Sábado, Outubro 31, 2009

Ruiu o muro da vergonha, ficou o da desconfiança


Poucos eram os que na União Soviética esperavam uma queda tão rápida do Muro de Berlim em 1989. Os dirigentes soviético e alemão-ocidental, Mikhail Gorbatchov e Helmuth Kohl, acreditavam que essa tarefa deveria ficar para resolver no séc. XXI.
No entanto, o desenrolar dos acontecimentos no chamado “campo socialista” na Europa do Leste, e particularmente na República Democrática Alemã, bem como a política soviética de não permitir o emprego da força para travar os movimentos de democratização na região e de maleabilidade face à situação levaram à precipitação dos acontecimentos.
Mikhail Gorbatchov, o primeiro e último Presidente da União Soviética, abandonou definitivamente a política externa do “Net, net i net” (Não, não e não), conduzida até aí por Andrei Gromiko, ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS, pela do “Da, da i da” (Sim, sim e sim), acreditando que o Ocidente iria fazer o mesmo.
Hoje, Gorbatchov reconhece que foi enganado, pois, em troca da dissolução do Pacto de Varsóvia e da rápida retirada das tropas soviéticas do Leste da Europa, não recebeu o fim da NATO, como lhe fora prometido, mas o seu alargamento até às fronteiras da Rússia.

Além disso, os Estados Unidos recusaram também uma importante ajuda financeira que Gorbatchov pedira para amortizar os efeitos da grave crise económica, financeira e social que a URSS atravessava, nomeadamente devido à queda do preço do petróleo e gás.
O infantilismo da direcção soviética no campo da política externa é evidente, pois Gorbatchov poderia ter exigido que as promessas dos parceiros ocidentais ficassem registadas no papel, mas acreditou, como acreditaram também milhões de russos.
Mikhail Gorbatchov abandonou o poder pouco mais de dois anos depois (Dezembro de 1991), mas os milhões de russos continuaram a viver no seu país e até agora não se esquecem que foram sujeitos a uma autêntica humilhação pelo Ocidente, o que é bem visível actualmente.
Esta desconfiança foi aumentada pelo apoio quase incondicional que os Estados Unidos e União Europeia concederam, nos anos 90, ao regime do Presidente Ieltsin, perdoando-lhe até a falsificação de resultados eleitorais, como ocorreu nas eleições presidenciais de 1996.
O principal é que a Rússia se transformasse num aluno obediente da escola económica neo-liberal norte-americana ou até mesmo numa cobaia para ensaios no campo económico e social.
No campo internacional, o objectivo era fazer com que Moscovo tivesse o mínimo poder de influência.
Esta situação tornou-se num solo fértil para o aparecimento de políticos como Vladimir Putin, que, entre outras promessas, prometeu devolver aos russos o orgulho nacional.
Este aspecto é bem visível nas relações entre a Rússia e os seus vizinhos, com a União Europeia, a NATO e os Estados Unidos, onde a desconfiança continua a ser uma barreira de difícil superação. Esse muro continua de pé…

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Gripe A ameaça saúde e política na Ucrânia

O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, suspendeu a apresentação do seu programa eleitoral devido à epidemia de gripe A/H1N1 no país, comunicou hoje o serviço de imprensa do partido presidencial Nossa Ucrânia.

“A apresentação do programa eleitoral, marcada para o próximo domingo, 01 de Novembro, fica suspensa devido à epidemia da gripe A/H1N1”, lê-se no comunicado.

Iuschenko é um dos muitos candidatos às eleições presidenciais, marcadas para 17 de Janeiro de 2010.

As autoridades ucranianas decretaram o encerramento das escolas e a suspensão de todas as reuniões públicas durante três semanas devido à gripe A/H1N1, anunciou Iúlia Timochenko, primeira-ministra.

Segundo ela, a quarentena foi decretada em nove regiões ocidentais do país devido ao grande número de casos registados.

“Durante o período de situação especial, todos os estabelecimentos médicos, quer sejam públicos ou privados, estarão sob as ordens do Ministério da Saúde”, frisou ela.

Pelo menos 30 pessoas morreram esta semana devido à epidemia de gripe AH1N! em três regiões do ocidente da Ucrânia, anunciou hoje Vassili Kniazevitch, ministro ucraniano da Saúde.

Este alto nível de mortalidade deve-se ao facto de os médicos não terem sabido determinar operativamente a origem da epidemia, que começou na passada terça-feira. Inicialmente, consideraram que se trata de “pneumonia provocada por vírus”.

Segundo as autoridades sanitárias, o vírus da gripe A H1N1 já infectou 38 mil pessoas, estando internadas 951. A epidemia começou na província de Ternopil e estendeu-se já às de Lvov e Ivano-Frankovsk.


Forte aplauso para Dmitri Medvedev

Caros leitores, publico aqui o texto colocado num dos comentários pelo leitor Italo, pois acho-o de extrema importância. Finalmente, um dirigente russo, neste caso, o Presidente Medvedev, condena inequivocamente o estalinismo.
Devo sublinhar que se trata de declarações corajosas que Medvedev fez no seu blog, visto que essa ideia vai contra a opinião de grande, se não da maior parte da população russa.
Não seria mau se estas declarações fossem também difundidas pelos canais de televisão russos e internacionais.
Também hoje se volta a falar da possibilidade de a Rússia voltar a empregar a pena de morte como castigo, mas acredito que, se Medvedev for consequente, o Kremlin não dará tal passo, pois isso significará o afastamento do seu país da Europa.

"Presidente russo ataca tentativas de reabilitar Stalin

O presidente russo, Dmitry Medvedev, atacou aqueles que tentam reabilitar a memória do ex-líder soviético Joseph Stalin em um vídeo publicado no site do Kremlin nesta sexta-feira, 30 de outubro, dia nacional em homenagem aos mortos durante o regime stalinista (1924-1953).

"Estou convencido de que a memória das tragédias nacionais é tão sagrada quanto a das vitórias. Mesmo agora, você escuta que as grandes perdas teriam sido justificadas por algum tipo de objetivo superior do Estado", disse o presidente russo.

"O desenvolvimento de nenhuma nação, seu sucesso ou ambição não pode ser atingido ao preço de perdas humanas e sofrimento."

"O dia 30 de outubro é o dia que lembra milhões de vidas arruinadas, de pessoas mortas sem julgamento ou investigações, de pessoas enviadas a campos (de trabalhos forçados, os gulags) e ao exílio, despidas de seus direitos civis. Famílias inteiras foram rotuladas de 'inimigos do povo'", afirmou."

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Empresários russos devem conhecer melhor Portugal

O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Basílio Horta, considera que Portugal pode transformar-se num bom mercado para os investimentos russos se a imagem do país for mais difundida.

O Presidente da AICEP, que esteve na capital russa para participar numa Conferência Internacional sobre Energias Renováveis, reconheceu que a crise económica mundial provocou uma queda significativa das exportações portuguesas para a Rússia, mas defendeu que é possível “inverter a situação”.

“A Rússia é uma grande economia, um dos gigantes adormecidos que está a despertar. Contactámos com empresas russas, mas trata-se de um trabalho pertinaz, insistente, pois a economia portuguesa é pouco conhecida na Rússia”, declarou Basílio Horta à agência Lusa.

“Quando disse que a EDP é a quarta maior empresa do mundo no campo da energia eólica, as pessoas ficaram espantadas, olhavam com um ar incrédulo”, sublinhou.

“Olharam com descofiança quando afirmei que, até final de 2010, vamos ter 45 por cento da electricidade produzida por energias renováveis e que, hoje, esse número é de 43 por cento”, acrescentou.

O presidente da AICEP revelou ter convidado os gerentes de duas grandes empresas russas para visitarem Portugal com vista a investirem na sua economia.

Trata-se de duas grandes empresas ligadas ao sector da energia eléctrica que poderão fazer parcerias com empresas portuguesas na construção de barragens, tanto em Portugal como noutros países.

“É importante levar os empresários russos a Portugal, para que falem com as nossas autoridades e vejam o ambiente confortável de investimento”, concluiu o presidente da AICEP.

Partidos comunistas com destinos diferentes no Leste da Europa

A queda do Muro de Berlim significou também o fim do domínio dos partidos comunistas em numerosos países do Leste da Europa e nas repúblicas da antiga União Soviética. Alguns foram proibidos, outros mudaram de cor política, mas alguns conseguiram sobreviver.

Nas três antigas repúblicas bálticas da União Soviética, a ideologia comunista foi equiparada ao nazismo e oficialmente proibida, o que ilegalizou os partidos seguidores do marxismo-leninismo.

Em países como a Alemanha ou a Polónia, os partidos comunistas mudaram de nome e de ideologia, aproximando-se da social-democracia europeia.

Nas ex-repúblicas da Ásia Central soviética - Tadjiquistão, Uzbequistão, Cazaquistão e Turquemenistão -, os partidos comunistas transformaram-se em “partidos populares”, mas os seus dirigentes continuam a monopolizar o poder através deles. Os actuais presidentes do Tadjiquistão, do Cazaquistão e do Uzbequistão dirigiam os respectivos partidos comunistas na era soviética.

Na Quirguízia, outra antiga república da Ásia Central, o partido comunista resistiu às transformações, mas tem um poder de influência muito reduzido.

O mesmo não se pode dizer dos partidos comunistas da Rússia, da Moldávia e da Ucrânia.

