segunda-feira, novembro 30, 2009

Medvedev publica projecto de tratado de segurança europeia

A presidência russa publicou neste domingo o projecto de tratado de segurança europeia com vista a ser aprovado pelos países e as organizações internacionais da zona euro-atlântica, para acabar com a herança da Guerra Fria.
"O objetivo é criar, no âmbito da segurança político-militar, um espaço unido e indivisível na zona euro-atlântica para desfazer-se definitivamente da herança da Guerra Fria", afirma o Kremlin num comunicado.
O presidente russo, Dmitri Medvedev, avançou a ideia desse em Junho de 2008, mas a iniciativa não despertou grande interesse nem na União Europeia, nem nos Estados Unidos.
Não obstante, o Kremlin enviou o projecto aos dirigentes dos Estados e das organizações internacionais do espaço euro-atlântico, nomeadamente à NATO, União Europeia, Organização do Tratado de Segurança Colectiva, Comunidade de Estados Independentes e Organização para a Segurança e Cooperação na Europa..
A ideia fundamental do documento, constituído por 14 artigos, consiste em que cada membro do tratado, ao tomar medidas de segurança nacional, deve levar em consideração os interesses dos demais signatários do texto.
O texto proíbe ainda acções militares entre os signatários do tratado e contempla a possibilidade de que um membro do tratado possa pedir explicações sobre medidas legais ou administrativas adoptadas por outro país ou organização, caso afectem a sua segurança.
Os participantes do tratado podem também considerar um ataque armado contra outros membros como um ataque armado contra eles próprios e prestarem ajuda militar uns aos outros.
Os signatários do documento não devem tomar compromissos internacionais incompatíveis com o tratado.

sábado, novembro 28, 2009

Ucrânia assinala mais um adversário do Holodomor



Os dirigentes da Ucrânia participaram hoje numa manifestação para assinalar o 76º aniversário do Holodomor, fome artificialmente provocada pelas auitoridades comunistas que provocaram milhões de mortos.
Victor Iuchenko, Presidente da Ucrânia, Iúlias Timochenko, primeira-ministra, Vladimir Litvin, dirigente do Parlamento da Ucrânia juntaram-se a milhares de pessoas que participaram na marcha fúnebre “Acende uma vela”, em memória de um dos mais graves crimes do estalinismo na URSS.
Junto do monumento às vítimas do Holodomor, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio.
A fome de 1932 e 1933 atingiu as principais regiões cerealíferas da URSS: Ucrânia, Cáucaso do Norte, Região do rio Volga, parte central da Rússia, Cazaquistão, Sibéria Ocidental e Urais Meridionais.
As autoridades de Kiev consideram que a política do ditador estalinista José Estaline, que esteve na origem dessa fome, visava destruir o povo ucraniano.
Em Novembro de 2006, a Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia considerou o Holodomor “genocídio”.
Segundo os cientistas ucranianos, a fome matou de 07 a 10 milhões de pessoas na Ucrânia, tendo morrido mais alguns milhões na Rússia e Cazaquistão.
Na véspera, Victor Iuschenko declarou ao canal televisivo ucraniano “Inter”: “nós não acusamos a Rússia, nós não acusamos o povo russo”.
Segundo ele, o Estado que foi o culpado do Holodomor “já não existe no mapa”, sublinhando que “o estalinismo tentou destruir o movimento nacional ucraniano”.
Moscovo continua a acusar o Presidente ucraniano de tentar utilizar o Holodomor para objectivos políticos próprios, considerando que esse crime atingiu outros povos da União Soviética.
“A posição de Kiev sobre o Holodomor visa a divisão dos povos”, declarou o Presidente russo, Dmitri Medvedev, apelando aos dirigentes ucranianos “dar início a um trabalho de formação de abordagens conjuntas”.

Monumento ao Operário e Camponesa volta ao seu lugar em Moscovo


A escultura “Operário e Camponesa”, que foi submetida a uma operação de restauração de mais de cinco anos, voltou hoje a ocupar o seu lugar habitual perto do Centro Nacional de Exposições em Moscovo.
A famosa escultura, considerada pela Grande Enciclopédia Soviética, o “padrão do realismo socialismo”, foi edificada entre 1935 e 1937 para o pavilhão soviético na Exposição Mundial de Paris, inaugurada a 25 de Maio de 1947.
O grupo escultório de duas figuras, que levantam sobre a cabeça o martelo e a foice, símbolos do regime comunista soviético, foi feito de aço inoxidável pela escultora Vera Mukhina.
Com uma altura de 24 metros, as duas figuras pesam cerca de 80 toneladas. Por isso, o seu transporte de Moscovo para Paris obrigou à sua desmontagem em 65 peças, o mesmo acontecendo depois de terminada a Exposição Mundial de Paris.
A estátua “Operário e Camponesa” é também o símbolo da “Mosfilm”, o maior estúdio de cinema soviético, onde foram rodadas obras-primas como “Quando passam as cegonhas”, “Balada do Soldado”, “Andrei Rublov”, etc.
No fim da União Soviética, o grupo escultório esteve para mudar de lugar e foi feita mesmo uma proposta de o vender a uma empresa americana, pois as autoridades afirmam não ter meios financeiros para o restaurar.
Porém, em 2003, a Câmara de Moscovo decidiu desmontar o gigante de aço e recuperá-lo.

Mais um ignóbil atentado terrorista


As autoridades russas admitem, como mais provável, a versão de que o descarrilamento do comboio "Nevskii Ekspress", que liga Moscovo a São Petersburgo, se deveu a um acto terrorista.

Tendo em conta que o desastre ocorreu numa região mais ou menos remota, ainda não se sabe ao certo o número de mortos e feridos, mas já não há dúvida que será bastante elevado.

Um grupo nacionalista russo "Combat 18" já reivindicou o atentado, mas ainda é cedo para tirar conclusões em relação à autoria deste crime hediondo.

O atentado terrorista teve lugar na principal artéria férrea do país e já não é o primeiro. Em Agosto de 2007, uma explosão semelhante feriu 60 pessoas.

Nás últimas semanas, os órgãos de segurança pública têm sido alvo de fortes críticas e o acidente do "Nevskii Ekspress" apenas as irá fazer aumentar, pois eles não foram capazes de garantir a segurança dos cidadãos.

Dois amigos meus deveriam viajar nesse comboio, mas trocaram esse meio de transporte pelo avião pois encontraram bilhetes mais baratos. Duas jovens russas perderam o comboio atingido porque se atrasaram a registar o bilhete electrónico na estação de Moscovo.

As vítimas mortais e feridos não tiveram a mesma sorte e os terroristas conseguiram escapar às apertadas malhas que as autoridades dizem ter montadas contra acções terroristas. Desta vez, voltou a ser no centro da Rússia, a meio caminho entre as duas capitais.

sexta-feira, novembro 27, 2009

Moscovo vai fazer manutenção de armamentos soviéticos da Aliança Atlântica

A NATO e a Rússia estão perto de assinar um acordo para que técnicos russos se ocupem da manutenção de equipamentos militares soviéticos no Afeganistão e nos novos países membros da NATO, anunciou hoje Dmitri Rogozin, embaixador russo junto da Aliança.
Numa entrevista ao diário Kommersant, Rogozin constatou que os antigos membros do Pacto de Varsóvia, actualmente “novos recrutas da NATO”, têm nos seus arsenais grande quantidade de equipamentos soviéticos e, por isso, “a Rússia está disposta a organizar a sua manutenção técnica”.
O diplomata russo precisou que no estrangeiro trabalham mais de 400 helicópteros de fabrico, nomeadamente no Afeganistão, onde técnicos russos poderão também participar na sua assistência técnica.
Dmitri Rogozin confirmou que ambas as partes vão “descongelar a cooperação militar” que foi suspensa devido ao conflito russo-georgiano em torno da Ossétia do Sul.
O respectivo anúncio irá ser feito no próximo 04 de Dezembro numa reunião do Conselho Rússia-NATO que, pela primeira vez depois de Agosto de 2008, será realizada ao nível de ministros de Negócios Estrangeiros e da qual Rogozin espera “uma reestruturação radical das relações com a Aliança”.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Contributo para a História (Qual a causa da queda do avião que transportava Samora Machel?)

Caros leitores, na continuação da minha investigação sobre os contactos entre a URSS/Rússia e os países da lusofonia, deparei com documentos bastante curiosos sobre o acidente de aviação que provocou a morte de Samora Machel, Presidente da República Popular de Moçambique.
Porém, precisava da ajuda dos leitores que se interessam por este tema, nomeadamente moçambicanos, para saber que versões são avançadas para explicar a queda do aparelho a 19 de Outubro de 1986.
Caso os documentos de que disponho tenham algo de novo, os meus leitores, como sempre, serão os primeiros a saber. Obrigado.

População da Rússia continuará a diminuir

A população russa diminuirá durante as próximas décadas e o ligeiro aumento fixado no período de Janeiro a Setembro de 2009 não parece ser uma tendência durável, declarou hoje Alexandre Surinov, vice-director do Serviço Federal de Estatíticas da Rússia (Rosstat).
“Se não se operar nenhuma mudança radical no estado de espírito dos nossos compatriotas, a população do nosso país diminuirá nas próximas décadas”, disse ele numa conferência de imprensa em Moscovo.
Segundo Surinov, é necessário que cada família tenha, em média, 3-4 filhos e que os russos prestem maior atenção à sua saúde.
Pela primeira vez em muitos anos, registou-se um crescimento da população no país entre Janeiro e Setembro do ano corrente, tendo a população aumentado em 5.300.000 pessoas (0,004 por cento) e chegado às 141,9 milhões de pessoas.
Porém, considerou Surinov, é prematuro considerar estes dados como pertinentes, porque este período é insuficiente para se falar numa tendência.
O vice-director do Rosstat considera que só os esforços desenvolvidos pelo Estado com vista a melhorar o nível de vida e a qualidade da saúde pública poderão travar a tendência de diminuição da população russa.
“A esperança de vida dos russos é inferior ao fixado em numerosos países da África do Norte”, concluiu.

