domingo, janeiro 31, 2010

Moscovo vai fornecer a Tripoli mais de mil milhões de euros em armas

A Rússia e a Líbia assinaram na sexta-feira um contrato de fornecimento de armas no valor de 1,3 mil milhões de euros, anunciou hoje Vladimir Putin, primeiro-ministro russo.

“Foi ontem assinado um contrato de 1,3 mil milhões de euros. E não se trata apenas de armas de infantaria”, deckarou Putin num encontro com o diretor-geral de uma fábrica de Ijevski, importante centro da indústria militar russa.

O diretor-geral agradeceu ao primeiro-ministro pelo apoio dado à assinatura do contrato.

“Sei que ontem, com a sua influência e apoio político, foi assinado um contrato muito importante para nós, que, no mínimo, dará emprego a uma das nossas empresas durante dois anos”, assinalou.

O acordo foi conseguido no encontro de Putin com Abu Bacra Junes Jaber, secretário do Comité de Defesa da Líbia, realizado na véspera em Moscovo.

Em finais do ano passado, Aleksei Mikheiev, vice-diretor da empresa pública Rosoboronexport, que monopoliza a exportação de armamentos russos, revelou que a Líbia tencionava comprar à Rússia “caças Su-35, aviões militares de instrução Iak-130, helicópteros de ataque Ka-52 Alligatir e de combate Mi-35”.

Manifestantes exigem demissão de primeiro-ministro Vladimir Putin


Milhares de manifestantes responderam hoje ao apelo de partidos e organizações sociais da oposição ao Kremlin e juntaram-se no centro da cidade de Kalininegrado, enclave russo no Báltico, para exigir a demissão de Gueorgui Boss, governador local, e Vladimir Putin, primeiro-ministro do Governo russo.
Além dessas reivindicações, os manifestantes protestaram contra o aumento das taxas de registo e de importação de automóveis, contra o aumento do preço dos serviços comunais: água, luz, aquecimento, transportes.


Segundo a polícia local, citada pela agência Interfax, na manifestação participaram cerca de sete mil pessoas, mas os organizadores falam em cerca de dez mil.


Sendo assim, trata-se de uma das maiores manifestações da oposição russa realizada nos últimos anos, tendo juntado manifestantes de setores políticos tão diversos como da esquerda comunista e da direita liberal.


A polícia anunciou que a ação de protesto decorreu sem incidentes.


Manifestação semelhante teve também lugar em São Petersburgo, tendo reunido um número bem menor de pessoas.


A oposição russa convocou uma manifestação para domingo para o centro de Moscovo a fim de exigir o respeito pela liberdade de expressão, mas a polícia já fez saber que irá impedir a realização dessa iniciativa.
P.S. Escusado será dizer que as televisões públicas russas nada mostraram da manifestação de protesto em Kalininegrado.O vídeo pode ser visto na net: http://www.youtube.com/watch?v=GrfeJHY_1as&feature=player_embedded .

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Greenpeace e WWF exigem fim da perseguição das organizações ecologistas

A Greenpeace Rússia e a WWWF Rússia emitiram hoje um comunicado conjunto em que exigem que seja “posto fim à perseguição das ONG’s ecologistas devido às suas actividades profissionais”.

Esta declaração é uma resposta à recente inspecção policial que levou à apreensão de 12 computadores da sede da Onda Ecologista do Baikal (OEB), uma ONG que protesta contra os planos de reabertura, em meados de Fevereiro, de um fábrica de celulose e papel nas margens do maior lago do mundo.

Os assinantes qualificam o sucedido como “uma tentativa de pressão” e recordam que a OEB foi sujeita a uma operação similar em 2002, quando agentes do Serviço Federal de Segurança da Rússia a acusaram de violação do “segredo de Estado”.

A polícia justificou a busca na sede da OEB com a denúncia anónima de que essa organização utiliza cópias piratas de programas informáticos.

Os ecologistas russos criticam o Governo por ter excluído a proibição de celulose, papel e cartão da lista de produções proibidas nessa zona do Baikal, a maior reserva de água potável do planeta. A decisão do Gabinete permite reabrir a empresa de Baikalsk, propriedade do oligarca russo Oleg Deripaska, que permanecia encerrada desde Outubro de 2008.

Caça de quinta geração realiza primeiro voo com êxito

O caça russo de quinta geração realizou hoje com êxito o seu primeiro voo no Extremo Oriente do país, anunciou o centro de imprensa do grupo aeronáutico Sukhoi.

“Todas as tarefas planeadas para o primeiro voo foram realizadas com êxito”, declarou Olga Kaiukova, porta-voz da empresa.

O voo durou 45 minutos.

A Rússia começou a desenvolver o projecto de construção e desenvolvimento do caça de quinta geração nos anos noventa do século passado.

O novo aparelho realizará missões de 24 horas ao dia e em quaisquer condições meteorológicas e será capaz de cobrir longas distâncias à velocidade supersónica. O caça está equipado com uma estação ultra-moderna de navegação e um sistema eficaz automatizado de defesa.

Mikhail Pogossian, director da empresa Sukhoi, considerou o primeiro voo do caça como um grande êxito da ciência russa, acrescentando que este programa irá ser desenvolvido em parceria com a Índia.

“Estou convencido que o nosso projecto conjunto ultrapassará os análogos ocidentais segundo o critério “preço-eficácia”.

O vice-ministro da Defesa da Rússia, Vladimir Popovkin, informára anteriormente que as Forças Armadas russas começarão a receber esses aparelhos em 2015. Mas Vladimir Putin antecedeu a promessa para 2013.

Os Estados Unidos são, por enquanto, o único país que possui caças de quinta geração (F-22).

Rússia comemora em grande 150º aniversário do nascimento do dramaturgo Anton Tchekhov


O grande dramaturgo russo, Anton Pavlovitch Tchekhov, cujo 150º aniversário do seu nascimento se assinala hoje, não gostava de comemorações, mas a sua pátria decidiu assinalar esse acontecimento com dezenas de espectáculos de teatro, baseados na sua obra.

Em 150 anos, Tchekhov foi dos escritores mais encenados nos teatros de todo o mundo, mas o IX Festival Internacional de Teatro Tchekhov quer mostrar que ainda nem tudo foi revelado e descoberto na obra do grande dramaturgo russo.

Até 31 de Janeiro, os moscovitas poderão apreciar artistas do Teatro Académico da Bielorrússia Ian Kupala a representar “O Casamento”, SoudDrama num acto encenado por Vladimir Pankov; os encenadores russo Andrei Kantchalovski e lituâno Rimas Tuminas apresentarão as suas leituras de “Tio Vânia”; o conhecido realizador de teatro e cinema russo Mark Zakharov leva à cena o “Gingeral”.

Mas o espectáculo mais esperado da primeira etapa do “ano de Tchekhov” é “Mensagem a Tchekhov”, que será representada pela troupe do Teatro Sunil (Suíça), sob a direcção de Daniele Finzi Pasca.

“Eu sou um coleccionador de instantes, de pequenos pormenores. O meu teatro é um teatro de imagens, que se sobrepõem umas às outras e nem sempre formam uma linha recta”, declarou o encenador.

Misturando elementos de teatro e circo, Daniele Finzi Pasca conquistou os moscovitas, no Festival Internacional de Teatro Tchekhov do ano passado, com as peças “Chuva” e “Nevoeiro”, prometendo ultrapassar esses êxitos com “Mensagem a Tchekhov”.

Em Ialta, na Ucrânia, onde Tchekhov viveu alguns anos a fim de tratar da tuberculose de que sofria, o dramaturgo será recordado com a encenação da peça “Três Irmãs” pelo britânico Declan Donnellan.

O festival tchekhoviano regressará a Moscovo entre 25 de Maio e 30 de Junho e as peças a representar são todas encenadas por estrangeiros, de países como França, Espanha, Alemanha, Canadá, Suíça, Suécia, Bielorrússia, Arménia, Japão e Taiwan.

Além disso, os críticos chamam a atenção para a estreia em Moscovo da peça “Tio Vânia”, encenada pelo dramaturgo argentino Daniel Veronese, e do espectáculo “Céu”, do chileno G. Calderon.

Mas, durante todo o ano de 2010, as obras de Tchekhov serão representadas em cidades russas como São Petersburgo, Ekaterimburgo, Tcheliabinsk, Kazan, bem como em Paris, Berlim, Madrid, Estocolmo, Viena, Chicago. Montreal, São Paulo, Rio de Janeiro, Minsk, Baku, Erevan, etc.

Serguei Dovlatov, conhecido escritor russo, foi, talvez, o que melhor revelou a causa da popularidade de Anton Tchekhov: “Posso venerar o intelecto de Tolstoi, avaliar o feito moral de Dostoevski ou o humor de Gogol, mas quero ser apenas parecido a Tchekhov”.