O Partido Comunista da Federação da Rússia é a segunda força política do país. Na teoria, não renunciou ao marxismo-leninismo. Pelo contrário, os seus dirigentes não escondem a sua admiração pelo ditador soviético José Estaline, acrescentando a isso um discurso fortemente nacionalista.

Na prática, faz apenas a oposição ao poder que o Kremlin permite, encaixando-se na chamada “democracia soberana”, criada pelo primeiro-ministro Vladimir Putin.

Na Moldávia, o Partido dos Comunistas acabou de perder o poder para uma coligação de forças políticas que não esconde a sua intenção de se aproximar da União Europeia.

No poder durante oito anos, essa força política não conseguiu retirar o país do último lugar da Europa quanto ao desenvolvimento económico e social, nem resolver o problema do separatismo na região pró-russa da Transdniestria, não obstante a aproximação a Moscovo.

O Partido Comunista da Ucrânia mantém um grupo na Rada Suprema (Parlamento), mas o seu poder de influência tem também conhecido uma redução nos últimos anos.


Terça-feira, Outubro 27, 2009

Rostov no inverno

Fotos enviados pelo leitor Filipe Alexandre Santos Martins tiradas em Rostov Grande no Inverno.







Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Rostov Grande







Caros leitores, peço desculpa por este intervalo temporal, mas o trabalho e as viagens a isso obrigam.



Durante uma dessas viagens, visitei a cidade de Rostov Grande, uma das pérolas da arquitectura medieval russa fundada no ano de 862. Uma verdadeira maravilha que está agora a sarar as feridas provocadas pelo comunismo.



Algumas partes do kremlin (castelo) de Rostov já estão restauradas, mas ainda são bem visíveis as destruições provocadas pelos comunistas nos seus templos. Por exemplo, numerosos frescos que decoravam o interior dos templos ortodoxos perderam-se para sempre.



Se puderem visitar esta cidade, não percam. Situada nas margens do lago Nero, parece tratar-se de uma cidade encantada. E não fica muito longe de Moscovo, a cerca de 180 quilómetros.

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Rapper guineense triunfa na Rússia, mas quer vencer também em casa







O guineense, Pansau Netchanda, conhecido pelo nome artístico de N’PANS, não precisa de apresentações na Rússia, pois trata-se do primeiro rapper negro a impor-se nos palcos russos, mas poucos conhecem o destino dramático deste jovem de Bissau.
Pansau chegou à União Soviética em 1985, com apenas nove anos, para estudar na Escola Internacional de Ivanovo, internato para filhos de dirigentes de partidos comunistas e de movimentos de libertação nacional.
“O meu pai, Binhenquerem Natchanda, fazia parte do Governo da Guiné-Bissau, era próximo de Nino Vieira. Antes de eu vir para a URSS, ele levou-me para eu me despedir do Presidente”, recorda Pansau, em declarações à Lusa.
“Eram muito amigos, mas, em 1986, Nino mandou matá-lo, foi acusado de participar num golpe de Estado”, continua.
Terminada a Escola de Ivanovo, Pansau foi estudar para o Instituto de Construção de Perm (cidade da Sibéria Ocidental), mas teve de abandonar os estudos devido a dificuldades financeiras.
“Para sobreviver, trabalhava como MC nos clubes de Perm e dançava. Não tinha outros meios para subsistir”, acrescenta Pansau.
Em 1994, muda-se para Moscovo e forma um grupo de dança étnica com outros guineenses que estudaram na Escola de Ivanovo.
“Actuavamos nos espectáculos da cantora russa Linda. Dançavamos e eu estava também encarregado da coreografia”, relata, sublinhando que rapidamente sentiu necessidade de ser ele “o dono do próprio destino”.
Em 1994, criou o grupo de rap “Cash Brothers” com um russo e um congolês, mas o projecto terminou em 1999 com a morte do russo (overdose) e o desaparecimento do congolês (tráfico de estupefacientes).
“Fiquei sozinho e avancei com um novo projecto. Criei o grupo BPJK, constituído por três guineenses e um haitiano. Rap, techno e muitos concertos”, recorda.
Mas a fama chega quando Pansau e o rapper russo Ligalize gravam um remix da canção “Maço de Cigarros”, do cantor de rock russo Victor Tsoi, um dos ídolos da juventude soviética na era das reformas de Mikhail Gorbatchov.
“Foi o primeiro track de rap a passar no canal MTV em russo. Um grande êxito. Eu fui o primeiro rapper negro que cantou em língua russa”, sublinha com orgulho.
Hoje dirige o Estúdio Force Records, que já editou sete álbuns seus e prepara mais três para o próximo ano.
Mas o sonho maior é regressar à Guiné-Bissau.
“Quero fazer alguma coisa pelo meu país, para que ele se levante. Antes, a minha família não me recomendava a ir à Guiné pois Nino estava vivo, mas, agora, estou a preparar a minha viagem e concertos em 2010 na minha terra”, declara Pansau, deixando escapar emoção e saudade.
“Estou a preparar um álbum em crioulo. Já tem nome: “Outro cara”, acrescenta.
Paralelamente, prepara um album com o rap cabo-verdiano Dério Nunes, também residente em Moscovo. Pansau quer lembrar que “Cabo Verde e Guiné-Bissau continuam juntos”.
Não obstante todas as dificuldades, o rap guineense não esconde as saudades pela União Soviética.
“Agradeço a Deus por me ter mostrado a URSS, pois a Rússia é muito diferente. Os soviéticos olhavam com respeito para os negros, o que não acontece agora. O racismo é muito”, considera.
“Fui educado como comunista e não vejo mal nenhum no socialismo. Para mim, o socialismo é ver o meu povo feliz”.

Presidente Medvedev defende desaparecimento de empresas públicas


O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou hoje que as corporações públicas são “uma forma desnecessária” e “terão que desaparecer”, à excepção daquelas que “funcionam na parte competitiva da economia” e deverão transformar-se em sociedades anónimas.
“Creio que, a um dado momento, escapou-se do nosso controlo a criação das cooperações estatais”, reconheceu Medvedev numa reunião com a direcção da Associação de Empresários e Dirigentes Industriais da Rússia, conhecida por “sindicato dos oligarcas”, hoje realizada.
O Presidente propôs levar até ao fim o processo de privatizações iniciado na Rússia há quase duas décadas, fazer um balanço e definir o nível óptimo de participação estatal que se manterá como orientação durante os próximos 10-15 anos.
Oito corporações públicas foram criadas por iniciativa de Vladimir Putin, quando ocupava o cargo de Presidente da Rússia, com o objectivo de fazer delas o motor do desenvolvimento económico. Porém, a maioria parte delas transformaram-se em grandes aparelhos burocráticos pouco eficazes.
Medvedev volta a insistir que é necessário modernizar a economia russa, deixar de apostar apenas na exportação de matérias-primas.
“Não se pode viver mais assim. Se não nos modificarmos, uma nova crise sepultará muitas das empresas que estão aqui representadas”, dirigiu Medvedev aos empresários.
“Os capitais ganhos no nosso país devem, em considerável medida, ser investidos no nosso país”, acrescentou.
O dirigente russo considerou a experiência de reformas económicas na China “muito interessante, muito simpática”, mas frisou que “esse não é o nosso modelo de desenvolvimento: a começar pelas dimensões da economia, pela forma da tomada de decisões e a terminar nas questões da responsabilidade por esta ou aquela questão, nomeadamente entre os funcionários públicos e os homens de negócios”.

Autoridades escondem números reais de doentes com gripe A/H1N1


Oleg Kissilov, director do Instituto de Investigação da Gripe da Rússia, considera que o número de casos de gripe A/H1N1 no país é dez vez maior do que o mencionado nas estatísticas oficiais.
Segundo as autoridades médicas, no dia 15 de Outubro, o número de infectados com o vírus da gripe A/H1N1 era de 807 e, no dia 19, 927.
“Esses dados não são verídicos”, declarou Kissilov numa conferência de imprensa hoje realizada.
Oleg Kissilov acrescentou que as estatísticas oficiais mencionam principalmente casos de gripe “importada”, enquanto que o seu instituto quer que sejam acrescentados os casos de contaminação “interna”, no seio das famílias.
O director do Instituto de Investigação da Gripe atribui a discrepância entre os números oficiais e a situação real às insufiências na etapa do diagnóstico.
Segundo ele, a mortalidade provocada pelas complicações da gripe A/H1N1 é muito elevada.
“Em média, a mortalidade é de duas a quatro vezes superior à provocada pela gripa sazonal”, concluiu.
A distorsão de dados pelas autoridades sanitárias sobre o número de russos infectados com o vírus da gripe A/H1N1 já tinha sido denunciada pelo académico Dmitri Lvov, director do Instituto de Virologia, que fala em “dezenas de milhar” de casos na Rússia.
Este cientista afirma também que já há vítimas mortais, mas Guennadi Onichenko, chefe dos serviços sanitários da Rússia, considerou essas declarações “terrorismo informativo”.
A gripe A/H1N1 já obrigou a suspender aulas em várias turmas da Universidade da Amizade dos Povos, do Instituto Estamatológico e do Colégio Militar de Moscovo.
Hoje, as autoridades de Tchita, cidade do Extremo Oriente russo, decretaram o encerramento de todas as escolas primárias e médias locais, bem como a suspensão de aulas em algumas turmas de estabelecimentos do ensino superior devido ao aumento de infectados com o vírus da gripe A H1N1.
Medidas semelhantes foram tomadas noutra cidade da região: Krasnokamensk.
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, já anunciou que o seu governo já destinou meios financeiros para o fabrico de mais de 40 milhões de vacinas.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Comunistas russos querem enriquecer à custa da OSCE