Visão judaica do Holodomor ucraniano


Texto envio pelo leitor Jest:


"O
poeta e tradutor ucraniano de origem judaica, Moses Fishbein é uma voz irrequieta, que clama pelo reconhecimento do Holodomor como genocídio do povo ucraniano, mas também exige o julgamento daqueles que permitiram essa tragédia.

Intervenção do
Moses Fishbein no encontro solene dedicado à memória das vítimas do Holodomor (Ópera Nacional de Kiev, 26.11.2006)

A nação ucraniana é assassinada e não morta, exterminada e inexterminável. Dos ucranianos tiraram a terra, a língua, a cultura, a história, o poder, até a própria vida. Exterminavam pela raiz a intelegentzia ucraniana, a elite ucraniana. Prendiam e fuzilavam. Exterminavam a fina-flor da nação ucraniana – os camponeses ucranianos. Matavam pela fome. Faziam o genocídio. Aqueles, que hoje tentam negar que o Holodomor dos anos 1932 – 1933 foi um genocídio da nação ucraniana, não temem e não conhecem o Deus. Eles conhecem e temem apenas o chefão e os assassinos. São criados. “Escravos, lambe botas, o lixo de Moscovo”. Eles não são ucranianos. Eles são diabritos com a aparência ucraniana. Eles são os descendentes dos assassinos do povo. Com aqueles que negam que o Holodomor era o genocídio devem falar não os publicistas, não os politólogos, não os políticos, mas os investigadores criminais ucranianos (chamo a atenção: os investigadores criminais ucranianos). Recentemente, o Presidente ucraniano da Ucrânia (chamo a atenção Presidente ucraniano da Ucrânia) fez alguns passos em direcção não das pessoas abstractas, mas à nação ucraniana, recentemente ele chamou em voz viva o Holodomor de genocídio, e os diabritos gritaram. “Não é precisa a palavra genocídio, podemos chamar de outra maneira”, gritou um. “Ele abre a ravina entre os povos eslavos!”, gritou outro. A ravina foi aberta no ano de 1933. Uma ravina enorme. Uma enorme campa ucraniana. Nela se deitaram não as dezenas, não as centenas, não os milhares, não as centenas de milhar – milhões de camponeses ucranianos: as crianças, as mulheres, os homens… E não tinham nenhuma ajuda. Não havia junto a eles os
justos entre as nações. Senhores, vocês sabem como morria, como agonizava de fome a aldeia ucraniana no centro da Europa? Primeiro comiam as cascas de batata. Depois as bolotas. Depois as gomas. Depois as raízes e as folhas. Comiam os cães, gatos, pardais, vermes, as peles, as solas de sapatos. Depois a aldeia se transformou em um deserto. As crianças gritavam a noite, pediam às mães o pãozinho. As mães não tinham o pãozinho. Depois as vozes de crianças já não se ouviam. Depois a aldeia começava uivar piedosamente. Depois gemia baixinho. Depois se calou e se transformou no cemitério. Mas o país tinha o pão. Isso era o assassínio do povo. Isso era o genocídio.

Eu conheço o Holodomor não dos historiadores, não dos publicistas, não dos escritores. Eu sei sobre o Holodomor da minha mãe. A minha mãe, Sara Aronivna Matusovska, em 1932 – 1933 era a professora de língua e literatura ucraniana na aldeia de Horozhene, na província de
Mykolaiv. Ela foi sobrecarregada com as aulas extra de canção. As crianças ficavam encharcadas de fome. Adormeciam nas aulas. Acontecia, que nem acordavam. Mas no programa escolar estão as canções. Canções! Na primavera começaram comer o capim. Iam aos cemitérios, nos cemitérios sempre havia um capim farto. Um rapaz vizinho saiu de casa. Com muita dificuldade rastejou até o cemitério. Sem forças, caiu no capim. Mãe espera – não vem. Começou a procurar. Encontrou-o. De repente, viu que alguém é sepultado. Aproxima o rapaz, o puxa pela mão.

— Filhinho, lá sepultam alguém. Já está pronta a campa. Vamos, eu te lá coloco. De qualquer maneira, você não sobreviverá. Eu vou morrer brevemente, quem o sepultará?..

À muito custo as pessoas defenderam o menino. Em alguns dias morreram, a mãe e o rapaz. As pessoas os sepultaram.

Quantas são, estas trágicas campas sem o nome na Ucrânia? Esquecidas. Inesquecíveis. Quando serão julgados os carrascos? Quando? Eu espero.

Glória eterna aos assassinados.

Texto integral da intervenção na página do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia (em ucraniano e inglês):
http://www.mfa.gov.ua/mfa/ua/publication/content/21890.htm?lightWords=%D0%BF%D1%80%D0%B5%D0%BC%D1%96%D1%97Fonte:
http://olena-nekora.livejournal.com/61513.html

Publicado:
http://ucrania-mozambique.blogspot.com/2009/11/visao-judaica-do-holodomor-ucraniano.html"

Primeira-ministra acusa Presidente de pretender impôr situação de emergência no país


O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, impede conscientemente a luta eficaz do governo contra a epidemia de gripe, esperando ter possibilidade de impôr a situação de emergência no país, declarou Iúlia Timochenko.
A primeira-ministra ucraniana reagiu assim ao facto de a Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia não ter conseguido, hoje, superar o veto do Presidente de uma lei que prevê a concessão de mil milhões de grivnas (cerca de 120 milhões de euros) para a luta contra a epidemia de gripe.
A lei recebeu o apoio de 231 deputados, mas o veto só poderia ser superado com 300 votos.
“Quero sublinhar uma vez mais que estou convencida de que o Presidente, aproveitando-se de uma desgraça mundial, pretende simplesmente impôr o estado de emergência, e para isso é preciso que a epidemia avançe a toda a força”, acusou Timochenko.
O Presidente Iuschenko vetou a lei na redacção actual, pois considera que ela exigirá uma “emissão monetária não garantida” e provocará uma “aceleração dos ritmos de inflação” e a “desvalorização da grivna”.
A epidemia de gripe no país atingiu quase dois milhões de pessoas, tendo falecido 440, 17 das quais devido à gripe A H1N1.
Se o Presidente impôr o estado de emergência, as eleições presidenciais de 17 de Janeiro de 2010, em que participam Iuchenko, Timochenko e mais 16 candidatos, poderão ter de ser adiadas.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Empresário português recomenda investimentos na Rússia

O empresário português Paulo Duarte, um dos proprietários da empresa russa Euro Catering, recomenda o investimento no mercado russo, considerando que as dificuldades não são maiores do que as que existem em Portugal.
"As dificuldades que enfrentei ao montar o negócio não foram muitas, porque, antes disso, eu trabalhei na Rússia para a Catermar e fiz contratos com clientes que já conhecíamos. Não posso dizer que tenha sido muito difícil", declarou Paulo Duarte à Lusa.
O empresário luso, que dirige a empresa que fornece serviços de catering a empresas internacionais como a Procter & Gamble, Polar Lights e a Severalmaz - do Grupo Alrosa, que é a maior empresa russa de extracção de diamantes e segunda a nível mundial - reconhece a existência de "burocracia" e de "mudanças frequentes das normas, nomeadamente no campo da contabilidade", mas acrescenta que a empresa está "completamente adoptada".
Paulo Duarte admite que há corrupção na Rússia, mas diz que "em Portugal não há menos". O pagamento de uma comissão ao intermediário russo (uma prática conhecida por otkat) "é quase obrigatório", diz o empresário, mas a empresa não tem negócios em Moscovo. "Nem queremos ter", garante, garantindo que a sua empresa "trabalha com empresas respeitáveis".
Mais do que a corrupção, o empresário português está preocupado com a dificuldade na obtenção de visto de trabalho para si e para os seus empregados na Rússia, bem como com a falta de mão de obra preparada.
"Recebemos o visto válido por um ano, mas como a carta-convite demora quase dois meses a conseguir, ela só me serve para dez meses. Além disso, os empresários são colocados ao mesmo nível dos operários estrangeiros", diz, exemplificando: "a nossa empresa só pode contratar quatro estrangeiros, mas essa quota inclui os dois gerentes e proprietários portugueses, ou seja, só podemos contratar mais dois".
"Encontrar pessoal qualificado é muito difícil tanto em Moscovo como na província. Nas regiões, o problema é agravado pelo alcoolismo. Como trabalhamos com empresas onde impera a "lei seca", temos de ter um controlo rigoroso (e educação) sobre o nosso pessoal para que se apresentem no local de trabalho sóbrios", sublinha.
"Outra razão", continua o empresário, "para não trabalhar em Moscovo consiste em que os russos já se recusam a fazer determinados tipos de trabalhos: lavar louça, fazer camas, etc., restando a contratação de pessoal das ex-repúblicas da antiga União Soviética, considerados actualmente como estrangeiros, com as respectivas dificuldades de obtenção de licenças de trabalho". Por isso, conclui, "só com salários absurdamente altos é que se consegue arranjar russos para desempenhar estes trabalhos".
Com um volume de negócios que ronda, anualmente, os 80 a 90 milhões de rublos (cerca de 2 milhões de euros), Paulo Duarte acredita num crescimento em 10 e 15% para 2010, tanto mais que o acesso a produtos de qualidade é cada vez maior.

terça-feira, novembro 24, 2009

Finalmente levantou voo!