Blog do leitor


Texto enviado pela leitora Cristina Mestre


"GOVERNO RUSSO SUBESTIMA FUNÇÃO ANTIDEPRESSIVA DA VODKA


O actual Governo russo subestima a função antidepressiva da vodka, pelo que dificilmente alcançará o objectivo proclamado de reduzir o consumo de álcool para metade nos próximos dez anos, escreve a Nezavisimaya Gazeta no seu editorial de ontem.
O alcoolismo é realmente o principal problema da Rússia, país onde o consumo aumentou de 0,83 litros anuais de álcool puro em 1914-1917 para 5,4 litros no princípio dos anos noventa e 18 litros na actualidade. No entanto, as medidas propostas pelo Governo não levam em conta que a vodka, durante a transição do socialismo para o capitalismo, se converteu numa espécie de “antidepressivo acessível às massas”.
Só uma melhoria das condições de vida e um aumento do grau de protecção social poderão levar os russos a abdicar deste remédio. O jornal assinala também que será imprescindível dar tratamento médico forçado a cerca de 25 milhões de pessoas – na sua maioria, elementos marginais, de baixo nível económico – que consomem bebidas alcoólicas de forma sistemática e em grandes quantidades.
Resta saber se as autoridades e os defensores dos direitos humanos aceitarão uma restrição das liberdades constitucionais e democráticas para uma parte da população.
Outro factor que faz a Nezavisimaya Gazeta questionar o êxito da nova campanha contra o alcoolismo na Rússia é a inexistência de um monopólio do Estado no que se refere à produção e comercialização de vodka. A corrupção generalizada, em particular nos órgãos de segurança, será um obstáculo à luta contra o mercado ilegal de bebidas alcoólicas.
Artigo original:
http://www.ng.ru/editorial/2010-01-28/2_red.html "

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Contributo para a História (Angola. O homem que assassinou Savimbi)

O general angolano na foto é Simão Carlitos Wala, que dirigiu a operação de liquidação de Jonas Savimbi. Pelo menos foi o que relatou ao historiador e veterano de guerra russo em Angola, Serguei Kolomnin. Aqui fica o relato.

"Em Abril de 2008, Serguei Kolomnin, escreveu. “Depois da morte de Savimbi, na nossa imprensa e na estrangeira, foram publicadas numerosas versões sobre as circunstâncias da sua morte. Falou-se dos serviços secretos soviéticos, americanos, e que na operação de liquidação de Savimbi participaram tropas especiais estrangeiras...”
“Quem matou Savimbi na realidade? E como?”, pergunta o veterano russo e responde com um nome:”brigadeiro Simão Carlitos Wala”.
Baseando-se no relato do oficial angolano, Kolomnin escreve: “No dia 16 de Dezembro de 2001, na região de Cassamba, o estado-maior móvel de Savimbi, que se deslocava de um lado para o outro, foi alcançado por destacamentos de “caçadores” governamentais. O próprio líder da UNITA conseguiu salvar-se fugindo. Ele vagueou pela savana durante quase um dia, sozinho, desarmado e sem guardas. Ele escapou por milagre e chegou a uma das bases da UNITA. Quando da fuga, ele deixou ficar não só toda a sua roupa e objectos pessoais, incluindo armas antigas raras, mas também vários pares de galões de general novos, acabados de chegar de Paris. Savimbi olhava para esses objectos com muita paixão.
Nesse combate, ele perdeu também três dos seus mais fiéis guardas, famosos pela sua crueldade extrema, que o acompanharam durante muitos anos. Eles foram feitos prisioneiros pelos “caçadores”. Isso foi uma espécie de sinal: a caça ao “Galo Negro” aproximava-se do seu fim lógico. E, finalmente, a 22 de Fevereiro de 2002, Savimbi e o seu estado-maior foram novamente alcançados por um destacamento de “caçadores”da 20ª brigada das Forças Armadas de Angola, comandada pelo brigadeiro Simão Carlitos Wala.
O mais jovem general angolano nessa altura (acabára de fazer 30 anos) contou, mais tarde, ao autor destas linhas a operação “Kissonda”, realizada pela sua brigada, que levou à morte de Sabimvi: “Eu estava convencido do êxito da operação, a que chamámos “Kissonda”.Savimbi, o seu estado-maior e os seus combatentes, depois de uma perseguição de muitos meses na savana, foram alcançados pelos “caçadores” na província do Mochico, na região dos afluentes do rio Lunga-Bungu: Luvua, Luonza e Lumai, perto da fronteira com a Zâmbia.Restavam 50 a 70 quilómetros para lá chegar. Ele movimentava-se para o Oriente, avançava para onde era esperado por um destacamento armado da UNITA, comandado pelo general Bicho. Inicialmente, Savimbi forçou o rio Luvua. Depois, sentindo a perseguição, ele, para tentar confundir pistas, dividiu o seu destacamento em várias partes. Uma, comandada pelo general Camorteiro, chefe do estado-maior das FALA, avançou para o Ocidente ao longo da margem esquerda do rio Luonza; outra, comandada pelo general Mole. Ele confundia constantemente as pistas, ora dirigia-se para Sul, ora virava para Norte. Parecia-lhe faltar pouco para escapar ao cerco. Mas os combatentes da 20ª cortaram todas as vias para a fronteira da vizinha Zâmbia. E Savimbi entrou em pânico. Quando, de manhã, por volta das sete horas, os nossos combatentes descobriram o rasto do grupo, ele sentiu isso e fugiu. Às 15 horas, entrou em confronto com os nossos destacamentos, foi atacado e morreu no tiroteio”(19ª) Este artigo do veterano russo termina com uma informação curiosa: “O mais jovem general das Forças Armadas de Angola, o homem que comandou a operação “Kissonda”, que levou à liquidação de Savimbi, foi... posto na reserva e enviado para a Rússia, para estudar na Academia Militar Frunze. Para longe do pecado. E se algum dos membros irreconciliáveis da UNITA vivo decidir vingar Sabimbi?”"

Rússia quer participar na reconstrução do Afeganistão com meios ocidentais

A Rússia está pronta a reconstruir no Afeganistão 142 empresas industriais criadas pela União Soviética e espera que esses trabalhos sejam financiados pela comunidade internacional, declarou Dmitri Rogozin, representante da Rússia junto da NATO, ao diário Kommersant.
“Consideramos que o melhor meio de combater os rebeldes consiste em organizar obras civis. Isso permitirá ao Afeganistão desenvolver uma economia normal e independente. Temos todo o direito de acesso a elas. Todos os esquemas corruptos de realização de concursos internacionais são aqui inaceitáveis: foram os nossos engenheiros que as construíram, eles devem reconstruí-las”, acrescentou Rogozin.
As autoridades afegãs já discutiram essa questão com Moscovo, mas consideram que deve ser a Rússia a suportar os custos. Os russos já perdoaram a dívida afegã de cerca de 10 milhões de euros e não pretendem fazer “obras de beneficiência”.
“Em tempo de crise, nem na ratoeira há queijo grátis. Por isso, o financiamento dessas obras deve ser tarefa da comunidade mundial”, assinalou Rogozin, e acrescentou: “os nossos parceiros ocidentais devem tratar da questão de quem paga quanto”.
A delegação russa que participará na Conferência sobre o Afeganistão pretende fazer essa proposta.
Entre 1952 e 1988, a URSS construiu no Afeganistão 142 empresas industriais, entre as quais estão a central hidroeléctrica Puli Khumri no rio Kunduz, a central hidroeléctrica no rio Cabul, a fábrica de adubos químicos de Mazari Sharif, a estrada de Salang, bem como linhas eléctricas.
Essas obras garantiam 60 por cento do PIB afegão nos anos 70 e 80.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Rússia assinala libertação de presos com publicação de diário “No Centro do Inferno”


A Rússia assinala o 65º aniversário da libertação dos prisioneiros do campo de concentração nazi de Auschwitz pelas tropas soviéticas com a publicação em russo do diário “No Centro do Inferno”, escrito por um dos membros do sonderkommando que actuou nesse campo da morte.
O diário pertence ao judeu Zalman Gradovski, que fazia parte de um sonderkommando, equipa constituída por prisioneiros jovens e saudáveis que cremavam os restantes reclusos, conseguindo assim retardar o seu próprio extermínio.
Entre Dezembro de 1942 e Outubro de 1944, Gradovski tinha por tarefa limpar as câmaras de gás dos cadáveres, atirá-los para os fornos e limpar a cinza. O envenenamento dos prisioneiros era prerrogativa dos oficiais e soldados nazis.
“Querido leitor, nestas linhas encontrarás a expressão dos sofrimentos e desgraças que nós, filhos infelizes deste mundo, sofremos durante a nossa “vida” neste inferno terrestre, chamado Auschwitz. Penso que o mundo já conhece bem este nome, mas ninguém saberá o que exactamente se passou aqui”, escreve Gradovski.
Segundo ele, “trata-se de um lugar criado pelo poder de bandidos para exterminar o nosso povo e, parcialmente, outros”.
O diário é dedicado à sua esposa e mãe, duas irmãs, genro e sogro, todos assassinados nesse campo de concentração a 08 de Dezembro de 1942.
No capítulo “Caminho para a morte”, Gradovski transcreve as palavras dirigidas por uma das mulheres judias que iam ser cremadas a uma oficial nazi: “Besta! Também vieste apreciar a nossa desgraça. Lembra-te disto! Tu também tens família, não terás muito tempo para te deliciar com os filhos. Serás despedaçada viva e o teu filho, tal como o meu, não viverá muito tempo. Lembra-te, pagarás por tudo, todo o mundo se irá vingar! Ela cuspiu-lhe na cara e fugiu para a câmara com o filho. Os SS ficaram petrificados, sem fala, sem coragem de olharem nos olhos uns dos outros: eles ouviram a verdade grande, terrível, que lhes roía, cortava, queimava as almas animalescas”.
Gradovski participou e foi abatido a tiro numa revolta de prisioneiros, deixando para a posteridade as últimas palavras: “Que o futuro nos dite a sentença com base nas minhas notas e que o mundo veja nelas uma gota, o mínimo da terrível e trágica luz da morte que nós vimos”.
O diário, escrito em hebraico, foi encontrado encontrado entre as cinzas do campo de concentração de Auschwitz pelos soldados soviéticos que nele entraram em 1945 e conservou-se até hoje no Museu de Medicina Militar de São Petersburgo.
O senador russo Vladimir Slutzker considerou, numa conferência dedicada ao 65º aniversário da libertação dos presos de Auschwitz, que “No Centro do Inferno” é o “documento central da catástrofe”, defendendo a sua tradução para outras línguas estrangeiras.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Presidente da Câmara de Moscovo compara parada-gay a acto satanista

