religião é o ópio do povo”, declarou o ateísmo como ideologia oficial, sendo o anticlericalismo uma das componentes mais importantes nessa campanha.
Mas antes de abordar este tema, é de salientar que o autor deste trabalho decidiu concentrar as suas atenções na política do regime comunista em relação à Igreja Ortodoxa, que é de longe a confissão dominante na Rússia. Além disso, os problemas que os judeus, budistas, católicos, protestantes tiveram com as autoridades soviéticas foram, com pequenas diferenças, idênticos aos dos ortodoxos.
Por isso, convém realizar uma pequena excursão na História da Rússia para se compreender o papel da Igreja Ortodoxa Russa neste país.
Reza a lenda que foi o Apóstolo André o primeiro a pregar a doutrina de Cristo nos territórios que mais tarde vieram a fazer parte da Rússia, mas considera-se que o Cristianismo de rito bizantino se tornou religião oficial da Rus de Kiev pelas mãos do príncipe Vladimir em 988.
Tal como aconteceu em muitos outros países europeus, a Igreja Ortodoxa Russa pretendeu não só à direcção espiritual, mas também a ter uma palavra de peso na vida política, o que provocou sérios conflitos com o poder secular.
Isto tornou-se tanto mais evidente depois da Igreja Ortodoxa Russa se ter emancipado em relação ao Patriarcado de Constantinopla e se transformar numa igreja autocéfala, dirigida por um Patriarca. A 26 de Janeiro de 1589, Jeremias, Patriarca ortodoxo de Constantinopla, nomeia o metropolita Iov primeiro Patriarca de Moscovo e de toda a Rússia.
Desse modo e tendo em conta que Constantinopla caíra nas mãos das tropas turcas em 1453, Moscovo começa a pretender ao lugar de “Terceira Roma”, ou seja, a centro do Cristianismo, e o seu chefe espiritual, o Patriarca, a exigir a obediência dos grão-príncípes e, depois, dos czares russos. Todas as decisões das “Zemskii sobor” (espécie de Cortes), por exemplo, começavam com as palavras: “Por benção do nosso pai, o Patriarca...”.
As pretensões do poder espiritual provocavam sérios conflitos com o poder laico, que só terminaram quando o Imperador Pedro I (1672-1725), pretendendo transformar a Igreja Ortodoxa num instrumento obediente da sua política, substituiu o instituto de Patriarcado pelo Santo Sínodo.
O novo órgão civil, que, no fundo, não passava de um ministério para controlar a Igreja Ortodoxa, passou a ser dirigido por um Procurador.
Esta situação manteve-se até 28 de Outubro de 1917, quando o Concílio Ortodoxo Russo voltou a restabelecer o cargo de Patriarca, para o qual nomeou Nikon (1865-1925), Metropolita de Moscovo e de Kolomna (1).
No que respeita às restantes confissões religiosas (islamismo, judaísmo, budismo, protestantismo e catolicismo) dos súbditos dos Czares russos, elas eram toleradas entre a população não russa do Império. Os russos estavam categoricamente proibidos de se converter da Ortodoxia a outra confissão religiosa. Por exemplo, o pensador e filósofo russo Piotr Tchaadaev (1794-1856) foi internado num manicómio por se ter convertido ao Catolicismo (2)."

Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Jornalistas, às armas! às armas!


Alexandre Lebedev(na foto), antigo agente dos serviços secretos soviéticos e, actualmente, um dos homens mais ricos da Rússia, anunciou hoje que vai armar os jornalistas do seu bi-semanário Novaya Gazeta, alegando que a polícia é incapaz de garantir a sua segurança.
“Se vós não podeis garantir a nossa segurança, então permitam que os nossos jornalistas portem armas”, declarou Lebedev, numa conferência de imprensa, sublinhando que já enviou duas cartas com “esse pedido bastante original” ao Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) da Rússia.
“Infelizmente, eu, por enquanto, não consigo garantir a segurança dos jornalistas”, reconheceu o milionário russo, que controla também outros jornais e estações de rádio na Rússia.
Na segunda-feira passada, Anastassia Baburova, jornalista da Novaya Gazeta, foi mortalmente ferida a poucos metros do Kremlin de Moscovo, tendo sido abatido a tiro no mesmo local o advogado Stanislav Markelov.
Markelov foi advogado de Anna Politkovskaia, outra jornalista do mesmo bi-semanário assassinada em 2006.
Um ano antes, faleceu em condições pouco claras Iúri Tchekhotchikhin, vice-director do Novaya Gazeta e deputado do Parlamento russo, conhecido pelas suas investigações jornalísticas sobre o crime organizado e corruopção na Rússia.
Alexandre Lebedev, que recentemente adquiriu o diário londrino The Evening Standard, anunciou, na mesma conferência de imprensa, que continua, juntamente com Mikhail Gorbatchov, antigo Presidente da URSS, a “seleccionar pessoas famosas para criar um bloco democrático e independente na Rússia.
“Estamos a fazer um concurso para seleccionar pessoas de acreditada reputação. As pessoas escrevem, nós fazemos perguntas. Já recebemos cerca de 150 cartas”, precisou o antigo espião.