O foguetão russo “Proton”, que transporta o satélite europeu Eutelsat W7, partiu hoje do cosmódro de Baikonur, no Cazaquistão, informa a Agência Espacial Russa (Roskosmos).
“O lançamento decorreu de forma normal às 17.19 horas (16.49 horas em Lisboa), o aparelho espacial europeu deverá separar-se na madrugada de quarta-feira”, anunciou um porta-voz da Roskosmos, citado pela Ria-Novosti.
Na véspera, o lançamento do foguetão foi adiado devido a divergências entre a Rússia e o Cazaquistão na organização dos planos de lançamento de aparelhos espaciais do Baikanur.
O Cosmódro de Baicanur fica situado no Cazaquistão, mas está arrendado à Rússia, que ainda não conseguiu construir uma plataforma alternativa de lançamento de aparelhos espaciais do seu território.
"O lançamento do aparelho espacial europeu foi adiado por tempo indeterminado por decisão da parte cazaque, embora todos os documentos tenham sido acordados", afirmou um representante da Roskosmos.
"As regiões da queda dos segmentos do foguetão portador estão definidas, não vão além do que foi acordado com o Cazaquistão, por isso não é de todo clara essa decisão", acrescentou.
O Cazaquistão rejeitou essas acusações, acusando a agência russa de não acordar atempadamente os planos de lançamento de naves espaciais do Baikanur.
O satélite W7, que pertence à Eutelsat Communications, foi fabricado pela empresa Thales Alenia Space, constituindo o mais potente satélite da Eutelsat, que permite duplicar os serviços prestado por aquela companhia de comunicações.
A sua entrada em funcionamento, prevista para o início de Janeiro de 2010, permitirá levar a televisão digital à Rússia e África do Norte, bem como alargar consideravelmente o mercado de vídeo e telecomunicações na Europa, África, Ásia Central e Médio Oriente.

Comandante da guerrilha tchetchena continua vivo

A polícia não encontrou os restos mortais do comandante dos bandidos, Doku Umarov, no lugar da operação especial realizada no passado dia 13 de Novembro, declarou o Presidente da Tchetchénia, Ramzan Kadirov.
“Infelizmente, a informação que nos chega dos órgãos de segurança não permitem afirmar peremptoriamente que Umarov foi liquidado”, reconheceu ele aos jornalistas.
No dia 13, Ramzan Kadirov, afirmou que o líder dos rebeldes tchetchenos, Doku Umarov, pode ter sido morto durante uma operação militar na região de Atchkhoi-Martan. Durante esta operação foram mortos 20 guerrilheiros separatistas.
Porém, Kadirov sublinhou que “as buscas de Umarov continuam em muitas direcções”, acrescentando: “ele, tal como uma ratazana, escondeu-se nas montanhas, à sua volta tem cada vez menos pessoas e dificilmente sobreviverá ao Outono e Inverno, pois está a ser seguido muito de perto”.
Estas declarações foram feitas no dia em que em Moscovo foi publicado o relatório de Tomas Hammarberg, Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, onde se constata que a “impunidade” persiste no Cáucaso do Norte e que os grupos teroristas armados se tornam cada vez mais activos.
O relatório, publicado depois de uma visita do Comissário à Tchetchénia e à Inguchétia, sublinha “as insuficiências nas investigações sobre os desaparecimentos de pessoas e os assassinatos”.
Hammarberg acrescenta que “as autoridades locais devem não só proteger a população do terror e das acções perpetradas por grupos terroristas armados, mas também assegurar o respeito dos direitos do homem, principalmente quando de operações anti-terroristas”.
“A luta contra o terrorismo não deve ser acompanhada de torturas e más condições nas prisões.... Os direitos do homem devem ser plenamente respeitados quando da interpelação de pessoas suspeitas de actividade terrorista”, considera o Comissário.
Hammberg defende também a necessidade de criação de boas condições de trabalho para os defensores dos direitos do homem.
“Os assassinatos e as agressões de defensores dos direitos do homem devem ser objecto de uma investigação que petmita punis os culpados”, concluiu.

Presidente Medvedev demitiu altas patentes militares devido a explosões em paiol


O Presidente russo, Dmitri Medvedev, demitiu uma série de altas patentes das Forças Armadas devido às explosões num paiol de munições em Ulianovsk.
“Decidi demitir de funções e despedir do serviço militar o comandante das Tropas de Engenharia, o comandante da Direcção Principal de Mísseis e Artilharia do Ministério da Defesa, o vice-comandante para armamentos da Região Militar do Volga e Urais e o comandante interino das Tropas de Engenharia”, declarou Medvedev numa reunião com dirigentes militares e civis na cidade de Ulianovsk.
O Presidente russo despediu também o comandante do 2º Exército e do 31º Arsenal, onde no mês de Novembro tiveram lugar duas explosões.
“Encarrego o ministro da Defesa de chamar à responsabilidade administrativa outras pessoas do aparelho central do Ministério da Defesa e do Círculo Federal do Volga”, acrescentou.
Medvedev assinalou que em Ulianovsk estava concentrado um número de pessoas suficientes para tomar todas as medidas e impedir esses acidentes.
“Elas não cumpriram o seu trabalho. Isso é uma vergonha”, concluiu.
Na véspera, oito pessoas morreram e duas ficaram feridas numa explosão de munições num paiol militar em Ulianovsk.
O acidente ocorreu no mesmo paiol que ardeu a 13 de Novembro, tendo o incêndio provocado explosões de munições de artilharia que lançara o pânico na cidade de Ulianovsk, situada a sul da capital russa.
As explosões, provocadas pela violação das normas de segurança durante a desmontagem de munições, mataram duas pessoas e feriram catorze.
O Presidente russo ordenou ao Ministério da Defesa realizar, durante um mês, a inventarização completa dos paióis e arsenais militares, bem como garantir a segurança real dos militares e civis de Ulianovsk que trabalham nos paióis de munições.
As explosões em paióis são frequentes na Rússia, servindo para, por vezes, esconder o desaparecimento de armas e munições.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Dois pesos, duas medidas


Tenho recebido alguns comentários dos meus leitores atentos para o facto da destruição de um templo ortodoxo do séc. XIX em Tachkent por decisão das autoridades locais. Além disso, foram também retirados os bustos de comandantes militares na Segunda Guerra Mundia (1939-1945) a pretexto da remodelação de uma das praças da capital do Uzbequistão.

Mas, antes de ir ao mais importante, gostaria de lembrar aos leitores o barulho que Moscovo levantou quando as autoridades estonianas transferiram o "Soldado de Bronze" (soldado desconhecido), bem como os restos mortais de alguns soldados tombados durante a mesma guerra do centro da cidade de Tallinn para um cemitério militar da capital estónia.

No primeiro caso, o Kremlin pura e simplesmente não abra a boca, como se nada tivesse acontecido. A notícia circula pelos órgãos de informação russos, mas as autoridades fazem de conta que nada está a acontecer. Não acham esta situação estranha?

Ela é tanto mais estranha se tivermos em conta a reacção "patrioticamente barulhenta" das autoridades de Moscovo, que até decidiram castigar a Estónia com sanções económicas.

Não se trata de mais uma prova da política de "dois pesos e duas medidas" que o Kremlin tem vindo a conduzir?

Querem mais um exemplo? O Presidente Medvedev não se cansa de proclamar as liberdades democráticas no país, a luta contra a corrupção, etc., etc., e, ao mesmo tempo, um advogado da empresa Hermitage Capital morre numa cela de uma prisão preventiva.

A propósito, como ele ainda não tinha sido julgado, estava inocente e morreu inocente.

O jornal Nezavissimaia Gazeta começou a publicar parte das memórias do advogado na prisão, que mostram a desumanidade do sistema penitenciário russo, levando mesmo a pensar que ele funciona "bem" quando é necessário liquidar testemunhas incómodas.

Com isto não quero dizer que foi o Kremlin que mandou assassinar o advogado, mas é o responsável político por mais esse crime.

Claro que os meus oponentes irão dizer que isso também acontece nos Estados Unidos, Portugal, etc., etc. É verdade, mas isso não justifica os crimes acima citados.

Por vezes, parece que vivo num mundo kafkaniano, onde qualquer cidadão pode ser literalmente cilindrado sem entender qual a razão.

A propósito, hoje, o Presidente encontrou-se com representantes de organizações de defesa dos Direitos Humanos e falou-se muito da protecção dos cidadãos, independentemente de serem padres, polícias, políticos, etc. E falou-se também da defesa dos direitos das crianças, não sei precisamente de que crianças...

domingo, novembro 22, 2009

Presidente azeri ameaça iniciar nova guerra por Nagorno-Karabakh

O Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, ameaçou recorrer à força para reaver o território de Nagorno-Karabakh caso não chegue a um acordo com o seu homólogo arménio num encontro marcado para Domingo.
“Se esse encontro terminar sem resultados, as nossas esperanças nas conversações esgotar-se-ão e, nesse caso, não nos resta outra via. E nós devemos estar prontos para isso”, declarou Aliev, citado pela agência Interfax.
“Claro que o trabalho feito no campo militar, nos últimos anos, tem o seu objectivo. Gastamos milhares de milhões, compramos novos armamentos, reforçamos as nossas posições na linha de contacto. Fazemos isso porque nunca excluímos essa possibilidade. Temos todo o direito de libertar o território por via militar. As leis internacionais dão-nos esse direito”, acrescentou.
O Presidente azeri assinalou que as conversações sobre Nagorno-Karabakh não deram resultado e, por isso, a cimeira de amanhã, que se irá realizar em Munique, deverá ser decisiva.
O conflito em torno de Nagorno-Karabakh, enclave em território azeri onde a maioria população é arménia, começou em 1998, quando os seus dirigentes declararam a saída da República Socialista Soviética do Azerbaijão e a adesão à Arménia. Essa decisão provocou uma guerra entre essas duas repúblicas da União Soviética.
A 10 de Dezembro de 1991, 99,89 por cento da população de Nagorno-Karabakh votou, num referendo especialmente preparado para o efeito, a favor da separação do Azerbaijão. Esse passo atiçou ainda mais o conflito, que terminou com a derrota das tropas azeris: os arménios de Nagorno-Karabakh passaram não só a controlar esse território, mas conquistaram um corredor que o liga à Arménia.
O conflito entre arménios e azeris, que foi congelado com a assinatura de um armistício em 1994, provocou mais de 15 mil mortos e cerca de um milhão de refugiados.
Este é um dos mais antigos conflitos provocados pela desintegração da URSS. Desde 1992 que o chamado Grupo de Minsk da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, constituído pelos Estados Unidos, Rússia e França, tem tentado conseguir um acordo entre o Azerbaijão e Arménia, mas sem êxito.
Baku insiste na libertação dos territórios ocupados pelos arménios e o regresso dos refugiados, deixando para depois disso a definição do estatuto de Nagorno-Karabakh. A Arménia, pelo seu lado, apoia as pretensões separatistas dos dirigentes dessa região.

