Terça-feira, Março 30, 2010

Serviços secretos receberam informação, mas não souberam impedir atos terroristas

O diário Kommersant noticia hoje que, “segundo dados não confirmados, as forças de segurança podiam dispor informação sobre o possível ataque no metropolitano”, sublinhando que “ontem de manhã cedo, numerosas mulheres com aspeto de caucasianas foram detidas sob o pretexto de controlo de documentos, revistadas e conduzidas a esquadras”.
Este jornal falou com uma dessas mulheres que afirmou que soube dos atos terroristas quando o chefe da esquadra para onde tinha sido conduzida entrou a gritar: “Como puderam permitir isso, tinham informações!”.
Quanto à autoria dos atentados, que provocaram pelo menos 38 mortos, a maioria dos órgãos de informação inclina-se para a “pista caucasiana”, mas apela às autoridades a impedir uma campanha contra os habitantes do Cáucaso do Norte.
“É preciso mostrar a todos que os terroristas não são só caucasianos, mas pessoas concretas que não querem a paz. Deve-se organizar muito inteligentemente a propaganda. Uma resposta militar dura não será construtiva”, defende o jornal Nezavissimaia Gazeta.
O Kommersant cita as palavras de altos funcionários russos que consideram que os atos terroristas foram “um desafio aos “tchekistas”, como são conhecidos os agentes dos serviços secretos russos, e ao Partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Vlsdimir Putin.
“Lubianka! Isso é um desafio aos tchekistas! Ainda temos de ver quantos morreram lá”, afirmou Anatoli Kvachnin, representante do Presidente Russo na Sibéria, citado pelo Kommersant.
O Nezavissimaia Gazeta recorda, a propósito, que Vladimir Putin teve de suspender a realização de um mini-congresso da Rússia Unida na Sibéria “que se deveria tornar o símbolo da campanha eleitoral de 2011”.
Porém, algumas forças políticas não excluem a possiblidade de os atentados terem sido obra dos próprios serviços secretos russos.
“O objetivo é mostrar a instabilidade do sistema e provocar medo para, desse modo, legitimar a exigência da criação de um “estado forte”, escreve o jornal Moskovski Komsomolets, citando uma fonte no Partido Comunista da Rússia.
Este matutino considera que “infelizmente, os comunistas exprimiram a opinião de muitos e muitos russos simples, que já não acreditam nas permanentes justificações com guerrilheiros impossíveis de apanhar”.  
A imprensa russa chama a atenção para o fato de as televisões públicas terem noticiado os atentados com atraso.
“O trabalho das televisões na Rússia é asqueroso. Não há qualquer informação. As pessoas, sem saberem de nada, dirigem-se para o metro e vêem um pesadelo”, declara a analista política Marina Litvinovitch, citada pelo diário Novie Izvestia.

Segunda-feira, Março 29, 2010

Ataques terroristas bem planeados e com alvos bem definidos

Poucas horas após os tentados terroristas de hoje, o Presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou que "a política do Estado com vista ao esmagamento do terror no país e a luta contra o extremismo irá continuar sem vacilações e até ao fim".
No entanto, essa política voltou a falhar de forma flagrante.
Todos os indícios apontam para o facto de os atentados terroristas terem sido previamente bem planeados e com um objetivo claramente definido: desacreditar o Serviço Federal de Segurança (FSB) e o Ministério do Interior da Rússia.
A primeira explosão aconteceu na estação de metropolitano de Lubianka, que outrora tinha o nome de Dzerinskaia, em honra do fundador da polícia política soviética, e está situada por debaixo da sede do Serviço Federal de Segurança. Além disso, a bomba transportada pela suicida explodiu dentro do comboio "Flecha Vermelha", um dos poucos comboios que possui nome próprio na linha de Moscovo.
A segunda explosão aconteceu na estação de Park Kulturi, mas algumas informações indicam que a bomba deveria ter rebentado na estação seguinte, Oktiabrskaia, onde se situa o Ministério do Interior da Rússia. O erro teria ocorrido por a suicida não conhecer bem o metropolitano de Moscovo.
Nos últimos tempos, a polícia russa tem sido alvo de duras críticas por dirigir a sua ação para o combate às manifestações da oposição, bem como por frequentes arbítrios em relação aos cidadãos. Quanto aos serviços secretos russos, são acusados de se preocuparam mais com os seus negócios do que com a segurança das pessoas. Numerosos agentes do FSB dirigem empresas públicas ligadas à exploração e venda do petróleo e gás.
Dmitri Medvedev, respondendo às críticas dos cidadãos, demitiu, há algumas semanas, numerosos generais da polícia e prometeu continuar a "limpeza", mas não mexeu na direção dos serviços secretos, estreitamente ligados ao primeiro ministro Vladimir Putin.
Também já ninguém duvida que estes atentados terroristas, tal como tem acontecido antes, são obra da guerrilha islamita separatista que atua no Cáucaso do Norte: Tchetchénia, Inguchétia e Daguestão.
A guerrilha ainda não reivindicou o atentado, mas, na notícia dos atentados publicada no seu sítio eletrónico kavkazcenter, chama às suicidas "mártires".
Nos últimos tempos, as forças policiais e militares russas têm lançado frequentes operações de combate à guerrilha no Cáucaso do Norte, mas, aparentemente, desprezaram a retaguarda e a capacidade dos separatistas de atuarem em outras regiões da Rússia. Em novembro passado, uma bomba fez descarrilar o comboio rápido que liga Moscovo a São Petersburgo, provocando dezenas de mortos e feridos.
O Presidente russo já chegou à conclusão de que o problema do terrorismo no Cáucaso do Norte não pode ser resolvido apenas por meios militares e tomou uma série de medidas com vista a resolver problemas como o desemprego e a corrupção na região, mas elas ainda não passaram à fase da concretização real.
Medvedev criou mesmo o Círculo Federal do Cáucaso do Norte para concentrar forças e meios nesse sentido, mas os resultados só virão a longo prazo.
P.S. O terrorismo é sempre um ato execrável, sem qualquer justificação e as vítimas inocentes merecem todo o respeito.

Sábado, Março 27, 2010

START-2 é o último acordo da guerra fria

 O novo Tratado de Redução de Armamentos Estratégicos Ofensivos (START-2) será o último da série de acordos assinados na era da guerra fria, considera Fiodor Lukianov, diretor da revista “Rússia na Política Global”.

O START 2 será assinado no próximo dia 08 de Abril em Praga.

“Por muito triste que isso seja para as duas superpotências nucleares, a segurança nuclear num mundo multipolar já não é definida pelo vetor Estados Unidos-Rússia”, escreve ele no diário Kommersant.

O analista acrescenta que o Presidente norte-americano Barack Obama estava interessado em que o novo Tratado fosse assinado antes da Cimeira de Washington sobre a não difusão de armas nucleares.

“Moscovo supõe que Obama, que não se pode gabar de êxitos na política externa, necessita extremamente de apresentar um resultado concreto. Tanto mais que a problemática do desarmamento nuclear está diretamente ligada à questão iraniana, e esta é a principal prioridade”, precisa.

Por outro lado, Lukianov acrescenta que “Washington parte do princípio de que a Rússia não tem meios para manter os arsenais ao nível atual, por isso para Moscovo é mais vantajoso fazer isso numa base mútua”.

Não existe unanimidade no que diz respeito ao nível de ligação entre os armamentos ofensivos e os defensivos, ou seja, entre o cumprimento do START-2 e os planos dos Estados Unidos de instalar elementos do seu sistema de defesa antimíssil (DAM) na Europa.

“O Tratado não contém parágrafos que limitam o ensaio e instalação de sistemas de defesa antimíssil dos Estados Unidos, bem como os armamentos ofensivos convencionais de longo alcance”, escreve o diário newsru.com.

Aleksei Makakin, do Centro de Tecnologias Políticas tem outra opinião: “Essa ligação dá à Rússia um argumento caso os americanos venham a ser muito ativos com o seu sistema DAM. Por outro lado, isso dá a Obama argumentos para falar com o Senado, porque os republicanos manifestam preocupação a propósito dessa ligação”.

“Tanto a Rússia, como os Estados Unidos, a julgar por tudo, sacrificaram uma série de posições suas para conseguirem um compromisso. Penso que o resultado será vantajoso para ambas as partes”, defende o general Victor Iessin, antigo comandante das Tropas de Mísseis da Rússia.

