
No entanto, o desenrolar dos acontecimentos no chamado “campo socialista” na Europa do Leste, e particularmente na República Democrática Alemã, bem como a política soviética de não permitir o emprego da força para travar os movimentos de democratização na região e de maleabilidade face à situação levaram à precipitação dos acontecimentos.
Mikhail Gorbatchov, o primeiro e último Presidente da União Soviética, abandonou definitivamente a política externa do “Net, net i net” (Não, não e não), conduzida até aí por Andrei Gromiko, ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS, pela do “Da, da i da” (Sim, sim e sim), acreditando que o Ocidente iria fazer o mesmo.
Hoje, Gorbatchov reconhece que foi enganado, pois, em troca da dissolução do Pacto de Varsóvia e da rápida retirada das tropas soviéticas do Leste da Europa, não recebeu o fim da NATO, como lhe fora prometido, mas o seu alargamento até às fronteiras da Rússia.
Além disso, os Estados Unidos recusaram também uma importante ajuda financeira que Gorbatchov pedira para amortizar os efeitos da grave crise económica, financeira e social que a URSS atravessava, nomeadamente devido à queda do preço do petróleo e gás.
O infantilismo da direcção soviética no campo da política externa é evidente, pois Gorbatchov poderia ter exigido que as promessas dos parceiros ocidentais ficassem registadas no papel, mas acreditou, como acreditaram também milhões de russos.
Mikhail Gorbatchov abandonou o poder pouco mais de dois anos depois (Dezembro de 1991), mas os milhões de russos continuaram a viver no seu país e até agora não se esquecem que foram sujeitos a uma autêntica humilhação pelo Ocidente, o que é bem visível actualmente.
Esta desconfiança foi aumentada pelo apoio quase incondicional que os Estados Unidos e União Europeia concederam, nos anos 90, ao regime do Presidente Ieltsin, perdoando-lhe até a falsificação de resultados eleitorais, como ocorreu nas eleições presidenciais de 1996.
O principal é que a Rússia se transformasse num aluno obediente da escola económica neo-liberal norte-americana ou até mesmo numa cobaia para ensaios no campo económico e social. No campo internacional, o objectivo era fazer com que Moscovo tivesse o mínimo poder de influência.
Esta situação tornou-se num solo fértil para o aparecimento de políticos como Vladimir Putin, que, entre outras promessas, prometeu devolver aos russos o orgulho nacional.
Este aspecto é bem visível nas relações entre a Rússia e os seus vizinhos, com a União Europeia, a NATO e os Estados Unidos, onde a desconfiança continua a ser uma barreira de difícil superação. Esse muro continua de pé…





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