Ucrânia festeja dia da liberdade em plena campanha eleitoral


A Ucrânia comemora no Domingo o “Dia da Liberdade” e o 5º aniversário da “revolução laranja”. Em plena campanha eleitoral para as presidenciais, marcadas para 17 de Janeiro, os festejos serão mais um pretexto para ataques políticos entre os candidatos.
No dia 22 de Novembro de 2004, depois da Comissão Eleitoral Central da Ucrânia ter anunciado a vitória do candidato pró-russo, Victor Ianukovitch, nas eleições presidenciais, centenas de milhares de pessoas saíram para as ruas de Kiev e de outras cidades do país contestando os resultados e defendendo a vitória do candidato pró-ocidental, Victor Iuschenko.
A Praça da Independência em Kiev foi o principal centro dos protestos que obrigaram à anulação dos resultados do escrutínio e à realização de uma terceira volta a 26 de Dezembro, que deu a vitória a Victor Iuschenko.
Iuschenko já anunciou que participará na comemoração do “Dia da Liberdade”, durante a qual irá discursar e condecorar conhecidas personalidades .
“Nesse dia, o Presidente da Ucrânia estará no epicentro dos festejos”, anunciou o centro de imprensa da Presidência, acrescentando que “o discurso será seguido de um concerto de conhecidos artistas ucranianos”.
“Este acontecimento é o mais marcante para o povo ucraniano nas últimas décadas... O Dia da Liberdade é o símbolo do amor próprio do povo ucraniano, do seu desejo de afirmar um Estado livre e democrático”, frisou Iuschenko.
Este ano, os festejos da “revolução laranja” coincidem com a campanha eleitoral, onde participam dezoito candidatos na luta pelo cargo de Presidente da Ucrânia. Em 2004, esse número foi de 24.
O facto de Victor Iuschenko não estar entre os favoritos (as sondagens dão-lhe cerca de 03 por cento nas intenções de voto) é visto como uma prova da desilusão dos ucranianos face às expectativas depositadas no líder da “revolução laranja”.
Um dos candidatos, o funcionário alfandegário Vassili Gumeniuk, poderia passar despercebido na longa lista, mas tal não deverá acontecer depois de ter mudado de apelido para “Protivsikh” (Contra Todos, em ucraniano).
Os estudos da opinião pública apontam para a necessidade de realização de uma segunda volta, onde deverão defrontar-se Victor Ianukovitch, dirigente do Partido das Regiões, e Iúlia Timochenko, actual primeira-ministra do país.
A campanha eleitoral tem ficado marcada por uma série de escandalos. Vários deputados do Bloco de Iúlia Timochenko foram acusados de pedofilia pelo Partido das Regiões, enquanto o Presidente Iuschenko acusou a primeira-ministra de “estar na origem da epidemia de gripe” na Ucrânia.
Não obstante todos os desmentidos, Moscovo é um dos participantes activos da corrida eleitoral, não escondendo o seu apoio a Iúlia Timochenko.
“Sentimo-nos confortáveis ao trabalhar com o Governo de Timochenko. Considero que a nossa cooperação tornou mais estáveis e reforçou as relações entre a Rússia e a Ucrânia”, declarou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, depois de um encontro com a sua homóloga ucraniana na sexta-feira.

sábado, novembro 21, 2009

Oposição russa exige investigação da actuação da selecção no jogo contra a Eslovénia


Deputados da oposição parlamentar russa exigem a realização de uma investigação séria às causas da derrota da selecção russa de futebol nos jogos de apuramento com a equipa da Eslovénia para o Campeonato do Mundo de 2010.
A selecção russa venceu em casa 2-1, mas perdeu 1-0 na Esovénia.
Anton Beliakov, membro do grupo parlamentar “Rússia Justa” insinuou, numa sessão plenária da Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento russo, que a derrota da selecção russa se pode dever ao interesse dos jogadores em ganhar dinheiro com apostas desportivas.
“Segundo a classificação da FIFA, a nossa selecção encontra-se no sexto lugar, enquanto que a Eslovénia está no 49º. Antes do jogo, partindo dessa classificação, apostou-se muito dinheiro nos jogadores de ambas as equipas e a causa da derrota podia ter sido o interesse em ganhar nas apostas”, declarou Beliakov, citado pela agência Interfax.
O deputado pediu à Duma que intervenha junto da Procuradoria-Geral da Rúsia para que “analise esse aspecto da questão”.
Beliakov sublinhou que as acções de alguns jogadores da selecção russa levaram os adeptos e os especialistas a colocarem “questões sérias”.
Depois de sublinhar que nas apostas desportivas se podem ganhar “dezenas e até centena de milhões de dólares”, o deputado concluiu que “os erros imperdoáveis e o jogo pouco expressivo de alguns dos nossos futebolistas no segundo jogo poderiam não ser obra do acaso”.
O deputado comunista Nikolai Razvorotnev atribuiu a derrota ao mau trabalho realizado pelo Ministério do Desporto e Turismo.
“Aos nossos jogadores faltou patriotismo, amor à Pátria, o que o adversário tinha em excesso”, sublinhou.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, proibiu os ministros do país, durante uma reunião, de falar sobre a derrota da selecção russa frente à Eslovénia.
"Sobre futebol, nem uma palavra", afirmou Putin, que assistiu pela televisão ao jogo realizado na cidade de Maribor (Eslovénia).
No fim da reunião, o vice-primeiro-ministro russo, Victor Zubkov, foi o único a falar com a imprensa sobre a partida.
"A actuação da equipa foi lamentável. Todos ficamos decepcionados ontem, e hoje esse sentimento ainda não passou", disse.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Nova doutrina militar visa defender recursos energéticos, proteger país da NATO e terrorismo


A nova doutrina militar russa visa responder a novos perigos militares como a luta pelos recursos energéticos e outros com o emprego das Forças Armadas, contra o alargamento da NATO, a difusão de armas de extermínio em massa e o terrorismo internacional, declarou Nikolai Patruchev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia.
Numa entrevista hoje publicada no diário Rossiskaia Gazeta, Patruchev revelou o novo documento é constituído por um prefácio, onde são definidos os termos utilizados no documento e três capítulos, sublinhando que se trata de um “documento de carácter defensivo”.
Porém, a nova doutrina militar prevê a possibilidade de emprego, por parte da Rússia, de armas nucleares para responder a uma agressão com o emprego de armas convencionais, bem como para desferir ataques preventivos.
Segundo Patruchev, uma das primeiras tarefas do Estado é “a preparação de Forças Armadas móveis, compactas, equipadas com armamentos modernos e capazes de reagir eficazmente às ameaças”.
O documento dedica particular atenção aos “novos desafios geopolíticos”, entre os quais estão a luta pelos recursos energéticos, pretensões territoriais, alargamento da NATO, difusão de armas de destruição massiva e terrorismo internacional.
Esta doutrina militar é a terceira na história contemporânea da Rússia. A primeira, elaborada em 1993, partia do princípio que “os conflitos militares estão excluídos”. A segunda tinha um “carácter defensivo”.
“Mas a vida não parou. O posterior desenvolvimento da situação no mundo mostrou que os conflitos militares são possíveis, nomeadamente de grandes dimensões”, concluiu Patruchev.