Sexta-feira, Março 26, 2010

Autoridades russas proíbem “Mein Kampf” de Hitler


A Procuradoria-Geral da Rússia considerou o livro “A Minha Luta” de Adolfo Hitler “literatura extremista” e proibiu a sua publicação e difusão no país.

“A obra do dirigente do Partido Nacional Socialista Operário da Alemanha, principal criminoso de guerra fascista alemão será incluída no Índex Federal de obras extremistas”, comunicou a Procuradoria.

O texto da principal obra de Adolfo Hitler em russo circula livremente na Internet. O livro não está exposto nas livrarias e bancas , mas, em algumas, é vendido de forma semi-legal.

A Procuradoria da Bachkíria, república da Federação da Rússia, inspecionou o cumprimento da legislação que regulamenta o combate ao extremismo, tendo detetado a “difusão livre” da obra Mein Kampf. Um tribunal da mesma república concordou com essa conclusão e considerou o livro “extremista”.

Segundo a Procuradoria-Geral da Rússia, em conformidade com a Lei de Combate ao Extremismo, “as obras de dirigentes do Partido Nacional Socialista Operário da Alemanha são automaticamente consideradas extremistas e não exigem argumentação suplementar, nem realização de inspeções”.

O jornal eletrónico Newsru.com assinala que as autoridades russas necessitaram de 85 anos para compreender que o livro, como constatou a Procuradoria-Geral da Rússia, “contém a exposição das ideias de Hitler que justificam a discriminação e o extermínio de pessoas das chamadas raças não-arianas”.

O livro “Mein Kamft” foi pela primeira vez publicado em alemão em 1925, transformando-se numa espécie de “bíblia do nazismo”.



Rússia decidiu fabricar caças de quinta geração com o Brasil


A Rússia está pronta a cooperar com o Brasil não só no quadro do concurso para a venda de uma quantidade significativa de aviões de guerra multifuncionais, mas também no programa de fabrico do caça de quinta geração, declarou hoje Alexandre Fomin, vice-diretor do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar da Rússia.
“Propomos uma vez mais aos nossos parceiros brasileiros, além da possibilidade do fornecimento de aviões SU-35, a transferência de tecnologia, bem como o fabrico conjunto do caça de quinta geração”, acrescentou.

Serguei Goreslavski, do consórcio público Rostekhnologuia, sublinha que nos aviões SU-35 propostos ao Brasil são empregues tecnologias utilizadas no caça russo de quinta geração.

O primeiro voo do caça de quinta geração realizou-se a 29 de Janeiro deste ano, tendo a Rússia proposto também à Índia participar no fabrico desse aparelho.

Segundo os especialistas russos, a exploração deste avião é bem mais barato do que a dos aparelhos de quarta geração. Além disso, são equipados com equipamentos eletrónicos mais modernos e “inteligentes”.
P.S. Moscovo acaba de fornecer três helicópteros Mi-35M e deverá fornecer mais nove nos próximos tempos.

Até quando, até quando?


“Não esperem por isso!”, foi assim que Vladimir Putin respondeu quando um telespectador russo lhe perguntou, na última das “conversas com a nação” realizada no ano passado, se ele não estava cansado da política e não tencionava dedicar-se à família.
Putin foi eleito Presidente da Rússia a 26 de Março de 2000, cargo que ocupou até Março de 2008. Em Maio do mês ano, foi nomeado primeiro-ministro, cargo que ocupa até hoje.
Quando da visita de Hillary Clinton a Moscovo, na semana passada, a sua agenda não previa um encontro com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, mas acabou por acontecer. Além disso, nesse encontro foram discutidas questões da política externa, área que, segundo a Constituição da Rússia, é prerrogativa do Presidente Dmitri Medvedev.
Mais uma vez, Putin deixou claro quem manda no país.
No passado dia 10 de Março, o jornal eletrónico Ejednevnii journal, da oposição liberal, começou a recolher assinaturas de apoio à reinvidicação da demissão de Putin. Em quinze dias, assinaram 17.371 leitores, o que é muito pouco num país com 140 milhões de habitantes.
Vladislav Inozemtsev, economista, director do Centro de Estudos da Sociedade Post-industrial, é um dos assinantes e explica assim a sua posição: “A minha principal crítica a Putin e à sua corte consiste em que eles não mostram para onde deve avançar o país”.
“Encontramo-nos num estado de estagnação séria e não compreendemos como sair dele”, sublinhou.
Glev Pavlovski, dirigente da Fundação de Política Eficaz, considera que “Putin não é apenas uma personalidade, mas um mito estatal do sistema existente”, acrescentando que “se se retirar Putin, dentro de um mês, teremos de humilharmo-nos e fazer vénias perante a burocracia, porque não haverá ninguém com quem falar”.
Quanto ao dueto Medvedev-Putin, Pavlokski, politólogo próximo do primeiro-ministro, sublinha: “não é Medvedev que é incapaz de trabalhar, mas nós, enquanto classe política, não estamos prontos (sem Putin) a trabalhar com o sistema existente”.
As sondagens mostram que a popularidade de Putin continua a ser grande e maior do que a do Presidente russo, o que leva Pavlovski a não prever dificuldades em 2012, ano de eleições parlamentares na Rússia.
“Depois de uma série de dificuldades, de ziguezagues internos, Putin irá trabalhar na consolidação da élite em torno de Medvedev. Trata-se de uma questão facultativa saber que cargo ele irá ocupar”, sublinha.
Alguns analistas consideram que se corre o risco do dueto governar por muitos anos a Rússia.
Segunda a tradição, as anedotas políticas russas são muito certeiras e uma delas diz: Putin e Medvedev conversam numa cervajaria em 2040. O primeiro pergunta ao segundo: “diz-me lá, qual de nós é o presidente e qual o primeiro-ministro?”.

Quinta-feira, Março 25, 2010

Tratado START-2 será assinado a 08 de Abril em Praga



A assinatura do Tratado de Redução de Armamentos Nucleares Estratégicos (START-2) será assinado no próximo dia 08 de Abril em Praga, escreve o jornal checo “Pravo”..


Uma fonte do Kremlin, citada pelas agências russas, anunciou que Todos os documentos que fazem parte do novo Tratado sobre a Redução de Armamentos Ofensivos Estratégicos (START-2) estão acordados .

Segundo o novo documento, os dois países tencionam reduzir as ogivas nucleares até 1500-1675 para cada uma das partes e os seus vetores (mísseis) até 500-1100.

O senador Mikhail Marguelov, dirigente do Comité para Assuntos Internacionais do Conselho da Federação (câmara alta) do Parlamento russo, declarou hoje que o novo Tratado deverá ser “sincronicamente ratificado” pelos parlamentares dos dois países.

“Já está marcada para Abril uma reunião de senadores do Conselho da Federação da Rússia e do Senado dos Estados Unidos com vista a estudar a sincronização da ratificação do documento”, declarou ele à rádio Eco de Moscovo.

Este Tratado vem substituir o START-1 assinado em 1991 entre a URSS e os Estados Unidos, que estabeleceu que os potenciais nucleares de cada um dos países não podiam superar as seis mil ogivas nucleares e os 1.600 portadores.

Quando esse Tratado foi assinado, a URSS tinha 10.271 ogivas e 2.500 portadores, enquanto que os Estadoos Unidos possuíam 10.563 ogivas e 2.246 portadores.

O cumprimento das cláusulas desses documento levaram a Rússia a ficar com 5.518 ogivas e 1.136 portadores e os Estados Unidos com 5.948 ogivas e 1.237 portadores. Além disso, o START-1 impôs limitações à instalação ddas forças nucleares de cada país, nomeadamente, proibiu em certas regiões a instalação de mísseis balísticos intercontinentais sobre rampas móveis (comboios ou camiões).

Quarta-feira, Março 24, 2010

Pouco ou nada sabíamos de Portugal e do português

Na era soviética, a língua portuguesa foi quase desconhecida até ao 25 Abril de 1974, dia em que a “revolução dos cravos” abriu caminho à independência das colónias de Portugal em África.