A organização “Geração da Vitória”, criada hoje por iniciativa do Partido Comunista russo, apresentou no Tribunal Europeu de Estrasburgo uma queixa contra a Assembleia Partamentar da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa, exigindo uma indemnização de 27 biliões de euros.
“Já enviámos uma queixa ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos contra a Assembleia Parlamentar da OCSE, que, no passado 03 de Julho, aprovou uma decisão onde equipara o período em que a URSS foi dirigida por José Estaline, a que chamam estalinismo, à ideologia do Terceiro Reich de Adolfo Hitler, chamada nazismo”, declarou à agência Interfax Aleksei Kornienko, dirigente da nova organização e deputado comunista.
Segundo se lê na queixa da “Geração da Vitória”, a resolução que apelou a declarar o dia 23 de Agosto dia europeu da memória das vítimas do estalinismo e do nazismo, “provocou prejuízos morais aos cidadãos e à organização estatal da Federação da Rússia, que são herdeiros dos cidadãos e dos Estados da URSS”.
“Tendo em conta que, na Segunda Guerra Mundial, morreram mais de 27 milhões de cidadãos russos, pedimos ao Tribunal Internacional que obrigue a Assembleia Parlamentar da OSCE a pagar à Federação da Rússia uma compensação de 27 biliões de euros por danos morais causados aos veteranos”, anunciou Kornienko.

Campanha presidencial na Ucrânia vai ser suja


A campanha para as eleições presidenciais na Ucrânia iniciou hoje no meio de vários escândalos que poderão influir nos resultados do escrutínio.
A versão modificada da lei que rege as presidenciais na Ucrânia, recentemente aprovada, reduz de 120 para 90 dias a duração da campanha eleitoral. Os cidadãos ucranianos elegerão o novo Presidente a 17 de Janeiro de 2010.
Segundo o calendário aprovado pela Comissão Eleitoral Central, a apresentação de candidatos começará a 20 de Outubro e terminará a 06 de Novembro.
A autoridade eleitoral dará por concluído o processo de registo oficial de candidatos a 13 de Novembro e os jornais oficiais publicarão a lista de pretendentes até 18 de Novembro.
As últimas sondagens dão a vitória a Victor Ianukovitch, dirigente do Partido das Regiões, mas ela não será suficiente para vencer na primeira volta. Isto porque, além do grande número de candidatos (cerca de 30 políticos manifestaram vontade de se candidatar), 20 pc dos eleitores ainda estão indecisos.
Iúlia Timochenko aparece no segundo lugar, mas os analistas esperam uma campanha eleitoral “suja”, que pode prejudicar a popularidade da actual primeira-ministra ucraniana.
O Partido das Regiões acusou três deputados do Bloco de Iúlia Timochenko de estarem implicados num caso de pedofila e vai exigir, no Parlamento, a retirada da imunidade parlamentar aos acusados.
O Bloco de Iútili Timochenko deverá responder com a proposta de levantar a imunidade parlamentar a todos os deputados, medida contra a qual protesta o Partido das Regiões.
Quanto ao actual Presidente, Victor Iuschenko, ele já anunciou a intenção de se recandidatar, mas as sondagens dão-lhe apenas 02 por cento.

Rússia desperta para direitos dos animais


O circo russo continua a ser um popular espectáculo na Rússia e no mundo, sendo os números com a participação de animais praticamente obrigatórios. O país ainda não tem uma lei nacional de defesa dos animais, mas as vozes de protesto contra os maus tratos são cada vez mais.
O Teatro de Feras “Durova” de Moscovo é daqueles em que os artistas são, na sua esmagadora maioria, animais, sendo, por isso, um dos alvos principais das críticas daqueles que exigem a proibição da exibição de animais.
Em 2007, os defensores dos direitos dos animais passaram a denominá-lo como “Teatro das Selvajarias”. Uma velha elefante foi abandonada num contentor metálico no Inverno, quando a temperatura do ar rondava os dez graus negativos.
“Manter umm animal tropical num contentor metálico com frio na rua significa condená-lo à morte. Trata-se de fascismo, embora isso seja prática comum no circo”, declarou, então, Mikhail Alchinetski, veterinário principal do Jardim Zoológico de Moscovo.
O caso do abandono da elefante deu um forte impulso à causa da proibição da exibição em circos. No passado dia 04 de Outubro, no Dia Mundial da Protecção dos Animais, activistas russos realizaram manifestações junto de vários circos. Em Ufa, capital da Bachíquiria, república da Federação da Rússia, os manifestantes apresentaram-se amarrados por correntes e portando velas acesas em memória dos animais que morreram por culpa do homem.
“Por enquanto, não existe uma lei federal de defesa dos animais, estamos todos com as mãos atadas. Segundo a actual legislação russa, o animal é um objectio inanimado”, declara Konstatin Sabinin, dirigente do Centro de Defesa dos Animais.
“É verdade que se diz que o animal deve ser tratado de forma humana, mas como compreender o humanismo quando se trata de um objecto inanimado?”, pergunta Sabinin.
Em 2000, foi feita a primeira tentativa de aprovar a lei federal “Sobre a defesa dos animais face aos maus tratos” nas duas câmaras do Parlamento russo, mas, por enquanto, não os deputados não passaram da análise em comissões parlamentares especializadas.
“A polícia, a procuradoria, os órgãos de segurança pública atiram as responsabilidades uns para cima dos outros. Tentem obrigar um polícia a impedir um tratamento bárbaro de um pitão ou de um camelo. Diariamente são escritas dezenas de cartas para as procuradorias, mas, na maioria dos casos, os donos-torturadores não são castigados”, declara Ilia Bluvchtein, vice-presidente da sociedade russa de defesa dos animais “Fauna”.
Mas a pressão da opinião pública, nacional e internacional, levam os dirigentes russos a actuar pontualmente. Recentemente, o primeiro-ministro Vladimir Putin apresentou uma proposta de proibição das focas-bebés, o que mereceu um forte elogiogo da actris francesa Brigitte Bardot.
“Senhor primeiro-ministro, Você continua a ser o presidente do meu coração e agradeço-lhe muito por ter ouvido o meu apelo”, declarou a actriz francesa, também conhecida pela luta contra os maus tratos dos animais.

Domingo, Outubro 18, 2009

URSS quase apoiou FNLA e admitiu apostar em Savimbi

Artigo publicado no Público sobre o meu livro: "Angola: início do fim da URSS"
""URSS quase apoiou FNLA e admitiu apostar em Savimbi"
Por João Manuel Rocha
A ideia de que a União Soviética (URSS) sempre esteve de alma e coração com o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), que assumiu o poder após a independência, é falsa. No início dos anos 1960, Moscovo esteve prestes a reconhecer a rival FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), o que só não aconteceu devido à intervenção do líder comunista português, Álvaro Cunhal.
Já na época de Mikhail Gorbatchov, responsáveis de Moscovo viam com bons olhos Jonas Savimbi e a sua UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) e o último líder soviético encorajou o diálogo que o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, estava disposto a iniciar com os adversários políticos. As novidades constam do livroAngola - O princípio do fim da União Soviética, de José Milhazes, editado pela Nova Vega e ontem lançado em Lisboa. Baseado em fontes russas, documentos, artigos e entrevistas, revela episódios inéditos e mostra que não havia unanimidade em Moscovo sobre a intervenção na ex-colónia portuguesa.
O quase reconhecimento da FNLA como "legítimo representante" angolano chegou a ser ordenado pelo então líder soviético Nikita Krutchov, em 1963. O episódio revela "a confusão que reinava em Moscovo em relação à sua política africana". Documentação citada indica que, paralelamente aos contactos com o MPLA, a espionagem soviética procurou estabelecer laços com a UPA (União dos Povos de Angola), antecessora da FNLA, e a UNITA. José Milhazes, ex-correspondente do PÚBLICO em Moscovo, cita as memórias de Piotr Evsiukov, um alto funcionário que, durante 15 anos, dirigiu os contactos com os movimentos de libertação, segundo o qual, sem a intervenção de Cunhal, a URSS teria reconhecido FNLA de Holden Roberto.
O apoio militar que se revelou fundamental para o MPLA em 1975 também não se concretizou sem dúvidas de Moscovo. "Não havia unanimidade face à intervenção das tropas cubanas em Angola e ao envolvimento da URSS", escreveu Milhazes. A partir de testemunhos de responsáveis soviéticos, concluiu que "Cuba decidiu intervir militarmente em Angola com ou sem autorização de Moscovo" e que no terreno havia "sérias divergências" entre o comando das tropas cubanas e os conselheiros soviéticos.
A boa impressão que Savimbi causou, em 1988, ao então ministro de Negócios Estrangeiros de Moscovo, num encontro na ONU, fez com que a URSS tenha estado "próxima de apostar em Jonas Savimbi", revela Milhazes. "Depois do encontro de [Eduard] Chevarnadze com Savimbi, em Nova Iorque, em Moscovo quase surgiram hesitações: em que apostar em Angola?", contou ao autor o então embaixador em Luanda, Vladimir Kazimirov.
No mesmo ano, José Eduardo dos Santos encontrou-se com Gorbatchov e informou-o de que ia conversar sobre a UNITA com o rei Hassan II, de Marrocos, ao qual Savimbi teria admitido afastar-se, se isso contribuísse "para a solução positiva do problema". No diálogo, relatado no livro, o actual Presidente admitiu a integração de elementos da força inimiga no processo político. "Não como militantes da UNITA, mas como particulares. Alguns farão parte do Governo", disse.
Atritos graves
Outra das revelações do livro é o fuzilamento, em 1973, por ordem de Agostinho Neto, de cinco adversários no MPLA, acusados de uma conjura em que também estaria envolvido Daniel Chipenda, "número dois" da organização. O facto desagradou aos soviéticos, tal como o acordo, assinado em 1972, para uma frente MPLA/FNLA onde Agostinho Neto teria aceite ser "número dois". Os documentos citados revelam uma "desconfiança mútua" entre os dirigentes de Moscovo e o primeiro Presidente angolano e "indecisões na direcção política" sobre quem apoiar que se prolongaram até muito perto da independência.
Os "atritos graves" com Neto levaram já diversos estudiosos a considerar que os soviéticos incentivaram o então ministro do Interior, Nito Alves, a liderar a contestação ao rumo do MPLA, numa acção que culminou com milhares de mortos. Milhazes escreve que Neto não só acreditou nessa tese como "foi de propósito a Moscovo pedir explicações" a Brejnev, então secretário-geral soviético, e exigiu o afastamento de dirigentes da representação militar em Luanda. O autor confirma que "os soviéticos depositavam confiança" em Nito Alves, mas não conseguiu ser conclusivo sobre o seu papel nesse episódio devido à dificuldade de acesso aos arquivos soviéticos e ao silêncio e contradições dos entrevistados.
Já sobre os rumores de que Neto foi assassinado durante uma operação, em 1979, Milhazes diz que são "um disparate". "As autoridades soviéticas não queriam que Agostinho Neto fosse operado em Moscovo, pois sabiam do seu real estado de saúde, mas, por outro lado, não podiam recusar, para não afectar a credibilidade do país", escreveu. O autor é também de opinião que, sem esquecer o Afeganistão, a intervenção em Angola ajudou à queda da URSS. "A estrutura soviética fica, do ponto de vista económico e até militar, fortemente abalada.""

