Terça-feira, Março 31, 2009

Preparação de viagem a Marte


O Instituto de Problemas Médico-Biológicos da Academia das Ciências da Rússia e a Agência Espacial Europeia deram hoje início a uma experiência de 105 dias “Mars 500”, durante os quais irá ser simulada parte de uma viagem a Marte.
Seis voluntários (quatro russos e dois europeus) irão passar mais de três meses numa superfície fechada que emita o interior de uma nave espacial. A tripulação é constituída pelos russos Oleg Artemiev e Serguei Riazanski, astronautas, por Alexei Baranov, médico, e por Alexei Chpakov, treinador de ginástica, bem como pelo piloto civil francês Cyrille Fournier e pelo engenheiro militar alemão Oliver Knickel. Cada um receberá 15 mil euros no fim da experiência.
“A nave marciana” é composta por cinco “barris” metálicos, mas os “astronautas” irão utilizar três: a residencial com 150 metros cúbicos, a médica com 100 e um módulo onde se encontrarão aparelhos de ginástica, frigoríficos para a comida e uma estufa, com 250 metros cúbicos.
“Entre as tarefas do projecto pretendemos determinar se é possível um voo desses do ponto de vista da psicologia e fisiologia e elaborar exigências precisas para apresentar à tripulação real que poderá voar para Marte”, declarou na conferência de imprensa Anatoli Grigoriev, dirigente do projecto.
Os participantes da experiência ficarão praticamente privados de contactar com o mundo exterior.
“A falta de qualquer tipo de contacto é um dos objectivos da experiência. Se a tripulação da Estação Espacial Internacional tem possibilidade de telefonar para qualquer pessoa na Terra, nós não a teremos”, declarou Serguei Riazanski.
A “tripulação marceana” irá alimentar-se com rações iguais às que os astronautas hoje consomem, mas com uma particularidade.
“A diferença reside no facto de os astronautas poderem alterar a ementa, e nós não”, acrescentou.
Os “astronautas-cobaias” só poderão abandonar a nave se a sua vida correr perigo, pois, em caso de doença, terão o apoio do médico Alexei Baranov.
Esta iniciativa constitui a segunda parte de uma experiência com três fases. A primeira, um “voo” de 14 dias, teve lugar em Novembro de 2007 e a terceira, uma “viagem a Marte” com a duração de 520 dias, o tempo que a ciência pensa ser necessário para ir ao “planeta vermelho” e regressar à Terra, deverá começar no fim do ano corrente.

Segunda-feira, Março 30, 2009

O copo está meio cheio ou meio vazio?

As autoridades russas não estão de acordo com as previsões do Banco Mundial no que respeita ao desenvolvimento económico da Rússia em 2009, segundo as quais o Produto Interno Bruto poderá descer pelo menos 4,5 por cento, declarou hoje Igor Chuvalov, primeiro vice-primeiro ministro do Governo russo.
“Não estamos de acordo com essa previsão, encarregamos os nossos peritos de a submeter a uma análise”, acrescentou.
O Banco Mundial (BM) prevê uma queda de pelo menos 4,5 por cento do Produto Interno bruto (PIB) da Rússia em 2009, devido à crise económica mundial e à descida do preço do petróleo.
"Com perspectivas financeiras mundiais muito agravadas e os preços do petróleo em torno dos 45 dólares o barril, a economia russa vai provavelmente sofrer uma contracção de 4,5 por cento em 2009, ou mais", prevê o Banco Mundial num estudo hoje divulgado em Moscovo.
Na sua última avaliação, em Novembro, o BM previa ainda um crescimento de 3 por cento do PIB russo.
"A amplitude desta revisão reflecte a deslocação da economia mundial entretanto ocorrida", refere o estudo do banco, cuja previsão aponta para um recuo de 1,7 por cento do PIB à escala mundial em 2009.
Para a Rússia, são os dois primeiros trimestres de 2009 que se anunciam como os mais difíceis.
Mas as "esperanças iniciais de que a Rússia e outros países se recompusessem rapidamente já não parecem prováveis", sublinha.
Face à crise, as autoridades enfrentam um "duplo desafio": conter o impacto social apesar de um orçamento retraído e gerir uma nova vaga de pressão sobre o sector bancário, nota o Banco Mundial.
"A rapidez do ajustamento do mercado do trabalho da Rússia foi impressionante" e traduziu-se numa escalada do desemprego (segundo as normas da Organização Internacional do Trabalho) de 8,9 por cento em Fevereiro de 2009, contra 8,1 por cento em Janeiro e 5,4 por cento em Maio de 2008, nota o documento.
Enquanto isso, "a posição orçamental agravou-se consideravelmente e a margem de manobra reduziu-se rapidamente, limitando as opções do governo por novas medidas de relançamento orçamentais”.
Elvira Nabiulina, ministra do Desenvolvimento Económico, previu para o ano corrente uma contracção do PIB da ordem dos 2,2 por cento, recordou Chuvalov.
“Ao prognosticar uma queda de 4,5 por cento, o Banco Mundial apoia-se no preço do barril de crude a 45 dólares, o que é superior ao número preconizado pelo Ministério do Desenvolvimento Económico: 41 dólares por barril”, frisou o primeiro vice-primeiro-ministro russo.

Domingo, Março 29, 2009

Afinal, a culpa não é dos "banqueiros estrangeiros invejosos"


O sistema financeiro mundial deve ser baseado numa “cesta de múltiplas moedas” e, no futuro, pode-se chegar a um acordo sobre uma moeda mundial de reserva, declarou Dmitri Medvedev, numa entrevista à BBC.
“É completamente evidente que o actual sistema monetário não aguentou os desafios. Ainda bem que temos um certo leque de moedas convertíveis: dólar, euro, libra estrelina. Mas, para bem do sistema, este deve basear-se numa cesta de múltiplas moedas, incluir outras moedas regionais de reserva”, explicou.
“Se chegarmos a acordo sobre isso, no futuro poderemos falar da criação de uma super-moeda”, acrescentou.
Medvedev considera que a cimeira dos G-20, em Londres, deverá terminar com medidas adequadas à gravidade da crise mundial.
“Os dirigentes devem chegar a acordo porque deste, da nossa decisão de realizar medidas bastante radicais para mudar a arquitectura financeira mundial depende o futuro dos nossos países, dos nossos povos”, afirmou.
Ao responder se o equilíbrio de forças do Ocidente para o Oriente irá mudar durante a crise, o dirigente russo declarou: “A questão não reside de onde e para onde se movimenta, mas em dar uma resposta correcta. Claro que as actuais proporções na economia mundial já não correspondem ao estado actual da vida. Vimos como se desenvolvem rapidamente as chamadas economias dinâmicas, como crescem rapidamente mercados como os do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), como se desenvolve rapidamente o Extremo Oriente. É preciso ter isso em conta”.
“Porém”, frisou Medvedev,”isso não é motivo para dizer: está tudo feito. As novas proporções, o novo quadro político estão fixados e, agora, vivemos num novo mundo. A crise é motivo para encontrar soluções”.
Medvedev não culpa os “banqueiros invejosos estrangeiros” dos problemas económicos da Rússia: desvalorização do rublo, aumento do desemprego, dívidas das empresas russas a bancos estrangeiros.
As empresas russas devem a bancos ocidentais cerca de 480 mil milhões de dólares.
“Talvez algumas delas tenham feito isso de forma pouco crítica, mas isso é culpa dos donos dessas companhias, e não dos bancos estrangeiros”, sublinhou.
Segundo o presidente russo, a crise mostrou outros problemas existentes na economia russa.
“Nós já tínhamos compreendido antes que a economia da Rússia estava insuficientemente diversificada, que ela está significativamente virada para as matérias-primas... Esta crise atingiu mais os países com uma maior orientação exportadora e a Rússia está entre eles”, constatou.
“Por isso, a tarefa mais importante da Rússia no futuro é avançar pela via da diversificação da economia, criar novas produções, fundamentalmente nas esferas das altas tecnologias”, concluiu.
Apenas quero acrescentar que, ainda muito recentemente, dirigentes como Vladimir Putin atiravam todas as culpas da crise para cima do Ocidente, sem reconhecer que o seu país não se preparou, no tempo das "vacas gordas", nem para esta, nem para outra crise.
Medvedev, pelo menos, é realista. Talvez esta seja uma das razões dos atritos que se têm vindo a observar entre ele e Putin, que são cada vez mais evidentes.

"Vento da história sopra nas velas das forças de esquerda!"


Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia (PCFR), considerou hoje que a crise financeira cria no país uma nova situação revolucionária e defendeu que os comunistas devem conquistar para o seu lado novas camadas da população.
“Forma-se uma nova situação revolucionária. Ela apenas amadurece, mas não há dúvida de que o vento da história sopra nas velas das forças de esquerda”, declarou o líder comunista num plenário dedicado à política do PCFR durante a crise.
Ziuganov constatou o aumento da actividade dos trabalhadores, provocada pela deterioração da situação económica.
“As pessoas começam a perder as ilusões criadas durante oito anos de “chuva de ouro””, frisou o dirigente comunista, tendo em conta o período em que a Rússia beneficiou dos altos preços do petróleo e gás nos mercados internacionais.
“Claro que seria infantilismo esperar um aumento forte e rápido da resistência. A classe operária está mal organizada e, em parte, a culpa disso é nossa. Pouco fizemos para organizar os trabalhadores para a luta pelos seus interesses”, reconheceu Ziuganov perante os seus camaradas do Comité Central.
“Devemos, juntamente com os sindicatos independentes, com os sovietes de operários e camponeses alterar a situação. 04 de Abril será um dia nacional de protestos. Depois vêm os dias 01 e 09 de Maio. São festas nossas e devemos aumentar a pressão sobre o poder”, defendeu.
Guennadi Ziuganov acusou o Kremlin de não permitir o acesso dos comunistas à televisão.
“Não podemos esperar que nos deixem aparecer na televisão. Claro que lutamos energicamente por esse direito e o poder já prometeu alguma coisa, mas seria precipitado acreditar nele”, declarou.
O dirigente comunista defendeu a aposta nos “novos órgãos de informação, incluindo a Internet e os sms”, bem como a conquista do apoio dos militares “que brevemente serão despedidos devido à redução das Forças Armadas”, da classe média e do “proletariado dos escritórios”.
“Não devemos pretender à direcção de cada organização em que participamos...Devemos conquistar a confiança e apoio do povo antes de tudo com acções tácticas, com a avaliação correcta da situação, com a firmeza na luta. Então, as pessoas virão ter connosco, chamar-nos-ão”, concluiu.