Estudante caboverdiano alvo de ataque racista em Moscovo


Um estudante caboverdiano foi recentemente alvo de um ataque à mão armada perto da Universidade da Amizade dos Povos de Moscovo, onde estuda, tendo sido esfaqueado nas mãos e nas costas.
Este incidente, o primeiro entre estudantes caboverdianos na Rússia, está a preocupá-los seriamente e acusam as autoridades do seu país de “se terem esquecido deles”.
“No dia 11 de Janeiro, José Maria, estudante da Faculdade de Linguística da Universidade dos Povos de Moscovo, ia à loja fazer compras. Dois jovens aproximaram-se dele por trás, apertaram-lhe o pescoço e começaram a esfaqueá-lo”, relata à Lusa Máxima Neves, presidente da Organização dos Estudantes de Cabo Verde na Rússia.
“O Zé Maria tentou escapar, mas levou oito facadas nas mãos e oito nas costas. Esteve internado num hospital e teve alta há pouco tempo”, continua a estudante caboverdiana.
Máxima Neves reconhece que o medo se instalou entre os estudantes caboverdianos e sublinha que se sentem abandonados pelas autoridades de Cabo Verde.
“Ainda ontem mataram aqui perto um estudante vietnamita. Não sabemos o que fazer e eles (autoridades caboverdianas) não se preocupam connosco, não querem saber de nada, nem sequer sabem quantos somos na Rússia”, lamenta Máxima.
Em 2004, um grupo de neonazis assassinou Amaro Lima, estudante da Guiné-Bissau que estudava na cidade russa de Voronej.
As autoridades policiais de Moscovo reconhecem que a capital russa assiste a um aumento em flecha de ataques de neonazis e nacionalistas contra estrangeiros.
“Em 2008, na capital foram cometidos mais de 90 ataques contra cidadãos de fisionomia não-eslava. 47 foram assassinados e 46 gravemente feridos”, informou Vladimir Pronin, chefe da polícia de Moscovo.
“Em comparação com 2007, o ano passado registou-se um aumento de crimes racistas da ordem dos 300 pc”, concluiu.

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Pluralismo religioso não divide


O pluralismo religioso na Ucrânia não contribui para a desintegração do país, mas garante um clima de tolerância entre seguidores de diferentes crenças religiosas, considera Victor Ielenski, um dos maiores especialistas ucranianos em assuntos religiosos.


“A Ucrânia é o país religiosamente mais plural da Europa. Além de três igrejas ortodoxas, neste espaço coabitam também greco-católicos, protestantes e muçulmanos. Todos eles têm os seus lobbies políticos, mas nenhum é dominante”, declarou Ielenski, numa entrevista à Lusa.


“Além disso”, continua o professor, “a ideia nacional ucraniana não está ligada à religião, como acontece com os georgianos e arménios. Quando foi criado o chamado 'mito nacional', os seus criadores não acentuaram o seu cariz religioso”.


Os ortodoxos ucranianos estão divididos entre três igrejas, sendo a maior a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo, que, como diz o nome, depende do Patriarca russo, com 11.500 paróquias, sendo seguida da Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Kiev, com 4.000 paróquias, e a Igreja Ortodoxa Ucraniana Autocéfala. E


Estas duas igrejas, de vincado cariz nacional, não conseguem chegar a um acordo sobre a fusão, não obstante os esforços de dirigentes ucranianos como o Presidente Victor Iuschenko com vista a juntar os ortodoxos do seu país.


“É curioso assinalar que os crentes ortodoxos não prestam sempre atenção a que Igreja Ortodoxa pertence este ou aquele templo quando vão orar, mas o facto de a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo ser a canónica leva a maioria dos ortodoxos a dizerem que pertencem a ela”, afirmou o mesmo especialista.