Reflexões em Domingo de Outono

Estamos em meados de Outubro, o aquecimento central já está ligado, mas o Inverno ainda não chegou. Pelo contrário, as altas temperaturas para a época fazem espantar. Num dos dias da semana passada, registou-se a temperatura de 15 graus positivos. Porém à noite, o mercúrio começa a descer abaixo do zero.
Mas não é disso que quero falar. Não posso deixar de voltar aos resultados das eleições municipais e regionais na Rússia que se realizaram no Domingo passado. Como é sabido, o Partido Rússia Unida obteve vitórias em praticamente todos os escrutínios, enquanto que a oposição, parlamentar e extra-parlamentar, fala de falsificações em massa.
Na segunda-feira, quando a oposição já falava em batota, o primeiro-ministro Vladimir Putin e o Presidente Dmitri Medvedev reconheceram a vitória do Partido Rússia Unida e Putin aconselhou a oposição a recorrer aos tribunais para contestar os resultados dos escrutínios.
Quem conhece o funcionamento dos tribunais russos, sabe que é preciso ter uma paciência de Job para apresentar queixa e vencer um processo contra o poder vigente. O Partido Comunista da Federação da Rússia ainda não desistiu de contestar os resultados das eleições presidenciais de 2008 e a queixa está no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, pois os tribunais russos deram sempre razão ao poder. Isto não obstante, na República da Mordóvia, um dos membros da Federação da Rússia, Medvedev ter vencido o escrutínio com mais de 100% dos votos!
Na passada terça-feira, os três partidos da oposição parlamentar: Partido Comunista, Partido Liberal-Democrático e Partido Rússia Justa abandonaram a sala de sessões da Duma Estatal (Câmara Baixa do Parlamento russo), exigindo um encontro com o Presidente Medvedev enquanto garante da Constituição para falarem sobre as falsificações dos resultados eleitorais.
Há factos de falsificação de bradam aos céus, que mostram que as autoridades já nem cuidam de apresentar uma fachada respeitável. Por exemplo, Serguei Mitrokhin, dirigente do partido liberal Iabloko, deputado da Duma de Moscovo, e a sua família votaram no local de residência. Segundo ele, o seu voto foi para o Partido Iabloko e acredita que outros membros da sua família o apoiaram na sua escolha. Mas qual não é o espanto dele quando, nos resultados, não há sequer um voto no seu próprio Partido!
Não obstante estes casos aberrantes, não espero que Dmitri Medvedev ceda à oposição parlamentar, visto que isso significará desautorizar as suas palavras e as de Vladimir Putin sobre a vitória da Rússia Unida.
E se assim for, teremos mais uma prova de que não vale a pena acreditar nas promessas de Medvedev de democratizar o regime e, por conseguinte, de combater a corrupção, modernizar a Rússia, etc., etc.
Já afirmei várias vezes que, tendo em conta o que vejo, admito que o Partido Rússia Unida possa vencer as eleições de forma mais limpa, mas os dirigentes nacionais e regionais não acreditam no eleitorado e fabricam votações para agradar aos chefes, mesmo que para isso tenham de ordenar, por exemplo, aos directores das escolas "garantirem" a afluência às urnas dos professores e pais dos alunos.
A continuar assim, não é provável a formação de uma sociedade civil na Rússia nos anos mais próximos. Sem um sistema realmente democrático e aberto, sem tribunais independentes, sem o respeito pelas leis por todos, desde o mais simples cidadão até ao Presidente, não se pode esperar uma verdadeira modernização do país.
E se tal não acontecer, a Rússia poderá perder talvez a única possibilidade de dar um salto para a modernidade. Eu penso assim...

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Rússia suspeita de contactos entre Washington e países vizinhos

A Rússia está preocupada com os contactos que os Estados Unidos mantêm com países que não fazem parte da NATO, no quadro da revisão dos planos de instalação de elementos do sistema de defesa anti-míssil (DAM) na Europa, declarou hoje Serguei Riabkov, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
“Temos conhecimento que a administração norte-americana, no quadro da renúncia a esses planos, realiza contactos com os seus parceiros, e não só com países da NATO”, afirmou Riabkov ao comentar a declaração da Ucrânia sobre conversações com Washington a propósito da possibilidade da utilização de radares ucranianos no DAM norte-americano.
“Acompanhamos atentamente a situação e seria exagero afirmar que isso nos infunde esperanças”, acrescentou.
“Estamos preocupados”, frisou Riabkov.
Antes, Oleg Chamchur, Embaixador da Ucrânia em Washington, declarou que está em cima da mesa das conversações a possibilidade de utilização de estações de radares ucranianas no programa de criação de um sistema de defesa anti-míssil norte-americano.
“Apelamos a todos os participantes dessas conversações que abordem da forma mais responsável esses contactos e as declarações públicas a esse respeito”, comentou o diplomata russo.
A Ucrânia possui duas grandes estações de radares: na Crimeia e na região dos Cárpatos. Até 12 de Fevereiro passado, esses duas estações trabalhavam para a Rússia, mas Moscovo renunciou à sua exploração.

A administração de George W. Bush planeava instalar até 2013 dez mísseis interceptores na Polónia e um radar de defesa anti-míssil na República Checa, a pretexto da neutralização da alegada ameaça dos mísseis do Irão.
Moscovo considerou que esse projecto ameaçava a sua segurança e o novo Presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou, a 18 de Agosto, a criação de um escudo anti-míssil “mais moderno e eficaz” e que não causaria apreensões na Rússia.
Washington não descarta a possibilidade da criação de um escudo conjunto com a Rússia.

Moscovo e Pequim firmam contratos de cooperação no valor de 3.000 milhões de euros

A Rússia e a China assinarão protocolos e contratos no valor de mais de 3.000 milhões no quadro de um forum internacional que se está a realizar em Pequim, declarou Alexandre Jukov, vice-primeiro-ministro russo.
Jukov precisou que o Banco Económico Externo (Vneshekonombank) e o Banco de Fomento da China assinaram acordos de crédito de mais de 450 mil milhões de euros, exemplo seguido pelo Banco Comercial Externo (Vneshtorgbank) e pelo Banco Agrícola da China.
Durante o forum internacional, que conta com a presença de Vladimir Putin, primeiro-ministro da Rússia, este e o seu homólogo chinês assinaram um acordo de fornecimento de gás russo à China.
Segundo Alexei Miller, presidente da gasífera russa Gazprom, o acordo prevê fornecimentos de gás à China a partir da Sibéria Ocidental e do Extremo Oriente russo.
Anualmente, a Rússia poderá fornecer até 70 mil milhões de metros cúbicos de gás ao país vizinho.
Está prevista também a assinatura de acordos de cooperação na construção de caminhos de ferro, no sector da construção civil na Rússia.