"Tiro de partida" de relações russo-americanas


Os Presidentes da Rússia e dos Estados Unidos, Dmitri Medvedev e Barack Obama, publicarão uma declaração, após o encontro de Londres de 01 de Abril, sobre as relações bilaterais e a problemática da redução de armas nucleares estratégicas, declarou,no sábado, aos jornalistas Serguei Prikhodko, assessor do Kremlin para assuntos internacionais.
“Estamos a chegar a acordo sobre duas declarações presidenciais: uma, geral, sobre as relações russo-americanos, outra sobre o Tratado SALT (Strategic Arms Limitation Talks). Os textos não são maus e devem ser o ponto de partida para a organização do posterior trabalho”, revelou Prikhodko, na véspera da cimeira.
“Partimos do princípio que as questões da redução das armas nucleares estratégicas, da instalação do sistema de defesa anti-míssil norte-americano e da não difusão de armas atómicas devem estar em primeiro plano”, frisou.
Segundo ele, “iremos tentar chegar a acordo sobre o gráfico e os parâmetros do trabalho de elaboração do novo Tratado SALT que irá substituir o anterior, para que, na próxima cimeira, se chegue aos primeiros acordos concretos e se termine o trabalho até ao fim do ano”.
O Tratado SALT-1 foi assinado em 1991 pelos presidentes da União Soviética e dos Estados Unidos e comprometia Moscovo e Washington a reduzir as ogivas nucleares estratégicas de dez para seis mil.
Em 1993, a Rússia e os Estados Unidos assinaram o SALT-2, que previa uma redução substancial dos mísseis balísticos intercontinentais e das ogivas nucleares, mas, em 2002, Moscovo abandonou o tratado quando Washington renunciou ao Tratado de 1972, que proibia a criação de sistemas anti-míssil.
Mais tarde, foi assinado um acordo bilateral sobre a redução, até 31 de Dezembro de 2012, dos potenciais ofensivos estratégicos da Rússia e dos Estados Unidos até 1700-2200 munições nucleares.
Em 2005, a Rússia propôs a Washington a assinatura de um novo acordo SALT para substituir o actual.
As conversações em Londres serão o primeiro encontro pessoal de Dmitri Medvedev com Barack Obama depois da eleição para os cargos de presidentes da Rússia e Estados Unidos.
O primeiro encontro pessoal dos presidentes da Rússia e Estados Unidos, Dmitri Medvedev e Barack Obama, que se realizará no próximo dia 01 de Abril, terá um carácter de “tiro de partida”, porque Moscovo entende que as contradições entre a Rússia e EUA são difíceis de superar, declarou hoje aos jornalistas Serguei Prikhodko, assessor do Kremlin para assuntos internacionais.
Ao comentar o encontro, Prikhodko afirmou que os presidentes deverão “acertar os relógios”, fazer um inventário de todos os aspectos da agenda russo-americana e pôr em marcha uma nova etapa nas relações que já foi qualifidada de “reinício”.
“Temos em conta que o primeiro encontro terá um carácter de tiro de partida. Cada uma das partes trará as suas prioridades, os seus acentos e a sua visão da política externa”, declarou.
Serguei Prikhodko chamou a atenção para as intenções construtivas da nova administração norte-americana para “corrigir as relações bilaterais, pôr em andamento um trabalho conjunto baseado no pragmatismo, no reconhecimento dos interesses mútuos e sem nenhum tipo de preconceitos ideológicos”.
Ao mesmo tempo, o assessor do Kremlin sublinhou que “mantendo posturas realistas, entendemos perfeitamente as contradições que nos dividem e não temos ilusões de que serão fáceis de superar”.
O funcionário russo informou também que Medvedev irá propôr ao seu homólogo norte-americano a monitorização conjunta das ameaças de mísseis, como alternativa ao sistema norte-americano de defensa anti-míssil na Europa.
“Recordaremos a nossa proposta de vigiar de forma conjunta as ameaças de mísseis na direcção sul”, sublinhou.
Serguei Prikhodko revelou também que Medvedev e Obama irão abordar assuntos relacionados com a não proliferação de armas atómicas, a luta contra o terrorismo nuclear, a crise financeira e a proposta russa de reformulação da estrutura europeia de segurança.
Os dois presidentes “analisarão com detalhe a problemática norte-coreana e iraniana”, especialmente a nova estratégia diplomática de Obama face a Teerão.

Sábado, Março 28, 2009

Moeda universal: utopia ou realidade

 1059 ¤RARISSIMA¤ ESPERANTO 1 Stelo 1959 Veja descriçăo!!!! A delegação russa à cimeira do G20 em Londres, dirigida pelo Presidente russo, leva um extenso pacote de medidas para edificar "uma nova arquitectura financeira mundial”, que inclui a proposta de criação de uma “moeda supranacional única”.
A “criação de uma moeda de reserva supranacional, cuja emissão será feita por institutos financeiros internacionais. Consideramos necessário analisar o papel do FMI (Fundo Monetário Internacional) nesse processo, bem como determinar a possibilidade e necessidade de tomada de medidas que permitam a essa moeda tornar-se uma moeda 'de super-reserva' por toda a comunidade mundial”, lê-se num documento aprovado pelo governo russo para a cimeira de Londres a 02 de Abril.
Segundo o Kremlin, a base da futura moeda supranacional única poderá ser os Special Drawing Rights (SDR) do FMI. Como fase intermédia, a Rússia defende o aumento do número de divisas de reserva e a criação de vários centros financeiros.
A ideia de criação de uma “moeda supranacional única” foi avançada, entre outros, pelo Presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbaev, em Fevereiro passado, proposta que foi imediatamente apoiada pela Rússia, que decidiu colocar essa questão na Cimeira de Londres.
A ideia recebeu um novo impulso quando a China anunciou também o apoio à criação de uma “moeda supranacional única”.
“Uma das tarefas estratégicas é a criação de uma moeda de reserva que não esteja ligada à economia de um país definido. Essa moeda deve ser estável a longo prazo. O Fundo Monetário Mundial deve controlar o novo sistema financeiro”, de acordo com um relatório do Banco Central da China, citado pelas agências noticiosas russas.
Moscovo reconhece que se trata de um projecto a longo prazo tendo em conta a oposição dos Estados Unidos a essa ideia.
"Acredito na economia americana e no dólar... Estou convencido de que não há necessidade nenhuma de uma nova moeda internacional”, declarou o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, numa conferência de imprensa a 24 de Março.
Quinta-feira, o Kremlin propôs a convocação de uma conferência internacional sobre a moeda supranacional única em Moscovo.
“Consideramos que o obstáculo fulcral à criação da nova moeda de reserva não é a impossibilidade técnica, nem futuras divergências entre os participantes da nova união monetária, mas a existência de uma potente vontade política da parte dos Estados Unidos de não permitir o aparecimento de uma nova moeda”, declarou à agência Lusa o economista russo Pavel Pikulev.
“Ontem (quinta-feira), a favor da criação da nova moeda de reserva com base no SDR manifestou-se George Soros. O facto de a favor dessa ideia se manifestarem pessoas tão competentes mostra que não vale a pena considerá-la logo utópica, como fizeram muitos dos nossos colegas”, frisou.

Sexta-feira, Março 27, 2009

Corrida militar às riquezas do Árctico


A Rússia tenciona criar um contingente especial de tropas no Árctico, que terá por objectivo garantir a segurança da parte russa do Oceano Glaciar Árctico “em diferentes condições de situação político-militar”, defende o Conselho de Segurança da Rússia.
Num documento publicado no sítio electrónico do Conselho de Segurança da Rússia: “Bases da Política Estatal da Rússia no Árctico até 2020 e Posterior Perspectiva”, assinala-se também que esse região deve passar a ser controlada pelo Serviço Federal de Segurança (FSB, ex-KGB) e, até 2016, transformar-se “numa estratégica base de recursos da Federação da Rússia”.
O capítulo “Tarefas e medidas fundamentais para a realização da política de Estado da Rússia no Árctico” é dedicado à criação nessa região de “contingentes de tropas convencionais das Forças Armadas da Rússia, de outras tropas, de órgãos e unidades militares na zona árctica da Rússia capazes de garantir a segurança militar em diferentes condições da situação político-militar”.
Além disso, o documento propõe a criação de “um sistema activamente funcional de guarda-costeira do Serviço Federal da Rússia na zona árctica”, sublinhando que essa região deverá ficar sobre apertado controlo do FSB (ex-KGB).
“Optimizar o sistema de controlo complexo da situação no Árctico, incluindo o controlo fronteiriço nos postos de travessia da fronteira da Rússia, implantar um regime de zonas fronteiriças na região do Árctico e organizar o controlo instrumental e técnico de baías, de foz de rios e de estuários na Rota Marítima Árctica”, lê-se no documento.
A Rota Marítima Árctica é uma via que liga os portos setentrionais da parte europeia da Rússia com o Extremo Oriente desse país. Por enquanto, a navegação é realizada durante alguns meses, mas o aquecimento global pode torná-la navegável durante todo o ano.
Entre as prioridades da estratégia sublinha-se a delimitação das fronteiras marítimas no Oceano Glaciar Árctico e a garantia de uma presença mutuamente vantajosa da Rússia no Arquipélado de Spitsbergen.
O Arquipélago de Spitsbergen é um território sob soberania da Noruega, embora sujeito a um regime específico de acesso aos seus recursos naturais por parte da Rússia.
Segundo a estratégia aprovada, até 2010 devem ser preparados todos os materiais jurídicos que provem que a cordilheira submarina de Lomonossov e a elevação submarina de Mendeleev são a continuação da plataforma continental e parte do território da Federação da Rússia.
Segundo cálculos de cientistas russos, no Árctico encontram-se cerca de 20 pc das reservas mundiais de petróleo e gás.
Além da Rússia, aos territórios e riquezas naturais dessa região pretendem países como Canadá, Estados Unidos, Noruega e Dinamarca.