Disputas religiosas poderão estar na origem de assassinato de sacerdote ortodoxo


O assasinato a tiro do sacerdote moscovita Daniil Sissoev pode dever-se a motivos religiosos, sendo conhecidas as suas disputas com “defensores do Islão” e seitas, considera o Comité de Investigação da Rússia (CIR).
Cerca das 23 horas (20 horas em Lisboa) de quinta-feira, um homem, de máscara médica no rosto, entrou num templo ortodoxo da capital russa, chamou o pároco e assassinou-o a tiro, tendo ferido também o regente do coro.
“O mais provável é que o crime tenha sido cometido por motivos religiosos, embora, por enquanto, se analisam todas versões posssíveis”, declarou Anatoli Bagmet, chefe do Departamento de Moscovo do CIR.
Daniil Sissoev, de 35 anos de idade, dedicava grande parte do seu tempo à actividade missionária, tendo criado uma escola para preparar “sacerdotes de rua”.
O sacerdote participava activamente em disputas com muçulmanos, tendo publicado um livro em que condenava os casamentos entre cristãos e muçulmanos.
Há quatro anos atrás, o padre recebeu ameaças de morte, alegadamente de “islamitas radicais” que juravam “cortar-lhe a cabeça” e “pôr as tripas à mostra”. O sacerdote viu-se obrigado a pedir protecção ao Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia.
Além das disputas com os muçulmanos, o sacerdote lutava contra seitas religiosas, colaborando com o Centro de Reabilitação das Vítimas dos Cultos Totalitários.
Daniil Sissoev era também um forte adversário da “teoria da evolução””, considerando “o evolucionismo não uma ciência, mas uma ideologia muito suja (para não dizer falsa), incompatível com o cristianismo sob qualquer forma”.
O último livro por ele publicado tem por título “Instrução para os imortais: o que fazer se você morreu”.
“Estou convencido que se trata de um disparo religiosamente motivado. Se assim é, claro que o padre Daniil faz aumentar o número dos mártires russos”, considerou o teólogo ortodoxo Andrei Kuraev.
Damir Guizatulin, vice-chefe da Direcção Espiritual dos Muçulmanos da Parte Europeia da Rússia, aponta o dedo para os “sectários”.
“Esse crime não pode ter sido cometido por uma pessoa crente, independentemente da religião a que pertence. A religião, nomeadamente o Islão, proíbem o assassinato de pessoas”, frisou.
O sacerdote deixou esposa e três filhos.

quinta-feira, novembro 19, 2009

Rússia dá passo civilizacional importante


O Tribunal Constitucional da Rússia decidiu hoje que “a pena de morte não pode ser empregue até que o Parlamento russo ratifique o Protocolo Nº 6 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que proibe o emprego da pena de morte em tempo de paz2.
Moscovo assinou esse documento, mas ainda não o ratificou.
Segundo o porta-voz do Tribunal Constitucional da Rússia, esta decisão significa o fim da pena de morte no país.
Ao anunciar a decisão, Valeri Zorkin, Presidente do Tribunal Constitucional da Rússia, com sede em São Petersburgo, fundamentou-a com o facto de o país ter assinado “uma série de normas internacionais que proíbem ou recomendam a proibição do emprego da pena de morte”.
O juiz recordou que a Rússia foi aceite como membro do Conselho da Europa precisamente por se ter comprometido a não empregar a pena de morte.
A decisão de banir a pena de morte do Código Penal da Rússia não é pacífica na sociedade russa, o que levou o Parlamento da Rússia a não ter tomado ainda uma posição clara face à Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Os críticos da pena de morte chamam a atenção para o facto de a Rússia vir a ser expulsa do Conselho da Europa caso opte por empregar esse tipo de pena.
Os defensores da pena de morte dizem que o país ainda não está pronto para a sua abolição e apontam os exemplos de países como Japão e os Estados Unidos, onde esse tipo de pena continua a existir.
O Tribunal Constitucional pôs fim à discussão e obrigou o Parlamento a ratificar a lei que proíbe a pena de morte.

Rússia aboliu a pena de morte!!!!!!!!!!!!!!!!!

Trata-se de uma grande notícia que deve ser recebida com toda a alegria: o Tribunal Constitucional da Rússia aboliu, de facto, a pena de morte no país.
Reservo para mais tarde pormenores, mas não podia deixar de sublinhar este facto histórico na História da Rússia. O sonho de muitos humanistas russos tornou-se, finalmente, uma realidade.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Polícias russos recorrem ao Youtube para denunciar injustiças e corrupção


É cada vez maior o número de agentes da polícia que recorrem às novas tecnologias, neste caso ao Youtube, para fazerem chegar as suas queixas às mais altas esferas do poder político.
A onda foi desencadeada pelo major da polícia Aleksei Dimovski, quando, no passado dia 07 de Novembro, gravou uma mensagem no Youtube onde acusa os seus superior de exigirem a descoberta de crimes inexistentes e de atirarem inocentes para a prisão. Convencido de que o comando da polícia de Novorrossisk, cidade do Sul da Rússia onde vive o major, não dava ouvidos às suas queixas, pediu uma audição ao primeiro-ministro, Vladimir Putin, através da Internet.
A resposta do comando foi rápida, acusando o major de estar ao serviço de forças estrangeiras, nomeadamente de receber o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional” (USAID).
“O modo, a forma e o tempo escolhidos para publicar o seu vídeo-apelo mostram que Dimovski goza do apoio de terceiras forças”, declarou uma fonte do Ministério do Interior da Rússia à agência Interfax.
O major teve de fugir de Novorrossisk para Moscovo, declarando que estava a receber ameaças, mas estas não travaram a avalanche de mensagens dirigidas por colegas seus às autoridades através da Internet.
No dia 11 de Novembro, um antigo agente da polícia de trânsito de Moscovo recorreu ao Youtube para acusar os seus chefes de o terem despedido por ter aderido ao sindicato independente da polícia.
No dia seguinte, Mikhail Evseev, antigo oficial da polícia judiciária da cidade de Ukhta, foi também ao Youtube para lançar ao Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, uma apelo onde acusa seus chefes de terem acusado sem fundamento duas pessoas de terem incendiado um centro comercial em 2005. Elas cumprem actualmente uma pena de prisão perpétua.
A 13 de Novembro, Tatiana Domratcheva, oficial da polícia da região de Sverdlovsk, nos Urais, acusou os seus chefes de “abuso de poder”, recebendo como resposta a acusação de “difamação”.
“Esta cidadã tenta, deste modo, utilizando a confusão criada pelo major Dimovski, tenta denegrir as acções dos agentes da polícia de Sverdlovsk, mas não conseguirá isso”, comentou Valeri Grolikh, porta-voz da polícia.
Onteontem, foi a vez de Igor Koninguin, antigo colega da major Domratcheva, recorrer ao Youtube não só para apoiar a colega, mas revelar novos dados sobre a corrupção no comando.
Ontem, a “epidemia do Youtube” levou Alexandre Popov, funcionário da Procuradoria Militar da cidade de Sotchi, no sul da Rússia, a solidarizar-se com os colegas perseguidos e a apontar uma das principais causas da corrupção na polícia.
“Gostaria de confirmar as palavras sobre a situação material humilhante e vergonhosa da maioria dos funcionários da polícia. Por isso, eles são obrigados a procurar quaisquer fontes de rendimento, principalmente ilegais. Todos sabem disso e nada é preciso provar”, declarou Popov na sua vídeo-mensagem.
Hoje, registou-se mais um caso. Por este andar, o Youtube pode transformar-se numa dor de cabeça para as autoridades russas. E se este exemplo for copiado noutros lugares?

Blog dos leitores (A morte de Sergei Magnitsky e o niilismo legal)


O leitor António Campos enviou-nos o texto que abaixo publicamos:


De acordo com o Wall Street Journal, Sergei Magnitsky um advogado que trabalhava para a empresa Hermitage Capital Management, acaba de morrer numa prisão de Moscovo, após as autoridades lhe terem recusado tratamento médico adequado. De acordo com a publicação, Irina Dudukina, porta-voz da unidade de investigação do Ministério do Interior, afirmou que Magnitski faleceu de “falha cardíaca”, tendo adiantado que não existiam registos de problemas de saúde e que o mesmo, numa audiência na semana passada, não teria feito qualquer referência ao assunto. No entanto, documentos apresentados pelo seu advogado e antigos colegas, demonstram que Magnitsky apresentou numerosos pedidos e queixas relativas a falta de tratamento médico, incluindo na audiência referida, tendo todos sido rejeitados.

Sergei Magnitsky foi preso há cerca de um ano, acusado de evasão fiscal num caso envolvendo a Hermitage Capital Management. Como é do conhecimento geral, esta gestora de fundos está envolvida numa batalha legal contra as autoridades russas, após ter acusado uma série de altos funcionários de envolvimento num esquema criminoso de apropriação dos activos da empresa, seguido de um pedido fraudulento de reembolso fiscal, que foi prontamente aceite pelas autoridades.

As autoridades russas fizeram a assombrosa afirmação de que a complexa fraude fiscal, envolvendo o roubo centenas de milhões de dólares ao tesouro russo, terá sido perpetrada por um antigo trabalhador de uma serração.

Segundo o jornal, Magnitsky foi detido em Novembro de 2008 após ter prestado testemunho sobre as referidas fraudes. Foi-lhe negada fiança com base na alegação de que o mesmo tinha pedido um visto para a Grã-Bretanha. Tal foi posteriormente refutado pelas autoridades consulares britânicas.

O jornal adianta que Jamison Firestone, sócio da Firestone Duncan, antiga consultora jurídica da Hermitage Capital, afirmou : “Prenderam-no durante 11 meses, exigindo-lhe que fabricasse falsos testemunhos contra a Hermitage. Quanto mais ele recusava, mais as condições pioravam”.

Em declarações submetidas ao tribunal, Magnitsky alegou que lhe tinha sido recusado tratamento de problemas no estômago e no pâncreas, diagnosticados na prisão onde anteriormente esteve detido. Nestas declarações, Magnitsky protesta contra as condições da prisão de Butyrskaya, afirmando que uma das celas onde esteve encarcerado não tinha sequer vidros nas janelas. Funcionários da prisão recusaram-se a comentar as alegações. Na semana passada, ocorreu uma audiência num corredor da prisão, onde os investigadores apresentaram a Magnitsky documentos para ler, no contexto de uma moção destinada a alargar o seu período de pré-detenção. Nessa “audiência” no corredor, Magnitsky permaneceu algemado a um radiador. O juiz recusou-lhe tempo adicional para estudar os materiais que lhe foram apresentados.

Os médicos prisionais afirmaram ao advogado de Magnitsky que a causa da morte foi “choque tóxico e necrose pancreática”. Está planeada uma investigação sobre a ocorrência.