Iúri Lujkov, presidente da Câmara da capital russa, comparou as paradas-gay a satanismo e afirmou que jamais permitirá a sua realização em Moscovo.
“Há vários anos que tem lugar uma pressão sem precedentes sobre Moscovo para exigir a realização de uma parada-gay aqui, que só pode ser considerada um acto satanista. Mas nós não permitimos, nem permitiremos semelhante parada. Todos devem encaixar isto não como um teorema, mas como um axioma”, declarou hoje Iúri Lujkov.
Segundo ele, na luta contra males sociais como a toxicodependência, a xenofobia, a inimizade entre nacionalidas e “a propaganda descarada do chamado amor homosexual”, “deve-se deixar de discusões meigas sobre os direitos humanos, mas atacá-los com toda a força e justeza da lei”.
“Não se deve oferecer um doce liberal, mas um chicote social ou algo semelhante ao chicote!”, exclamou.
A guerra entre Lujkov e os moscovitas homossexuais começou em 2006, quando o presidente da câmara de Moscovo proibiu a realização da primeira parada-gay, tendo feito o mesmo nos anos seguintes.
Os homossexuais não desistem da sua intenção e convocaram uma nova manifestação para 29 de Maio, pois esperam contar com o apoio do Tribunal Europeu de Direitos Humanos.
Depois de terem perdido todas as acções nos tribunais russos, os homossexuais recorreram ao Tribunal Europeu, que exigiu da Rússia uma explicação para a proibição de paradas-gay. Moscovo deve apresentar essa explicação até 20 de Fevereiro.
“Iremos lutar pela realização da parada-gay nesse dia, porque os nossos apoiantes estrangeiros, que planeiam participar nessa acção, já compraram os bilhetes”, declarou Nikolai Alkseev, organizador da parada em Moscovo.

domingo, janeiro 24, 2010

Blog dos leitores


Texto enviado pelo leitor António Campos:


"Uma pequena vitória

Oleg Kozlovsky é um dos heróis políticos da Rússia moderna. Com apenas 25 anos, recentemente casado e pai de uma bebé de meses, este estudante de doutoramento em ciências políticas sacrificou uma carreira pacata, e porventura lucrativa, num qualquer canto do apparat (a aspiração da maioria dos jovens russos actuais), em prol de uma luta pelo estabelecimento de uma sociedade livre e democrática no seu país. O seu currículo na batalha pela criação de uma sociedade civil funcional como contrapeso às crescentes tendências autoritárias do Kremlin remonta a 2001, quando se juntou à SPS (União das Forças Justas), tendo depois participado no movimento conhecido como “Moscovo: Livre escolha”. Em 2005, funda o movimento “Oborona”, uma das poucas organizações políticas juvenis não patrocinadas pelo Kremlin. Kozlovsky tem sido um dos organizadores das famosas Marchas dos Dissidentes e, tal como muitos dos oposicionistas activos, foi preso mais de 20 vezes pela sua participação nestas manifestações.

Em 2007, foi ilegalmente alistado no exército (como estudante, teria direito a adiamentos) e só foi desmobilizado (dois dias depois das eleições presidenciais de 2008) após uma ruidosa campanha de protesto civil em seu apoio. Tal como acontece com muitos jovens activistas dos direitos humanos na Bielorrússia, o alistamento “punitivo” no serviço militar é prática comum na Rússia.

Foi de novo preso em Maio de 2008, pela sua participação numa Marcha dos Dissidentes, e sentenciado a 13 dias de prisão, tendo iniciado uma greve de fome em protesto.

Recentemente, na véspera de uma viagem aos Estados Unidos, Kozlovsky solicita a renovação do seu passaporte, que lhe é recusada por tempo indeterminado pelo FSB, que alega a necessidade quixotesca de “verificar se o mesmo terá tido acesso a segredos de estado durante o seu serviço militar”. Mesmo informado pelo Serviço Federal de Migração (FMB) de que “não vale a pena lutar com o FSB: eles ganham sempre”, Kozlovsky decide usar todos os meios legais à sua disposição para reclamar os seus direitos. Ao mesmo tempo, inicia uma campanha no seu blog e no Twitter, que resulta em centenas de comentários e links em mais de 60 blogs, local e internacionalmente. Daí a tornar-se notícia nos meios de comunicação convencionais é um passo.

Repentinamente, Konstantin Romodanovsky, director do FMB, aparentemente não muito desejoso de ser publicamente responsabilizado pelas ilegalidades do FSB, ordena que o problema seja imediatamente resolvido. O passaporte é emitido em menos de 24 horas.

Num período em que o Kremlin, desesperado por investimento estrangeiro e luz na ribalta internacional, gasta milhões em campanhas de relações públicas e lobbying na tentativa de restaurar a sua credibilidade, esta pequena história demonstra o poder da sociedade civil contra os abusos do clã dirigente. O protesto, caso o regime não se decida por fechar todos os canais de comunicação ainda abertos a todas as vozes (leia-se, internet), transformando o país numa espécie de Coreia do Norte eslava, conduzirá invariavelmente a uma sociedade mais justa.

O caminho não será fácil. Ainda há pouco, indagado sobre as inúmeras queixas contra a recente fraude eleitoral publicadas por bloggers, Putin respondeu: “50% da internet é pornografia. Porque haveríamos de prestar atenção à internet?” Mas o regime vai relutantemente percebendo que a sua sobrevivência no longo prazo é incompatível com o isolacionismo, tanto interno como externo. O desenvolvimento económico e a “lukashenkização” da Rússia são antónimos, especialmente numa economia tão fragilmente dependente dos preços internacionais das matérias-primas. E cada vez mais surgem Kozlovskys por toda a Rússia, determinados em usar todas as aberturas, por mais pequenas que sejam, para conseguir o que o regime professa mas não segue: o respeito pelos seus direitos.

Será esta pequena vitória uma luz ao fundo do túnel? Talvez. Mas não há dúvida que é um exemplo a seguir."

sábado, janeiro 23, 2010

Contributo para a História (GRU - espionagem militar soviética -em Portugal)


O Comité de Segurança do Estado (KGB) e a Direcção Principal de Reconhecimento (GRU)da URSS aumentaram significativamente o número de seus agentes e intensificou a sua actividade em Portugal depois da Revolução de Abril de 1974.
Alguns dos seus agentes “passaram para o outro lado” e começaram a trabalhar para a CIA dos Estados Unidos. Um deles foi Guennadi Smetanin.
“Smetanin estudou francês e português na Academia de Comando das Tropas de Kiev e, depois, terminou a Academia Militar-Diplomática do Estado Maior, onde aprendeu bem as instruções de conspiração. Em 1982, começou a trabalhar no aparelho do Adido Militar da URSS em Lisboa. Em Janeiro de 1984, por razões egoístas, estabeleceu contactos criminosos com os órgãos de espionagem dos EUA, tendo assinado o seguinte documento: “Eu, Smetanin Guennadi Aleksandrovitch, recebi do Governo americano 265 mil dólares, pelo que assino e prometo ajudá-lo”. Durante o processo de recrutamento, Smetanin foi experimentado no detector de mentiras. Ele passou o teste. Natália Smetanina testemunhou que, com o apoio do marido, ela foi recrutada a 04 de Março de 1984 por agentes da CIA em Portugal e, a troco de dinheiro, dfedicava-se à espionagem a favor do serviço americano. Entre Janeiro de 1984 e Agosto de 1985, Smetanin realizou 30 encontros com funcionários da CIA, onde lhes entregou informação, cópias de documentos secretos. Natália Smetanina, por incumbência da CIA, tornou-se secretária e dactilógrafa, tinha acesso a documentos secretos da embaixada. A causa do fracasso dos Smetanin consistiu no aparecimento da esposa, numa das recepções diplomáticas, com roupas e pedras precisosas que não correspondiam aos rendimentos da família. Isso foi notado por um dos agentes do KGB.
Smetanin foi detido no comboio Kazan-Moscovo, tendo-lhe sido apreendida uma pasta onde levava uns óculos, com uma ampola de veneno instalada numa das hastas, um pequeno balão de gás e instruções de contacto com a espionagem americana.
Em 1 de Julho de 1986, o Colégio Militar do Supremo Tribunal da URSS condenou-o à morte por fusilamento e confisco dos bens. A esposa foi condenada a cinco anos de prisão, mas libertada um ano depois devido a uma amnistia”.
Memórias do coronel do KGB na reserva Iúri Chimanovski, que participou na detenção de Smetanin, publicadas no jornal “Vostotchnii ekspress”.

P.S. Smetanin foi descoberto pelo KGB depois de ter recebido informações de Aldridge Ames, agente da CIA que trabalhava para os soviéticos.