Quinta-feira, Março 26, 2009

Pedido aos leitores

Caros leitores, a minha paciência está a esgotar-se no que diz respeito a certos comentários descabidos, insultuosos, racistas, etc.,etc.
Eu gostaria que este blog fosse um lugar onde se discutisse de forma séria, acesa, mas leal. É isso que tenho tentado fazer. Eu escrevo não para convencer o mundo ou mostrar que tenho razão, mas para provocar ums discussão que traga ideias novas.
Porém, há pessoas que têm outros objectivos e a essas peço que deixem de ler este blog, criem o seu e digam o que quiserem. Não estraguem o trabalho dos outros, tanto mais escondendo-se por detrás do anonimato.
Eu não vou desistir e continuarei até ter algo a dizer, sem nunca insultar quem quer que seja. Peço aos leitores que escrevem comentários que façam o mesmo. Tenho pouco tempo para analisar todos os comentários e limpar os insultuosos, mas se as coisas continuarem assim, só irei publicar os comentários que achar por bem.

Rússia na luta pelo gás turcomeno


A Rússia e o Turquemenistão assinarão novos acordos na esfera do gás, declarou na quarta-feira Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, depois de um encontro com o seu homólogo turcomeno, Gurbanguli Berdimukhamedov.
“Analisámos pormenorizadamente a problemática da cooperação no sector energético, nomeadamente a realização de acordos tão importantes como o acordo intergovernamental sobre o gasoduto Cáspio, de uma série de outros projectos. Estão a ser preparados novos documentos, novos projectos na esfera gasífera, penso que, dentro em breve, iremos assiná-los”, declarou Medvedev.
Serguei Prikhodko, assessor do Presidente Medvedev para assuntos internacionais, precisou as palavras do dirigente do Kremlin.
“O ministro da Energia da Rússia, Serguei Chmatko, visitará brevemente Achkhabad (capital turcomena) para finalizar a preparação do texto do acordo sobre a contrução do gasoduto “Oriente-Ocidente”, que irá ligar os poços gasíferos do nordeste do Turquemenistão e o gasoduto Cáspio. Os dirigentes dos dois países planeiam assinar esse documento no próximo encontro”, declarou Prikhodko aos jornalistas.
Porém, a imprensa russa de quinta-feira chama a atenção para o facto de a assinatura desse documento ter sido anunciada para ontem e ter sido adiada. O diário económico "Vedomosti", citando uma fonte da direcção da Gazprom, escreve que o acordo não foi assinado por acordo de ambas as partes. O Presidente do Turquemenistão não quis por motivos políticos, porque existem projectos de gasodutos que irão ladear a Rússia: o Transcáspio para a Turquia e o Nabucco para a Europa. A "Gazprom" não tem "dinheiro livre", porque os preços do gás irão cair.
Segundo o "Vedomosti", "a fonte está convencida de que o mais provável é que renunciem a esse acordo".
Quanto ao gasoduto Cáspio, projecto realizado conjuntamente pelo Turquemenistão, Rússia e Cazaquestão, a sua construção deverá começar em 2009. O novo tubo, que pretende concorrer com o projecto Nabucco, apoiado pela União Europeia, terá 1700 quilómetros de comprimento e capacidade anual para transportar cerca de 30 mil milhões de metros cúbicos de gás turcomeno até à costa do Cáspio, de onde será transportado para a Europa através de gasodutos russos.
Segundo os peritos, esta obra irá custar cerca de 800 milhões de euros.
Medvedev e Berdimukhamedov manifestaram também o seu apoio à realização de uma conferência internacional sobre transporte de combustíveis.
“Os chefes dos Estados... manifestaram o seu apoio à realização, em Abril de 2009, em Achkhabad, uma conferência internacional para discutir questões do transporte fiável e estável de combustíveis para os mercados mundiais”, lê-se numa declaração conjunta publicada após as conversações no Kremlin.
Os dirigentes dos dois países apoiaram também a continuação do processo de conversações com vista à delimitação do fundo do Mar Cáspio entre os países ribeirinhos.
“Neste contexto, foi assinalada a necessidade do cumprimento rápido de todas as decisões do encontro dos presidentes dos Estados do Cáspio em Teerão, o que criaria premissas para a convocação da quarta cimeira em Baku”, lê-se na declaração conjunta.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Más notícias para os racistas

Nikolai Iankovski, director do Instituto de Genética da Rússia, considera ser missão impossível a criação de uma arma “etnogenética” destinada a exterminar uma determinada etnia.
Militares e cientistas anunciaram a possibilidade de criação no futuro de uma arma etnogenética que acabe com uma determinada etnia mediante agentes biológicos que, ao mesmo tempo, não sejam nocivos para outras etnias. Segundo eles, a capacidade da arma para distinguir entre uma e outra etnia deve basear-se no estudo das diferenças genéticas das mesmas.
Nikolai Iankovski declarou que colaboradores seus estudam há vários anos as características genéticas de diversas etnias.
“Conseguimos encontrar particularidades próprias de uma determinada etnia. Mas estas particularidades também são encontradas, mesmo que numa pequena percentagem, noutra etnia. Se alguma particularidade genética se observa frequentemente, ela pode ser encontrada de forma mais rara nas etnias vizinhas”, declarou ele, citado pela agência Ria-Novosti.
“Por exemplo, segundo alguns indícios genéticos, os eslavos croatas estão mais próximos dos italianos do que dos eslavos russos. Os eslavos eslovacos estão mais próximos dos austríacos do que dos russos”, sublinhou Iankovski.
Estudos sociológicos realizados em Moscovo mostram que os descententes de matrimónios mistos, na maioria dos casos, consideram-se pertencer à nacionalidade titular dessa região.
“Por conseguinte, pertencer a uma nacionalidade, a uma etnia, é mais um acto cultural que genético”, considerou.
Segundo o cientista, os povos que vivem perto um do outro pouco se diferenciam geneticamente. Por exemplo, os russos e tártaros pouco diferem no que diz respeito a génes europeus e asiáticos adquiridos de suas mães. Se os russos têm 90 pc de génes europeus por nascimento, os tártaros têm 85 pc.
“Actualmente, não existe tecnologia para criar uma arma que extermine uma etnia determinada. Se algum dia a criarem, aniquilará uma mísera percentagem de pessoas que pertencem a uma mesma etnia. Se aumenta o diapasão de particularidades genéticas da arma, então populações vizinhas poderão correr o risco de serem destruídas”, concluiu o cientista.

Kremlin reage muito mal a acordo Ucrânia/UE


O Kremlin reagiu com dureza e indignação ao facto de não ter sido convidado para participar na modernização do sistema ucraniano de transporte de gás. A Ucrânia pode não receber um empréstimo de Moscovo e Iúlia Timochenko é já acusada de ter traído Vladimir Putin e os interesses da Rússia.

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou na terça-feira a decisão de adiar as consultas entre governos russo e ucraniano até que se esclareçam as dúvidas sobre a declaração conjunta que a Ucrânia e a União Europeia assinaram para modernizar a rede ucraniana de transporte de gás.
As citadas consultas, que estavam previstas inicialmente para a semana que vem, “irão realizar-se depois de esclarecidas as perguntas que tem a parte russa”, declarou Medvedev ao intervir numa reunião do Conselho de Segurança Nacional da Rússia.

Durante essas conversações, deveria ser discutida a questão da concessão pela Rússia de um empréstimo à Ucrânia no valor de cinco mil milhões de dólares.
A Ucrânia, Comissão Europeia, Banco Europeu de Investimento, Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial assinaram ontem uma "declaração comum", fixando os compromissos que Kiev assume para receber 2500 mil euros para a modernização do sistema de transporte ucraniano de gás, a principal via de transporte do combustível azul russo para a Europa.
A Rússia viu-se marginalizada do projecto e reagiu mal: o primeiro-ministro, Vladimir Putin, considerou o documento "no mínimo, irreflectido e pouco profissional" e o ministro da Energia, Serguei Chmatko, mostrou-se "surpreendido" pelo facto de o texto não fazer "nenhuma referência à Rússia nem como fornecedor nem como parceiro estratégico."
Putin deixou um aviso à Europa, através da televisão russa: "Se os interesses da Rússia são ignorados, seremos forçamos a rever os princípios das nossas relações" com a União Europeia.
O Kremlin não ficou convencido com a promessa de Iúlia Timochenko, primeira-ministra ucraniana, que declarou que o seu país não exclui a Rússia do processo de modernização da rede nacional de gasodutos.
“A Rússia tem oportunidade para investir e participar na modernização do sistema de transporte de gás”, afirmou Timochenko ao comentar as reacções duras de Moscovo.
“Sabemos que nem tudo caiu bem na delagação russa”, assinalou ela e acrescentou que a recente vitória do Shahktar Donetsk sobre o CSKA de Moscovo nos quartos de final da Taça UEFA também deve ter caído mal na capital russa.
“Trata-se simplesmente de uma vitória, e não da traição dos interesses nacionais da Rússia”, ironizou a primeira-ministra ucraniana.