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Forças armadas russas podem empregar armas nucleares em guerras locais


As forças armadas russas poderão empregar armas nucleares não só em conflitos de grandes dimensões, mas também em conflitos regionais e locais, declarou Nikolai Patruchev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia.
Numa entrevista concedida ao diário Izvestia, Patruchev explica o aumento do número de situações em que a Rússia poderá recorrer às armas nucleares com “as mudanças provocadas pelas actuais ameaças à segurança do país”.
Segundo ele, actualmente, o principal perigo são as guerras locais, mas sublinha que se conservam “velhas ameaças” como “o alargamento do bloco da NATO” e “manobras de forças estratégicas dos Estados Unidos”.
Em conformidade com a doutrina militar russa revista, as forças armadas russas poderão também utilizar armas nucleares em “ataques preventivos contra o agressor”.
Patruchev sublinhou que o parágrafo da doutrina militar que determina o emprego de armas nucleares foi formulado “no espírito de conservação do estatuto de potência nuclear da Federação da Rússia, capaz de realizar a contenção nuclear de potênciais adversários”.
“Trata-se de uma das prioridades do país”, frisou o secretário do Conselho de Segurança da Rússia.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que se encontra de visita a Moscovo, recusou-se a comentar estas declarações de Patruchev, alegando desconhecer o que ele tinha “declarado precisamente”.
Porém, numa entrevista à rádio Eco de Moscovo, ela declarou que a doutrina militar americana “não prevê o lançamento de ataques nucleares preventivos contra agressores”.
“Não, não, não prevê tal coisa!”, frisou.

Até deputados da oposição obediente perdem a paciência


Os deputados de três grupos parlamentares da oposição na Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento da Rússia abandonaram a sala de sessões em sinal de protesto contra o facto de o Partido Rússia Unida se recusar a discutir “a falsificação dos resultados eleitorais”.
Os deputados do Partido Comunista da Federação da Rússia, do Partido Liberal-Democrático da Rússia e do Partido Rússia Justa exigem um encontro urgente com o Presidente Dmitri Medvedev a fim de analisarem a falsificação dos resultados das eleições de Domingo passado, considerando que o Partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Vladimir Putin, foi o “beneficiado”.
Nas eleições municipais e regionais de 11 de Outubro, que se realizaram em 76 das 83 regiões e repúblicas da Federação da Rússia, a Rússias Unida conquistou a maioria dos votos em praticamente todos os escrutínios.
“Nós não podemos estar na Duma Estatal até que as autoridades, até que o Presidente não se encontrem com os nossos grupos parlamentares”, declarou aos jornalistas Vladimir Kachin, vice-presidente do Comité Central do Partido Comunista da Federação da Rússia.
“Tiraram às pessoas o direito à liberdade de expressão, de opção. Isso é a violação dos direitos constitucionais”, acrescentou o deputado comunista.
Vladimir Jirinovski, dirigente do Partido Liberal-Democrático e vice-presidente da Duma, considerou os resultados das eleições “desonestos”.
“Pressão constante, chantagem, ameaças, ameças de despedimento aos que apoiaram os liberal-democratas. Sufocam-nos, pressionam-nos constantemente”, frisou.
“Se não nos deixam falar dos resultados das eleições, o grupo parlamentar maioritário que fique na sala, tome decisões e resposta por tudo”, declarou Nikolai Levitchev, dirigente do grupo parlamentar da Rússia Justa.
Os deputados do Partido Rússia Unida, que detém a maioria constitucional na Duma, continuaram os trabalhos como se nada tivesse acontecido.
“Eu não comento. Isso é política”, declarou Vladimir Tchurov, dirigente da Comissão Eleitoral Central da Rússia, reagindo à iniciativa da oposição.
Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, ainda não reagiu à iniciativa da oposição obediente ao Kremlin, mas torma-se cada vez mais difícil esconder o Sol com a peneira, ou seja, fechar os olhos à violação da lei nas eleições. Os protestos não vêem só da oposição marginal....

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Quase em sintonia completa


A Rússia e os Estados Unidos continuarão a realizar consultas sobre o novo sistema de defesa anti-míssil, proposto pela Administração de Barack Obama para substituir o projecto de instalação de mísseis interceptores na Polónia e um radar na República Checa, e Moscovo espera que os dois países chegarão a um acordo nesta área.
“As conversações continuam, esperamos conseguir, após essas consultas, chegar a uma posição comum sobre a continuação dos trabalhos, que permitirá juntar os nossos esforços aos dos europeus e de outros países interessados, trabalhar conjuntamente na análise e neutralização dos riscos de difusão de mísseis no mundo”, declarou Serguei Lavrov, após um encontro com a sua homóloga norte-americana, Hillary Clinton.
O chefe da diplomacia russa, numa conferência de imprensa realizada após o encontro com Hillary Clinton, sublinhou: “As conversações irão continuar. Nós saudamos esse trabalho”.
A anterior Administração norte-americana planeava instalar até 2013 dez mísseis interceptores na Polónia e um radar de defesa anti-míssil na República Checa, a pretexto da neutralização da alegada ameaça dos mísseis do Irão.
Moscovo considerou que esse projecto ameaçava a sua segurança e o novo Presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou, a 18 de Agosto, a criação de um escudo anti-míssil “mais moderno e eficaz” e que não causaria apreensões na Rússia.
A secretária de Estado norte-americana revelou ter transmitido à Rússia a concepção do seu país sobre a nova avaliação das ameaças da parte do Irão e espera de Moscovo cooperação na questão do escudo anti-míssil.
“Descrevemos ao senhor ministro e a outros funcionários as bases da nossa avaliação da ameaça... Compartilhámos esta concepção com os nossos colegas russos, os nossos peritos precisam agora os pormenores e gostaríamos de ver os Estados Unidos e a Rússia a cooperarem estreitamente na questão do escudo anti-míssil”, frisou Hillary Clinton.
“Estamos muito interessados em trabalhar com a Rússia no desenvolvimento de relações de cooperação, incluindo a avaliação conjunta das ameaças e a consolidação dos nossos esforços para a criação de um centro de dados sobre essa questão”, acrescentou.
Na mesma conferência de imprensa, Lavrov considerou que nem todos os métodos diplomáticos e políticos estão esgotados no que diz respeito ao programa nuclear do Irão, sublinhando que não devem ser tomadas sanções à margem do Consellho de Segurança da ONU.
“Olhamos de forma muito contida contra as sanções, elas raramente dão resultado”, frisou.
“Não nos encontramos nesse ponto (quando as sanções são inevitáveis), essa não é a conclusão a que chegámos”, respondeu Hillary Clinton.
“Queremos dizer claramente que preferimos que o Irão trabalhe com a comunidade mundial, representada no formato “cinco mais um” (cinco membros permanentes do CS da ONU e Alemanha”, acrescentou.
Hillary Clinton sublinhou também que a política dos Estados Unidos face ao programa nuclear norte-coreano não sofreu alterações.

Os diplomatas russo e norte-americana anunciaram que as conversações sobre a conclusão do novo tratado de redução de armas estratégicas pesadas continuam e que o documento estará pronto atempadamente, até 05 de Dezembro.
Lavrov aproveitou a oportunidade para anunciar que o primeiro voo de um avião militar norte-americano para o Afeganistão, através do território russo, se realizou no passado dia 07 de Outubro.O ministro russo acrescentou que o seu país está espera do convite da NATO para participar nas discussões sobre o Afeganistão.

Desta vez, a despeito de todas as tradições, a secretária de Estado norte-americana não criticou os dirigentes russos pela violação dos direitos humanos. Uma unanimidade quase total...

Mafioso russo sepultado com todas as honras num cemitério de Moscovo


Centenas de pessoas participaram hoje no enterro de Viatcheslav Ivankov, um dos mais conhecidos chefes da máfia russa que encontrou a sua última morada num importante cemitério da capital russa, onde estão sepultados famosos poetas, cantores e desportistas.
Ivankov, conhecido pela alcunha de “Japonesinho” devido aos traços asiáticos do seu rosto e ao gosto pelas artes marciais, foi mortalmente assassinado em Julho, durante um tiroteiro.
Homens vestidos de preto, porte atlético, cabeças rapadas e de óculos escuros, transportavam coroas de flores onde se podia ler: “Da Irmandade de Iaroslavl”, “Da Irmandade de Kirov”, “Para o querido amigo”.
“Irmandade” é o nome que os criminosos russos dão às suas organizações.
A polícia russa enviou dezenas de agentes para os arredores do cemitério, tendo impedido os jornalistas de filmarem ou fotografarem a cerimónia fúnebre.
Ivankov era um dos criminosos mais conhecidos na Rússia desde os anos 60 e, após a desintegração da União Soviética, emigrou para os Estados Unidos, onde foi condenado por “extorsão”. Depois de ter cumprido a pena, foi deportado para a Suíça, onde, entre outros crimes, foi acusado de portar passaportes falsos, entre eles um português.
As autoridades russas conseguiram a sua extradição da Suíça para a Rússia em 2004, onde era acusado pelo assassinato de duas pessoas num restaurante.
Durante o julgamento, todas as testemunhas do assassinato disseram não ter visto nada e Ivankov foi mandado em liberdade. Segundo fontes russas, o mafioso passou os últimos meses de sua vida mediando a disputa entre gangues rivais por salas de jogos clandestinas.
Ivankov era conhecido como "vor v zakone" (um ladrão dentro da lei) porque obedecia ao restritivo código de conduta e lealdade que rege o comportamento dos chefes do mundo do crime russo.
Segundo o código, o criminoso tem que abandonar a família, prometer nunca trabalhar legalmente, nem cooperar com as autoridades policiais, construir uma comunidade criminosa organizada e executar as suas ordens - que incluem punições - além de recrutar jovens membros.
Actualmente, os “ladrões dentro da lei” vêem fortemente limitado o seu poder de influência, pois torna-se cada vez mais difícil extorquir dinheiro a empresas e homens de negócios, porque estes recorrem cada vez mais à protecção informal de agentes da polícia e dos serviços secretos, conhecidos por “kricha”(telhado, protecção).