Quanto à Igreja Greco-Católica, muito influente na parte ocidental do país e que reúne cristãos que seguem o rito litúrgico ortodoxo, mas reconhecem a primazia do Papa de Roma, Victor Ielenski explica a sua popularidade como forma de os ucranianos se demarcarem de polacos e russos.


“Trata-se de um identificador étnico. Os uniatas, como também são conhecidos os greco-católicos, optaram pelo culto oriental para se distinguirem dos católicos polacos e pela fé católica para se demarcarem dos russos”, sublinha.


A Igreja Greco-Católica surgiu, no séc. XVI, de uma tentativa falhada do Vaticano (União de Brest) de atrair para o seu rebanho os ortodoxos. Não obstante o Papa aceitar que eles continuassem a seguir o rito litúrgico bizantino, a maior parte dos hierarcas ortodoxos não aderiram à união.


Os uniatas foram alvos de duras perseguições na era comunista (1917-1991), mas conseguiram sobreviver e transformar-se numa influente corrente religiosa na parte ocidental da Ucrânia.


Contudo, o professor Ielenski chama a atenção para o facto de esta coabitação pacífica de várias crenças vir a ser posta em causa devido às batalhas políticas.


O problema mais grave está na Crimeia, península situada no sul do país, e não tem a ver com a maioria russófona da região, mas com os tártaros locais.


Os tártaros da Crimeia são o povo autóctone da península. De raízes turcomanas, segue o Islão. Em 1944, o ditador comunista soviético José Estaline deportou todo esse povo da Crimeia para a Ásia Central e a Sibéria a pretexto de que “tinham colaborado com Hitler” durante a Segunda Guerra Mundial.


Quando começaram a regressar à terra natal, no fim da União Soviética, encontraram as suas terras e casas ocupadas por eslavos transferidos para a Crimeia da Rússia e da Ucrânia.


“Os tártaros têm sido um forte aliado das autoridades de Kiev nas tentativas de neutralizar a pressão de Moscovo, que não esconde as suas pretensões territoriais face à Crimeia. Porém, o poder central ucraniano não tem sabido resolver os seus problemas, não arranja maneira de distribuir terras aos tártaros, correndo-se o risco de as posições se extremarem”, considera Ielenski.


“A Turquia e a Arábia Saudita competem na construção de mesquitas na Crimeia e deve-se reconhecer que a última está a vencer a competição, o que significa o alastramento de correntes islâmicas radicais, principalmente entre os jovens”, acrescenta.

Música clássica portuguesa em São Petersburgo


A Capela Académica de Estado Glinka, de São Petersburgo, irá intrepretar obras de compositores portugueses no próximo 14 de Fevereiro, sob a direcção do maestro luso João Tiago Santos(na foto).
O programa do concerto, que terá lugar na sala da Capela Académica Glinka, uma bela sala de concertos da cidade russa de São Petersburgo, inclui as obras “Modos de Expressão Ilimitada”, de Eurico Carrapatoso, Abertura “Dona Inês de Castro”, de Vianna da Mota, e “Sinfonia Nº1, Op. 8 “Aos heróis-mártires da Segunda Guerra Mundial”, de Joly Braga Santos.
A Capela Académica Glinka foi criada em 1479 para preparar cantores e músicos para a corte russa, tendo passado por essa escola mestres russos tão conhecidos como Bortnianski, Glinka, Rimski-Korsakov e Arenski.
Destruída depois da revolução comunista de 1917, renasceu em 1991 com a criação de uma orquestra sinfónica, continuando o processo de reconstituição do ensino musical.
João Tiago Santos nasceu em 1977. Depois de cantar durante oito anos no Coro da Gulbenkian e de ocupar o cargo de maestro-assistente da Orquestra do Algarve, decidiu, em 2004, ingressar na Faculdade de Direcção de Orquestra do Conservatório de São Petersburgo, uma das mais prestigiadas escolas de música da Rússia.
O jovem maestro português dirigiu a Orquestra do Teatro de Ópera do Conservatório de São Petersburgo na execução de A Gata Borralheira.
A música desta versão da Gata Borralheira, conto do escritor francês CharlesPerrault, foi composta por António Spadaveccia para a banda sonora do filme homónimo e teve um êxito extraordinário que foi depois adaptada a uma ópera com dois actos para crianças.
No ano passado, João Tiago Santos dirigiu o Coro Vozes de São Petersburgo, que interpretou obras de compositores da Escola da Sé de Évora, dos séculos XVI-XVII, a «época de ouro» da polifonia, e de autores contemporâneos como Fernando Lopes-Graça, Eurico Carrapatoso e Cláudio Carneiro.