Esta trágica notícia escreve volumes acerca do combate presidencial ao niilismo legal, constituindo mais uma evidência sinistra de que a retórica da administração muito dificilmente passará a factos concretos.

terça-feira, novembro 17, 2009

Contributo para História de Portugal (parte 2)

"Durante esta parte da conversa, sentiam-se as fortes simpatias de Salazar para com a Inglaterra. Salazar afirma que, por enquanto, não há quaisquer atritos entre a Alemanha e Itália, por um lado, e a França, por outro. A Inglaterra e França, segundo Salazar, tentam fazer com que ambas as partes combatentes sintam a “fome de armas”, esperando desse modo obrigá-los a reconciliar-se. Franco aceitaria o controlo internacional, visto que para ele seria importante, antes de tudo, fechar a fronteira franco-espanhola, que lhe provoca a maior das preocupações; porém esse controlo pode mostrar-se perigoso para ele caso a situação se prolongue.
Depois, passámos às nossas relações com a Alemanha. Eu expliquei a Salazar as fontes do pacto de não-agressão e assinalei que ele influiu na tranquilização da atmosfera, por exemplo, na questão do chamado “corredor”, que era constantemente apresentado como o principal perigo de conflito armado na Europa. Eu sublinhei que o nosso acordo com a Alemanha não prejudica em nada a nossa união militar com França. Da parte da nossa conversa dedicada à Alemanha, era evidente que Salazar, até ao presente, estava unilateralmente informado pelos alemães no sentido de que o “corridor”dividide o Estado alemão em duas partes que não têm possibilidade de manter livremente ligações uma com a outra. Ele nada sabia sobre as facilidades aduaneiras e sobre as convenções que praticamente dão aos alemãos possibilidades ilimitadas de comunicação, não excluindo o transporte de tropas.
Depois passámos ao tema de França. Segundo Salazar, a França irá pagar caro pelo seu “flirt” com a União Soviética. Ele afirma que as reformas sociais podem ser realizadas a um preço mais baixo e o pior é que os círculos comunistas não perderam a oportunidade de utilizar o momento para convencer as massas de que elas devem os melhoramentes subjectivos da sua situação (porque, objectivamente, não) não ao governo francês, mas à influência da URSS na França. Salazar constatou que Paris constitui o centro da Comintern, que realiza o seu trabalho na Europa Ocidental, e o foco de epidemia e de acção subversiva, realizada a partir de Paris noutros Estados. Ele sublinhou que a propaganda comunista toma dimensões cada mais ameaçadoras nas colónias, particularmente na África do Norte. Aí, é verdade, é difícil distinguir a actividade provocadora dos órgãos de segurança e da administração, mas a situação, além disso, é bastante séria, visto que uma manobra policialmuito bem pensada dá, por vezes, resultados inesperados. Os franceses esperam que as suas massas sejam pouco permeáveis à propaganda comunista, porque são fundamentalmente constituídas por pequenos proprietários. O primeiro-ministro exprimiu a opinião de que essa convicção pode ser falsa, quando os instintos se tornam desenfreados e quando os contrastes dsempenham um papel fundamental. Além disso, ele é da opinião que se em França ocorrerem acontecimentos apenas análogos aos que vemos em Espanha, a Alemanha irá reagir activamente a isso sob a forma de envio de tropas para França, motivando as suas acções com o receio perante o alastramento da epidemia comunista.
Para concluir, Salazar, por iniciativa própria, repetiu-me que ele recorrerá com agrado à ajuda da Polónia, enquanto Estado que pretende à conservação da paz e da ordem em todo o mundo, na luta contra os agentes da Cominyern no território de Portugal.
Ele caracterizou resumidamente a situação política no seu Estado e, vendo uma certa analogia entre a Polónia e Portugal, constatou com um sorriso que, com base na experiência e no estudo, nós, não obstante a distância que nos separa e outras condições locais, chegamos a conclusões e métodos semelhantes de direcção do Estado. Trata-se de que a ditadura em Portugal é caracterizada como a luta contra o comunismo, a exclusão dos partidos políticos como um momento da vida estatal e o desejo de evitar os métodos empregues nos Estados com um regime “total”, onde tudo se submete ao Estado, não excluindo a ética.
Como se pode ver das questões abordadas, a nossa conversa, do ponto de vista político, foi muito interessante e espero que me dê possibilidade de realizar posteriormente com Salazar conversas de trabalho”.
Fim

Blog dos leitores

Caro José Milhazes,
Sou um artista visual a desenvolver um novo projecto artístico acercado fenómeno dos "dacha" em Murmansk Oblast. O trabalho está a serdesenvolvido em cooperação com cientistas sociais que trabalham nestaregião. Vamos ter uma primeira exposição já no dia 11 de Dezembro noespaço Carpe Diem - Arte e pesquisa em Lisboa. Gostávamos muito quepudesse visitar o web site do projecto e se possível que o divulgasseno seu blogue "Da Russia". http://dacha.webnode.com/
Um abraço,João Serra

União Europeia continua à deriva na política energética


Ontem, sem esperar pela realização da cimeira UE-Rússia, que se realiza a 18 de Novembro em Estocolmo, o ministro da Economia da Rússia, Serguei Chmatko, e o Comissário para a Energia da União Europeia, Andris Piebalgs, assinaram, em Moscovo, um memorando sobre um mecanismo de pré-alerta no domínio energético.
Este documento prevê acções comuns a tomar em caso de interrupções dos fornecimentos de recursos energéticos russos à Europa, provocadas, entre outras causas, pelos países de trânsito. Além disso, ele define conceitos como “situação de emergência” e “mecanismo de pré-alerta”.
À primeira vista, trata-se de um documento de extrema importância tendo em conta os problemas que têm surgido no fornecimento de gás russo à Europa desde 2000.
Porém, é surpreendente o facto deste memorando ter sido assinado entre a Rússia e a União Europeia, sem que os países de trânsito tenham participado na elaboração e assinatura deste documento.
Isto é tanto mais estranho se tivermos em conta que nunca existiram problemas entre a Rússia e a União Europeia, mas sim entre a Rússia e a Ucrânia.
Ora, se a Ucrânia, tal como aconteceu o ano passado, deixar de fornecer gás à Europa, alegando que o não recebia da Rússia, o que poderão fazer Bruxelas e Moscovo?
Moscovo poderá repetir a experiência do ano passado e fechar a torneira, acusando Kiev de não cumprir os seus compromissos. E o que poderá fazer Bruxelas? Exercer pressão sobre a Ucrânia em plena campanha eleitoral para as presidenciais, que se realizam a 17 de Janeiro, para que regularize as contas com o país vizinho ou pagar as dívidas ucranianas?
Alguns analistas defendem que , este ano, os dirigentes ucranianos não ousarão provocar uma crise nos fornecimentos do gás, porque tanto o Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, como a primeira-ministra, Iúlia Timochenko participam na corrida eleitoral e quebras de fornecimento de gás podem custar votos.
Mas, por outro lado, os participantes na corrida eleitoral, que deverão ser mais de vinte, poderão utilizar métodos tais de luta política para desacreditar os adversários, que tudo é possível. Alguns deputados do Bloco de Iúlia Timochenko foram acusados de pedofilia; o Presidente já acusou a primeira-ministra de provocar a gripe A H1N1. Até Janeiro, tudo é possível, basta recordar as presidenciais de 2004 com envenamentos, assassinatos, fraudes, etc.
O problema do fornecimento do gás russo à Europa mostra uma vez mais a incapacidade de a União Europeia ter uma política energética sensata e coordenada.
Apenas mais um exemplo, quando a Rússia lançou o projecto de construção do gasoduto “North Stream”, que deverá transportar combustível azul russo para a Alemanha através do Mar Báltico, países como a Estónia, Finlândia e Suécia levantaram sérias reservas à passagem do pipeline pelas suas águas territoriais, alegando preocupações ecológicas.
Os governantes suecos prometeram “consultar cada peixe do Báltico” antes de aceitarem a proposta russa, mas acabaram por ceder depois de a Rússia aceitar suspender os trabalhos durante “a desova do bacalhau”. Pelo menos, os portugueses podem ficar descansados quanto ao futuro do “fiel amigo”.
A Finlândia recebeu mais um ano de facilidades alfandegárias na importação de troncos de madeira da Rússia, que Vladimir Putin admitiu prolongar por mais um ano.
A Estónia não cedeu e ficou fora do negócio.
Ter uma política energética comum não significa isolar a Rússia, mas faz aumentar o peso da União Europeia no diálogo bilateral. Por enquanto, cada um dos membros da UE puxa “a brasa para a sua sardinha”.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Rússia adia entrada em funcionamento de central nuclear no Irão

Serguei Chmatko, ministro da Energia da Rússia, anunciou que a central nuclear de Busher, no Irão, não irá entrar em funcionamento até ao fim do ano, sublinhando que tal se deve a razões tecnológicas.
“Esperamos resultados sérios até ao fim do ano, mas a central não entrará em funcionamento”, anunciou hoje o ministro russo, frisando que “a Rússia continua a cumprir os seus compromissos perante o Irão”.
Segundo Chmatko, os prazos de construção da central nuclear de Busher são determinados pelas condições tecnológicas e a entrada em funcionamento deve ser ligada à garantia de segurança.
“Os iranianos vêem como a construção avança e não nos fazem perguntas”, sublinhou o ministro.
Em finais de Outubro foi anunciado que a central de Busher poderia entrar em funcionamento até ao fim do ano corrente. A agência iraniana IRNA, citando Ali Akbar Salehi, vice-presidente do Irão, noticiou que 96 por cento da central estava pronta e de que os testes de funcionamento iriam começar nos próximos tempos.
A central nuclear de Busher começou a ser construída em 1975 por empresas alemãs, que suspenderam os trabalhos devido às sanções impostas ao Irão pelos Estados Unidos depois da sua embaixada em Teerão ter sido tomada por manifestantes iranianos.
A empresa russa Atomstroieksport retomou os trabalhos e a central deveria entrar em funcionamento a 08 de Julho de 1999, mas a inauguração foi várias vezes adiada.
Em Janeiro passado, a Rússia anunciou ter fornecido o combustível para a central, o que, normalmente, é feito meio anos antes da entrada em funcionamento. No início de Outubro informou-se que estavam perto do fim os últimos testes.
Analistas russos consideram que estes adiamentos têm origem política, são provocados pelo facto de as autoridades iranianas não pretenderem colaborar com a comunidade internacional no que respeita ao seu programa nuclear.
No encontro do Presidente russo, Dmitri Medvedev, com o seu homólogo norte-americano, Barack Obama, realizado em Singapura, o primeiro sublinhou que Moscovo e Washington não estavam satisfeitos com os ritmos das conversações com Teerão.
As autoridades iranianas responderam com a ameaça de criarem o seu próprio sistema de defesa anti-aéreo se a Rússia não fornecer ao Irão os mísseis S-300, que já deviam ter sido entregues há meio ano.
P.S. Afinal a paciência da Rússia também tem limites e Teerão parece não dar conta disso.