Rússia acusa Geórgia de ajudar Al-Qaida a infiltrar terroristas na Tchetchénia



O director do Serviço Federal de Segurança (FSB), Alexandre Bortnikov, da Rússia acusou hoje os serviços secretos da Geórgia de ajudarem a rede da Al-Qaida a «formar e enviar terroristas» para a Tchetchénia e Daguestão.
“Cassetes áudio descobertas com os combatentes provam que eles estabeleceram, conjuntamente com emissários da Al-Qaida, contactos com representantes dos serviços secretos georgianos que participam no treino e envio de terroristas para a Tchetchénia”, declarou Bortnikov numa reunião do Comité Antiterrorista da Rússia.
Os serviços secretos georgianos “empreendem permanentemente tentativas de encaminhar para o Daguestão armas, explosivos e recursos financeiros para à realização de actos de subversão em instalações de alto risco. Trata-se, em primeiro lugar, e condutas de gás e petróleo”, sublinhou o responsável russo.
Desde Janeiro que o FSB já frustrou 45 actos terroristas e pôs fim às actividades de 178 rebeldes no Cáucaso russo, acrescentou.
A chefe do Conselho de Segurança Nacional da Geórgia, Eka Tkechelachvili, rejeitou estas acusações e considerou que Moscovo procurava um pretexto para actuar militarmente contra Tbilissi.
As relações russo-georgianas continuam muito tensas desde a guerra de Agosto de 2008.
«Trata-se mais uma vez de uma declaração chocante de propaganda. O objectivo é fazer subir a temperatura, quando a situação já é tensa», acrescentou à agência noticiosa francesa AFP.
«Se a Rússia decidir medidas ofensivas contra a Geórgia, utilizará este tipo de pretextos. A comunidade internacional deve estar atenta a estas afirmações e declarar que são inaceitáveis», sublinhou Eka Tkechelachvili.
No passado, Moscovo acusou frequentemente Tbilissi de tolerar a presença de separatistas tchetchenos na zona montanhosa georgiana de Pankissi, perto da fronteira com a Tchetchénia, sendo o Cáucaso russo palco de actos violentos diários.
A Geórgia acusa a Rússia de apoiar os separatistas georgianos da Abkázia e da Ossétia do Sul. Moscovo reconheceu a independência destas duas regiões no ano passado.

Talvez seja mera coincidência, mas estas revelações dos serviços secretos russos são feitos durante a visita da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, a Moscovo.

Durante as conversações com o homólogo russo, Serguei Lavrov, falou-se da questão georgiana, onde as posições russa e norte-americana divergem profundamente. Moscovo apoia a independência da Ossétia do Sul e Abkhásia, enquanto que Washington defende a integridade territorial da Geórgia.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

A Unidade do Povo e do Poder!


Como acabei de chegar a Moscovo, deixo aqui um pequeno comentário sobre as eleições ocorridas na Rússia no passado Domingo. Além disso, estou cansado da viagem para fazer análises profundas, daí que dou apenas a palavra a alguns dos actores do acto eleitoral.

"Semelhante vandalismo e barbárie não se registaram nem sequer no período inicial de Ieltsin. Fica-se com a sensação que o partido do poder passou-se dos carretos e decidiu espremer o resultado de que necessitava", declarou Guenndi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia, ao comentar os resultados das eleições municipais e regionais, realizadas no Domingo passado.

Ziuganov promete recorrer aos tribunais para provar as falsificações dos resultados eleitorais, mas previne: "eu já passei por 1600 tribunais e compreendo que se as nossas queixas não forem empurradas por manifestações dos cidadãos, não conseguiremos nada", acrescentou.

Em cerca de 7000 actos eleitorais de vários níveis, o Partido Rússia Unida, do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, venceu em todos, com mais de 50% dos votos!

"Ímpossível!", exclamará alguém com algum sentido crítico, mas há outra opinião: "Um testemunho da unidade do povo e do poder vigente", exclama Boris Grizlov, presidente da Duma Estatal, câmara baixa do Parlamento russo, e dirigente do Rússia Unida.

Em Moscovo, nem os democratas tolerados do Partido Iabloko, nem o Partido Liberal-Democrático, do "nacionalista obediente" Vladimir Jirinovski, ultrapassaram a barreira dos 07%, necessária para eleger deputados para o Parlamento Municipal. A esmagadora maioria é da Rússia Unida e apenas uns lugares ficaram para o Partido Comunista, pois seria feio não deixar qualquer tipo de oposição.

Sem qualquer tipo de ironia ou sarcasmo, posso afirmar que, como jornalista que vive e trabalha na Rússia, não duvido que a maioria da população russa apoia a política de Vladimir Putin e Dmitri Medvedev, mas para quê encenar vitórias totais e absolutas?

Domingo, Outubro 11, 2009

Reflexões políticas tristes sobre o desporto-rei

(foto 1)

(foto2)


(foto 3)

Não venho analisar aqui os resultados dos encontros de futebol relativos à fase de apuramento do Campeonato do Mundo de 2010, mas chamar a atenção para a forma como se continua a fazer do desporto uma arma política perigosa, que faz lembrar os piores momentos de um passado recente.
No início do jogo disputado entre as selecções da Rússia e da Alemanha em Moscovo, uma das tribunas do Estádio Lujniki ficou praticamente coberta com uma gigantesca faixa onde estava representada a famosa imagem da "Mãe Pátria" (foto 1), ou melhor, uma interpretação actual do famoso cartaz "Mãe Pátria" (foto 2), criado durante a Segunda Guerra Mundial, onde, nomeadamente, russos e alemães se defrontaram em combates que custaram milhões de vidas.
Na versão original, a ""Mãe-Pátria" chama!" para a luta sagrada contra o invasor alemão, na actual, ela apela "Em Frente, Rússia!" na luta (parece que também sagrada, pelo menos para os dirigentes políticos sentados nas bancadas, entre os quais se destacavam Dmitri Medvedev e Vladimir Putin) contra a selecção alemã com vista à chegada à fase final do Campeonato do Mundo.



Estranho paralelo num país onde os dirigentes não se cansam de acusar "alguns" (no país e no estrangeiro) de tentarem falsificar a história, diminuindo o papel da União Soviética na derrota do nazismo hitleriano, e de criar até comissões de combate aos falsificadores! Mas será que a algum "falsificador" da história viria à cabeça comparar a vitória na Grande Guerra Pátria de 1941-1945 com uma partida de futebol?
Mas é ainda mais surpreendente a forma como Vitali Mutko, presidente da Federação de Futebol da Rússia, explica o aparecimento da faixa: "Trata-de de uma ideia dos apoiantes. A faixa deve ser vista como o início da campanha da luta pelo Campeonato do Mundo de 2018. Trata-se de um dos símbolos da Rússia. Os nossos adeptos apoiaram-se na força dessa figura".
"Trata-se de uma faixa correcta!", concluiu.
Bem, o Sr. Mutko poderia ter encontrado alguma explicação mais inteligente, a não ser que ele considere toda a gente idiota. A citada faixa não apareceu em nenhum dos jogos anteriores, mas apenas na partida contra a Alemanha!
Quanto à ideia dos apoiantes, cabe apenas recordar que há apoiantes que têm ideias de arrepiar, desde cartazes racistas até palavras de ordem insultuosas e provocatórias. Não é por acaso que, às vezes, clubes e estádios são castigados e multados pelas autoridades desportivas internacionais.
Uma faixa como a que apareceu no Estádio Lujniki não teria aparecido se não existisse o consentimento das autoridades russas, o que torna as coisas ainda mais graves.
Não me venham justificar isto com o facto de americanos, portugueses, chineses e sei lá quem mais fazerem coisas semelhantes...
Ou talvez eu esteja a exagerar, a fazer de uma mosca um elefante! A julgar pelo rosto alegre de Gerhard Schroeder (foto 3), antigo chanceler alemão que hoje trabalha para a gasífera russa Gazprom, ele parece não ter ficado nada ofendido. Não sei se o mesmo aconteceu com os restantes alemães.

Sábado, Outubro 10, 2009

Blog dos leitores

Texto enviado pelo leitor António Campos
"Niilismo legal e banditismo oficial – O curioso caso da Hermitage Capital Management

Não há melhor exemplo que ilustre a risibilidade das promessas de Putin e Medvedev de combater a corrupção e o niilismo legal do que o tormento sinistro da Hermitage Capital Management. Em 2005, William Browder, fervoroso apoiante de Putin e um dos fundadores da extremamente bem-sucedida sociedade gestora de fundos Hermitage, tentava regressar à Rússia depois de uma viagem de negócios, tendo-lhe no entanto o visto de entrada sido negado. Mais tarde, veio a saber-se que o seu nome tinha sido incluído numa “lista negra de indivíduos perigosos para a segurança nacional”.

A empresa da qual foi co-fundador posicionava-se como um “fundo activista”, ou seja, adquiria posições em empresas nas quais depois expunha práticas corruptas e má gestão, por forma a reduzir a erosão dos lucros dos accionistas causada por tais comportamentos. De facto, a Hermitage foi parte activa na exposição de diversos escândalos de corrupção ao mais alto nível envolvendo a Gazprom e outras empresas proeminentes controladas pelo Kremlin. Para tal foram desenvolvidos procedimentos de auditoria extremamente eficientes, destinados a desmascarar práticas corruptas nas companhias das quais era accionista, passando depois a informação para a imprensa russa e internacional, no sentido de estimular a investigação e a condenação desses crimes. Terá sido provavelmente por isso que o seu destino ficou selado.