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Da diplomacia "económica" portuguesa







Empresários ucranianos e portugueses queixam-se que as barreiras burocráticas levantadas pela diplomacia portuguesa estão a dificultar os contactos entre Ucrânia e Portugal em diversos campos.
A situação à porta do Consulado de Portugal em Kiev é calma, não se vê vivalma além de um polícia que responde pela segurança do edifício, onde se encontra também a representação diplomática da Autoridade Palestiniana na capital ucraniana.
Mas a ausência de pessoas não significa que seja pequeno o número de ucranianos que quer visitar Portugal, mas apenas encobre uma situação que preocupa seriamente turistas, homens de negócio e desportistas. O Consulado de Portugal recebe diariamente um número restrito de pessoas que pretendem pedir visto de entrada e só após um longo período de espera.
“O atraso na concessão de vistos é um problema para nós não só no consulado português, mas praticamente em todas as representações diplomáticas dos países da União Europeia. No caso de Portugal, as pessoas que pretendam pedir visto de entrada no país podem inscrever-se apenas para ter acesso ao consulado no mês de Março”, revelou à Lusa Olena Viduta, funcionária do Departamento Internacional da Federação de Atletismo da Ucrânia.
Olena Viduta informou que nove atletas ucranianos não poderão participar em estágios e provas em Portugal, a realizar no fim de Janeiro, porque “no consulado lhes foi dito que só se podiam inscrever para entregar os documentos em Março”.
A situação é a mesma noutras áreas. Funcionários de duas empresas ucranianas de turismo disseram à Lusa que “as barreiras burocráticas fazem com que os ucranianos prefiram passar férias noutros países”, acrescentando que “com um esquema desses, é muito difícil trabalhar no ramo turístico”.
Essa opinião é apoiada por alguns homens de negócio conctados pela Lusa, mas pediram anonimato, porque receiam passar a ter “ainda maiores problemas”.
Num mail enviado à Lusa, Mário Santos, Embaixador de Portugal em Kiev, escreve que “ A Federação de Atletismo da Ucrânia não nos apresentou até hoje qualquer queixa relativamente ao atendimento dos seus atletas nesta Secção Consular”.
Porém, o chefe da representação diplomática portuguesa reconhece que “recentemente verificou-se uma diminuição no número de pessoas atendida diariamente nesta Secção Consular, motivada pela redução de funcionários que abandonaram o serviço. O processo para a sua substituição, face à actual conjuntura é uma pouco demorado. Actualmente estão-se a aceitar marcações para Março, contudo deve-se realçar que qualquer situação de urgência, devidamente justificada, é atendida de imediato”.
Mário Santos desconhece também “queixas de operadores turísticos e empresários quanto aos prazos de atendimento”, sublinhando que “verifica-se na maioria das Embaixadas dos países da União Europeia em Kiev uma redução da procura devido à crise económica da Ucrânia”.

Não fui eu que escrevi, foi Budanov!


Um leitor do blog, que oresumo que seja cidadão russo, escreveu, num dos seus comentários, a propósiro do coronel Budanov(na foto): "Na minha opiniao, ele um simples soldado (nao é um general, é um coronel, Gilberto Mucio). Tambem é preciso esclarecer, para que as pessoas que nao entendem do assunto, nao pensassem que o coronel veio a uma aldeia pacifica, agarrou uma moça e a matou: é que na guerra na tchechenia do lado dos tchechenos participavam muitas vezes as mulheres atiradoras (ou como isso se chama em portugues, atirador-certeiro ou como); claro que matavam os soldaddos russos. Pois do lado da aldeia atuava uma dassas atiradoras, e quando as forças russas entraram na aldeia, a suspeita caiu sobre a moça. Se ela tinha culpa ou nao, isso eu nao sei, mas pode se entender o estado dos militares."