domingo, novembro 15, 2009

Contributo para História de Portugal (parte 1)


No dia 13 de Maio de 1937, chegou às mãos de José Estaline e de Viatcheslav Molotov um documento conseguido pela Direcção Principal de Segurança do Estado do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD, antecessor do KGB) junto de “uma fonte próxima do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polónia.
Tratava-se de um resumo de uma conversa entre Karl Dubic-Penter, embaixador polaco em Lisboa, e Oliveira Salazar, chefe do Conselho de Ministros de Portugal.
Publico a tradução integral do documento de russo para português, pois ele revela algumas das ideias de Salazar sobre política interna e externa.
“No dia de 13 de Março, eu fui recebido por Salazar, ditador de facto de Portugal, que desde Outubro de 1936 ocupa o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros. Salazar é, desde 1928, ministro das Finanças e, desde 1932, primeiro-ministro.
A minha visita foi motivada pelo facto de, antes de entregar as credenciais, dever ser recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Visto que Salazar está muito subcarregado de trabalho e está muito ocupado, a minha visita e entrega de credenciais diplomáticas ocorreram com um certo atraso. A minha conversa com Salazar durou mais de uma hora. Quero expor abaixo os momentos mais importantes e característicos dela.
Salazar, tal como todas as camadas da população portuguesa que apoiam a actual ordem de coisas, receia a infiltração do comunismo e a actividade subversiva da III Internacional. Salazar perguntou-me como é que a Polónia conseguia controlar a acção da Comintern, não obstante ter uma longa fronteira comum com a URSS. Ao caracterizar-lhe a situação na faixa fronteiriça e ao chamar a atenção para uma espécie de vacina preventiva através do contacto directo, eu falei-lhe da criação da K.O.P. (Corpo de Protecção de Fronteiras), das causas, da organização do trabalho e resultados, bem como do nosso estudo da organização, dos métodos de trabalho e da constituição pessoal da Comintern, que se tornou um ponto de partida no nosso trabalho bem sucedido.
Visto que eu tinha sido incumbido pelo chefe do Estado-Maior e pelo chefe do 2º Departamento de estabelecer com o Governo português, na base do intercâmbio de informação sobre a III Internacional, cooperação que prevê também a prestação de ajuda da nossa parte na tarefa de organização de espionagem e de actividades de segurança, eu propus a Salazar ajuda nesse sentido. Salazar recebeu a minha proposta com extrema benevolência e garantiu-me que irá utilizar amplamente essa possibilidade.
Depois, a nossa conversa passou para o tema das nossas relações com a União Soviética, compreendendo Salazar muito bem a situação. Depois, o primeiro-ministro fez-me uma pergunta sobre a acção do coronel Koz.
Realizando uma certa analogia com a criação, em Portugal, da “Unio Nacional”, ele expôs-me os pontos fundamentais do seu programa. Salazar interessou-se muito pela actividade de partidos políticos no nosso país, pelo papel que eles desempenham na vida estatal, parlamental, cultural e educativa do país. Eu desenhei-lhe um quadro da situação até Maio de 1926 e mais tarde. Eu expus-lhe as bases da nossa Constituição e os médotos na sua realização prática.
Depois, passámos para o tema de Espanha. Salazar deseja ao general Franco uma vitória rápida e definitiva, sem a qual será difícil criar um governo forte e operativo na nova Espanha. Se vencerem os comunistas, considera Salazar, surgirá um sério perigo não só para Portugal, mas também para a Europa Ocidental. À luz disso, ele expôs-me uma caracterização clara do papel de Inglaterra.
A Inglaterra tem receio do fascismo. Isso explica a sua indecisão e meias-medidas na questão espanhola. Infelizmente, a Inglaterra, enquanto Estado com sólidas tradições parlamentares, tem de voltar novamente, com base nos erros cometidos, a convencer a sua opinião pública, o que provoca perda de tempo e ritmos vagarosos da evolução decorrente.
Salazar disse textualmente o seguinte: “Eu tentei ardentemente aqui convencer os ingleses a prestarem assistência ao general Franco e a garantir a si próprios, através da iniciativa, influência decisiva no desenrolar dos acontecimentos; infelizmente, eles não se decidiram a fazer isso e, por conseguinte, o seu lugar foi ocupado por alemães e italianos, e isto, por sua vez, fez afastar os ingleses. Porém, agora, eles conseguiram guardar para si a última palavra, mas agora é difícil dizer se o arrastar da situação não enfraquece as forças do general Franco”.
(Cont.)

sábado, novembro 14, 2009

Futebol "acelera" assinatura de acordo sobre construção do gasoduto South Stream


O jogo de apuramento para o Campeonato do Mundo de Futebol de 2010 entre a Rússia e a Eslovénia acelerou a assinatura do acordo entre os dois países sobre a construção do gasoduto “South Stream”, declarou Borut Pahor, primeiro ministro eslovénio.
Pahor e o seu homólogo russo, Vladimir Putin, assinaram hoje um acordo sobre a cooperação na construção e exploração do gasoduto “South Stream” no território da Eslovénia, sendo este país o último por onde passa o pippeline a chegar a acordo com, a Rússia.
“Chegou a agora de revelar a verdade. Devo responder à pergunta porque é que decidimos acelerar as conversações. Queríamos assinar o acordo ainda antes de estragar as nossas relações devido à vitória da nossa selecção”, declarou o bem-humorado primeiro-ministro eslovénio.
As selecções da Rússia e da Eslovénia disputam hoje a primeira-mão do play off que permitirá o apuramento de uma das equipas.
“Nós temos um provérbio: não grites golo antes de o marcar. Vencerá o mais forte e iremos saudar essa vitória”, retorquiu Putin.
“O “South Stream” torna-se realmente um grande projecto europeu, nós assinámos hoje o último acordo com todos os parceiros que são necessários à realização deste projecto”, acrescentou.
O novo gasoduto, que deverá entrar em funcionamento em 2015, deverá transportar, anualmente, 63 mil milhões de metros cúbicos de gás natural da Rússia e Ásia Central, através dos mares Cáspio e Negro, até à Europa.
No continente europeu, este pipeline atravessará e fornecerá gás a países como Bulgária, Grécia, Hungria, Sérvia, Eslovénia, Aústria e Itália.
Este gasoduto pretende ser um concorrente do projecto “Nabucco”, apoiado pela União Europeia.

Autoridades confirmam a morte de dois militares na explosão de paiol e graves prejuízos materiais


As autoridades militares russas confirmaram hoje a morte de dois militares e grandes prejuízos materiais provocados por um incêndio num paiol de munições na cidade de Ulianovsk.
“Grupos de sapadores chegaram ao local do incêndio, onde foram encontrados os cadáveres de dois militares, membros da corporação de bombeiros do paiol que tentaram impedir o alastramento das chamas”, declarou Aleksei Kuznetsov, porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia.
Segundo as autoridades militares, as explosões de munições de artilharia no paiol, que começaram às 15.30 horas (12.30 em Lisboa) de sexta-feira e continuaram até altas horas da noite, poderão ter sido provocadas durante trabalhos de liquidação de munições, pondo de lado a possibilidade de se ter tratado de um acto terrorista.
Serguei Morozov, governador da região de Ulianovsk, declarou que entre as duas pessoas gravemente feridas “encontra-se a mulher que poderia ter estado na origem do incêndio”, acrescentando que “segundo dados prévios, ela violou o processo de desmontagem de munições, o que provocou a explosão com as consequências conhecidas”.
Segundo o porta-voz do Ministério da Defesa, “dezassete grupos de sapadores começaram uma operação com vista a detectar munições que não tenham explodido e a neutralizá-las”.
Os sapadores já encontraram pelo menos seis munições de artilharia que não explodiram fora do território do quartel onde se encontrava o paiol.
As autoridades civis informam que as explosões partiram os vidros de mais de 200 edifícios e causaram prejuízos nos telhados de 24 residências dos oficiais.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Chefe supremo da guerrilha separatista tchetchena pode ter sido liquidado


O chefe dos bandidos na Tchetchénia, Doku Umarov, pode estar entre os liquidados na sexta-feira, na região de Atchkhoi-Martan, declarou Ramzan Kadirov, Presidente da Tchetchénia.
O líder pró-russo dirigiu uma operação militar, durante a qual foram mortos 20 guerrilheiros separatistas.
“Foram liquidados até 20 bandidos. Os corpos de muitos deles estão em pedaços e, por isso, é impossível reconhecê-los”, declarou Kadirov, citado pelas agências russas.
“É possível mesmo que entre eles possa estar a ratazana Doku Umarov, pois entre os cadáveres assassinados está Islam Uspakhadkiev, que andava sempre com Umarov”, acrescentou.
“Mas só podemos ter certezas depois da realização de peritagens”, sublinhou.
Ao mesmo tempo, Kadirov afirmou que não pode dizer que “Umarov está vivo”.
Umarov, nascido em 1964, participou nas duas guerras contra a Rússia, tendo-se tornado chefe supremo da guerrilha em Junho de 2006. Um ano depois, proclamou-se dirigente do Emirato do Cáucaso.
As autoridades russas acusaram-no de ter participado em numerosas operações militares, nomeadamente na organização do assalto à escola de Beslan, na Ossétia do Norte.
Os órgãos de informação russos já anunciaram a sua morte cinco vezes, a última das quais em Abril de 2007.