Antes dessa data, eram muito poucas as pessoas que estudavam ou sabiam falar português. Havia apenas pequenos núcleos de ensino da língua lusa em Moscovo e Leninegrado.

“Na esmagadora maioria dos casos, nós não fazíamos ideia onde ficava Portugual e que se falava português no mundo”. Declarou à Lusa o sociólogo Andrei Lymar, que veio estudar da Ucrânia para a Universidade de Moscovo na segunda metade dos anos 70.

“Quando os estudantes começavam a compreender que estudar português podia ser vantajoso do ponto de vista financeiro, então esforçavam por aprender essa língua. Ela permitia ir trabalhar em África, onde se ganhava bom dinheiro”, acrescenta.

Entre 1974 e 1991, pelas antigas colónias portuguesas passaram mais de 20 mil especialistas militares e civis soviéticos, que recebiam salários altos e numa moeda especial (cheque) que dava acesso a bens de consumo raros na URSS: aparelhagens de áudio e vídeo estrangeiras, automóveis de fabrico nacional, bem como permitia comprar mais rapidamente um apartamento.

Como, naquela altura, era necessário um grande número de especialistas que soubessem português, os dirigentes das universidades aconselhavam ou obrigam mesmo a estudá-lo.

“Faltaram-me duas centésimas para estudar inglês e o reitor aconselhou-me a optar pelo português. Eu não fazia ideia de que tal língua existia, mas aceitei a proposta”, recorda Evgueni, que, mais tarde, trabalhou em Moçambique.

Após o fim da União Soviética, em 1991, o interesse pela língua portuguesa desceu bruscamente e muitos dos que a tinham estudado começaram a esquecer-se, pois não necessitavam dela.

Hoje, é frequente encontrar russos, e entre eles altos funcionários governamentais, que estudaram português e passaram pelas ex-colónias em África, mas, hoje, já não arriscam a conversar na língua de Camões.

“Há tantos anos que não falo português”, recorda Andrei Lymar com dificuldade uma das línguas que aprendeu na Universidade, mas que quase nunca utilizou.

Mas outros utilizaram isso como mais-valia e voltaram para fazer negócios na África lusófona, como, por exemplo, em projectos como a exploração de diamantes e petróleo em Angola.

Entre os mais famosos “lusófonos” russos pode-se citar, o primeiro-vice-primeiro-ministro Igor Setchin, braço direito de Vladimir Putin, que trabalhou para os serviços secretos soviéticos em Angola e Moçambique; o senador russo Alexandre Dzassokhov, que, na era soviética, realizou tarefas de grande responsabilidade junto dos movimentos da guerrilha em África; o deputado e milionário Vladimir Gruzdev, que foi tradutor militar em Moçambique e Angola.

Cinema Ucraniano em Lisboa

Convidamos todos,
a conhecer a história e antiga cultura da Ucrânia, através de filmes ucranianos no cinema “São Jorge”
Avenida da Liberdade nº 175
(entrada livre)
Especialmente para a apresentação dos filmes no ciclo “Dias de Cinema ucraniano em Lisboa”
e para se encontrar com os espectadores vem da Ucrânia, famoso realizador - Oles Yanchuk
29 de Março de 2010
20:00 - Abertura.

21:00 - Filme: Sombras dos Antepassados Esquecidos /1964/ 98 min
realizador Serguey Parajanov (legendas em português)


30 de Março de 2010

19:00 - Filme: “O Inderrotável” /2008/ 104 min realizador Oles Yanchuk
(legendas em inglês)

21:30 - Filme: “A Fome – 33” /1991/99min realizador Oles Yanchuk
(legendas em português)

31 de Março de 2010

19:00 - Filme: “Batalhão de ferro” /2005/ 95 min realizador Oles Yanchuk
(legendas em inglês)

21:30 - Filme: “O Patriarca Andrey” /2008/ 120 min realizador Oles Yanchuk
(legendas em inglês)

informação:

Direcção da Associação dos Ucranianos em Portugal

http://www.spilka.pt/

e-mal : ucranianosemportugal@gmail.com

Terça-feira, Março 23, 2010

Activistas de direitos humanos pedem ajuda ao Ocidente

 Liudmila Alekseeva, dirigente dá organização não-governamental Grupo de Helsínquia de Moscovo, considera que os activistas das organizações russas não governamentais necessitam de ajudam internacional.
“A ajuda mais rápida, eficaz e real que nos podem prestar do Ocidente é, antes de tudo, a concessão de vistos ou refúgio aos que correm perigo de vida. Pedimos muito que organizem esse organismo”, declarou ela numa conferência sobre direitos humanos organizada na representação da Comissão Europeia em Moscovo.
Segundo ela, “é preciso dar a essas pessoas a possibilidade de se refugiarem e enviarem parentes seus para lugares seguros enquanto exista perigo”.
Ella Pamfilova, dirigente da Comissão de Direitos do Homem junto do Presidente russo, considerou, na mesma conferência, que o fraco desenvolvimento das instituições democráticas e a corrupção generalizada travam a formação de uma sociedade civil na Rússia.
“Somos obrigados a constatar que nenuma alteração qualitativa ocorreu em matéria de direitos humanos e de liberdades fundamentais. Duas falhas estruturais empedem-nos de progredir neste domínio. O primeiro consiste no fraco desenvolvimento das nossas instituições democráticas de base. Este é o principal problema político”, disse.
Para Ella Pamfilova, a corrupção endémica constitui o segundo maior obstáculo à formação da sociedade civil na Rússia.
“Nós temos um nível de arbitrariedade extremamente alto. Esse fator estimula a corrupção que paralisa, por sua vez, o funcionamento normal da sociedade”, frisou.
“Os nossos tribunais não são independentes como deviam ser. Estamos igualmente preocupados pela falta de eleições livres e de concorrência política”, acrescentou, concluindo que “os numerosos partidos políticos russos não dependem dos seus eleitores, mas dos seus dirigentes”.

Português contínua a gozar de alguma procura na Rússia



A língua portuguesa continua a gozar de alguma procura nas escolas superiores russas, devendo-se ela, principalmente, ao incremento de relações entre a Rússia e países lusófonos como Angola e Brasil.
O português já não é tão popular entre os estudantes russos de hoje como era na era soviética, nos anos 70, 80 e 90 do séc. XX, quando a União Soviética passou a ter fortes interesses nas ex-colónias portuguesas: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.
No entanto, nas universidades de Moscovo e São Petersburgo, mais de 300 alunos de vários cursos e anos tentam dominar a língua de Camões, Machado de Assis, Luandino Vieira e Mia Couto.
“A maioria dos estudantes de língua portuguesa esperam fazer carreira na diplomacia ou nas relações económicas, comerciais e outras entre a Rússia e principalmente o Brasil e Angola”, declarou à Lusa João Mendonça, leitor do Instituto Camões (IC) de Portugal na capital russa.
O IC tem um leitor a tempo inteiro em Moscovo e outro, em regime de part-time, o maestro João Tiago, em São Petersburgo. Além disso, o Brasil tem também um leitor na Universidade Estatal de Moscovo (Lomonossov).
Em Moscovo, o Instituto de Relações Internacionais é a escola superior russa com mais alunos: 131, sendo seguido pela Universidade de Línguas Estrangeiras: 70 e Universidade Estatal (Lomonossov): 30.
Em São Petersburgo, na Universidade Estatal há cerca de 50 alunos de português e na Universidade Pedagógica (Herzen): 30.
“O facto de o Instituto de Relações Internacionais estar em primeiro lugar deve-se, em parte, ao facto de, durante a crise económica, a carreira diplomática ter voltado a ganhar prestígio”, continua João Mendonça.
O trabalho no Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia passou a gozar de menos prestígio depois da queda da União Soviética, em 1991, devido aos baixos salários dos diplomatas.
Além do ensino oficial, em Moscovo e São Petersburgo há escolas de português e os professores que dão aulas particulares também não se queixam de falta de trabalho”.
“Eu cobro mil rublos (cerca de 25 euros) por hora, mas há professores que levam mais caro”, declarou à Lusa um dos professores, sublinhando que os alunos são, fundamentalmente, homens de negócios ou pessoas que precisam de aprender rapidamente a língua para trabalharem em países lusófonos.
O aumento da popularidade da língua portuguesa na Rússia é travada pelo facto de as autoridades russas não lhe prestarem grande atenção. O Kremlin criou canais de televisão informativos em inglês, árabe e espanhol, mas não sente necessidade de melhorar a imagem do país nos países lusófonos.
Até há alguns anos atrás, a agência Ria-Novosti teve uma redação portuguesa, mas acabou por encerrá-la, restando apenas a rádio Voz da Rússia, antiga Rádio Moscovo, que transmite em ondas curtas, mas cujas audiências são desconhecidas.