Cidadão russos não doam sequer um rublo para as vítimas do Haiti

Os cidadãos russos não transferiram sequer um rublo para a contra aberta pela Cruz Vermelha da Rússia para ajudar as vítimas do sismo no Haiti, anunciou Tatiana Klenitzkaia, porta-voz dessa organização.
“Por enquanto, na nossa conta de beneficiência não entraram meios nenhuns”, declarou ela à agência Ria-Novosti, acrescentando que a conta bancária foi aberta na passada sexta-feira.
A porta-voz da Cruz Vermelha, depois de reconhecer que esta organização possui dezenas de profissionais que sabem inglês, nomeadamente quinólogos com cães especialmente treinados por essa organização, e estão prontos para partir em ajuda dos haitianos, chama a atenção para o facto de “a nossa organização social não tem meios para os enviar”.
Tatiana Klenitzkaia supõe que isso se pode dever ao facto de os russos estarem satisfeitos com a qualidade e o volume de ajuda que o Governo Russo enviou às vítimas do sismo.
A Rússia enviou para o Haiti quatro aviões do Ministério para Situações de Emergência com salvadores, aparelhos médicos e ajuda humanitária. Nomeadamente foi enviado um hospital móvel e um helicóptero leve para evacuar pessoas de regiões complicadas.
Os socorristas russos retiraram de sob as ruínas oito pessoas vivas e prestaram assistência a mais de 200 feridos.
Não concordo com a justificação que a porta-voz da Cruz Vermelha da Rússia apresenta para explicar a atitude dos russos face à tragédia no Haiti, mas também não acredito que isso seja um sinal de que estamos perante um povo egoísta e insensível.
Recordo-me bem da onda de solidariedade surgida na Rússia quando do sismo de Spitak, na Arménia, em Dezembro de 1988. As pessoas viviam tempos difíceis, mas juntaram o que puderam para ajudar as vítimas daquela catástrofe.
Inclino-me mais para explicar essa atitude com o receio que as pessoas têm de que os fundos reunidos não cheguem ao Haiti, mas se percam pelo caminho, nos bolsos dos funcionários corruptos.
Além disso, na Rússia não existe uma tradição de campanhas de solidariedade lançadas por conhecidas personalidades ligadas à cultura, música, cinema, etc. As "estrelas" russas preferem banquetes e desfiles de trajes caríssimos e diamantes, automóveis únicos e festa de fazer "abalar o mundo, que, tendo em conta o nível médio de vida da população, são uma autêntica ofensa aos mais desfavorecidos.
Não posso deixar de frisar a posição sensata do MNE da Rússia face à presença das tropas norte-americanas no Haiti: "A Rússia não dramatiza o envio de tropas dos Estados Unidos para o Haiti, mas espera que ninguém abuse da actual situação nesse Estado para conseguir outros objectivos além da ajuda à população, declarou Serguei Lavrov, chefe da diplomacia russa.
Os Estados Unidos planeiam elevar o número de soldados no Haiti até 20 mil.
“Defendemos que a operação de ajuda a esse país mártir se realize em conformidade rigorosa com os princípios aprovados pela comunidade internacional para situações semelhantes. Queiramos ou não, em muitos casos, a situação humanitária exige, de uma forma ou de outra, o emprego de meios militares, porque é mais rápido e eficaz”, afirmou Lavrov numa conferência de imprensa em Moscovo.
Segundo ele, “há situações em que não existem outros recursos para controlar uma catástrofe e a catástrofe do Haiti é uma tragédia sem precedentes”.
Porém, o ministro russo sublinha que “ninguém deve utilizar a situação actual para conseguir outros objectivos que não sejam a ajuda muito necessária ao povo e Estado haitianos”.
E, para terminar, constato com tristeza o comportamento da União Europeia. Esta organização reagiu muito tarde e a más horas, podia, pelo menos, ter coordenado a ajuda dos países membros. E o mais extraordinário é a reacção da ministra dos Negócios Estrangeiros da UE, que afirmou não ser socorrista, nem bombeiro...

Presidente defende política interna mais flexível

A política interna da Rússia deverá ganhar em flexibilidade, em inteligência e em modernidade, anunciou o Presidente russo, Dmitri Medvedev, numa reunião do Conselho de Estado dedicado à modernização do sistema político do país.
“O nosso objectivo é fazer com que os princípios da gestão política correspondam ao carácter pluridimensional da nossa sociedade e à diversidade cultural e ideológica desta última. Devemos tomar a política mais inteligente, mais flexível e mais moderna”, acrescentou.
Segundo ele, “a sociedade torna-se cada vez mais heterogénea e pluridimensional, o que exige uma cooperação entre ela e o Estado. Mas a experiência mostra que, frequentemente, para gerir processos sociais cada vez mais complexos, recorre-se a uma administração burocrática primitiva”.
A fim de abrir caminho à oposição no poder local, Medvedev apresentou no parlamento dois projectos-lei que revoga a necessidade dos partidos recolherem assinaturas para puderem participar nas eleições locais e que baixa de 07 para 05 por cento de votos a barreira a ultrapassar para eleger deputados a nível local.
Dmitri Medvedev criticou a oposição por ter falado de “numerosas falsificações” nas eleições locais de Outubro passado, reafirmando que elas decorreram conforme as normas democráticas.
Seguei Mitrokhin, dirigente do partido da oposição Iabloko, que participou na reunião, respondeu possuir provas de numerosas falsificações em Moscovo e noutras regiões do país, acusando as autoridades judiciais de não aceitarem ou não darem andamento às queixas.
“Os órgãos de informação e a Internet estão cheias de queixas. Se alguém anuncia através da net que se vai suicidar, as autoridades tomam logo medidas, mas não reagem às queixas de falsificação das eleições”.
“Deve-se denunciar essas irregularidades nos tribunais e não na Internet, onde metade do conteúdo é de carácter pornográfico”, replicou o primeiro-ministro Vladimir Putin, que também participou na reunião.
Putin reconheceu que é necessário modificar o sistema político do país, mas aconselhou evitar extremos como a “ucranização” e o “totalitarismo”.
Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Rússia, criticou a Rússia Unida, dirigida por Vladimir Putin, de manter o “monopólio do poder” e preveniu que essa foi uma das razões que levou à queda do Partido Comunista da União Soviética.

Política externa ao serviço da política interna


O principal objectivo da política externa da Rússia em 2010 consiste em criar condições favoráveis para o desenvolvimento do país, declarou Serguei Lavrov, numa conferência de imprensa sobre a balanço das actividades da diplomacia russa em 2009.
“O eixo central de todo o trabalho será a tarefa colocada pelo Presidente (Medvedev) de ligar o mais estreitamente possível toda a política externa com as necessidades da modernização multilateral do país e da transição da economia para a via da inovação”, precisou.
O dirigente da diplomacia russa prevê um “ano difícil” nas relações internacionais e não acredita na sinceridade da NATO sobre a indivisibilidade da Europa.
“Se os nossos parceiros da NATO olham com desconfiança para a ideia do tratado sobre a segurança europeia, por nós proposto, isso significa uma coisa: no seio da NATO existem compromissos jurídicos que garantem que a segurança é indivisível para seus membros. Se consideram que esse privilégio só se alarga a eles, isso significa que todas as declarações de que na Europa não há e não haverá linhas divisórias não foram sinceras”.
Serguei Lavrov anunciou que as conversações entre Moscovo e Washington sobre a assinatura de um novo tratado de redução de armas nucleares estratéticas (START-2) irão recomeçar no início de Fevereiro, mas, antes disso, o Kremlin “espera receber explicações sobre a instalação de mísseis Patriot junto das fronteiras da Rússia.
Na quarta-feira, as autoridades polacas anunciaram a intenção de instalar mísseis norte-americanos a cem quilómetros da fronteira do enclave russo de Kalininegrado.
Segundo ele, continua de pé a proposta russa de utilização conjunta da sua central de radares em Gabala, no Azerbaijão, mas acrescentou que essa questão irá ser resolvida “depois da determinação conjunta das ameaças de mísseis”.
O ministro russo lamentou o facto de o Irão não ter aceite a proposta da Agência Internacional de Energia Atómica sobre a produção de combustível para o reactor de ensaios em Teerão.
A AIEA tinha proposto a Teerão o enriquecimento do urânio iraniano no estrangeiro, mas as autoridades iranianas recusaram essa proposta, alegando que o seu programa nuclear visa apenas satisfazer as necessidades do país em energia eléctrica.
Moscovo manifesta-se pelo reatamento rápido das conversações sobre o Médio Oriente e reafirma a intenção de manter contactos com o movimento radical palestiniano HAMAS.
“Estamos convencidos que em qualquer conflito é necessária a participação de todas as partes no diálogo. Os nossos contactos com o Hamas vão continuar. Só uma Palestina unida pode garantir condições óptimas para a realização de conversações que, espero eu, Mahmud Abbas conseguirá reiniciar com os seus parceiros israelitas”, defendeu Lavrov.
Segundo ele, o principal obstáculo ao diálogo é “a actividade quotidiana de Israel”, acrescentando que as decisões tomadas pelo primeiro-ministro israelita, Beniamin Netaniahu, “vão no sentido certo, mas são insuficientes”.
Desta vez, o ministro russo não falou da proposta russa de realização de uma Conferência Internacional sobre o Médio Oriente em Moscovo.
No que respeita às eleições presidenciais na Ucrânia, Lavrov não escondeu que o principal obstáculo à normalização das relações entre Moscovo e Kiev foi superado: o Presidente Victor Iuschenko não serás reeleito.
“Agora que sabemos quem vai participar na segunda volta das eleições na Ucrânia, temos razões para crer, com base nas declarações dos dois candidatos, que mudará a atitude da Ucrânia em relação ao desenvolvimento da cooperação com a Russia”, declarou.
“Essa relação irá ser menos ideologizada, a ideologia sairá das nossas relações mutuamente vantajosas”, frisou.
Nos últimos dias, o Kremlin não esconde que espera a vitória de Victor Ianiukovitch, dirigente do Partido das Regiões, na segunda volta, mas mostra-se aberto ao diálogo com a primeira-ministra Iúlia Timochenko, caso esta vença.
Ao abordar as consequências do sismo no Haiti, Lavrov recordou a proposta russa de criação de um sistema mundial de prevenção de situações de emergência.