Não vou comentar essas palavras, mas apenas traduzir o reconhecimento de culpa desse coronel depois de se ter entregue às autoridades: "Eu, Budanov Iúri Dmitrovitch, quero pedir sinceramente perdão pelo que fiz e comunicar o seguinte: a 26 de Março de 2000, às 23.50 minutos, eu chamei a minha tripulação do automóvel blindado de infantaria e ordenei-lhes que fossem comigo a Tangui Tchu para liquidar ou deter franco-atiradoras... Na casa encontravam-se duas raparigas e dois rapazes. Quando perguntei onde estavam os pais, a mais velha disse que não sabia. Então, ordenei aos meus subornidaos enrolar num cobertor a rapariga mais velha e levá-la para o automóvel, o que eles fizeram. Depois trouxeram-na para o lugar onde estava aquartelado o batalhão. Ordenei aos subordinados que ficassem na rua. Depois de ficarmos os dois a sós, perguntei-lhe onde estava a mãe. Ela começou a gritar, a ferrar e a tentar libertar-se. Tive de empregar a forças. Lutámos e como resultado arranquei-lhe a camisa e o soutie. Disse-lhe para se acalmar, mas ela continuava a gritar e a tentar libertar-se, então tive de a atirar para o chão e começar a esganar. Esganei-a pelo pescoço...Não lhe tirei a parte inferior da roupa interior... Chamei a tripulação, ordenei-lhes enrolá-la no cobertor, levá-la para a floresta e enterrá-la. A tripulação cumpriu tudo".

Este "simples soldado" negou ter violado a jovem, embora pelo seu relato anterior se possa concluir o contrário. Mas um dos soldados que sepultou a jovem tchetchena descreveu a cena que viu quando foi chamado pelo "simplers soldado": "Budanov tinha vestido apenas as cuecas, não tinha vestido mais peça nenhuma de roupas. No canto ao fundo, estava deitada de costas para cima uma jovem completamente nua".

Estimados leitores, tirem as conclusões...

Perguntas em russo, respostas em ucraniano


Publico aqui um artigo que escrevi para a Agência Lusa com vista a dar uma ideia da liberdade de expressão na Ucrânia, bem como de um fenómeno, para mim insólito, como o "bilinguismo" na televisão ucraniana.

"Na Ucrânia pode faltar muita coisa, mas ninguém se pode queixar de falta de pluralismo na informação.

Dez canais televisivos chegam aos lares da maioria dos ucranianos e a luta entre os grupos políticos e financeiros que os controlam garantem um raro pluralismo no campo informativo.

“Esse é talvez um campo onde deixamos a Rússia muito para trás”, declarou à Lusa o editor ucraniano Igor Tkalenko, sem esconder o seu orgulho.

“A imprensa escrita, sendo muito numerosa e plural, pode não chegar a todos os cantos do país, mas a televisão e a rádio chegam, podendo os ucranianos fazer uma ideia do que se passa no país e no mundo”, acrescentou.

A televisão ucraniana oferece diariamente programas de informação e talk-shows políticos em directo, alguns dos quais com uma duração de quatro horas e mais.

“Claro que é impossível ver tudo, mas, em épocas de crise, tento não perder os mais interessantes”, reconheceu Larissa, professora universitária de Kiev, em declarações à Lusa.

Mas se algum telespectador tiver dúvidas sobre a imparcialidade dos canais televisivos ucranianos em relação, por exemplo, à “guerra do gás” com a Rússia, pode sintonizar canais televisivos russos que, a partir de Moscovo, transmitem uma imagem unilateral e tendenciosa, ao gosto do Kremlin.

“Ao compararem a forma como é dada a informação, os telespectadores concluem quem e onde limita a liberdade de expressão”, sublinhou o editor ucraniano.

Outro aspecto curioso e inédito é o facto de os programas, nos canais da Ucrânia, poderem ser transmitidos numa mistura de línguas russa e ucraniana. Por exemplo, o jornalista que conduz o talk-show político faz perguntas em russo e os convidados respondem em ucraniano, saltando a conversa de uma língua para outra sem que surjam problemas para qualquer um dos interlocutores.

“As línguas russa e ucraniana são muito próximas, como o espanhol e o português. Todos os ucranianos falam russo e não ficam ofendidos se tiverem de passar para a língua do país vizinho”, explicou Vladimir Dolin, jornalista russo do canal televisivo Ukraina.

Isto faz com que alguns conhecidos jornalistas russos, que começam a ter problemas políticos na Rússia, venham trabalhar para órgãos de informação ucranianos.

Recentemente, as autoridades ucranianas tentaram obrigar, através da aprovação de novas leis, a dobragem para língua ucraniana de filmes e programas russos, mas elas não são cumpridas.

Uma autêntica “salada russa”!, pensa qualquer estrangeiro ao tomar contacto com tão insólita realidade."