Segunda-feira, Março 22, 2010

Contributo para História de Portugal (Amália Rodrigues na URSS)

                                Cartaz do Concerto de Amália Rodrigues em Leninegrado

Entre 6 e 26 de Maio de 1969, Amália Rodrigues realizou uma longa digressão pela União Soviética, tendo actuado em Leninegrado, Moscovo, Tblissi (Geórgia), Erevan (Arménia) e Baku (Azerbaijão).
Em Leninegrado, a fadista portuguesa deu seis concertos na Grande Sala de Concertos “Outubro”; em Moscovo, deu dois concertos na Sala de Concertos Tchaikovski.
O reportório foi: Fado Português, Gaivota, Maria-Lisboa, Madrugada de Alfama, Verde, A Minha Canção é Saudade, Barco Negro, Estranha Forma da Vida, Erros Meus, Canção Popular, Acho inúteis as palavras, Leonor, Uma Casa Portuguesa, Só à Noitinha, Fuga, Foi Deus, Abandono, As Penas, Dura Memória.
A revista Teatro, Nº8 de 1969, escreveu: “Muitas das suas canções são trágicas. Os ouvintes sentem um nó na garganta quando ela fala do destino triste de uma moça que espera em terra o barco negro do amado, que jamais voltará. Nas suas canções, muito populares, há amor e fidelidade ao povo simples. Amália canta a pátria, o mar e as suas costas, a sua Lisboa, refrescada pelos ventos salgados, as suas ruas nas noites de luar e de madrugada”.
P.S. Estas e outras informações foram reunidas e publicadas por Natália Rumiantseva, professora de português em São Petersburgo.

Uma vitória para todos?


As autoridades russas pretendem celebrar com grande pompa o 65º aniversário da vitória do Exército Vermelho sobre a Alemanha nazi na Segunda Guerra Mundial, tendo já anunciado que esperam ver em Moscovo, no dia 9 de Maio, dirigentes de países que combateram o fascismo, bem como representantes das suas forças armadas.
Porém, vários escândalos poderão atirar mais uma vez por terra a ideia de fazer dessa vitória uma "vitória para todos", como cantou o bardo Bulat Okudjava.
Iúri Lujkov, presidente da Câmara de Moscovo e esposo da mulher mais rica da Rússia, decidiu, "a pedido das organizações de veteranos de guerra",  "decorar" a capital russa com cartazes do ditador comunista, José Estaline, o que está a provocar uma forte onda de protestos.
A iniciativa de Lujkov já foi condenada por conhecidos políticos, como Boris Grizlov, dirigente da Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo, e veteranos de guerra como Anatoli Tchernaiev, antigo conselheiro do Presidente Soviético, Mikhail Gorbatchov, ou o conhecido realizaor de cinema Piotr Todorovski. O que diriam, se estivessem vivos, veteranos dessa guerra como os escritores Victor Astafiev e Alexandre Soljenitzin?
José Estaline teve sérias responsabilidades nos fracassos militares soviéticos no início da guerra, bem como foi um impulsionador de repressões sangrentas contra milhões de militares e civis soviéticos.
Mas Lujkov não desiste, pois está habituado a fazer o que quer em Moscovo. Os resultados são bem visíveis!!!
Os apoiantes deste ponto de vista afirmam que a União Soviética não venceria a guerra sem a "direcção sábia" de Estaline, tese muio polémica. Na guerra de 1812, contra Napoleão, os russos venceram sem a direcção de Estaline e do Partido Comunista da União Soviética. A guerra de 1941-1945 foi ganha pela bravura dos soldados, oficiais soviéticos, bem como pelos milhões de soviéticos que trabalharam na retaguarda. Além disso, tendo em conta as dimensões da Rússia, Hitler acabaria por perder a guerra, pois não tinha recursos materiais e humanos para conquistar tão grandes dimensões. A não ser que Estaline assinasse um acto de capitulação caso os nazis conquistassem Moscovo.
A Lujkov juntaram-se os dirigentes do Partido Comunista da Federação da Rússia, que não escondem o seu apego às acções de Estaline. Mas eles vão mais longe e exigem que o Kremlin não convide tropas de países da NATO para participarem na parada prevista para a Praça Vermelha. Veteranos de guerra desse país, sim, tropas, não! (Os comunistas russos devem recear que a NATO aproveite a oportunidade para conquistar a Rússia!!!)
Tendo em conta as relações tensas entre a Rússia e os países vizinhos do antigo "campo socialista", as comemorações do 9º de Maio poderiam contribuir para o seu desanuviamento. O Presidente da Estónia já anunciou que irá estar em Moscovo, esperando-se também dirigentes de outros Estados do Báltico, Polónia, etc.
Porém, o aparecimento de cartazes com Estaline na capital russa poderá fazer mudar de opinião muitos dos visitantes. Além disso, esta iniciativa não será também do agrado de povos da Federação da Rússia que foram deportados por Estaline: tchetchenos, inguches, etc.
Se as coisas continuarem assim, irão concretizar-se as palavras uma vez ditas por Victor Tchernomirdin, quando ocupava o cargo de primeiro-ministro da Rússia: "Queríamos fazer da melhor forma, mas o resultado é sempre o mesmo.."

Fabricante aeronáutico russo concorre a programa da USAF


Texto enviado pelo leitor Manuel Santos:

"Numa investida totalmente inesperada, o fabricante aeronáutico russo United Aircraft Corporation decide concorrer ao já controverso programa KC-X da força aérea norte-americana (USAF) que é basicamente a compra de uma frota de cerca de 179 aviões-cisterna de nova geração. Estes aviões de longo curso além de transportarem carga destinam-se a reabastecer em vôo as frotas de combate, transporte, guerra electrónica, bombardeiros estratégicos entre outros e dado o carácter mundial do alcance da USAF, desempenham um papel primordial.

Este programa já se encontra manchado com muita controvérsia. Depois de anunciada a vitória do consórcio Northrop-Grumman/EADS em Fevereiro de 2008 com o avião rival da Boeing, uma versão modificada do europeu Airbus A330, o governo americano impugnou o processo baseado em protestos do fabricante de Seattle.

O aparelho que a Russa UAC vai propôr será uma versão modificada do avião de longo curso Ilyushin IL-96 mais concretamente o IL-96T (Tanker) sendo um modelo que não contém muitos pontos a seu favor. É um quadrimotor muito sedento de combustível, o que em época de eficiência de consumos o torna menos apelativo face aos bimotores que se instituiram neste campo da aviação (A330, B767, B777, B787) além de ter tido um sucesso de vendas muito modesto e em alguns casos, mais político. Poderá também não corresponder a muitos standards usuais na USAF embora já possua electrónica actual, sendo os motores do fabricante americano Pratt & Whitney.

Partindo do princípio que os usuais e praticamente bloqueantes entraves ao uso de material russo seriam vencidos, seria quase utópica a possibilidade do IL-96 fazer frente aos seus concorrentes ocidentais dado já estar num patamar tecnológico e geracional posterior.

Muito provavelmente não passará de uma primeira tomada de contacto com o apetecível mercado norte-americano e da tentativa de establecer parcerias para o futuro além de demonstrar visibilidade no mercado.

Segunda feira dia 22 de Março será anunciada a companhia americana com quem a UAC realizará a joint venture."

Domingo, Março 21, 2010

Oposição ao Kremlin assinalou “Dia da Ira”


A oposição russa manifestou-se em cerca de 50 cidades do país a fim de assinalar o “Dia da Ira” e exigir a demissão do primeiro-ministro Vladimir Putin e do seu Governo.

Na capital russa, a oposição extra-parlamentar ao Kremlin tentou sair para a rua, não obstante a proibição das autoridades. Ainda antes do início do comício, a polícia deteve Serguei Udaltsov, dirigente da “Frente de Esquerda” comunista.