Blog dos leitores

Texto enviado pelo leitor António Campos:

"Eles andam aí

Na minha qualidade de patológico seguidor da evolução da política russa, deparei com uma peça interessante saída no passado dia 18 de Dezembro no Guardian, da autoria do jornalista Luke Harding, sobre a ofensiva propagandística do Kremlin, que pretende gastar cerca de 1,4 mil milhões de dólares no ano de 2010 em propaganda dirigida a audiências internacionais. Incidentalmente, e segundo o mesmo artigo, este montante é superior ao que o executivo russo planeia gastar em medidas de combate ao desemprego durante o mesmo período, sinal da importância que os responsáveis russos dão ao controlo do fluxo internacional de informação para facilitar a imposição da sua agenda.

Por ocasião da publicação do artigo, estava em curso uma campanha em meios impressos, contendo uma fotografia de Obama sobreposta com a de Ahmadinejad, e perguntando à audiência: “Oual dos dois constitui uma maior ameaça nuclear?”. O objectivo era dar visibilidade ao Russia Today, um canal de televisão em língua inglesa controlado pelo Kremlin, que, sob o pretexto de “corrigir” a informação veiculada pelos media ocidentais sobre o panorama sociopolítico na Rússia, apresenta uma versão dos acontecimentos inequivocamente pró-governamental. Além das emissões em inglês e em árabe, durante este mês terão início as emissões em espanhol, presumivelmente destinadas à América latina, zona onde o Kremlin tem um crescente interesse estratégico.

De acordo com o mesmo artigo, apesar da crise económica, o Kremlin triplicou os orçamentos das suas principais agências noticiosas, a Itar-Tass e a RIA-Novosti.

Sem grandes surpresas, ficamos também a saber que o executivo russo contratou duas prestigiadas firmas de relações públicas ocidentais, a Ketchum e a GPlus, recorrendo também aos serviços da Portland PR em Londres.

Segundo um conhecedor da estratégia de relações públicas do Kremlin, citado pelo jornalista, existe alguma confusão `entre os altos funcionários governamentais russos quanto à forma como o mundo ocidental funciona: “Eles pensam que chega haver boa publicidade para contrabalançar a má imagem causada pelos acontecimentos na Rússia. É óbvio que não é assim.” Indagada sobre o que resultaria, a mesma fonte responde: “Para começar, podiam parar de espancar os manifestantes da oposição.”

Também como seria de esperar, o artigo refere que a ofensiva propagandística do Kremlin não se limita à transparência dos veículos de comunicação convencionais. Num tom que parece reflectir alguns dos debates que por vezes ocorrem neste blog, Harding adianta: “…e depois há os bloggers encolerizados – um exército sombrio de nacionalistas russos activos nas páginas Web dos jornais ocidentais, incluindo a secção “Comment is Free” do Guardian. Todos os que se atrevem a criticar os líderes russos ou a apontar algumas das deficiências do país são imediatamente rotulados como espiões da CIA ou pior.”

Fica no ar então a pergunta aos leitores mais assíduos deste blog: não vos parece o cenário acima estranhamente familiar?

http://www.guardian.co.uk/world/2009/dec/18/russia-today-propaganda-ad-blitz "

Blog dos leitores

Texto enviado pela leitora Cristina Mestre:
MINISTÉRIO DO INTERIOR MUDA DE METODOLOGIA PARA ACABAR COM AS ESTATÍSTICAS FALSAS
22.01.10 – RIA Novosti

Um dos temas mais comentados na imprensa russa de hoje é a transição para uma nova metodologia de avaliação do trabalho da Polícia, anunciada na véspera por Rachid Nurgaliev, ministro do Interior da Rússia.
O objectivo é acabar com o sistema anterior em que os agentes tinham normativos quantitativos para desvendar os crimes, o que os levava a deter pessoas e fazer processos a todo o custo, para “cumprir o plano”. Agora, pretende-se levar em conta outros indicadores, como a opinião dos cidadãos e o número de condenações em tribunal.
A nova metodologia foi apresentada pelo ministro do Interior numa reunião da Associação Nacional de Juristas. O ministro acrescentou que “o grau de ressonância social de um crime desvendado ou esclarecido” também será um critério de avaliação. O ministro disse que a gestão da Polícia será efectuada através de fontes objectivas e independentes, embora não tivesse precisado quais. Para além disso, indicou que o ministério utilizará detectores de mentiras e psicólogos no processo de selecção de agentes.
A metodologia anterior, aprovada pelo mesmo ministro em 2005, impunha uma escala progressiva para resolver delitos. Cada agente do Interior, ainda que fosse um simples polícia de bairro, tinha a obrigação de desvendar todos os meses pelo menos mais um caso que no período anterior. Se não o conseguia, ficava sem uma percentagem considerável da retribuição.
Como resultado, os polícias andavam mais à caça de estatísticas do que de criminosos reais e muitas vezes fabricavam processos de forma a atingir os números exigidos.
Mikhail Pachkin, presidente da Associação de Polícias de Moscovo, qualifica como “avanço sério” a abolição dos velhos métodos. “Isto significa que o Ministério do Interior reage de alguma forma às críticas por parte da sociedade”, disse.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Iúlia Timochenko oferece cargo de primeiro-ministro a Serguei Tiguipko


A primeira-ministra Iúlia Timochenko, que vai disputar a segunda volta das eleições presidenciais com Victor Ianukovitch, ofereceu o seu actual cargo a Serguei Tiguipko, candidato que ficou em terceiro lugar na primeira volta, caso seja eleita Presidente da Ucrânia.
“Eu propus a Serguei Tiguipko não só ser meu parceiro neste trabalho difícil, mas também o cargo de primeiro-ministro, se ele tem essa ambição”, declarou hoje Timochenko, numa conferência de imprensa na capital ucraniana.
Timochenko acrescentou que voltará a fazer a mesma proposta depois das eleições, marcadas para 07 de Fevereiro.
Além disso, ela afirma esperar “que as pessoas que votaram por todos os candidatos das forças democráticas: Tiguipko, Iatseniuk, Gritsenko, Suprun, Kostenko, não vejam o futuro do país dirigido pela criminalidade”.
A primeira-ministra dramatiza e radicaliza cada vez mais o seu discurso: “apelo a todos os candidatos democráticos que se unam em prol da Ucrânia mesmo que apenas a um passo do fusilamento”.
É de assinalar também que Timochenko não coloca o actual Presidente Iuschenko entre os candidatos democráticos e este responde-lhe com a mesma moeda ao afirmar que não vê diferenças entre ela e Victor Ianukovitch, dirigente do Partido das Regiões.
Não obstante as promessas da primeira-ministra, o banqueiro Serguei Tiguipko reafirmou hoje uma vez mais que não tenciona apoiar nenhum dos candidatos, posição que foi também repetida por Arseni Iatseniuk.
Victor Ianukovitch, pelo seu lado, reconhece ter estabelecido contactos com os candidatos derrotados, mas afirma que “não insisti em que qualquer um deles me apoiasse politicamente”.
No entanto, acrescenta que “disse a todos que há lugar na equipa que iremos começar a construir depois das eleições”.
Segundo uma sondagem realizada pelo Instituto de Estudos Sociológicos da Ucrânia, se a segunda volta se realizasse hoje, Victor Ianukovitch conseguiria 50-51 por cento e Iúlia Timochenko, 45-46”.
Porém, Olga Balakireva, dirigente desse instituto, preveniu que “a situação pode mudar radicalmente”.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Jornalista morre devido a espancamento de polícia

Um jornalista espancado por um agente da polícia no início de Janeiro faleceu hoje num hospital da cidade de Tomsk (Sibéria), anunciou a Comissão de Investigação da Procuradoria local.
O jornalista de 47 anos, cujo nome não foi revelado, foi espacando e violado num centro de assistência anti-alcoólica na madrugada de 04 de Janeiro, tendo sido conduzido para o hospital em estado grave.
Segundo o jornal Tomskaia Nedelia, que denunciou o caso, “tudo começou com uma insignificância. O homem estava em casa a beber calmamente e a única violação consistia em ouvir música alto”, o que levou os vizinhos a chamar a polícia.
“Tendo abrido a porta à polícia, embora pudesse não ter feito isso, foi rapidamente levado para um centro de assistência anti-alcoólica”, continua o jornal, acrescentando que o jornalista foi aí “selvaticamente espancado” e “violado”.
“Os médicos que operaram o paciente ficaram completamente chocados ao ver o sadismo das ofensas a que foi sujeito o homem”, sublinha o jornal.
Segundo a agência Interfax, “o homem tinha a bexiga e os intestinos perfurados”.
As autoridades judiciais detiveram o polícia Alexei Mitaev, 26 anos, acusando-o de “agressões premeditadas” e “abuso do poder”. Ele foi despedido, um chefe-adjunto da polícia local e outros dois agentes apresentaram a demissão depois do drama e o centro de assistência anti-alcoólica encerrado.
Andrei Gussev, porta-voz da Procuradoria, disse à agência Ria-Novosti polícia explicou o seu comportamento pelo profundo stress “ligado a circunstâncias familiares”, “tem duas famílias e três filhos pequenos: dois de uma mulher e um de outra”.
Agentes do Ministério do Interior da Rússia vêem-se frequentemente no centro de escândalos de corrupção, assassinatos e falsificação de provas.
No ano passado, o Tribunal de Tomsk condenou um oficial da polícia a 23 anos de prisão por “tortura” e “assassinato” de homens de negócio.
No mês de Janeiro, um tenente-coronel da polícia de Moscovo foi detido por ter assassinado a sangue frio o condutor de um camião de limpar neve que arranhou o seu automóvel.
Os numerosos escândalos levaram Presidente Medvedev a tomar uma série de medidas para sanar a situação criada na polícia russa. Nos próximos dois anos, os quadros do Ministério do Interior serão reduzidos em 20 porcento, o que permitorá aumentar os salários dos restantes e atrair para a profissão pessoas qualificadas.
A polícia russa é tão mal vista na sociedade que meios de informação legalmente registados utilizam frequentemente a palavra “ment” (bófia) quando falam dela.