Terça-feira, Março 24, 2009

Vladimir Putin ameaça União Europeia


Ontem (segunda-feira) à noite, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin reuniu os jornalistas russos para fazer declarações que constituem uma ameaça aberta à União Europeia.
Começo por citar o que escreveram as agências: "Moscovo irá rever as relações com a UE se os seus interesses energéticos forem ignorados, garantiu hoje o primeiro-ministro russo, que classificou de "absurdas" as conclusões da reunião Bruxelas-Kiev dedicada ao fornecimento de gás natural."Se os interesses russos forem ignorados, seremos forçados a rever as relações com a União Europeia (UE)", frisou na televisão Vladimir Putin, após a assinatura da declaração conjunta de Bruxelas e Kiev sobre o fornecimento de gás natural."O documento parece, no mínimo, irreflectido e pouco profissional", afirmou Putin, classificando de "absurda" a ausência de uma representação russa na reunião."Discutir o trânsito do gás natural pela Ucrânia, sem que o principal fornecedor - a Rússia - seja ouvido, é um absurdo", insistiu.Putin frisou que o seu país aposta no "trabalho construtivo com todos os parceiros" dispostos a ouvir a Rússia.A Ucrânia, a Comissão Europeia, o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) e o Banco Mundial assinaram hoje uma "declaração comum" consagrando os compromissos de Kiev para receber apoio financeiro ocidental, neste caso 2.500 milhões de euros destinados a infra-estruturas.O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo também denunciou a declaração conjunta que, na sua opinião, poderá contribuir para o disparar do preço do gás natural e para a desregulação dos mercados."Há disposições em contradição com os acordos russo-ucranianos a longo prazo, o preço do gás poderá subir e prejudicar tanto os consumidores ucranianos, como europeus", disse.Uma grande parte da Europa ficou privada de gás natural no último Inverno, por causa da "guerra do gás natural" russo-ucraniana.Cerca de 80 por cento do gás russo consumido na Europa transita pela Ucrânia."
Vladimir Putin ficou claramente nervoso porque Bruxelas começou, finalmente, a dar passos no sentido de defender e acautelar os seus interesses no campo energético, entrando em territórios onde Moscovo continua a considerar ter "interesses especiais".
Mas vamos por partes. A Ucrânia conseguiu um dos seus principais objectivos da guerra do gás com a Rússia. Se o projecto com a UE for para a frente, Moscovo terá de vender o seu gás à UE não na fronteira entre a Ucrânia e a UE,como acontecia até agora, mas na fronteira entre a Ucrânia (cujo sistema de transporte de gás passará a fazer parte do europeu) e a Rússia, ou seja, Kiev dá um passo gigante no campo da integração energética europeia. Não exagero se escrever que este passo equivale à adesão da Ucrânia à NATO.
Quanto à UE, as vantagens também são evidentes pois terá possibilidade de participar na modernização e gestão de uma das veias vitais de fornecimento de gás russo à Europa. Além disso, se tiver coragem política para isso, poderá contribuir para tornar mais transparente o negócio do transporte do combustível azul através da Ucrânia.
É também de salientar que, durante a guerra do gás, no início do ano, Kiev assinou com Washington um acordo semelhante que não teve seguimento, mas cumpriu o principal objectivo do Presidente Victor Iuschenko: alertou a UE e a Rússia para o risco de terem de tratar os fornecimentos de gás através dos norte-americanos. O acordo foi assinado por Vladimir Ogrizko, ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, que foi demitido há pouco tempo.
Para a Rússia, o acordo entre a UE e Ucrânia só é uma derrota do ponto de vista das pretensões de Moscovo. Vladimir Putin não escondia, nem esconde, que o seu país pretendia controlar o sistema de transporte ucraniano de gás, pois ganharia mais uma forte alavanca de pressão política e económica sobre o vizinho. Além disso, deve-lhe ter custado especialmente ver que o acordo foi assinado pela primeira-ministra ucraniana, Iúlia Timochenko, candidata apoiada pelo Kremlin nas futuras eleições presidenciais, bem como ver que o documento teve o apoio de dois políticos ucranianos mortalmente rivais: Timochenko e Iuschenko. Poderá ser este o início da conciliação? Duvido, mas...
Por isso, o Partido das Regiões da Ucrânia, que se estava a ver ultrapassado por Timochenko na conquista do apoio do Kremlin, já veio dizer "raios e coriscos" do acordo e deverá tudo fazer para impedir a sua realização.
Não se pode ignorar a ameaça de Vladimir Putin de rever as relações com a UE, mas, por outro lado, é preciso ter em conta que a Europa é o maior consumidor do gás russo e, caso Moscovo não o venda às empresas europeias, não terá a quem o vender, pelo menos nos próximos anos. Ora, as exportações de gás são uma das maiores fontes de rendimento do Orçamento russo. Por isso, UE e Rússia terão de chegar a um entendimento mutuamente vantajoso.

Segunda-feira, Março 23, 2009

Domingo, Março 22, 2009

Contributo para História (Angola)


A União Soviética viu com bons olhos a audiência que o Papa Paulo VI concedeu aos dirigentes dos movimentos de guerrilha em Angola, Guiné e Moçambique, em Junho de 1970, considerando a iniciativa um duro golpe no regime salazarista.
“Tratou-se de um duríssimo golpe no ditador de Portugal, Salazar, e no ramo português da igreja católica que apoia a guerra dos colonizadores nas colónias”, escreveu nas suas memórias Piotr Evsiukov, antigo alto funcionário da Secção Internacional do Partido Comunista da União Soviética e um dos responsáveis pela política soviética em relação às colónias portuguesas.
Piotr Evsiukov, que foi também embaixador soviético em Moçambique após 1975, considerou que essa audiência foi um dos factores fundamentais do êxito da Conferência Internacional de Apoio aos Povos das Colónias Portuguesas, realizada em Roma entre 27 e 29 de Junho de 1970.
“Primeiro, a política de Portugal, país-membro da NATO, foi sujeita a uma dura crítica. Segundo, na conferência participaram Agostinho Neto do MPLA, Amílcar Cabral do PAIGC e Marcelino dos Santos da FRELIMO, que também foram recebidos pelo Papa Paulo VI no Vaticano”, escreveu o diplomata soviético nas suas memórias.
A Conferência de Roma foi fulcral para o processo de reconhecimento dos movimentos de libertação nacional pela comunidade internacional.
“Estamos convencidos de que a Conferência de Roma abre uma nova etapa na prestação de apoio material, político e moral de que o nosso povo necessita”, declarou, então, Agostinho Neto.
A delegação soviética nessa conferência era constituída pelo professor Igor Blischenko, mais conhecido por “camarada Pedro” entre os dirigentes do MPLA, pelo historiador Vladimir Chubin e por Vassili Solodovnikov, director do Instituto de África da Academia das Ciências da URSS e vice-presidente do Comité Soviético da Organização de Solidariedade com os Países da Ásia e da África.
Após a Conferência de Roma e a audiência do Vaticano, Solodovnikov recebeu autorização dos dirigentes soviéticos de tornar público, através de uma entrevista ao jornal “Pravda”, órgão do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética, o facto de Moscovo fornecer armamentos e prestar outra ajuda aos movimentos de libertação nas colónias portuguesas de África.
Nessa entrevista, Solodovnikov revelou também que a URSS preparava quadros militares e civis para esses movimentos.
Segundo dados dos arquivos soviéticos, em 1963, a URSS prestou ao MPLA uma ajuda no valor de 50 mil dólares norte-americanos, quantia que subiu até 220 mil em 1973. Nesse mesmo ano, o PAIGC recebeu apoios no valor de 150 mil dólares e a Frelimo, 85 mil.
A ajuda material e financeira era canalizada através do Fundo Sindical Internacional de Ajuda às Organizações Operárias de Esquerda, com sede na Roménia.

Sexta-feira, Março 20, 2009

Igreja Ortodoxa Russa solidariza-se com Bento XVI no caso da sida


A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) manifesta a sua solidariedade com o Papa de Roma, Bento XVI, que se manifesta contra a utilização do preservativo, nomeadamente na luta contra a sida, declarou Vselovod Tchaplin, vice-chefe da Secção Internacional da IOR.
“É incorrecto ver nos preservativos uma panaceia para a sida”, declarou ele, ao comentar a onda de protestos levantada pelas declarações de Bento XVI em África.
Segundo o sacerdote ortodoxo, a sida não poderá ser travada com meios contraceptivos, mas “com a educação do homem e um modo correcto de vida”.
“Se o homem faz uma vida pecaminosa, dedica-se à depravação, droga-se, vive sem objectivo nem sentido, uma ou outra doença irá levá-lo à morte mais tarde ou mais cedo, ele não será salvo nem por preservativos, nem por qualquer outro medicamento”, acrescentou.
Vselovod Tchaplin critica as organizações “que tentam, ao mesmo tempo, manter o ideal da liberdade sexual absoluta e a preocupação pela não difusão dessa doença”.
“Resumindo, a difusão da sida só pode ser travada pela educação espiritual da sociedade, e não com a utilização de preservativos, de seringas descartáveis ou de métodos modernos de tratamento”, concluiu o sacerdote ortodoxo.