Algumas centenas pessoas tentaram reunir-se na Praça Puchkin, mas foram impedidos de realizar um comício por um forte contingente da polícia de choque, que deteve dezenas de manifestantes.

Também em Moscovo, a Federação de Automibilistas da Rússia reuniu mais de mil pessoas para protestar contra os abusos das autoridades nas estradas, tendo a polícia sido alvo de fortes críticas.

A mais numerosa manifestação, que reuniu cerca de duas mil pessoas, realizou-se em Vladivostoque, no Extremo Oriente russo. Representantes de forças políticas tão diversas como o movimento liberal “Solidariedade”, o Partido Comunista, anarquistas e nacionalistas manifestaram-se contra a queda do nível de vida, contra o monopólio político da Rússia Unida (partido de Vladimir Putin), exigram a demissão do primeiro-ministro e eleições livres.

Os participantes na acção de protesto tentaram desenrolar um pano onde se lia: “Putin, suicida-te com um tiro”, mas a polícia obrigou a retirá-lo.

Em Irkutsk, na Sibéria, mais de 1500 pessoas juntaram-se para protestar contra a reabertura de uma fábrica de celulose nas margens do Lago Baikail, o maior reservatório de água potável do mundo.

No comício realizado, Boris Nemtsov, dirigente da oposição extra-parlamentar na Rússia, exigiu a demissão de Vladimir Putin, lembrando que foi ele que autorizou a reabertura da fábrica.

Em São Petersburgo, os partidos da oposição extra-parlamentar conseguiram juntar cerca de mil pessoas, que gritavam: “Constituição, sim! Corrupção, não!”, “Demissão do Governo de Putin!”.

Em algumas cidades registaram-se incidentes. Em Novossibirk, a polícia deteve nove militantes do “Solidariedade”, mas acabou por os libertar quando os manifestantes tencionam protestar perto da esquadra. Em Arkhanguelsk, foi detido um dos dirigentes da mesma organização, tendo sido acusar de “furtar um telemóvel”.

Sábado, Março 20, 2010

Rússia ameaça não apoiar prorrogação de mandato da NATO se esta não combater tráfico de droga

A Rússia apoiará a prorrogação do mandato da presença do contingente internacional da NATO no Afeganistão se a Aliança se envolver na destruição das plantações de ópio, anunciou, na sexta-feira, Victor Ivanov, chefe do Serviço Federal de Controlo de Estupefacientes da Rússia (SFCER).
“É indispensável que o mandato, anualmente prorrogado pelo voto dos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, compreenda o compromisso de destruir as plantas classificadas como estupefacientes”, declarou Ivanov, numa conferência de imprensa na capital russa.
Segundo Victor Ivanov, que acaba de regressar do Afeganistão, a situação nesse país continua a ser complexa, daí a necessidade da presença de forças internacionais no seu território.
O ministro russo sublinhou que se deve lutar contra os proprietários de plantações onde se cultivam plantas estupefacientes ou alucinógenas, e não contra camponeses separados que cultivam a terra para criar papoilas.
“É muito simples determinar os latifundiários, elaborar uma lista e empregar sanções contra eles. Não tem sentido perseguir os camponeses, pois são pobres. No fundo, são escravos”, precisou.
Segundo um recente relatório da ONU, a Rússia ocupou, em 2009, o primeiro lugar no mundo pela quantidade da heroína afegã consumida: de 75 a 80 toneladas por ano, ou seja, 20 por cento do consumo mundial.
Isso significa que o país consome 3,5 vezes mais do que os Estados Unidos e o Canadá e quase duas vezes mais do que a China. Segundo alguns cálculos, a heroína afegã mata, anualmente entre 30 e 40 mil pessoas na Rússia.
Victor Ivanov preveniu que a União Europeia não abolirá os vistos com a Rússia enquanto este país “não pôr ordem” nas fronteiras meridionais, por onde passa a maioria da droga vinda do Afeganistão.



Rússia e Estados Unidos discordam sobre entrada em funcionamento de central nuclear



A notícia da entrada em funcionamento do primeiro reator da Central Nuclear de Busher, no Irão, anunciada hoje pelo primeiro ministro russo, foi recebida com críticas pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em visita à Rússia.
Vladimir Putin anunciou o início do funcionamento em Julho, mas Hillary afirmou que uma decisão como essa seria "prematura" sem garantias iranianas sobre seu programa nuclear, que o Ocidente teme que tenha como finalidade a produção de armas atómicas.
"Na ausência destas garantias, acreditamos ser prematuro seguir com qualquer projeto neste momento porque queremos mandar uma mensagem inequívoca para os iranianos", disse ela.
A Rússia concordou em construir o reator de mil megawatts em Busher, há 15 anos, mas o projeto de mil milhões de dólares sofreu atrasos e diplomatas afirmam que Moscovo tem usado o projeto para exercer pressão sobre Teerão.
Hillary Clinton disse que isso enviaria uma mensagem errada ao Irão, que enfrenta a possibilidade de sofrer novas sanções por causa de seu programa nuclear, que oficialmente é para gerar eletricidade.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, ao falar ao lado de Hillary Clinton após conversações em Moscovo, respondeu que a Central de Busher era essencial para manter a presença da Agência Internacional de Energia Atómica no Irão.

Sexta-feira, Março 19, 2010

Carta Aberta aos Eurodeputados Portugueses do Parlamento Europeu


Comunicado enviado pelo leitor Jest:

"Exmos. Srs. Eurodeputados

É hoje em dia consensual que o projecto europeu tem contribuído de forma decisiva para a estabilidade económica e social do Velho Continente e para a promoção da liberdade e igualdade dos cidadãos da Europa. Os seus representantes democraticamente eleitos consideram como principal objectivo da União Europeia garantir o bem-estar e a salvaguarda dos direitos dos cidadãos, sendo por isso, e com base nas lições da História, repudiada qualquer forma de discriminação (racial, étnica, religiosa, etc.). No entanto, isso não significa a negação do património histórico e cultural dos povos da Europa; pelo contrário, a preservação das culturas nacionais e das línguas oficiais e o respeito pelo passado histórico constituem alguns dos pré-requisitos essenciais para a adesão à UE.
A propósito de passado histórico importa lembrar que a Ucrânia nunca teve quaisquer ambições expansionistas, sendo, em contrapartida, o campo de batalha de imperialismos rivais, com a consequente perda da soberania e da identidade nacional. Durante a 2.ª Guerra Mundial, na sequência da agressão nazi e soviética, a Ucrânia perdeu cerca de 7,5 milhões de habitantes e aproximadamente 2 milhões de ucranianos foram deportados como mão-de-obra escrava para a Alemanha.
Por outro lado, foi também palco de tragédias totalitárias, sendo disso exemplo a Grande Fome de 1932-1933 (o Holodomor) – qualificada pelo Parlamento Europeu de “crime horrendo contra o povo ucraniano e contra a humanidade”– na qual morreram cerca de 7 milhões de ucranianos em resultado da fome provocada pela ditadura estalinista. Nessa ocasião, a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), dirigida por Stepan Bandera, foi obrigada a recorrer à única linguagem entendida por um regime totalitário e que poderia despertar a atenção da comunidade internacional: a da força. Em 22 de Outubro de 1933, o cônsul soviético em Lviv foi morto por um militante da OUN como retaliação pelos milhões de ucranianos dizimados no genocídio.
Esse facto ganha maior sentido se recordarmos que noutros momentos dramáticos do século XX, houve a necessidade de cometer actos semelhantes. Por exemplo, entre 1920-1922, militantes da Federação Revolucionária Arménia mataram vários dirigentes turcos, em resposta ao genocídio arménio; em 27 de Maio de 1942, agentes checoslovacos dos serviços secretos britânicos assassinaram o dirigente nazi Reinhard Heydrich, responsável pela política de terror na Boémia – Morávia e um dos principais mentores do genocídio da população judaica.
Ainda relativamente ao passado histórico, o Parlamento Europeu aprovou, em 25 de Fevereiro de 2010, uma resolução sobre a actual situação na Ucrânia, declarando que:
«20. Deplora profundamente a decisão do Presidente ucraniano cessante, Viktor Iouchtchenko, de conceder a título póstumo a Stepan Bandera, dirigente da Organização dos Nacionalista Ucranianos (OUN) que colaborou com a Alemanha nazi, o título de "herói nacional da Ucrânia"; espera que os novos dirigentes ucranianos reconsiderem este tipo de decisão e reafirmem o seu compromisso em favor dos valores europeus.»
Nesta deliberação, o Parlamento Europeu arroga-se do direito de indicar aos Ucranianos como devem interpretar a sua própria História. Além do mais, qual é a base desta decisão? Porventura existe alguma sentença emitida por um tribunal internacional que condene Stepan Bandera e o Exército Insurgente Ucraniano (UPA) por colaboração com a Alemanha nazi? Terá sido efectuada uma minuciosa investigação histórica sobre o movimento independentista ucraniano?
É importante perceber que Stepan Bandera simboliza, de forma indiscutível e trágica, a luta pela independência ucraniana, finalmente alcançada em 1991, sendo a figura inspiradora de sucessivas gerações de combatentes pela liberdade, e, simultaneamente, o alvo do ódio de todos aqueles que têm desígnios imperialistas relativamente à Ucrânia.
A 30 de Junho de 1941, na sequência da invasão alemã da União Soviética, a OUN proclamou a restauração da independência da Ucrânia. Este acto representou um claro desafio aos planos raciais e expansionistas de Hitler, o qual, por sua vez, pretendia converter a Europa de Leste num imenso império germânico. Por isso, as autoridades alemãs exigiram que os líderes da OUN abdicassem do seu objectivo, e perante a recusa, desencadearam uma campanha de violenta repressão, obrigando o movimento independentista a passar à clandestinidade e ao combate contra as duas potências ocupantes da Ucrânia: os soviéticos e os nazis.
Em Julho de 1941, Stepan Bandera foi preso e enviado para o campo de concentração de Sachsenhausen, aí permanecendo até Outubro de 1944. Dois dos seus irmãos foram deportados para o campo de extermínio de Auschwitz, acabando por ser brutalmente assassinados. Na ravina de Babi Yar, além de milhares de judeus, foram também chacinados centenas de militantes da OUN. O próprio Stepan Bandera conheceu um fim igualmente trágico, quando em 1959 faleceu em Munique, vítima de um agente secreto do KGB.
Por ocasião do Julgamento de Nuremberga de 1945 foi revelado um documento secreto do Einsatzkommando C/5, com data de 25 de Novembro de 1941, que invalida qualquer argumento acerca da alegada cumplicidade de Bandera e da OUN com os nazis:
«Está provado que o movimento de Bandera prepara uma revolta no Reichskommissariat, cujo objectivo é criar uma Ucrânia independente. Todos os membros do movimento de Bandera devem ser imediatamente presos e, depois de um interrogatório exaustivo, secretamente aniquilados como bandidos.»
Na verdade, aquilo que se verificou foi a resistência corajosa e determinada do movimento independentista contra a violência praticada pelas potências totalitárias que pretendiam condenar a nação ucraniana.à escravatura e ao extermínio .
Nós, Ucranianos que viemos para Portugal em busca de trabalho e de uma vida melhor, temo-nos empenhado em contribuir para o progresso e bem-estar do país de acolhimento. Muitos de nós escolheram Portugal como a sua segunda pátria, adquirindo, por isso, cada vez maior visibilidade e relevância a nossa integração cívica.
Assim, na dupla qualidade de Ucranianos e de Concidadãos Portugueses apelamos à revogação do ponto 20 da Resolução do Parlamento Europeu de 25 de Fevereiro de 2010, no qual se acusa infundadamente o Herói Nacional da Ucrânia de colaborar com a tirania nazi. É um imperativo moral reconhecer Stepan Bandera como uma figura cimeira, não só da história da Ucrânia, mas também do combate universal pela liberdade e dignidade humana.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Presidente da Associação dos ucranianos em Portugal - Pavlo Sadokha

Presidente da Associação dos ucranianos em Portugal “Sobor” – Oleg Hutsko

Presidente da Associação dos ucranianos Algarve – Natalia Dmytruk
17/03/2010"


Empresas de turismo portuguesas otimistas quanto a aumento de visitas de turistas russos


Catorze empresas e três regiões de turismo de Portugal participam na Feira Internacional de Moscovo, o maior certame da especialidade na Rússia, que teve início hoje e se prolonga até sexta-feira.
Clara Noronha, do Turismo da Madeira, veio transmitir a mensagem de que não obstante a forte intempérie que atingiu a ilha, as infraestruturas hoteleiras já estão prontas para receber os turistas russos “com a maior das qualidades”.
Confiante de que o pior está passado, Clara Noronha revelou à Lusa que “está a ser preparada uma campanha de promoção com a TAP na Rússia para mostrar a Madeira como destino turístico de qualidade”.
Eduardo Bon de Sousa, diretor do Hotel Convento de São Paulo, veio a Moscovo explorar o mercado, pretendendo atrair turistas russos para o Alentejo, apresentando argumentos como “a riqueza em monumentos históricos, de que o nosso hotel é um exemplo, gastronomia, vinhos, paisagens”.
É opinião unânime que o mercado russo apresenta boas perspectivas para as empresas portuguesas no ramo do turismo.
“A crise está ultrapassada e o mercado russo dá sinais de crescimento. No ano passado, registou-se uma diminuição do número de russos que foram ao estrangeiro, nomeadamente a Portugal, mas, em relação ao nosso país, a queda foi menor”, declarou à Lusa Maria José Rézio, representante da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.
Em geral, a redução do número de russos que fizeram turismo no estrangeiro, em 2009, foi de 13 por cento em comparação com o ano anterior, tendo sido de 10 por cento no que respeita a Portugal, ou seja, de 57 para 52 mil.
Pedro Nuno Bártolo, embaixador de Portugal na Rússia, também não esconde o otimismo.
“O pavilhão de Portugal nesta feira é magnífico, uma prova de que o nosso país está a investir a sério na captação de turistas russos e isso dará, concerteza, resultados positivos”, declarou ele à Lusa.
“O turismo da Rússia para Portugal goza de uma boa margem de crescimento, devemos é trabalhar para chegar a novas regiões deste país: São Petersburgo, Ekaterimburgo”, acrescentou.
“Além disso”, continuou o embaixador luso, “é preciso desenvolver esforços para que seja abolido o sistema de vistos entre a União Europeia e a Rússia. Até lá, tentaremos facilitar o mais possível esse processo”.
Os operadores russos são da mesma opinião.
“As perspectivas são de crescimento. Portugal tem argumentos para ser um destino turístico mais procurado no mercado russo, é um país com fatores de atração”, considerou Elena Miroliubova, representante da empresa russa Quinta-Tour, à Lusa.
Porém, as empresas russas consideram que, para que ocorra um crescimento mais significativo, é necessário não só aumentar o número de voos entre Moscovo e Lisboa, mas também diversificar itinerários.
“A TAP começou a voar para Moscovo há pouco menos de um ano. Temos cinco voos por semana e, este ano, entre Junho e Setembro, vamos aumentar para seis”, revelou à Lusa Pedro Pinto, representante da transportadora aérea portuguesa em Moscovo.
“Estamos satisfeitos com os resultados conseguidos, mas vamos consolidar a situação antes de avançar para novos projectos”, frisou.



Quinta-feira, Março 18, 2010

O Muro de Berlim caiu, mas a desconfiança continua



Não obstante o Muro de Berlim ter caído há mais de vinte anos e a Administração de Barack Obama ter proclamado o “recarregamento” das relações com a Rússia, os políticos russos continuam a olhar com desconfiança para com a política norte-americana face ao seu país.

Uma das principais razões da irritação dos políticos russos consiste em que Washington deixou de olhar para Moscovo como para um parceiro igual na arena internacional.

“A direção russa não tem uma conceção do mundo estratégica. Ela enerva-se pelo facto de a Rússia ser ignorada, ser considerada “antiga superpotência””, defende Nikita Zagladin, analista do Instituto de Economia e Relações Internacionais de Moscovo.

Segundo uma fonte diplomática da Lusa na capital russa, “face à “política de desigualdade”, Moscovo tenta conservar a sua influência, mesmo que à custa de alianças com regimes como o venezuelano ou iraniano”.