Número de abortos aproxima-se do número de nascimentos

O número de abortos aproxima-se do número de nascimentos no país, anunciou Tatiana Golikova, ministra do Desenvolvimento Social, numa reunião do Conselho de Segurança da Rússia dedicada á política demográfica.
Segundo ela, em 2008, na Rússia nasceram 1 milhão e 714 mil crianças, mas o número de abortos registados foi de 1 milhão e 234 mil.
Tatiana Golikova defende que a redução do número de abortos é “um recurso real para aumentar a natalidade”.
A ministra do Desenvolvimento Social da Rússia defendeu a necessidade de “realização de trabalho de esclarecimento entre as jovens nas escolas, para que elas compreendam as consequências negativas do aborto. Além disso, a situação económica e social exerce grande influência na decisão das mulheres”.
O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, declarou, na mesma reunião, que “não obstante durante quatro anos se constatar uma tendência sólida de crescimento da natalidade e de redução da mortalidade, há regiões onde a situação é desfavorável”.
“Em média, na Rússia, a mortalidade infantil e entre as mães é várias vezes maior do que nos países mais desenvolvidos do mundo”, acrescentou.
A fim de melhorar a situação demográfica no país, Dmitri Medvedev propõe “o emprego de tecnologias modernas na assistência às crianças durante o primeiro ano de vida”, a “profilaxia do alcoolismo e da toxicodependência, o desenvolvimento da educação física e do desporto, a garantia de uma alimentação saudável e completa”.
Além disso, o dirigente russo defende que os órgãos do poder devem “interagir mais activamente com as organizações sociais e de beneficiência, que prestam ajuda às famílias, mulheres e crianças”.
O líder nacionalista Vladimir Jirinovski, que participou também na reunião, defendeu que, a fim de aumentar a natalidade, o Estado deve permitir aos homens um segundo casamento
“30 por cento das crianças nascem fora do casamento... No nosso país só é permitido casar outra vez depois do divórcio, mas, nas regiões muçulmanas, há um esquema ilegal de poligamia. É preciso legalizar essas relações”, declarou, acrescentando que as autoridades devem também apoiar as “agências de casamento”.

Milhares de russos mergulham nas águas geladas para celebrar Baptismo de Cristo


Não obstante as baixas temperaturas registadas no país, milhares de russos mergulharam nas águas geladas de lagos e rios para celebrar uma das mais importantes festas dos cristãos ortodoxos: o Baptismo de Cristo ou Epifania.
Na capital russa, o mergulho em buracos feitos no gelo que cobre os lagos e reservatórios de água teve lugar durante a madrugada, quando os termómetros marcavam 25º C negativos.
Não obstante as baixas temperaturas, que na capital já não se registavam há vinte anos, a polícia calcula que cerca de 40 mil moscovitas tiveram coragem para mergulhar três vezes nas águas de 37 lugares especialmente preparados para o efeito em Moscovo pelo Ministério para as Situações de Emergência.
Os cristão ortodoxos acreditam que este banho serve não só para purificar a alma de pecados, mas também para reforçar o organismo contra doenças.
260 nadadores-salvadores estavam prontos para prestar assistência aos corjosos moscovitas que não aguentassem o choque térmico, mas tal não foi necessária.
O Ministério do Interior da Rússia anunciou também que cerca de 40 mil crentes estiveram nos cerca de 300 templos de Moscovo para celebrar a Epifania do Senhor e 85 mil foram aí buscar água benta.
Na Sacalina, o mergulho foi realizado a temperaturas de 33-38 graus negativos, mas também tudo decorreu sem acidentes.
O banho da Epifania continua hoje. Em São Petersburgo, um dos lugares do mergulho é o rio Neva, num buraco aberto no gelo junto da Universidade.

Caros leitores, devo dizer que se trata de uma sensação única. Eu experimentei-a várias vezes ao frequentar sauna ou banho russo. Depois de se passar por uma câmara onde a temperatura se situa entre 80 e 100 graus centígrados, é uma sensação única sair a correr para a rua, onde a temperatura é negativa, e rolar na neve nú ou em calções de banho. Fica-se com uma sensação de limpeza do corpo e da alma!

Mas isto não pode ser feito por toda a gente! Algumas doenças, por exemplo, as cardíacas, impedem ter esse prazer.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Reflexões na Rússia sobre as eleições na Ucrânia


Desculpe-me o leitor por, nos últimos dias, ter dedicado praticamente toda a atenção à Ucrânia, não obstante o meu blogue se chamar "Darussia", mas o facto é que as eleições no segundo maior país da Europa depois da Rússia são de extrema importância para a Ucrânia e todo o continente.

A primeira lição a tirar é que, não obstante a extrema incompetência das elites e o caos político existente no país, os ucranianos deram mais uma prova de maturidade e realizaram um escrutínio legítimo e democrático.

No dia das eleições, conversei por telefone com o deputado português João Soares, que dirigiu uma delegação de observadores da OCSE, e senti na voz dele algum espanto ao constatar que o escrutínio estava a correr de forma muito melhor do que se esperava.

Outra lição é que, diga o que se disser, o Presidente Victor Iuschenko soube perder e acredito que entregará o poder no prazo previsto pela lei.

A terceira lição é que os dirigentes russos, que não se cansam de apontar o dedo aos vizinhos, têm muito a aprender com os ucranianos no que diz respeito à realização de eleições democráticas.

É impossível imaginar na Rússia umas eleições presidenciais com 18 candidatos e com resultado final imprevisível. Neste momento, são poucos os que se arriscam a prognosticar quem irá vencer à segunda volta: Victor Ianukovitch ou Iúlia Timochenko. Também é muito difícil acreditar que a oposição russa tenha as mesmas possibilidades de defender as suas opiniões e ideias na televisão e na rádio, como acontece na Ucrânia.

É verdade que, na Ucrânia, o acesso aos meios de informação depende muito do dinheiro que se tem, mas, na Rússia, nem o dinheiro ajuda se não estiver ligado ao poder.

Não tenho inveja do vencedor da segunda volta, seja ele quem for, porque se realmente quiser fazer da Ucrânia um país independente, europeu e próspero, terá de soar muito. Não simpatizo com nenhum dos dois candidatos, tendo em conta o seu passado e o seu presente, mas gostaria que se mostrasse capaz de ser o Presidente de todos os ucranianos, pondo assim fim aos receios de desintegração do país.

Em prol da verdade, é preciso reconhecer que, desta vez, o Kremlin se está a comportar de uma forma mais inteligente em relação às eleições no país vizinho. Em 2004, o Presidente Putin felicitou duas vezes Ianukovitch pela vitória, mas, desta vez, espera pela decisão do povo ucraniano.

Este cuidado poderá também estar ligado ao facto de Moscovo compreender que vença Ianukovitch ou Timochenko, nenhum deles será um interlocutor obediente. Parece ter passado a época dos candidatos pró-russo e pró-ocidental...

Por isso, a União Europeia deverá também tirar as conclusões deste fenómeno. Tendo apoiado as mais altas expectativas dos ucranianos durante a "revolução laranja" de 2004, abandonou a Ucrânia a si própria. O que não é de estranhar se tivermos em conta que a UE não tem uma política externa estruturada e clara, ou melhor, parece não ter política comum em campo algum.