Bom exemplo de iniciativa municipal

Uma delegação da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, chefiada pelo vice-presidente Marco António Costa, esteve na capital russa na tentativa de conseguir atrair investimentos russos para vários projectos a realizar não só na cidade, mas também na Região do Douro.
A delegação, de que também faziam parte o vereador Barbosa Ribeiro e o Consul da Rússia no Porto, Couto dos Santos, realizaram encontros com dirigentes da Câmara do Comércio e da Indústria da Rússia, bem como com vários membros do Governo de Moscovo.
“Tradicionalmente, os municípios portugueses são vistos como gastadores de dinheiro, mas o de Gaia aposta na atracção de investimentos estrangeiros”, declarou à Lusa Marco António Costa.
O vice-presidente da edilidade gaiense sublinhou que veio a Moscovo à procura de investimentos em projectos no campo da construção de habitações de luxo e do turismo de qualidade, ligando esses projectos ao plano de recuperação do centro histórico de Gaia e ao Vinho do Porto.
“Pretendemos explorar e aproveitar o triângulo de Gaia, Região do Douro e da cidade do Porto no campo do turismo de qualidade, não só atrair investimentos para esse projecto, mas também trazer turistas para a região, nomeadamente russos”, acrescentou.
“Viemos também mostrar aos russos” – continua Marco António Costa- “que podem investir em sectores tecnológicos de ponta, que estão a ser criados ou já existem no concelho de Gaia. Estão a ser criados um parque tecnológico, em parceria com as universidades do Porto e de Aveiro, com empresas como a Salvador Caetano e a Teixeira Duarte) e dois parques industriais”.
“Queremos também abrir portas para as empresas da Região Norte na Rússia e para empresários russos nesta região portuguesa”, frisou.
“Acordámos com a Câmara de Comércio e Indústria da Rússia apresentar uma lista de oito empresas portuguesas que pretendem fazer negócios na Rússia e ela apresentará um igual número de empresas que estejam interessados em investir na nossa região”, concretizou.
A cooperação bilateral passará pela Amigaia Investors Club, organização que visa apoiar o investimento no concelho de Vila Nova de Gaia.
Marcos António Costa criticou o facto de a transportadora aérea portuguesa TAP ter organizado cinco voos por semana entre Lisboa e Moscovo e se ter esquecido do Porto.
“É inconcebível que pelo menos um desses voos não ligue Moscovo ao Porto, ao Norte de Portugal, onde se encontram muitas empresas que trabalham com o mercado russo. Além disso, a nova linha faria aumentar o fluxo de turistas russos para esta região”, declarou o autarca.
A TAP irá ligar Lisboa a Moscovo a partir do dia 10 de Junho.
Abertas as primeiras portas, a cooperação irá materializar-se com uma visita de Luís Filipe Meneses, presidente da Câmara de Gaia, a Moscovo, prevista para finais de Maio e durante a qual irão ser assinados documentos sobre cooperação em áreas concretas.
Marco António Costa revelou também que Gaia pretende estabelecer estreitos laços económicos e sociais com Sotchi, cidade russa do Mar Negro onde se irão realizar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014.

TAP aposta forte no mercado russo


A Transportadora Aérea Portuguesa (TAP) vai dar início, no próximo dia 12 de Junho, a cinco ligações aéreas semanais entre Lisboa e Moscovo a fim de aumentar a corrente turística russa para Portugal, bem como fazer da capital portuguesa uma ponte entre a Rússia, por um lado, e o Brasil e África, por outro.
Carlos Paneiro, director de vendas da TAP, não esconde que se trata de um risco lançar esse número de voos entre as duas capitais em tempo de crise, mas sublinha que se trata de uma racionalização de meios.
“Começar com menos de cinco voos semanais seria um risco ainda maior devido a que um número menor não justificaria o investimento que está a ser feito para dar início a este projecto”, declarou à Lusa Carlos Paneiro, que se encontra em Moscovo para lançar o projecto da TAP na Feira Internacional de Turismo.
“Tivemos o cuidado de programar os horários de forma a que os passageiros vindos de Moscovo possam utilizar Lisboa como ponte para o Brasil, Angola, Senegal. E claro que para o Porto, Faro e Funchal”, acrescentou.
De 1975 a 2004, as ligações aéreas entre Lisboa e Moscovo eram realizadas pela companhia Aeroflot, que as suspendeu sem qualquer tipo de justificação nas vésperas do Campeonato de Futebol da Europa.
Mais tarde, a companhia russa Krasair organizou uma ligação directa semanal entre as duas capitais, que foi encerrada no ano passado devido à falência da empresa.
As declarações de Carlos Paneiro são recebidas de forma oposta pelos agentes turísticos russos e portugueses.
Na Feira Internacional de Moscovo estão representadas 12 empresas de turismo e hotéis portugueses, bem como as regiões de turismo de Lisboa, Algarve e Madeira. Além disso, o stand luso alberga as representações de várias agências russas que vendem Portugal como destino turístico.
“Acho que cinco voos ainda serão claramente insuficientes”, defende Alexei Komarov, representante da empresa Pinto Lopes Viagens em Moscovo.
Segundo ele, “o aparecimento de voos directos irão aumentar ainda mais o fluxo turístico para Portugal, pois será mais fácil chegar aí”.
O Consulado de Portugal na Rússia concedeu, em 2007, 18.793 visto, número que subiu para 22.745 em 2008. O objectivo das autoridades portuguesas é elevar esse número até 50 mil por ano.
Francisco Paulino, da agência Quasar, discorda da decisão da TAP.
“Quando a esmola é grande, o pobre desconfia. Trata-se claramente de um número exagerado de voos”, declarou à Lusa, e acrescentou: “Quanto às ligações para o Brasil, África, estamos aqui para atrair turistas para Portugal e não para outros países”.
“O maior número de turistas vai para o Algarve, mas a TAP não organizou sequer um voo para Faro”, concluiu.
“Claro que gostaríamos de voar de Moscovo para Faro, Porto e Funchal, mas isso faria aumentar em muito os custos da operação”, retorquiu Paneiro.
“Além disso, os passageiros poderão facilmente voar de Lisboa para outras cidades portuguesas”, frisou.
Galina Bolshakova, funcionária da agência de viagens russa Quinta-Tour, espera pelos primeiros resultados para tirar conclusões, mas estranha a falta de publicidade desta nova ligação aérea.
“Portugal é ainda pouco conhecido na Rússia. Já devia ter iniciado uma campanha de publicidade e divulgação dos novos voos, mas os operadores turísticas ainda não sabem preços e condições de reserva de bilhetes”, declara à Lusa.
Carlos Paneiro reconheceu a existência de falhas, mas prometeu a normalização para muito breve, queixando-se de “problemas burocráticos e técnicos”.
Fernado Paulino e outros representantes do turismo português queixam-se da falta de guias com conhecimento da língua russa.
“Iremos continuar a trabalhar um pouco ilegal, como até agora. Queremos prestar um serviço de qualidade, mas não temos guias oficiais, por isso recorremos a pessoas qualificadas, mas sem esse estatuto”, reconheceu.
Em Portugal há menos de 10 guias turísticos oficiais que dominam a língua russa.

P.S. A minha opinião pessoal sobre estes problemas resume-se ao seguinte. Desejo o maior dos êxitos à TAP, mas considero que se trata de um alto risco avançar com cinco voos semamais numa situação em que se desconhece o comportamento do mercado turístico russo. Os cálculos da queda no número de turistas russos que descançam no estrangeiro variam entre 10 e 40 %.

Quanto à necessidade de se resolver o problema da falta de guias com conhecimentos de língua russa (o mesmo se pode dizer em relação a polaco, checo, etc., etc.), já estou cansado de escrever sobre isso e de chamar a atenção das autoridades portuguesas competentes. Por isso, como me disseram alguns dos agentes turísticos portugueses, "temos de nos desenrascar".

Quarta-feira, Março 18, 2009

Uma no cravo, outra na ferradura...


A Rússia assinou um contrato de fornecimento ao Irão do sistema de defesa anti-aéreo S-300, mas ainda não forneceu, até hoje, mísseis a esse país, declarou às agências russas uma fonte anónima do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar da Rússia.
“Por enquanto ainda não foram entregues ao Irão os complexos S-300, fabricados no quadro do contrato assinado há dois anos atrás. Mas o contrato está a ser gradualmente cumprido”, disse a fonte.
“O posterior cumprimento do contrato dependerá em muito da situação internacional criada e da decisão da direcção do país”, acrescentou a fonte do serviço que controla a exportação de armas russas.
Segundo a fonte, “a Rússia está interessada no cumprimento deste contrato, avaliado em centenas de milhões de dólares”.
A suspensão da cooperação militar entre Moscovo e Teerão, nomeadamente no campo do fornecimento de armamentos modernos, é uma das condições avançadas pela nova administração norte-americana para rever a decisão de instalar elementos de um sistema de defesa anti-míssil na Polónia e República Checa.
Depois das declarações duras e agressivas de Dmitri Medvedev, pronunciadas ontem num encontro com generais russos, onde o Presidente russo prometeu “um forte rearmamento” das Forças Armadas da Rússia a partir de 2011, principalmente das forças nucleares estratégicas, como resposta ao alargamento da NATO, Moscovo dá hoje um sinal positivo.
“As revelações hoje feitas pela fonte anónima, que são credíveis porque estão a ser divulgadas pelas grandes agências oficiais de informações russas, visam desanuviar a situação nas vésperas do encontro de Medvedev e Obama”, declarou à Lusa uma fonte diplomática em Moscovo.
Os presidentes russo e norte-americano irão encontrar-se em Londres a 01 de Abril, à margem da reunião do G-20.