“Isso leva a que a Rússia responda com o “não” a quase todas as propostas norte-americanas, nomeadamente no que diz respeito à segurança europeia, às sanções contra o Irão”, sublinha a mesma fonte.

Além disso, Moscovo exige que a comunidade mundial reconheça o antigo espaço soviético como “zona de especiais interesses”, recebendo com irritação declarações como a que Hillary Clinton, Secretária de Estado norte-america, fez à revista russa The New Times: “Para nós é inaceitável a posição sobre esferas especiais de influência, isso são ideias do séc. XIX. Apoiamos completamente a decisão da NATO de realizar uma política de portas abertas para com a Geórgia e a Ucrânia.

“No fundo, apenas a cooperação bilateral com vista à normalização da situação no Afeganistão avança, mas, mesmo assim, com alguns atritos”, sublinha a fonte diplomática.

As relações económicas entre os dois países são uma das provas mais evidentes dos problemas e divergências existentes. A quota dos Estados Unidos no comércio externo russo é inferior a 04 por cento, enquanto que a da Rússia em igual sector norte-americano é ainda menor: menos de 01 por cento.

Moscovo queixa-se de as relações económicas serem travadas pela existência de reminiscências da “guerra fria” como a emenda Jackson-Vanik, aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos em 1974, que limitava o comércio com os países do “bloco socialista” que impediam a emigração dos judeus para Israel.

“Há muito que não existe a URSS, ninguém dificulta a liberdade de emigração e de crença. Não obstante, essa emenda obsoleta, absurda, continua em vigor e, no fundo, é um instrumento político”, refere Ruslan Kondratov, deputado da Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo.

Segundo ele, esse é um dos obstáculos à adesão da Rússia à Organização Mundial de Comércio.

“Claro que estamos prontos a cooperar e desenvolver as nossas relações com os Estados Unidos, mas essa cooperação não deve ser unilateral. A Rússia quer ser ouvida, e o mais importante, que sejam levados em conta os seus interesses”, conclui Kondratov.

No que respeita aos russos comuns, a sua atitude face aos Estados Unidos melhorou muito depois da eleição de Barack Obama para o cargo de Presidente dos Estados Unidos. Segundo um estudo do Instituto de Sociologia Levada, realizado em Janeiro passado, 54 por cento dos russos “olham muito bem e bem” para os Estados Unidos; 31 por cento “olham mal e muito mal” e 15 por cento “de forma indiferente”.

No final da guerra entre a Geórgia e a Rússia, em Agosto de 2008, 55 por cento dos russos olhavam “mal e muito mal” para os EUA; 31 por cento “bem e muito bem” e o número de “indiferentes” era o mesmo.

Presidente Ianukovitch nomeia novo comandante da Marinha

Victor Ianukovitch, Presidente da Ucrânia, nomeou o vice-almirante Victor Maksimo comandante da Marinha de Guerra do país.
“Durante seis anos, o vice-almirante Maksimov, no cargo de vice-comandante da Marinha da Ucrânia, mostrou a todos os marinheiros que é uma pessoa exigente, profissional e honesta”, declarou Mikhail Ejej, ministro da Defesa da Ucrânia, ao anunciar a decisão do Presidente ucraniano em Sevastopol, porto ucraniano onde estão baseadas as frotas militares ucraniana e russa no Mar Negro.
Poucas horas antes, Ianukovitch demitiu desse cargo o almirante Teniukh, partidário da retirada da frota naval russa do Mar Negro do território da Ucrânia.
Em Agosto de 2008, durante a guerra entre a Rússia e a Geórgia, Teniukh tentou bloquear a saída da frota russa do porto de Sevastopol.
Segundo a agência Ria-Novosti, o comando da frota russa do Mar Negro já fez saber que espera que o novo comandante contribua para eliminar as tendências negativas nas relações as marinhas russa e ucraniana, que apareceram quando Teniukh comandava a Marinha ucraniana.
Analistas ucranianos consideram que esta decisão de Ianukovitch poderá ser o primeiro passo para prorrogar o acordo sobre a presença da frota russa do Mar Negro em território ucraniano, cuja vigência termina em 2017.

Ucrânia pretende abandonar laços militares‏

Texto enviado pelo leitor Pippo:

"A nova coligação governamental na Ucrânia planeia apresentar uma lei impedindo o país de integrar qualquer aliança militar, nomeadamente a NATO. Numa declaração formal proferida na Terça-Feira, a coligação que apoia Viktor Yanukovich esclareceu que a nova lei consagrará o estatuto da Ucrânia enquanto país “não alinhado”. A iniciativa ajudará Yanukovich a cumprir a promessa eleitoral de impedir a entrada do país na NATO. O seu antecessor, o devotamente pró-Ocidental Viktor Yuschenko, pugnou para aderir a esta ornanização, enfurecendo Moscovo. A Rússia, determinada a voltar a exercer poder sobre os Estados saídos da URSS, tem-se oposto veementemente à expansão da NATO a Leste.

[traduzido do NYTimes]"

Presidente Medvedev considera inadmissível limitar o acesso do seu país ao Ártico



O Presidente russo, Dmitri Medvedev, considerou hoje “inadmissíveis” as tentativas de outros países polares de restingir o acesso da Rússia à exploração de jazigos no Ártico.
“Outros países polares procuram já ampliar a sua presença científica, económica e até militar na zona do Ártico e limitar o acesso da Rússia ao desenvolvimento dos jazigos árticos, o que, obviamente, é inadmissível no plano legal e injusto do ponto de vista da história e da posição geográfica”, sublinhou Medvedev ao intervir numa reunião do Conselho de Segurança da Rússia dedicada às ameaças provenientes do aquecimento global.
O dirigente russo acrescentou que as alterações climatéricas, além das suas repercussões no meio ambiente, poderá originar controvérsias internacionais relacionadas com a prospeção e a produção de recursos energéticos, o uso de vias marítimas ou a escassez de água e alimentos.
Segundo algumas estimativas, o Ártico encerra cerca de 25 por cento das reservas globais de hidrocarbonetos. A região adquire particular importância para o mundo porque o aquecimento do clima é aí duas vezes mais rápido do que noutras regiões.
As disputas em torno do Ártico acentuaram-se nos últimos três anos, depois de batiscafos russos MIR terem realizado, em 2007, uma imersão no Pólo Norte, recolhido mostras de solo e da fauna marítima e colocado no fundo uma bandeira russa. O objectivo dessa expedição foi mostrar que as cordilheiras submarinas Lomonossov e Mendeleiev são uma extensão natural da plataforma continental da Sibéria. Essas provas permitem à Rússia reivindicar na ONU o direito de alargar a zona económica exclusiva até 350 milhas da costa.
No próximo mês de Abril, realiza-se em Moscovo a conferência “Ártico, território do diálogo”, em que participarão cientistas, diplomatas, deputados, empresários e politólogos da Rússia, Canadá, Estados Unidos, Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, bem como representantes dos povos aborígenes do Ártico.

Quarta-feira, Março 17, 2010

Parlamento russo ameaça não ratificar Tratado START-2

Boris Grizlov, dirigente da Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento Russo, declarou que os deputados não ratificarão o novo acordo com os Estados Unidos sobre a redução das armas ofensivas estratégicas (START-2) se ele não for interligado com a questão da criação do escudo antimíssil norte-americano na Europa.
“Os deputados da Duma Estatal participam na preparação do START-2 e nós não o ratificaremos se nele não forem tidas em conta as ligações entre o START e o escudo de defesa antimíssil”, disse Grizlov durante o encontro com Tsetka Tsatcheva, presidente da Assembleia Popular da Bulgária.
Respondendo a Grizlov, a dirigente do Parlamento búlgaro respondeu que “nem a Assembleia Popular, nem o Governo búlgaros examinaram até ao presente a implantação de elementos do escudo antimíssil Americano no território do país”.
Segundo ela,”trata-se apenas de uma ideia da NATO formulada nos mídias por representantes americanos”.
O novo sistema de defesa antimíssil deve entrar em funcionamento até 2015. Em Fevereiro último, a Bulgária anunciou a sua intenção de iniciar conversações com Washington sobre a instalação de elementos desse sistema no seu território.
A Roménia já aceitou albergar mísseis intercetores americanos. Washington confirmou essa informação, acrescentando que a instalação de mísseis nesse país serve para conter a ameaça iraniana.
Assinado em 1991, o Tratado russo-americano de redução de armas estratégicas (STRAT) terminou o prazo de vigência no passado 05 de Dezembro. O novo tratado está a ser objecto de negociações entre os dois países.
Nos próximos dias 18 e 19 de Março, Hillary Clinton, secretária de Estado norte-americano, vai estar em Moscovo para discutir essas questões com os dirigentes russos.
Numa entrevista concedida à revista russa “The New Times”, Clinton defendeu a separação dessas duas questões nas conversações russo-americanas, sublinhando “é a melhor forma de avançar”.