A União Europeia faz-me lembrar cada vez mais a União Soviética, mas pode ser que esteja enganado.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Vencedores à conquista de apoio dos vencidos


A equipa do candidato Victor Ianukovitch que, segundo todas as sondagens à boca das urnas, venceu a primeira volta das eleições presidenciais, mostrou-se disposta a dialogar com alguns dos candidatos derrotados, declarou aos jornalistas Anna German, uma das dirigentes do Partido das Regiões.
“É importante que as esperanças das pessoas que os apoiam sejam realizadas. E agora pensamos o que fazer para realizar essas esperanças. Temos o que propôr às pessoas”, declarou ela depois de anunciados os resultados das sondagens à boca das urnas.
Segundo duas dessas sondagens, Ianukovitch recolheu entre 31,5 e 37,66 por cento e Iúlia Timochenko, primeira-ministra do Governo ucraniano, entre 22,5 e 26,15 por cento.
O analista político Dmitri Orechkin considera que Ianukovitch “não tem mais possibilidade de fazer crescer o seu eleitorado”.
Por isso, papel fulcral na segunda volta poderá ter o banqueiro Serguei Tiguipko, que conseguiu o terceiro lugar com uma votação entre 11,64 e 13,5 por cento.
Arseni Iatseniuk, antigo dirigente do Parlamento da Ucrânia, pode conquistar entre 7,8 e 7,9 por cento e Victor Iuschenko, actual Presidente do país, entre 5,12 e 6 por cento.
Iúlia Timochenko já apelou à união de “todos os restantes candidatos das forças democráticas”, mostrando-se convicta que “Ianukovitch não colocará a mão em cima do Evangelho (livro onde o Presidente da Ucrânia presta juramento”.
A primeira-ministra mostrou-se aberta a conversar com Tiguipko, Iatseniuk e Iuschenko.
“A tarefa das forças democráticas, que representam mais de 60 por cento dos votantes, consiste em fazer tudo com que Ianukovitch não consiga nem mais um voto na segunda volta”, disse ela.
“Compreendo os que votaram por Tiguipko e Iatseniuk, eles querem mudanças. Eu posso garantir-lhes as mudanças que eles esperam no país”, prometeu Timochenko, e acrescentou: “Compreendo os que votaram em Iuschenko, eles querem uma Ucrânia independente, um estado europeu. Garantirei semelhante desenvolvimento ao país”.
Serguei Tiguipko, ao comentar os resultados da primeira volta, declarou que não irá apelar ao voto em nenhum dos vencedores.
“As pessoas que me apoiam votaram por mudanças na Ucrânia, pela modernização. Eu hoje não ouço falar dessa modernização nem Ianukovitch, nem Timochenko. Por issp não haverá apoio nenhum da minha parte a nenhum deles. Direi aos meus eleitores que sejam eles próprios a decidir”, declarou
Tiguipko ao canal de televisão Inter.

domingo, janeiro 17, 2010

Ianukovitch e Timochenko passam à segunda volta!

A quatro horas do encerramento das urnas, as sondagens à boca das urnas dão a vitória de Victor Ianukovitch com 36,7% dos votos, ficando Iúlia Timochenko em segundo lugar com 26,5%. Estes dois políticos disputarão a segunda volta, marcada para 07 de Fevereiro. O banqueiro Serguei Tiguipko ficou em terceiro local com 12,5%. O quarto lugar foi para Arseni Iatseniuk, antigo dirigente do Parlamento da Ucrânia, com 6,6% e o actual Presidente, Victor Iuschenko fica em quinto com 5,5%.
Segundo uma das sondagens, 43,1% dos inquiridos tencionam apoiar Ianukovitch na segunda volta, enquanto que Iúlia Timochenko poderá chegar aos 37,4%.
No entanto, o resultado da segunda volta continua a ser uma incógnita, pois dependerá das coligações que forem feitas. Fala-se de que Timochenko poderá conquistar o apoio de Tiguipko, oferecendo-lho o cargo de primeiro-ministro. Fala-se também que existe um acordo entre Ianukovitch e Iuschenko contra Timochenko. Ou seja, aqui estaremos para ver.

sábado, janeiro 16, 2010

O fantasma das falsificações nas eleições presidenciais no país volta a pairar no país

O fantasma das falsificações dos resultados das eleições presidenciais volta a pairar na Ucrânia depois de as autoridades não terem conseguido aprovar todas as leis que garantam um escrutínio completamente transparente.
Em 2004, foi necessário realizar uma terceira volta das eleições presidenciais, pois os tribunais constataram ter havido falsificação na contagem dos votos a favor do então primeiro-ministro Victor Ianukovitch. A oposição, dirigida pelo actual Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, saiu para a rua em massa, obrigando à realização de uma volta que não estava prevista na lei.
A Comissão Eleitoral Central da Ucrânia promete boletins com tantos níveis de segurança que “praticamente é impossível a sua falsificação”, mas os principais problemas residem na forma como se vota e como contam os votos.
Segundo a lei ucraniana, os eleitores podem pedir para votarem em casa, alegando incapacidade física. Isso é feito sem que eles apresentem qualquer tipo de atestado médico. Ora, alguns analistas receiam que possam ocorrer falsificações durante as movimentações das urnas.
“Trata-se de um número demasiadamente baixo de eleitores que votam assim. Por isso, o “voto em casa” não terá grande influência no resultado das eleições”, considera o politólogo Nikolai Polichuk.
O analista político Vladimir Dolin reconhece que essa poderá não ser a forma mais importante de falsificação dos resultados, mas sublinha que “há outras”, por exemplo, a lei permite que os leitores sejam inscritos nos cadernos eleitorais no momento da votação e, habitualmente, as maiores falsificações têm lugar durante a contagem dos boletins.
Em todo o caso, os principais candidatos à vitória na primeira volta: Victor Ianukovitch, dirigente do Partido das Regiões, e Iúlia Timochenko, primeira-ministra da Ucrânia, começaram a “contar as espingardas”.
“Se forem detectadas falsificações, iremos para os tribunais”, declarou Timochenko, sublinhando que 07 dos 15 membros da Comissão Eleitoral Central “representam os interesses de Ianukovitch”.
“Iúlia Timochenko controla o Tribunal de Apelação, enquanto que o Supremo Tribunal tende para Ianukovitch. Tanto uma como outro tentam ganhar terreno no campo dos tribunais, pois eles poderão ser muito importantes no caso de dúvidas”, considera Nikolai Polichuk.
Victor Ianukovitch, alegando as celebrações da sua vitória na primeira volta, já reservou, para Domingo, a mítica Praça da Independência, no centro de Kiev, onde os seus adversários, através de gigantescas manifestações populares, lhe retiraram a vitória em 2004, durante a chamada “revolução laranja”.
O actual Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, optou pela Praça de Santa Sofia, também no centro da capital, embora sejam praticamente nulas as possibilidades de ele vencer na primeira volta.
“Iúlia Timochenko não tem lugar marcado, mas não lhe será difícil arranjá-lo caso considere ter havido falsificação nas eleições”, considera Vladimir Dolin.
Porém, desta vez, os analistas políticos não esperam longas manifestações, pois consideram que o eleitorado está “cansado” e “desorientado”.
“A população está desorientada. Em 2004, era claro o confronto entre a oposição, encabeçada por Iuschenko e Timochenko, e o poder, representado pelo primeiro-ministro Ianukovitch. Hoje, todos eles representam o poder, passado ou presente”, sublinha Polichuk.

Dezoito candidatos para um só cargo de Presidente do país


Dezoito políticos ucranianos participam nas eleições presidenciais do próximo 17 de Janeiro, mas o grande número de candidatos não foi suficiente para impedir que a campanha eleitoral tenha sido “enfadonha”.
Há candidatos para todos os gostos políticos e sociais dos 37 milhões de eleitores: desde o actual Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, cujas possibilidades de vir a ser reeleito são praticamente nulas, até Vassili Gumeniuk, que mudou de apelido para Protivsikh (ContraTodos) a fim de conquistar o apoio de todos os descontentes com a grave situação política, económica e social que o país atravessa.
Quinze dos candidatos são homens: Além de Iuschenko e Protivsikh, na maratona eleitoral participam Alexandre Pabat, economista; Arseni Iatsniuk, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-presidente da Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia; Victor Ianukovitch, antigo primeiro-ministro e dirigente do Partido das Regiões; Oleg Tiagnivok, líder do bloco nacionalista “Liberdade”; Serguei Tiguipko, ex-ministro da Economia e, actualmente, banqueiro ; Piotr Simonenko, primeiro-secretário do Partido Comunista; Oleg Riabokon, advogado; Serguei Ratuchniak, homem de negócios; dirigente do Partido Socialista e antigo presidente da Rada Suprema; Vladimir Litvin, actual dirigente do Parlamento da Ucrânia; Iúri Kostenko, antigo ministro da Ecologia e Segurança Nuclear, líder do Partido Popular; Anatoli Gritzenko, ex-ministro da Defesa e Mikhail Brodski, homem de negócios e dirigente do Partido dos Democratas Livres.
As mulheres estão representadas por: Iúlia Timochenko, primeira-ministra da Ucrânia; Liudmila Suprun, advogada e empresária, e Inna Bogoslovskaia, advogada e deputada da Rada Suprema.
Segundo as últimas sondagens, Ianukovitch e Timochenko deverão passar à segunda volta com, respectivamente, 35-40 e 17-20 por cento dos votos.
“Não se deve dar importância ao grande número de candidatos, pois a maioria persegue os seus interesses pessoais, não pretendem ser eleitos presidente, mas precisam de publicidade”, disse à Lusa, por telefone, o economista ucraniano Serguei Tchevtchenko.
Segundo ele, “a campanha eleitoral foi enfadonha, pois não surgiram ideias novas”.
“A campanha foi cinzenta, não surgiram novas forças e falhou também a tentativa de criação de uma terceira força que possa competir com Ianukovitch e Timochenko”, considera o politólogo Nikolai Polichuk, em declarações por telefone à Lusa.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Blog dos leitores