Terça-feira, Março 17, 2009

Medvedev anuncia rearmamento da Rússia


O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, aproveitou uma reunião de altas patentes militares para anunciar um forte rearmamento das Forças Armadas russas a partir de 2011. Como é costume quando os dirigentes russos falam com militares, Medvedev foi duro no discurso e farto em promessas.
“No ano passado conseguimos apetrechar com equipamento moderno uma série de agrupamentos e unidades e a partir de 2011 começará o rearmamento em grande escala do Exército e da Armada”, afirmou o chefe do Kremlin, citado pela agência noticiosa RIA-Novosti, numa reunião com os responsáveis máximos do ministério da Defesa.
Medvedev declarou que a NATO não pára de tentar ampliar as infra-estruturas militares perto das fronteiras da Rússia e sublinhou que a análise da situação político-militar no mundo demonstra que numa série de regiões há um grande potencial de conflitos.
As ameaças de crises locais e de terrorismo internacional mantêm-se, adiantou.
“Tudo isto exige uma modernização qualitativa das nossas Forças Armadas, que estas adquiram um novo perfil e futuro e para isto, apesar das actuais dificuldades financeiras, hoje existem todas as condições necessárias”, sublinhou.
Medvedev apresentou a tarefa de elevar qualitativamente a preparação para combate das Forças Armadas da Federação da Rússia e, em primeiro lugar, das forças nucleares estratégicas.
“Estas devem ser capazes de cumprir plenamente todas as tarefas para garantir a segurança militar da Rússia”, disse.
Entre as tarefas prioritárias para a modernização qualitativa das Forças Armadas do país, Medvedev sublinhou a de fazer com que todos os agrupamentos e unidades militares estejam em alerta permanente.
“Um Exército moderno, bem treinado e apetrechado com novíssimos armamentos é a garantia da nossa segurança, da nossa defesa de qualquer agressão potencial”, afirmou Medvedev, que adiantou que também é a “condição básica” para o desenvolvimento da Rússia e da economia e do bem-estar do povo.
O chefe de Estado anunciou que proximamente o Conselho de Segurança da Rússia vai adoptar a estratégia de segurança nacional do país até ao ano de 2020.
“A optimização da estrutura e da quantidade de efectivos do exército” é uma das principais tarefas da modernização das Forças Armadas, disse.
O Presidente russo defendeu o aperfeiçoamento do sistema de educação militar e sublinhou que a rede de estabelecimentos educativos militares deve adaptar-se às necessidades reais de oficiais sentidas pelo Exército.
As reacções a estas declarações foram diferentes na Rússia.
O embaixador da Rússia junto da NATO, Dmitri Rogozin, considerou hoje que o anúncio do rearmamento das forças armadas russas não se vai reflectir nas relações entre Moscovo e a Aliança Atlântica.
“A posse de armas nucleares é a base política para a vida pacífica dos cidadãos do nosso país”, declarou Rogozin à rádio Eco de Moscovo, ao comentar as palavras de Medvedev sobre a necessidade de modernizar as forças nucleares estratégicas da Rússia.
“As forças nucleares estratégicas da Rússia são uma das estruturas mais estáveis no nosso país. Mesmo no período das mais profundas convulsões, da desintegração da União Soviética, de mudanças do sistema político, o nosso escudo nuclear trabalhou tão bem como um relógio”, acrescentou.
O presidente do Comité de Defesa e Segurança do Senado da Rússia, Victor Ozerov afirmou que «quaisquer transformações económicas, qualquer superação da crise só podem ser realizadas quando se sente que ninguém ameaça a segurança do Estado (russo)».
«Quando existe paridade das forças nucleares estratégicas com outras potências, principalmente com os Estados da NATO”, defendeu Ozerov.
Para o director do Instituto de Análise Política e Militar da Rússia, Alexandre Chavarin, as declarações de Medvedev e do ministro da Defesa russo, Anatoli Serdiukov, sobre a ampliação da NATO são “retórica tradicional”, sublinhando que não constitui qualquer ameaça à segurança russa.
“A NATO é constituída por 27 Estados, com interesses políticos muito diversos”, sublinhou.
Este analista destacou o facto de estas declarações terem sido feitas a menos de duas semanas do encontro de Medvedev com o Presidente norte-americano, Barack Obama, considerando-as «não construtivas».
Por seu lado, o director da revista Rússia na política global, Fiodor Lukianov, considerou que o dirigente russo nada disse de novo.
“O mundo torna-se cada vez mais incontrolável e agressivo. Isso é reconhecido não só pela Rússia. Por isso, as palavras de Medvedev não contradizem os acordos conseguidos sobre o 'reinício' das relações entre a Rússia e os Estados Unidos”, frisou.
A analista militar Liudmila Averina considerou que a reforma das forças armadas não tem uma base firme.
“Isto não se pode chamar reforma. Tem lugar a destruição planeada das Forças Armadas como tais. Qualquer reforma pressupõe a existência de uma concepção do que queremos. Hoje, não sabem o que fazer delas”, sublinhou.
“Por exemplo, a Rússia não tem condições financeiras para tornar as Forças Armadas profissionais. Hoje nem sequer há dinheiro para pagar aos militares que já prestam serviço militar por contrato”, concluiu.


Domingo, Março 15, 2009

Desemprego atinge seis milhões de pessoas, mas pode subir mais



O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev reconheceu hoje que o número de pessoas que não têm emprego no país é de seis milhões.

A situação com o desemprego é complicada, mas está sob controlo. Embora, nos últimos tempos, os números tenham crescido consideravelmente”, declarou Medvedev numa entrevista ao primeiro canal da televisão russa.

O dirigente russo assinalou que o número de desempregados registados é de dois milhões, mas acrescentou: “se falarmos de desemprego de facto, ou seja, das pessoas que procuram trabalho, mas não se inscreveram no centro de emprego, mais as pessoas que já estão aí inscritas...teremos cerca de seis milhões”.

Este número foi revelado pela primeira vez agora, mas não constitui segredo. Trata-se precisamente de um motivo para realizar os mais diferentes programas, que, realmente falando, já estão agora a ser realizados”, acrescentou.

Nikolai Volguin, presidente da Assembleia Nacional de Peritos no campodo Trabalho e Segurança Social, considera que, até ao fim do ano corrente, o número de desempregados na Rússia poderá subir acima dos dez milhões, sendo a população activa russa de cerca de 76 milhões.

Dmitri Medvedev, porém, garante que não permitirá que o seu país passe por crises como as dos anos 80 e 90 do século passado, tendo a primeira levado ao fim da União Soviética e a segunda, à falência financeira da Rússia.

Temos uma economia radicalmente diferente e, o que é mais importante, o Estado olha de forma completamente nova para os seus compromissos sociais. O que aconteceu, não se repetirá”, frisou.

O Presidente russo apela aos homens de negócios a serem responsáveis.

O papel dos homens de negócios na crise deve ser não só o tradicional: desenvolvimento de negócios, da produção, obtenção de lucro, mas também moral”, declarou.

Segundo ele, “o nosso mundo dos negócios desenvolveu-se rapidamente e, por isso, ganhou muitas possibilidades suplementares. Agora, chegou a hora de pagar as dívidas, as dívidas morais, porque esta crise é um teste à maturidade”.

O Presidente Medvedev considera que só é bom homem de negócios o que tentar conservar o emprego e as empresas.

Se uma pessoa começa a vacilar, vence o seu negócio, foge para algum lugar, isso significa que ela não é um empreendedor correcto”, sublinhou.

Nesse sentido, talvez este seja um período de purificação: quem aguentar a crise, será um empreendor eficaz no bom sentido dessa palavra, um gestor eficaz”, concluiu.

Milhares de manifestantes exigem demissão de Presidente Saakachvili


Cerca de cinco mil pessoas manifestaram-se no centro da capital georgiana para exigir a demissão de Mikhail saakachvili do cargo de Presidente da Geórgia.

“Micha (diminuitivo de Mikhail), vai-te embora!” - gritaram os manifestantes junto do edifício do Parlamento, respondendo a um apelo de várias organizações não governamentais georgianas bque contestam a política do actual dirigente do país.

Num apelo aprovado durante o comício, os manifestantes exigiram também das autoridades e de todas as forças políticas, incluindo a oposição, para que na Geórgia “seja estabelecida a justiça, não seja permitida a violência e o confronto armado entre várias forças políticas e sociais, para que todos os probvlemas sejam resolvidos por via pacífica”.

Saakachvili, no entanto, continua a declarar que não tenciona demitir-se antecipadamente e tenciona continuar no cargo de Presidente até ao fim do mandato, que expira em 2013.

Os principais partidos da oposição exigem a demissão de Saakachvili até 09 de Abril e, se ele não o fizer, promete trazer para a rua de 100 a 150 mil manifestantes.

A Geórgia atravessa uma profunda crise política, grande parte em consequência da pesada derrota militar frente à Rússia, em Agosto do ano passado, quando perdeu dois territórios. Abkházia e Ossétia do Sul.

Chavez "oferece" base aérea à Rússia


O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, propôs aos militares russos que utilizem um aeródromo na ilha La Orchila como base temporária para os aviões estratégicos da Força Aérea russa, anunciou o general Anatoli Jikhariov, comandante da Aviação de Longo Alcance.
“Sim, essa proposta foi feita pelo Presidente da Venezuela. Se for tomada a respectiva decisão política, isso é possível”, declarou hoje o general à agência Interfax.
O general reconheceu que já visitou, no ano passado, a ilha La Orchila, no norte da Venezuela, chefiando uma delegação de oficiais russos, e constatou que o aeródromo da base aérea naval local, depois de uma pequena reconstrução, “será capaz de receber os bombardeiros estratégicos russos com carga completa”.
“O comprimento da pista é de 3200 metros, resta aumentar 300. Em princípio é preciso cobrir de betão 100 metros”, precisou.
“A Constituição proíbe a instalação de bases de Estados estrangeiros na Venezuela, mas é permitida a instalação temporária de um contingente, por exemplo, para a realização de patrulhamento aéreo, que é aquilo que fazemos”, acrescentou.
Segundo o general russo, Chávez fez a sua proposta durante um encontro com pilotos russos no ano passado.
O Kremlin veio dizer depois que as palavras do general devem ser interpretadas apenas como "uma possibilidade técnica",
Em Setembro de 2008, tripulações de dois bombardeiros estratégicos russos Tupolev 160, comandadas pelo general Jikhariov, aterraram na Venezuela durante um patrulhamento aéreo do Mar das Caraíbas.
As autoridades militares russas declararam então que os aparelhos, capazes de transportar 12 mísseis de cruzeiro de longo alcance, não estavam equipados com armas nucleares.
A Força Aérea da Rússia possui actualmente 16 aparelhos Tupolev 160 (conhecidos no Ocidente como “Black Jack”). Tratando-se do maior avião supersónico, ele poderá ser utilizado para atingir alvos importantes, com armas nucleares e convencionais.