Tendo encontrado Medvedev num jantar no fórum de Davos em 2007, Browder apressou-se a expor o seu caso ao futuro presidente, pedindo-lhe que intercedesse para que o visto de entrada fosse emitido, tendo recebido do mesmo a promessa de que tal seria considerado. Poucos dias depois, é contactado telefonicamente por um funcionário policial de Moscovo, que o informa de que “a minha resposta aos seus problemas dependerá da forma como se comportar e do que oferecer […] quanto mais cedo nos encontrarmos e fornecer o que é necessário, mais depressa os seus problemas desaparecerão”.

Em Junho de 2007, a polícia irrompe pelos escritórios da empresa e dos seus advogados, tendo confiscado inúmeros documentos oficiais e equipamento informático. O tenente-coronel Artyom Kuznetsov, do departamento de crime fiscal do ministério do interior e autor da chamada telefónica acima, supervisionou pessoalmente a busca, baseada na alegação de que a empresa teria cometido fraude fiscal no valor de 44 milhões de dólares. Até agora, nada de novo: trata-se dos procedimentos oficiais que já todos conhecemos.

Após esta acção policial, três das empresas do grupo Hermitage mudam misteriosamente de dono, tendo sido atribuídas a uma empresa com sede em Kazan e cujo proprietário se veio a provar ser um assassino condenado pela justiça. De facto, todos os novos “directores” eram criminosos condenados e recentemente libertados. Imediatamente a seguir, surge num tribunal de São Petersburgo um processo judicial contra estas três empresas, alegando que as mesmas tinham defraudado uma outra empresa em milhões de dólares, numa transacção passada envolvendo acções da Gazprom. Todas estas alegações eram obviamente falsas. No entanto, o juiz, com base na transferência fraudulenta de propriedade e dos documentos falsos apresentados, decide em favor dos “queixosos”, atribuindo-lhes 1,26 mil milhões de dólares a título de indemnização.

Conhecedor do “clima empresarial” russo, Browder é suficientemente prudente para transferir entretanto os activos da Hermitage para fora da Rússia, a tempo de evitar a sua apropriação. Assim, os autores da fraude acabam por não conseguir a almejada “compensação”.

Tenho consciência de que a maioria dos leitores desta peça e que sejam menos versados na realidade empresarial e política russa deverão já estar de boca aberta. Mas o que sucedeu a seguir é incomparavelmente mais espantoso: face ao insucesso em sangrar “judicialmente” a Hermitage, os balanços das empresas roubadas são misteriosamente alterados para apresentarem prejuízos no ano de 2006, sendo submetido à administração fiscal um pedido de reembolso de 230 milhões de dólares em impostos, que as Finanças russas se apressam a conceder (3 dias depois do pedido), sem qualquer tipo de investigação prévia. Ou seja, os contribuintes russos são defraudados em 230 milhões de dólares por uma organização criminosa, com a conivência (e pior ainda, o apoio) de todos os organismos oficiais envolvidos: polícia, tribunais e finanças.

Das queixas fundamentadas submetidas pela Hermitage a todos os organismos estatais russos, incluindo o comité anti-corrupção estabelecido por Medvedev, nenhuma teve resposta. E como seria de prever, investigadores do ministério do interior russo apresentaram queixa contra um assessor jurídico da empresa, Sergei Magnitsky e, de acordo com o jornal Kommersant, terão emitido um mandato de captura e pedido de extradição sobre William Browder, por “crimes de evasão fiscal”.

Vladimir Putin tem fingido nunca ter ouvido falar de William Browder, que foi apenas o maior e mais bem sucedido investidor estrangeiro em acções de empresas russas durante vários anos. Numa entrevista ao jornal Le Monde, afirmou: “nunca ouvi falar nesse nome. […] se essa pessoa acha que os seus direitos foram violados, ele que vá a tribunal”.

Com amigos destes, quem precisa de inimigos?

Além de ter apresentado diversas queixas junto de organismos internacionais, Browder está a levar a sua luta para a internet. Acabou de ser produzido um pequeno documentário sobre as tribulações da Hermitage, que pode ser visto no Youtube.

Altamente recomendado aos candidatos a investidores na Rússia actual.

Links:
Em inglês:
http://www.youtube.com/watch?v=ok6ljV-WfRw&feature=player_embedded
Em russo:
http://www.youtube.com/watch?v=JW0AnZLSCcg&feature=player_embedded# "

Eleições regionais com resultados previsíveis

No próximo Domingo, os eleitores russos irão participar na eleição de quatro parlamentos regionais e de órgãos municipais de 76 de regiões e repúblicas da Federação da Rússia.
O Partido Rússia Unida, dirigido pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, não duvida de uma vitória com mais de 50 por cento dos votos em todos os escrutínios.
“Espero que conseguiremos a maioria em todos os órgão de poder eleitos, ou seja, mais de 50 por cento”, declarou Boris Grizlov, dirigente da Rússia Unida, sublinhando que “sinto o apoio dos eleitores que considero um apoio à política do Presidente (Medvedev), do Partido, aos passos dados para superar a crise financeira”.
Merecem particular atenção as eleições na Inguchétia e Tchetchénia, repúblicas russas do Cáucaso do Norte atingidas, nos últimos tempos, por ondas de terrorismo.
Segundo a agência Ria-Novosti, em algumas aldeias e vilas da Tchetchénia, as eleições poderão ser adiadas devido ao perigo de atentados terroristas.
Na capital russa, os eleitores irão escolher o novo Parlamento de Moscovo (esta cidade tem o estatuto igual aos dos restantes 82 membros da Federação da Rússia), tendo as autoridades tomado medidas para não permitir a eleição de deputados por parte da oposição extra-parlamentar.
Candidatos do movimento “Solidariedade”, dirigido por políticos da oposição como Boris Nemtsov, antigo ministro de Boris Ieltsin, e Garry Kasparov, ex-campeão do mundo de xadrez, foram impedidos de participarem nas eleições realizadas nos círculos uninominais a pretexto de “não terem reunido correctamente assinaturas de apoio à sua candidatura”.
Este “filtro” deixou de fora também alguns dirigentes do Partido Causa Justa, força liberal criada pelo próprio Kremlin para neutralizar a oposição extra-parlamentar.
O Partido Comunista e o Partido Liberal-Democrático da Rússia, que têm assento no Parlamento do país, queixaram-se de os órgãos de informação, principalmente os canais de televisão estatais, os terem discriminado durante a campanha.
Joaquim Crima, cidadão russo de origem guineense, também conhecido por “Obama russo”, tem, segundo as sondagens de ser eleito deputado na cidade de Sredniakhtubinski.

Lançamento do livro











Caros leitores e amigos, venho por este meio agradecer a todos os que participaram na sessão do livro"Angola: O Princípio do Fim da União Soviética".




Foi com grande prazer e alegria que encontrei leitores assíduos deste blog, tais como Cristina Mestre, Tiago, António Campos e outros, velhos amigos dos tempos em que estudei na União Soviética, camaradas do jornalismo e investigadores da História de Angola.




Fico à espera das críticas, dúvidas e perguntas colocadas por todos aqueles que lerem o livro, prometendo tê-las em conta quando da publicação de novos trabalhos, se os leitores assim o pretenderem.




Não se trata de um trabalho exaustivo sobre a História de Angola, foi minha intenção revelar dados que possam ajudar outros historiadores e curiosos a fazerem uma ideia mais precisa sobre a participação soviética e russa no conflito.




Vários leitores de Portugal e de outros países lusófonos, nomeadamente de Angola, perguntam-me como podem adquirir o livro. Foi-me dito que os leitores portugueses o poderão fazer através de uma encomenda nas livrarias da sua zona de residência ou trabalho. Caso não o consigam fazer, eles, bem como os leitores de outros países lusófonos, poderão encomendar o livro no sítio da editora: http://www.novavega.pt/.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