Texto enviado pela leitora Cristina
"A CORRUPÇÃO NA RÚSSIA É MAIS PERIGOSA QUE A NATO
Se o latrocínio total continuar, o país ver-se-á numa guerra civil ou acabará por desintegrar-se “sem nenhuma intervenção da NATO”, considera o deputado Guennadi Gudkov, vice-dirigente do Comité de Segurança da câmara baixa do Parlamento russo.
“São necessárias mudanças profundas para que a corrupção deixe de ser uma forma de vida para dezenas de milhões de pessoas”, afirmou o deputado em declarações ao diário Komsomolskaya Pravda.
Muitos funcionários russos compram os seus cargos sabendo o que poderão vir a lucrar com eles. “Vão para estes cargos, desde o princípio, para roubar, não para defender os interesses dos cidadãos e do Estado. Diz-se até que foi sugerido a um candidato pagar 50.000 dólares para ser nomeado membro do Comité Anticorrupção num distrito. Isto é o cúmulo!”, constatou.
A ONG Transparência Internacional avalia o mercado dos subornos na Rússia em torno de 300.000 milhões de dólares anuais, ou seja, mais de 2.000 dólares “per capita” para o bolso dos funcionários. Alguns colegas de Gudkov pensam que o mercado é ainda maior, de 400.000 milhões de dólares, valor suficiente para alcatroar estradas e construir escolas em cada aldeia.
“Todos os dias se geram fortunas dentro do regime”, assinalou o deputado, convencido que a Rússia é governada na actualidade por “uma nova nomenklatura que controla absolutamente todos os partidos, o Parlamento e os tribunais”. “O seu negócio é privatizar o Estado através dos seus cargos” e “não sabem já como gastar o dinheiro roubado, põem pedras preciosas e semipreciosas nas lareiras dos seus palacetes, como se fosse possível ali proteger-se da ira popular”. “A ganância e a estupidez destruíram o instinto de conservação dos nossos burocratas”. Gudkov não tem dúvidas de que os funcionários corruptos “vendem a Pátria por grosso e a retalho, tentando obter indulgência nos países em que têm activos. O que mais temem é que lhes neguem o visto” /para esses países/.
O mais terrível nesta “bacanal de corrupção” é que “destrói almas humanas”, subverte totalmente os critérios morais. Instrutores, procuradores ou polícias honrados já não sabem contra quem lutar, se contra os delinquentes em geral ou se contra os do seu próprio departamento, que passam “comissões” para as mãos daqueles.
Não obstante, o deputado considera possível erradicar a corrupção na Rússia “em questão de dois ou três anos”. Para isso é necessária vontade política, controlo parlamentar, fiscal, judicial e dos meios de comunicação social, uma “limpeza” nos corpos de segurança e uma ou duas leis básicas que obriguem cada cidadão a declarar o seu património e a responder, se for necessário, como o obteve”.
Fonte:
http://kp.ru/daily/24424.3/593823/

N.T: O autor mostra-se um bocado pessimista e, para vermos que o problema já se vem arrastando há uns tempos e também para tornar as coisas um pouco mais alegres, recordo aquela frase dos tempos de Pedro, o Grande, que toda a gente deve conhecer.
Então, foi assim: O czar reformador estava a tentar erradicar da Rússia o hábito de roubar o dinheiro do erário público. Deu então ordens ao general-procurador Yagujinski de mandar enforcar todos aqueles que fossem apanhados a roubar, ao que este respondeu.
_ Sua Magestade pretende ficar sem súbditos?"

Serguei Tiguipko, o banqueiro que pode estragar a festa aos esperados vencedores


As sondagens dão ao banqueiro Serguei Tiguipko apenas cerca de 09 por cento na primeira volta das presidenciais de 17 de Janeiro na Ucrânia, mas os analistas não excluem a possibilidade deste político ultrapassar a primeira-ministra, Iúlia Timochenko, e vir a disputar a segunda volta com Victor Ianukovitch.
Tiguipko, que nasceu na Moldávia em 1960, ocupou numerosos cargos nas estruturas do poder da Ucrânia, nomeadamente os de ministro da Economia (1999-2000) e Presidente do Banco Central do país (2002-2004), mas foi no mundo dos negócios que teve mais êxito.
Depois de dirigir a campanha de Victor Ianukovitch nas eleições presidenciais de 2004, abandonou a política e concentrou-se nos seus negócios, transformando-se num dos homens mais ricos do país, sendo dos poucos a não estar envolvido em escandalos de corrupção.
A sua campanha eleitoral fundamentou-se na crítica à política dos principais favoritos da maratona: Victor Ianukovitch e Iúlia Timochenko, bem como do actual Presidente Victor Iuschenko, apresentando como a única alternativa viável a esses políticos.
“Serguei Tiguipko poderia ter fortes hipóteses de ocupar o segundo lugar se tivesse iniciado a campanha como candidato a Presidente da Ucrânia e não como trampolim para ser eleito deputado no futuro parlamento”, declarou à Lusa, por telefone, o politólogo Vladimir Dolin.
“Porém, tem algumas hipóteses de disputar a segunda volta com Ianukovitch se os eleitores considerarem que vale a pena votar numa figura nova”, sublinha o politólogo.

Timochenko quer ser a Margaret Tatcher ucraniana


Iúlia Timochenko, actual primeira-ministra da Ucrânia, apresenta-se nas presidenciais de 17 de Janeiro como a única política capaz de “pôr ordem” no país, colando a sua imagem, na propaganda eleitoral, à da antiga primeira-ministra britânica, Margaret Tatcher.
Timochenko recorreu mesmo à ajuda do popular escritor brasileiro Paulo Coelho, que, num documentário sobre a “senhora da trança dourada”, afirma que os três melhores políticos do mundo são Barack Obama, Lula da Silva e, claro está, Iúlia Timochenko.
A actual primeira-ministra ucraniana tem também uma atribulada biografia no que respeita às relações com a lei e a justiça.
Nascida em 1960 na cidade de Dniepropetrovsk (Leste da Ucrânia), Iúlia Timochenko fez a sua carreira no mundo dos negócios, mais precisamente no comércio do gás russo no seu país. Em Fevereiro 2001, quando ocupava o cargo de vice-primeira-ministra do Governo da Ucrânia, foi demitida, detida e acusada de ter desviado mil milhões de dólares que deveriam ser canalizados para o pagamento do gás russo. Um mês depois, é libertada.
As autoridades judiciais russas também abriram processos-crime contra Iúlia Timochenko, que são “esquecidos” ou “recordados” consoante as circunstâncias.
A “Tatcher ucraniana” não fica atrás do seu adversário directo, Victor Ianukovitch, nas promessas de melhoramento do nível de vida dos cidadãos do país, que vão desde o aumento de salários e reformas até à distribuição gratuíta de duas máscaras de gaze para cada pessoa. Este ano, a Ucrânia foi assolada por uma forte epidemia de gripe.
Porém, os seus adversários de todos os quadrantes políticos recordam-lhe que o país está à beira da “falência”.
No campo das relações internacionais, Timochenko defende um maior equilíbrio nas relações com a Rússia e a União Europeia, prometendo a revisão dos contratos de gás com Moscovo e não forçar a adesão do seu país à NATO.
As sondagens mostram que Timochenko irá conquistar o segundo lugar, atrás de Ianukovitch, sendo o resultado da segunda volta uma grande incógnita.

Victor Ianukovitch, equilibrista entre a Rússia e Ocidente


O dirigente do Partido das Regiões e provável vencedor da primeira volta das presidenciais na Ucrânia, Victor Ianukovitch, já foi rotulado de “pró-russo”, porém os analistas vêem nele um defensor dos interesses de parte da oligarquia ucraniana que não quer ver as estruturas económicas nas mãos do capital russo, bem mais poderoso.
A biografia de Ianukovitch poderia ser fatal para a sua carreira política num país onde a justiça funcionasse, mas, na Ucrânia, não constitui um grande obstáculo à sua popularidade.
Nascido em 1950 na cidade de Enakievo (Leste da Ucrânia), Ianukovitch viu-se a contas com a justiça soviética duas vezes. Em 1967, um tribunal soviético condenou-o a três anos de prisão por agressão, tendo cumprido metade da pena. Em 1970, volta a ser condenado, desta vez por tentativa de violação de uma menor.
Segundo os seus biógrafos oficiais, em 1978, o Tribunal Regional de Donetsk reabilitou Ianokovitch, considerando “não ter existido corpo de delito”. Porém, esta questão nunca foi esclarecida até ao fim visto os processos terem desaparecido sem deixar rasto.
Victor Ianukovitch está também por trás da tentativa de falsificação das eleições presidenciais em 2004, que falhou porque o seu opositor, Victor Iuschenko, conseguiu trazer milhões de apoiantes seus para a rua e obrigar a realização de uma terceira volta, que penalizou Ianukovitch.
A derrota não o fez abandonar a carreira política, mas apenas esperar as divergências entre os seus adversários políticos: Victor Iuschenko, actual Presidente, e Iúlia Timochenko, que levou à desintegração da coligação pró-ocidental.
Apresenta-se com um programa de amplas reformas sociais com vista ao melhoramento do nível de vida das camadas mais desfavorecidas da população: “elevar o nível de vida dos ucranianos até ao nível europeu”, “colocar a Ucrânia entre os 20 países mais desenvolvidos do mundo”, “privar de privilégios a classe política”, etc.
No campo internacional, promete normalizar as relações com a Rússia, mas não renuncia à aproximação da Ucrânia da União Europeia, sublinhando que, ao mesmo tempo, é contra a adesão do seu país à NATO.
“Seria infantil supor que a política de Ianukovitch-presidente vai ser completamente pró-russa. Antes de tudo, no campo económico, o dirigente do Partido das Regiões apoiou a declaração de Iuschenko sobre a necessidade de rever as relações com a Rússia no que respeita ao negócio do gás”, considera Innokentii Adiassov, analista da Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento da Rússia.
Segundo ele, “com Ianukovitch, a Ucrânia continuará a política de diversificação das fontes de fornecimento de hidrocarbonetos, o que, na prática, significará o apoio à construção de novos pipelines que ladeiem o território da Rússia”.
As sondagens dão-lhe uma vitória folgada à primeira volta, mas o resultado da segunda, onde deverá enfrentar Timochenko, continua a ser uma incógnita.