Sexta-feira, Março 13, 2009

Polícia detém manifestantes da oposição e jornalistas em Moscovo


A polícia da capital russa deteve, na quinta-feira, cerca de vinte manifestantes da oposição ao primeiro-ministro Vladimir Putin e jornalistas que cobriam mais uma “Marcha de Discordantes”.
A oposição extra-parlamentar, reunida na organização “Outra Rússia”, tinha convocado uma manifestação para o centro de Moscovo, para perto da estação de metropolitano “Tverskaia”, que as autoridades policiais consideraram “ilegal”, tendo mobilizado cerca de quatro mil agentes para impedir a realização dessa iniciativa.
Porém, segundo testemunhas no local, cerca de 300 manifestantes saíram de outra estação de metropolitano, a “Prospekt Mira”, a norte de Moscovo, cortaram a artéria rodoviária com o mesmo nome, e dirigiram-se para o centro da cidade.
Portando bandeiras de organizações da oposição como “Frente Cívica Unida”, “Partido Nacional-Bolchevique” e de movimentos como “Mudança” e “Defesa”, os manifestantes gritavam: “Liberdade para os presos políticos!”, “Precisamos de outra Rússia!”, “Rússia sem Putin!”.
Os manifestantes acenderam também foguetes e queimaram retratos do Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev.
Marina Litvinovitch, uma das dirigentes da organização “Outra Rússia”, declarou à Lusa por telefone que a principal reivindicação da manifestação é “a demissão de Vladimir Putin do cargo de primeiro-ministro”.
A polícia interveio para dispersar os participantes na Marcha dos Discordantes, jovens na sua maioria, tendo detido cerca de vinte, entre os quais se encontravam quatro jornalistas.
Os jornalistas, que trabalhavam para o jornal electrónico Gazeta.ru, o diário Kommersant, o canal televisivo russo TVts e a agência noticiosa Associated Press, foram mais tarde deixados em liberdade”.

Quarta-feira, Março 11, 2009

Geórgia não vai à Eurovisão


A Geórgia recusou-se a participar na final do Festival da Eurovisão, que se irá realizar na capital russa em Maio, informou Natia Uznadzé, directora do projecto georgiano, em declarações aos jornalistas.
Os telespectadores georgianos tinham escolhido para representar a Geórgia no final do Festival da Eurovisão a canção We don’t wanna put in, interpretada pelo grupo Stephanie & 3G, mas o Kremlin viu na letra da composição uma crítica ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.
A Sociedade Europeia de Difusão exigira, na terça-feira, que a Geórgia alterasse o texto da canção ou substituísse o representante do país no festival, alegando que o regulamento do concurso proíbe a interpretação de composições com apelos políticos e outros.
“O grupo recusa-se a alterar o texto da canção”, declarou Uznadzé.
A Geórgia deveria participar numa das meias-finais do Festival da Eurovisão ao lado de países como Portugal, Bósnia-Herzegovina, Suécia, Israel, Bélgica, Andorra, República Checa, Montenegro, Islândia, Arménia, Bulgária, Suíça, Macedónia, Finlândia, Bielorrússia, Turquia, Roménia e Malta.
A própria canção que irá representar a Rússia está a provocar forte polémica no país, pois ela será interpretada por uma cantora ucraniana e o refrão soará também nesta língua. Além disso, a música é de um compositor georgiano e na criação da letra participou uma poeta estónia.
Isto levou alguns críticos musicais a exigir a substituição da representante da Rússia no Festival da Eurovisão.

Segunda-feira, Março 09, 2009

Conferência em Fafe

Foi com enorme prazer e satisfação que participei na conferência "Da União Soviética à Rússia, o Estado da Mudança", organizado pelo Clube Rotary de Fafe e a Câmara Municipal de Fafe.
O convite foi-me dirigido por José Moreira, amigo de longa data, que aceitei sem reticências. Foi extremamente gratificante constatar que, na cidade de Fafe, há pelo menos cerca de 50 pessoas interessadas em política internacional e na História da URSS/Rússia. Além disso, entre os ouvintes havia vários jovens, alguns dos quais leitores deste meu blog.
Como os leitores devem imaginar, uma conferência é muito pouco para abordar um tempo tão complexo e amplo como as transformações na União Soviética, mas permitiu dar uma ideia da sua dimensão.
Fiquei comovido ao saber que o poeta e meu saudoso amigo José Sampaio Marinho não tinha sido esquecido na sua terra natal, tendo o Dr. Artur Coimbra me surpreendido com uma pequena bibliografia por si publicada num livro sobre os notáveis de Fafe.
Não posso deixar de agradecer também a hospitalidade do meu amigo José Moreira, da sua família e dos seus amigos, que, todos juntos, prepararam um excelente jantar, o que permite sempre prolongar a conversa.
Quanto à cidade de Fafe em si, fiquei bem impressionado por se tratar de um local limpo e muito bem arranjado, com algumas casas notáveis devido aos seus azulejos.
Obrigado às gentes de Fafe pela hospitalidade.

Páginas Desconhecidas da História da Ucrânia


Quem não conhece a Ucrânia, mas tem a mente aberta para conhecer este país, poderá participar na Quinzena Histórica e Cultural da Ucrânia na Universidade de Lisboa, de 17 a 31 de Marco de 2009, organizada pela Reitoria da Universidade de Lisboa, pela Embaixada da Ucrânia, pela Associação dos Ucranianos em Portugal e pela Associação CompaRes.
Ver mais informações em: http://ukremigrantpt.pp.net.ua/Spilka/cartaz.pdf .

Domingo, Março 08, 2009

Eurovisão: de escândalo em escândalo


A eleição da cantora que irá representar a Rússia no festival da Eurovisão terminou em escândalo, depois de público e júri terem escolhido uma ucraniana que irá cantar em ucraniano uma canção de um compositor georgiano.
A cantora ucraniana Anastássia Prikhodko (na foto) recebeu os votos de 25 por cento dos telespectadores e de cinco dos 11 membros de um júri profissional.
Anastássia irá interpretar a canção “Mamo” (Mamã em ucraniano). A conhecida cantora pop russa Valeria classificou-se em segundo lugar e o empresário exigiu já a anulação dos resultados da votação.
“Não ficaria mal disposto se ganhasse outro”, declarou Iossif Prigojin, que, além de empresário, é também marido da cantora Valeria.
“É necessário realizar novas eleições e mandar à Eurovisão outra pessoa, porque a canção é interpretada em língua ucraniana, nada tem a ver com a Rússia”, frisou.
O empresário da vencedora, o georgiano Konstantin Meladzé, considerou que a presença de Anastássia no festival é “muito correcta e atempada”.
“Isto traz-me uma enorme alegria. Sou pela amizade de russos, ucranianos e de todos os outros. No fundo, trata-se de uma canção muito internacional, porque a música foi composta por um georgiano, a canção é interpretada por uma ucraniana e metade do poema foi escrito por uma estónia”, declarou Meladzé.
“É um sinal actual de que a real irmandade das almas dos nossos povos existe”, concluiu.
Dima Bilan, vencedor do ano passado do Festival da Eurovisão, felicitou Valeria e ofereceu-lhe o talismã que usava quando da vitória.
Anastássia Prikhodko candidatou-se a representar a Ucrânia, com uma canção com texto em língua russa, mas foi desclassificada porque essa canção já tinha sido publicada antes de 01 de Outubro de 2008, o que é proibido pelas normas da Eurovisão.
A final do Festival da Eurovisão, que se irá realizar em Moscovo a 16 de Maio, poderá ficar marcada por outro escândalo. Os representantes georgianos foram acusados de levar à capital russa uma canção contra Vladimir Putin, actual primeiro-ministro e antigo Presidente russo.

Quinta-feira, Março 05, 2009

Estaline continua a dividir sociedade 56 anos depois da morte


No dia em que se assinala o 56º aniversário da morte de José Estaline, ditador comunista que dirigiu a União Soviética entre 1924 e 1953, os comunistas depositam flores na sua campa, enquanto que defensores de direitos humanos e políticos democráticos exigem que a sua política seja condenada.
Cerca de 600 apoiantes do Partido Comunista da Federação da Rússia, dirigidos pelo seu chefe Guennadi Ziuganov, depositaram hoje coroas de flores no túmulo de Estaline, na Praça Vermelha de Moscovo.
“Até o tempo saúda este dia”, declarou Ziuganov aos jornalistas, num dia de sol na capital russa.
“A política de Estaline e de Lenine estava extremamente correcta… Hoje, podemos com confiança prestar homenagem a Estaline, como faz muita gente no país. Todo o planeta precisa hoje de um novo Estaline, de um novo Lenine”, frisou.
Arseni Roguinski, dirigente da organização de defesa dos direitos do homem “Memorial”, reagiu às palavras de Ziuganov declarando: “Isso não pode ser levado a sério. A política de Lenine e de Estaline conduziu ao extermínio de milhões de pessoas. Os seus crimes são tão enormes que nenhuns serviços, que o senhor Ziuganov atribui a esses políticos, poderão fazer mudar o fiel da balança a favor deles”.
Ludmila Alexeevna, dirigente da organização Grupo de Helsínquia, chama a atenção para o aumento da popularidade do ditador na sociedade russa.
“Preocupam-nos os dados dos sociólogos: aumenta a popularidade de Estaline entre a juventude, que não o conhece, que não conhece a sua época, e entre as camadas pouco cultas da sociedade”, precisou ela aos jornalistas.
Ludmila Alexeevna apela ao lançamento de um programa estatal com vista à “desestalinização”, para que os cidadãos conheçam as dimensões das repressões e do terror na URSS.
“Sem isso, não nos poderemos desenvolver”, frisou.
A primeira edição do concurso televisivo “Nomes da Rússia”, que visava determinar a personalidade mais popular do país, foi anulado pelos organizadores quando estes constataram que Estaline iria ser de longe o vencedor, atribuindo esse facto a uma votação em massa dos comunistas, mas, na segunda edição, o ditador soviético conquistou o terceiro lugar.
Uma sondagem realizada no ano passado mostrou que 42 pc dos interrogados consideraram “positiva” a actividade de Estaline.
Partidos democráticos como o Iabloko e a Causa da Direita consideram ser necessário perseguir judicialmente aqueles que “justificam as repressões estalinistas”.
“O silêncio do partido dirigente, que não considera o governo de Estaline um genocídio, determina significativamente a via histórica da actual Rússia”, lê-se num comunicado da Causa da Direita.
“A direcção de Estaline trouxe ao país, ao nosso povo, dezenas de milhões de vítimas directas, é a fonte da actual crise demográfica, da pobreza, do atraso da nossa economia, da democracia e do parlamentarismo”, considera essa organização.
Nos últimos tempos, o Kremlin tem também sido acusado de pretender reabilitar a figura de Estaline, nomeadamente através da publicação de livros escolares onde se justificam as purgas realizadas pelo regime comunista.