Terça-feira, Março 16, 2010

Contributo para História de Portugal - 2




Este conflito entre o católico português e o anglicano teve consequências trágicas para o primeiro. Quando a embaixada chegou a Moscovo, Nicolau de Melo não ficou a viver com os restantes membros, mas foi instalar-se na casa de Paolo Citadini, médico de Milão que prestava serviços na corte russa . Aí, ele não só rezava diariamente missa, mas baptizou mesmo uma menina recém-nascida segundo o rito católico, o que era considerado um crime pelas autoridades civis e religiosas da Rússia.
Boris Godunov(na foto), que então ocupava o trono russo, informado pelo inglês Anthony Sherley, ordena uma busca na casa onde Nicolau de Melo se hospedara e, tendo sido encontradas mensagens do xã Abbâs I para o Papa de Roma e o Rei de Espanha e Portugal, vê nele um espião e desterra-o para o Mosteiro de Solovka, situado numa das ilhas remotas do Mar Branco, no Norte da Rússia. Em 1921, nesse mosteiro foi organizado o primeiro campo de concentração comunista, por iniciativa de Vladimir Lénine.
Durante os seis anos que passou no cativeiro, Nicolau de Melo não foi esquecido por Roma, que desenvolveu grandes esforços para o libertar, o que só foi conseguido em 1606, graças à intervenção do Papa Clemente VIII junto do Dmitri I, o Impostor, discípulo dos jesuítas, que se apoderára do trono russo depois da morte de Godunov.
Porém, no mesmo ano, o trono do czar é conquistado pelo ortodoxo Vassili Chuiskii e, novamente devido às intrigas dos ingleses, o frade português é desterrado, desta vez para o Convento Borissoglevski, situado a sensivelmente 200 quilómetros a Nordeste de Moscovo.
Em 1612, Nicolau de Melo é libertado graças à intervenção de Marina Mniszech, filha de um nobre polaco católico que se casou com Dmitri I, o Impostor, e, depois, com o Dmitri II, o Impostor, também católico.
Quanto ao posterior destino do padre português, as versões são divergentes. Segundo a literatura católica da época, Nicolau de Melo teria caído novamente nas mãos dos ortodoxos e pressionado a renunciar à sua fé.
Porém, V. Lestvitzin, historiador russo do séc. XIX, dá-nos uma versão completamente diferente. Sem citar as fontes a que recorreu, desenha um cenário completamente fantástico e pouco provável: “a pedido do filho de um rajá indiano, que veio com ele [Melo] para a Rússia e ficara em Moscovo, foi libertado depois por Chuiskii da prisão e regressou a Moscovo, onde faleceu pouco tempo depois e foi sepultado. O seu antigo companheiro de viagem [refere-se ao frade japonês Nicolau] partiu para a Polónia”.

Lobbying for Saakashvili

Texto enviado pelo leitor Pippo :

"Durante anos apresentado como um ícone da nova democracia pós-soviética e como um “farol da liberdade” pró-ocidental no Cáucaso, a popularidade do presidente georgiano Mikhail Saakashvili junto da Administração norte-americana caiu a pique após a substituição do presidente Bush por Barak Obama e, sobretudo, pelo resultado do relatório da UE sobre o conflito na Ossétia em 2008, o qual apontou a Geórgia e o seu governo com os principais culpados da guerra.
De forma a obviar este problema e voltar a colocar o nome de Saakashvili na agenda, em Janeiro de 2010 o governo de Tbilissi firmou um contrato com o lobby Podesta Group, o qual defende em Washington os interesses de diversos grupos económicos, nomeadamente da banca, indústria farmaceutica e produtores de armas. Desta forma, o nome Saakashvili andará a par de marcas tais como a Lockheed Martin, a Raytheon, a General Dynamics e a Boeing.
De acordo com os documentos depositados junto do Departmento de Justiça, o Podesta Group (PG) fornecerá “lobbying, government relations, public relations and media management services to Georgia and will also arrange for its client meetings with members of Congress and their staff, as well as with executive branch officials.”
O preço cobrado pelo Podesta Group por seis meses de lobbying ronda os 300.000 USD, montante pago pelos contribuintes mas que tem, como principais beneficiários, Mikhail Saakashvili e a sua clientela.
Read moreAparentemente, os trabalhos de consultadoria e lobbying já terão dados os seus frutos. Em Abril, o presidente Saakashvili finalmente encontrar-se-á com o Presidente Barak Obama e a Secretária de Estado Hillary Clinton, bem como outras individualidades relevantes em Washington.
A par do contrato com o Podesta Group, as autoridades georgianas contrataram, também em Janeiro, um outro lobby norte-americano, a Gephardt Government Affairs, cujos laços com o Partido Democrata e a Administração Obama poderão ajudar a pretenção do governo Saakashvili em aderir à NATO.
Para melhorar a imagem do seu presidente junto da Administração norte-americana, os contribuintes georgianos irão pagar à Gephardt Government Affairs a módica quantia anual de 430.000 USD."

Domingo, Março 14, 2010

Televisão georgiana brinca com a guerra



A notícia fictícia sobre invasão russa da Geórgia está a provocar onda de protestos no país e a oposição vai sair para a rua para contestar a política do Presidente Mikhail Saakachvili, considerado por ela o “verdadeiro autor” da notícia.

Na noite de Sábado, uma estação televisiva oficial georgiana provocou o pânico entre a população daquele país, noticiando que tinha começado uma nova guerra com a Rússia e que o presidente da Geórgia, Mikhail Saakachvili, falecera, para lançar um debate sobre a hipotética situação.

Segundo a “notícia”, o exército russo tinha invadido a Geórgia, tal como sucedeu na guerra de agosto de 2008, e os combates desenrolavam-se a menos de 30 quilómetros da capital georgiana.

Hoje, Saakachvili, num encontro com habitantes de uma das regiões do país, considerou “demasiadamente desagradável” a notícia, sublinhou que “tudo deveria ter sido feito de outra forma”, mas acabou por justificá-la.

“Não obstante eles (Rússia) terem elaborado guiões desses, e o guião de ontem foi, infelizmente, muito realista, considero que a reportagem da véspera, a despeito de ter provocado a reação que provocou, pode tornar-se um obstáculo para eles (Rússia) na via da realização dos seus planos”, acrescentou.

O Presidente georgiano assinalou que a sua avó se sentiu mal durante o programa, embora eles se tenham visto antes do programa.

Nino Burdjanadzé, ex-dirigente do Parlamento da Geórgia e uma das figuras principais da oposição georgiana, anunciou que irá apresentar queixa no tribunal contra a estação de televisão, mas frisou que a notícia fictícia só foi transmitida com a autorização de Saakachvili.

“Irei apresentar uma queixa em nome do meu partido não porque o meu nome é citado, mas porque se tratou de uma reportagem criminosa do princípio ao fim... O que foi dito sobre mim não é importante. É importante é a forma como o poder trata o povo, não se preocupando com ataques cardíacos, crianças assustadas. O principal é conservar o seu poder criminoso”, considerou a líder da oposição.

Na falsa reportagem, a televisão dava conta da criação de um governo popular chefiado pela oposição pró-russa, depois de, na realidade, alguns responsáveis dela, entre eles Burdjanadzé, se terem reunido, na semana passada, com o primeiro-ministro Vladimir Putin, em Moscovo.
P.S. Cabe aqui um pequeno comentário. São programas desses que destroem a seriedade do jornalismo. Considero que um programa desses  não teria ido para o ar sem autorização das autoridades. O Presidente da Geórgia, Mikhail Saaachvili, ou esclarece rapida e cabalmente o sucedido, ou arrisca-se a perder toda a credibilidade.