O grande dramaturgo russo, Anton Pavlovitch Tchekhov, cujo 150º aniversário do seu nascimento se assinala hoje, não gostava de comemorações, mas a sua pátria decidiu assinalar esse acontecimento com dezenas de espectáculos de teatro, baseados na sua obra.
Em 150 anos, Tchekhov foi dos escritores mais encenados nos teatros de todo o mundo, mas o IX Festival Internacional de Teatro Tchekhov quer mostrar que ainda nem tudo foi revelado e descoberto na obra do grande dramaturgo russo.
Até 31 de Janeiro, os moscovitas poderão apreciar artistas do Teatro Académico da Bielorrússia Ian Kupala a representar “O Casamento”, SoudDrama num acto encenado por Vladimir Pankov; os encenadores russo Andrei Kantchalovski e lituâno Rimas Tuminas apresentarão as suas leituras de “Tio Vânia”; o conhecido realizador de teatro e cinema russo Mark Zakharov leva à cena o “Gingeral”.
Mas o espectáculo mais esperado da primeira etapa do “ano de Tchekhov” é “Mensagem a Tchekhov”, que será representada pela troupe do Teatro Sunil (Suíça), sob a direcção de Daniele Finzi Pasca.
“Eu sou um coleccionador de instantes, de pequenos pormenores. O meu teatro é um teatro de imagens, que se sobrepõem umas às outras e nem sempre formam uma linha recta”, declarou o encenador.
Misturando elementos de teatro e circo, Daniele Finzi Pasca conquistou os moscovitas, no Festival Internacional de Teatro Tchekhov do ano passado, com as peças “Chuva” e “Nevoeiro”, prometendo ultrapassar esses êxitos com “Mensagem a Tchekhov”.
Em Ialta, na Ucrânia, onde Tchekhov viveu alguns anos a fim de tratar da tuberculose de que sofria, o dramaturgo será recordado com a encenação da peça “Três Irmãs” pelo britânico Declan Donnellan.
O festival tchekhoviano regressará a Moscovo entre 25 de Maio e 30 de Junho e as peças a representar são todas encenadas por estrangeiros, de países como França, Espanha, Alemanha, Canadá, Suíça, Suécia, Bielorrússia, Arménia, Japão e Taiwan.
Além disso, os críticos chamam a atenção para a estreia em Moscovo da peça “Tio Vânia”, encenada pelo dramaturgo argentino Daniel Veronese, e do espectáculo “Céu”, do chileno G. Calderon.
Mas, durante todo o ano de 2010, as obras de Tchekhov serão representadas em cidades russas como São Petersburgo, Ekaterimburgo, Tcheliabinsk, Kazan, bem como em Paris, Berlim, Madrid, Estocolmo, Viena, Chicago. Montreal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minsk, Baku, Erevan, etc.
Serguei Dovlatov, conhecido escritor russo, foi, talvez, o que melhor revelou a causa da popularidade de Anton Tchekhov: “Posso venerar o intelecto de Tolstoi, avaliar o feito moral de Dostoevski ou o humor de Gogol, mas quero ser apenas parecido a Tchekhov”.