Conferência em Fafe

De passagem por Portugal, no dia 06 de Março, sexta-feira, irei dar uma conferência em Fafe. Sei que o anúncio está a ser dado tarde e a más horas, mas só agora o consegui fazer.
A conferência terá lugar em Fafe, no Auditório da Biblioteca Nacional, às 21 horas e 30 minutos. Se algum dos leitores quiser assistir, ficarei contente em vê-los.

Terça-feira, Março 03, 2009

O que levou chefe da democracia ucraniana à demissão


A Rada Suprema (parlamento) da Ucrânia demitiu hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros Vladimir Ogrizko devido à perda de território ucraniano para a Roménia, às más relações com a Rússia e à política de cedências ao Ocidente.
Dos 492 deputados da Rada Suprema, 250 afastaram do Governo um dos ministros mais ligados ao Presidente ucraniano, Victor Iuschenko, e que é nomeado pelo parlamento por proposta do chefe de Estado, o que irá azedar ainda mais as relações entre as duas estruturas de poder.
Além dos deputados dos partidos Comunista e das Regiões, que apresentaram a proposta de afastamento de Ogrizko por realizar uma política anti-Rússia, a demissão foi apoiada também por um número significativo de deputados do bloco da primeira-ministra Iúlia Timochenko, cujas relações com a presidência também são difíceis.
Antes da votação, Ogrizko afirmou que a decisão do Tribunal Internacional da ONU a propósito do litígio entre a Ucrânia e a Roménia sobre a pertença da plataforma continental em torno da Ilha das Serpentes, no Mar Negro, foi uma vitória para os dois países.
Nessa região existem reservas consideráveis de gás natural e petróleo.
“Na parte ucraniana ficaram cerca de 800 mil milhões de metros cúbicos de gás e até 52 milhões de toneladas de petróleo, enquanto que na parte romena, 72 mil milhões de metros cúbicos de gás e 12 milhões de toneladas de petróleo”, precisou o ministro.
“A Ucrânia não perdeu um centímetro do seu território”, defendeu o chefe da diplomacia ucraniana, sublinhando que a direcção do país “não optou por uma posição perdedora no processo”, como afirmaram os seus adversários.
A maioria dos deputados considera que a parte da plataforma continental mais rica em gás e petróleo passou para a Roménia.
Na segunda-feira, Ogrizko foi condecorado com a Ordem da Dignidade pelo homólogo georgiano, Grigol Vachadzé, pelo apoio de Kiev a Tbilissi durante a guerra contra a Rússia, em Agosto de 2008.
Antes, o chefe da diplomacia ucraniana ameaçou declarar o embaixador russo na Ucrânia, Victor Tchernomirdin, “persona non grata” devido às “declarações insultuosas” proferidas pelo representante do Kremlin sobre os dirigentes ucranianos.
Vladimir Ogrizko foi igualmente afastado por ser um forte defensor da aproximação da Ucrânia à NATO e à União Europeia, o que os deputados dos partidos Comunista e das Regiões consideram uma “rendição face ao Ocidente”.
Ogrizko trabalha no Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia desde 1987. Em 2005, foi nomeado vice-ministro e, em Dezembro de 2007, ministro dos Negócios Estrangeiros.

Segunda-feira, Março 02, 2009

Assim não custa ganhar

O Partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Vladimir Putin, obteve, ontem, vitórias em praticamente todas as eleições regionais e municiapais em 79 das 83 regiões da Federação da Rússia, mas a oposição acusa as autoridades de falsificações dos resultados.
A Rússia Unida venceu as eleições com maioria absoluta para os parlamentos de nove regiões, tendo, na Região Autónoma dos Nenets, destornado o Partido Comunista da Federação da Rússia. Na Tartária, a força política dirigida por Putin conquistou mais de 80pc dos votos, na Cabardino-Balcária, mais de 71pc.
Na Karatchaevo-Tcherkéssia, república do Cáucaso do Norte russo, os primeiros dados davam uma vitória de 53pc dos votos ao partido de Putin, mas, no fim da contagem, o resultado subiu para 83 pc. Mikhtin Baitokov, presidente da Comissão eleitoral dessa região, atribuiu as dificuldades na contagem “à queda de neve inesperada e à passagem precipitada para pneus de Verão”.
Segundo a média apurada, a Rússia Unida obteve 58,5pc dos votos, sendo este resultado um pouco pior do que o conseguido em eleições parlamentares nacionais em Dezembro de 2007: 63,3pc.
O Partido Comunista da Federação da Rússia manteve o segundo lugar na maioria dos escrutínios, mas com resultados muito aquém do partido de Putin, tendo vencido apenas nas eleições da Assembleia Municipal de Tver, cidade situada perto de Moscovo.
Vladimir Tchurov, presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia, já veio afirmar que “durante o acto eleitoral não foram fixadas violações sérias da lei”, o que significa que está consagrada a vitória da Rússia Unida.
Dois dos quatro partidos representados na Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo já vieram denunciar irregularidades no decurso das eleições.
Ivan Melnikov, número dois do Partido Comunista e vice-presidente da Duma, declarou que nos escrutínios “foram amplamente utilizadas tecnologias sujas da época de 90”.
“Estas eleições têm características peculiares. Houve propaganda ilegal, com intenção de pressionar os eleitores. E o resultado da votalção foi decidido por via técnica, sem apelo ao eleitorado, mediante a introdução de boletins e o voto antecipado”, declarou Melnikov aos jornalistas.
Serguei Ivanov, deputado do Partido Liberal Democrático (nacionalista), denuncia também a existência de irregularidades: em seis mesas de voto da província de Volgogrado, “havia carimbos cuja tinta desaparece com o tempo”, “o presidente de uma mesa eleitoral de Rostov no Don tinha uma segunda lista de eleitores”.
“As únicas eleições limpas realizaram-se em 1993”, considerou.

Domingo, Março 01, 2009

Eleições regionais e locais no domingo com vitória previsível do partido de Putin

Os russos elegem domingo as autoridades locais em 79 das 83 regiões da Federação da Rússia, com as sondagens a anteciparem maiorias confortáveis para o partido do primeiro-ministro, Vladimir Putin, e a oposição a denunciar ilegalidades no processo.

Trata-se da eleição dos parlamentos regionais nas repúblicas da Cabardino-Balcária, Karatchaevo-Tcherkéssia e Tartária, bem como nas regiões da Khakássia, Arkhanguelsk, Brianski, Vladimir, Volgogrado e Círculo Autónomo dos Nenets.

Irão realizar-se também eleições de presidentes da câmara em 10 capitais de distrito e de assembleias municipais noutras cinco capitais.

Segundo sondagens realizadas pelo Fundo Opinião Pública, a Rússia Unida, o partido de Putin, conseguirá conquistar cerca de 70 por cento dos votos e o Partido Comunista da Federação da Rússia poderá obter cerca de 10 por cento.

Os restantes partidos, nomeadamente a Rússia Justa, do presidente do Senado Serguei Mironov, e o Partido Liberal Democrático, do nacionalista Vladimir Jirinovski, não deverão superar a barreira dos 07 por cento, necessária para eleger deputados para os órgãos de poder locais.

A oposição ao Kremlin fala de violações em massa durante a campanha eleitoral e do emprego de "recurso administrativo" (capacidade dos poderes locais em influenciar no resultado do escrutínio) a favor da Rússia Unida.

"Isto não são eleições, mas uma acção dura, bárbara", declarou Vladimir Jirinovski na passada quinta-feira, quando o seu grupo parlamentar abandonou a sala da Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo em sinal de protesto contra a campanha eleitoral.

"Em toda a parte atiram (contra a oposição) a polícia, polícia fiscal, polícia de trânsito, só falta recorrer às tropas regulares... Nestas condições, é impossível realizar eleições", frisou.

O dirigente comunista Guennadi Ziuganov é da mesma opinião e já anunciou que o seu partido irá recorrer aos tribunais para impugnar os resultados eleitorais.

Partidos da oposição liberal como o Iabloko ou a Frente Cívica Unida não tiveram possibilidade sequer de fazer avançar os seus candidatos.

"Os nossos adversários têm a possibilidade de recorrer aos tribunais, no nosso país existe um ramo do poder especial e se o tribunal considerar que há violação da lei, irão ser tiradas as devidas conclusões", respondeu à oposição Serguei Grislov, dirigente da Rússia Unida.

O sociólogo Viatcheslav Glazitchev considera que a crise económica e financeira que afecta a Rússia ainda não se vai reflectir nas posições dos votantes.

"Por enquanto, a crise não influiu na campanha, salvo numa coisa. Gasta-se menos dinheiro, o que não é mau. E, o mais provável, é que a participação seja mais baixa", declarou.