O meu livro vai ser editado amanhã

Artigo na Lusa sobre o lançamento do livro: Angola: o início do fim da União Soviética"
Quando o Partido Comunista Soviético preparava o apoio à FNLA, foi Álvaro Cunhal a 'virar o jogo' para o MPLA, afirma o jornalista e historiador José Milhazes, autor de 'Angola: O Príncipio do Fim da União Soviética', a lançar na sexta-feira.
A génese do apoio da URSS ao MPLA é um dos episódios sobre o qual é feita luz no livro, editado pela Nova Vega, de José Milhazes, residente há mais de 30 anos na Rússia, onde é o actual correspondente da Agência Lusa.
'No meu livro abordo alguns episódios menos conhecidos das relações entre Angola e a União Soviética, nomeadamente nos anos 60, quando Nikita Krutschev, secretário-geral do Partido Comunista soviético, decide reconhecer Holden Roberto e a FNLA como representantes do povo angolano na luta anti-colonial, e isso não acontece devido à presença de Álvaro Cunhal em Moscovo, que consegue fazer a direcção soviética mudar de ideias e reconhecer Agostinho Neto', disse Milhazes.
'Muitos quadros angolanos passaram pelo Partido Comunista e estavam influenciados pelo marxismo-leninismo', recordou Milhazes, justificando a mais-valia de Agostinho Neto aos olhos de Moscovo.
A obra de Milhazes resulta de uma pesquisa iniciada nos anos 1990, nos arquivos da ex-URSS, nomeadamente o Presidencial, do PCUS, e da Fundação Gorbatchev actualmente o mais aberto, onde o jornalista encontrou registos de conversas do último líder soviético com Mário Soares, Álvaro Cunhal e José Eduardo dos Santos.A investigação é complementada com entrevistas e artigos sobre este tema e memórias publicadas por militares e conselheiros soviéticos que passaram por Angola.
No seu livro, Milhazes tenta provar que o golpe de Nito Alves, em 1977, dentro do MPLA teve o apoio de Moscovo.'Nito representou Angola no Congresso do PC soviético. Isso [para Moscovo] significava que era naquele momento o homem de extrema confiança', acrescentou.
O jornalista afasta a tese de que o primeiro Presidente angolano terá sido assassinado por ordem de Moscovo, como acusou a viúva de Neto.
'Falei com pessoas que participaram nesse processo e disseram-me que ele estava mortalmente enfermo e a URSS reconheceu que foi um erro trazê-lo e operá-lo', disse Milhazes.
Certo, segundo o autor, é que Moscovo 'recebeu bem' a ascenção ao poder (1979) de José Eduardo dos Santos, que era visto como próximo por ter estudado na União Soviética.
A intervenção militar no conflito angolano aprofundou-se, até ao ponto de a ex-colónia portuguesa se ter tornado, nas palavras de um alto funcionário do PC soviético, numa das razões do fim da URSS, que 'teve corolário na aventura do Afeganistão'.'Angola debilitou fortemente a URSS e dificultou altamente as relações com os Estados Unidos. Era uma ferida constante', explicou.
Depois do fim da URSS, Moscovo, a braços com o seu próprio desmembramento, 'não tinha tempo a perder com Angola'.Hoje, procura-se recuperar esse tempo.
'Na exploração de diamantes nunca desapareceram os laços e, no petróleo e gás, voltou de novo o interesse em Angola', sublinhou Milhazes, lembrando que a Rússia tem quadros que trabalharam lá, conhecem o terreno e sabem falar português, além dos milhares de angolanos que se formaram na URSS.
Milhazes já pensa numa segunda edição do novo livro, com mais material que venha a ser desclassificado ou tornado público por intervenientes directos, e também em trabalhos semelhantes sobre outras ex-colónias portuguesas.

Mãe biológica disposta a mudar-se para Portugal a troco de um apartamento


Natália Zarubina, mãe biológica da menina russa que foi retirada pelo Tribunal da Relação de Guimarães à família de acolhimento portuguesa, manifestou-se disposta a vir viver para Portugal se lhe for dado um apartamento T3.
“Se aí (em Portugal) for posto em meu nome uma apartamento com três assoalhadas, eu mudar-me-ei”, declarou Natália numa entrevista ao diário russo “Komsomolskaia Pravda.
Segundo o diário, a família Pinheiro, que acolheu a menina em Portugal durante quatro anos, continua a telefonar insistentemente para Pretchistoe, vila onde habita Alexandra, e Natália deixou claro, numa das conversas, que só regressará com a menina nessas condições.
Por enquanto, Natália não arranjou um emprego estável e realiza “trabalhos sociais”, recolhe lixo nas ruas a troco do salário mínimo (cerca de 100 euros mensais),coisa que não lhe agrada.
“Alguém tem de fazer este trabalho, nem todos podem ser jornalistas!”, comentou a mãe de Sandra em declarações ao jornal.
A menina continua a frequentar o infantário de Pretchistoe, mas a mãe sublinha que Sandra gosta cada vez mais do seu noivo, um ucraniano que trabalhava em Portugal e que se decidiu juntar a Natália na Rússia.
Por enquanto, escreve o diário, ele não arranjou emprego e “trata da casa”; pretendem casar mas o noivo não consegue obter do Consulado da Ucrânia em Moscovo uma declaração em como é solteiro.
“Ele tem autorização de residência por três meses. Um mês já passou e não há meio de nos passarem a declaração”, lamentou-se Natália.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Contributo para a História (Entrega de credenciais diplomáticas em plena selva)

Quando a União Soviética reconheceu a independência da Guiné-Bissau, declarada há precisamente 36 anos, Moscovo quis estabelecer relações diplomáticas com o novo país, mas, como a capital, Bissau, estava sob controlo português, a cerimónia realizou-se no mato.

Em 24 Setembro de 1973, a direcção do PAIGC declarou a independência da Guiné-Bissau nos territórios sob o seu controlo, acto que foi reconhecido por mais de 80 Estados até ao início de 1974.

Alguns deles - Argélia, Roménia, Jugoslávia, Guiné-Conacri e União Soviética - decidiram estabelecer relações diplomáticas ao nível de embaixadas.

Leonid Mussatov, então embaixador soviético em Conacri, foi nomeado representante por inerência na Guiné-Bissau, tendo sido encarregado de entregar as credenciais diplomáticas a Luís Cabral, Presidente do Conselho de Estado do novo país.

"Em Maio de 1974, recebi um convite do Governo da Guiné-Bissau para estar no dia 09 de Maio na cidade de Boké (Guiné-Conacri) a fim de ir para uma das regiões libertadas do país (...) Juntamente com os embaixadores da Argélia, Roménia, Guiné e Jugoslávia, cheguei a Boké na manhã de 09 de Maio", escreve Mussatov nas suas memórias "Viagens Africanas", publicadas em Moscovo.

A viagem rumo aos territórios libertados do PAIGC foi feita de noite por questões de segurança.

"Visto que a cidade de Boké se encontra a 60 km da fronteira, fomos até à Guiné-Bissau em camiões protegidos por soldados e comandantes guineenses. Eu ia num carro com o vice-ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Pedro Pires [actual Presidente de Cabo Verde]", recorda o diplomata soviético.

"Entre as três e as cinco horas da manhã de 10 de Maio", continua Mussatov, "descansámos em tendas num acampamento militar e, depois, cansados, infiltrámo-nos no território da Guiné-Bissau", descrevendo "ruínas de aldeias guineenses queimadas pelos portugueses".

"Finalmente, às 10 horas, chegámos à residência do Presidente, constituída por vários "palacetes", cabanas no interior da selva. Fomos instalados no "hotel dos embaixadores", cabana construída de ramos e folhas de palmeiras e de outras árvores e anunciaram-nos que a entrega de credenciais começaria às 12.30", recorda o embaixador.

"De súbito", relata ainda o diplomata, "às 11 horas, no céu apareceram dois aviões militares portugueses e, depois de alarme aéreo, fomos obrigados a escondermo-nos. Felizmente, os aviões, depois de darem várias voltas por cima da selva, afastaram-se".

Leonid Mussatov, lembra que, no regresso a Conacri, no dia seguinte, soube que a "Voz da América" tinha noticiado esta expedição diplomática.

"A espionagem americana e os seus agentes na Guiné seguiram atentamente a nossa viagem e, pelos vistos, juntamente com os portugueses, tentaram assustar-nos", prossegue Mussatov.

Regressado a Conacri, o embaixador soviético seguiu depois para Moscovo para apresentar informação sobre a cooperação com a Guiné-Bissau, tendo mostrado aos membros do Colégio do MNE fotos daquela cerimónia pouco comum.

"O primeiro vice-ministro V.V.Kuznetsov declarou então: 'É o primeiro caso na História da Diplomacia em que embaixadores entregam credenciais não num palácio, mas na selva da guerrilha'", lembra Mussatov.

Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Presidente da Inguchétia demite governo dessa república do Cáucaso


Iunus-Bek Evkurov, Presidente da Inguchétia, república do Cáucaso do Norte russo, demitiu o Governo por trabalho insatisfatório nos campos sócio-económico e agro-industrial, informou hoje Kaloi Akhilgov, porta-voz da Presidência.

“A decisão de destituir o Executivo foi tomada devido ao seu trabalho insatisfatório, em particular, nos campos socio-económico e no complexo agro-industrial”, declarou.

O inguche Rachid Gaissanov foi substituído, no cargo de primeiro-ministro, pelo russo Alexei Vorobiov. Em 2009, Vorobiov foi nomeado por Evkurov secretário do Conselho de Segurança da Inguchétia.

No sítio oficial das autoridades inguches assinala-se que a corrupção foi uma das causas da denissão do Governo.

Boris Makarenko, dirigente da Fundação “Centro de Tecnologias Políticas”, considera que a Inguchétia necessitya de mudanças radicais e que o Presidente Evkurov “sabe o que fazer”.

“Claro que a Inguchétia continua a ser um dos membros mais problemáticos da Federação da Rússia, na sociedade não à as bases elementares para a paz civil, o que é uma herança demasiadamente pesada da guerra na Tchetchénia e de uma direcção anterior extremamente ineficaz”, declarou o politólogo à agência Ria-Novosti.

Segundo ele, as estruturas do poder na Inguchétia estão ocupadas por clãs, acrescentando que o Presidente Evkurov “foi vítima de um atentado quando decidiu mexer no ninho de vespas”.

Nos últimos meses, a Inguchétia tem sido alvo de uma onda de atentados terroristas, atribuída tanto a acções da guerrilha islâmica separatista, como a actos de clãs locais na luta pelo poder.