Medvedev anuncia modernização das Forças Armadas

As Forças Armadas da Rússia irão receber novos armamentos no próximo ano, anunciou Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, na sua mensagem ao país.
“No próximo ano, deverá ser fornecido às forças armadas mais de 30 mísseis balísticos baseados no mar e em terra, cinco sistemas de defesa anti-aérea “Izkander”, cerca de 300 unidades de blindados modernos, 30 helicópteros, 28 aviões de combate, três submarinos nucleares, uma corveta, 11 satélites”, anunciou Medvedev.
O dirigente russo prometeu equipar as regiões militares russas com os meios de comunicação mais modernos aré 2012.
Medvedev ordenou também a criação de um sistema eficaz de encomendas de produção militar e que observe o equilíbrio entre os fornecimentos para as próprias forças armadas e para o estrangeiro.
A Rosoboronexport, empresa pública que monopoliza a exportação de armamentos russos, tem sido acusada de fornecer os mais modernos armamentos russos a países estrangeiros, deixando para as Forças Armadas da Rússia para segundo lugar.
Isto já levou o Ministério da Defesa da Rússia a ponderar a compra de armamentos no estrangeiro
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Mais uma nova ideia na mensagem de Medvedev

A política externa da Rússia deve ser exclusivamente pragmática e ajudar a resolver os problemas internos do país, declarou Dmitri Medvedev na mensagem à nação, pronunciada hoje no Kremlin.
“Como se costuma dizer, não devemos fazer figura de maiores. Estamos interessados na entrada de capitais, de novas tecnologias e ideias inovadoras no país. Sabemos também que os nossos parceiros contam com a aproximação à Rússia para a realização das suas tarefas prioritárias. Por isso, a nossa política externa deve ser exclusivamente pragmática”, precisou Medvedev.
O Presidente russo ordenou ao Governo elaborar “critérios de avaliação dos resultados da política externa na solução das tarefas internas do país”, nomeadamente no campo da “modernização e do salto tecnológico”.
Medvedev defendeu o reforço das Nações Unidas, considerando-as um “mecanismo universal para a elaboração de abordagens colectivas”.
“Iremos contribuir para que a ONU reforce as suas posições. No campo da segurança, os principais esforços devem ser agora concentrados no Tratado de Garantia da Segurança Europeia”, acrescentou.
Ele assinalou que a elaboração jurídica do princípio da indivisibilidade e segurança na região euro-atlântica “torna-se um imperativo para nós, bem como a elaboração dos mecanismos de realização que advêm desse compromisso”.
Trata-se da segunda “mensagem à nação” dirigida por Dmitri Medvedev, devendo-se assinalar que este tipo de diálogo do Presidente russo se concentra cada vez mais nos problemas internos do país.
Além disso, Medvedev tentou inovar, em relação aos seus precedentes no cargo: Boris Ieltsin e Vladimir Putin, elaborando a sua comunicação com base num artigo seu: “Em frente, Rússia!”, publicado na Internet, e nas mensagens que lhe foram enviadas por cidadãos russos.
P.S. A retórica imperial, agressiva foi substituída pelo pragmatismo. Se isto se concretizar, a política externa russa vai conhecer fortes mudanças, o que não significará que ela vá ser mais fácil para o chamado Ocidente. Muito vai depender da capacidade da diplomacia russa de realizar esta nova política, pois terá de abandonar muitos dos "tiques soviéticos" e saber trabalhar em sociedades modernas. Por exemplo, utilizar as vantagens da sociedade de informação.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Nova promessa de modernização


A modernização da Rússia no séc. XXI irá basear-se nos valores e nos institutos da democracia, declarou hoje Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, na mensagem anual à nação.
“No séc. XXI, o nosso país necessita novamente de uma modernização multilateral e esta será a primeira experiência de modernização, na nossa história, baseada nos valores e institutos da democracia”, começou o dirigente russo.
“Estou profundamente convencido da necessidade e da possibilidade de a Rússia adquirir o estatuto de potência mundial numa base completamente nova, acrescentou.
Segundo ele, “devemos, no lugar da economia primitiva, baseada nas matérias-primas, uma economia inteligente, que produza conhecimentos únicos, novos objectos e tecnologias úteis às pessoas”.
“A sociedade arcaica”, continuou Medvedev, “onde os chefes pensam e decidem por todos, deve ser substituída por uma sociedade de pessoas inteligentes, livres e responsáveis”.
O Presidente russo chamou a atenção para o facto de a maior parte da actual economia russa ser herança da era soviética, que está fortemente atrasada.
“Chegou a hora de as actuais gerações do povo russo dizerem a sua palavra, levantar a Rússia a um nível novo, mais alto de desenvolvimento da civilização”, acrescentou.
Dmitri Medvedev constatou também que a dependência da Rússia em relação às exportações de matérias-primas trava o desenvolvimento económico do país.
“A necessidade de mudanças tornou-se particularmente evidente nos últimos meses, quando a crise financeira global atingiu a todos. Mas, na Rússia, a queda económica foi mais profunda do que na maioria dos país. Mas não vale a pena procurar culpados apenas no exterior... Não nos livrámos da estrutura primitiva da economia, da dependência humilhante das matérias-primas, não reorientámos a produção para as necessidades reais das pessoas”, constatou.
Entre as medidas propostas para a modernização do país, Medvedev destacou o plano de criação de reactores e combustível nucleares de uma nova geração até 2014, o alargamento a todo o país, nos próximos cinco anos, da internet de banda larga, da televisão digital e da rede de telemóveis de quarta geração.
“É preciso concluir a elaboração de propostas de criação na Rússia de um potente centro de investigação e construção, que concentre as suas atenções em todas as direcções prioritárias”, declarou Medvedev, acrescentando que ele se deve transformar num “Silicon Valley” russo.
O Presidente russo considera que a existência de corporações estatais “não têm perspectiva” e defende a transformação das que trabalham “em sectores concorrentes” em sociedades por acções e sua privatização no futuro.
Actualmente existem cerca de dez corporações estatais, criadas quando Vladimir Putin era Presidente da Rússia para serem “motores” de desenvolvimento de sectores fundamentais da economia russa.
No campo político, o dirigente russo, depois de considerar que o sistema eleitoral nacional mostrou ser eficaz e democrático, propôs uma série de reformas para tornar mais transparente e justo esse sistema ao nível regional.
Ao abordar o problema da corrupção, Medvedev reconheceu que se trata de um dos obstáculos maiores ao desenvolvimento do país, mas sublinhou que as detenções não resolvem tudo.
Trata-se de uma resposta ao primeiro-ministro Putin que, em Junho passado, exigiu das autoridades policiais “resultados concretos” e perguntou “onde estão as detenções?”.
O dirigente russo reconheceu que a situação no Cáucaso é o problema interno mais sério da Rússia, atribuindo isso à corrupção, violência e desemprego na região, tendo apresentado uma série de medidas para resolver os problemas da região.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Blog dos leitores (A Perestroika de Medvedev)


O leitor António Campos enviou-nos este seu artigo que publicamos de bom grado e sem qualquer comentário ou emenda:


"Putin não tem muitas razões para celebrar a queda do muro de Berlim. Quando a vaga da história se desenrolava para lá da janela do seu escritório do KGB em Dresden, o actual primeiro-ministro russo percebeu que o sistema perfeito e rígido do qual era cliente se estava a desmoronar subitamente perante os seus olhos, no que, segundo as suas próprias palavras, foi a “maior catástrofe geopolítica do século”.

Por seu lado, Medvedev, herdeiro de Sobchak, legalista e alheio ao clã dos siloviki, tenta, face às circunstâncias, desempenhar o papel de reformista, apadrinhando a modernização como tema central da sua presidência e definindo estratégias ambiciosas de desenvolvimento para pescar o país do abismo. Mas uma análise cuidada ao orçamento para 2010 revela que a prioridade são os gastos militares e o aumento das pensões, sendo que apenas 1,4% dos financiamentos são destinados à inovação. O presidente, que não se atreve a murmurar uma palavra crítica contra o primeiro-ministro, faz umas afirmações tímidas sobre a criação de equipas de “modernizadores” que possa fazer com que pelo menos alguns desenvolvimentos se materializem e, mais importante, tenta fazer passar a mensagem de que o niilismo legal é coisa do passado e que a história estalinista não deverá, afinal, ser reescrita.

Estes factos, uma espécie de cocktail de “quase-liberalismo” presidencial e tendências nacionalistas e populistas promovidas pelo primeiro-ministro, têm dois efeitos: dão credo à percepção popular de que se vive num período de mudança, e ao mesmo tempo, passam a ideia de que existe uma clivagem quanto ao caminho a seguir para sair da crise. Tal parece estar a gerar uma onda de pânico nas elites do poder. Quererá Medvedev seguir os passos de Gorbachov de remodelar o sistema, mantendo a sua essência inalterada? É esse o grande ponto de interrogação a pairar nas cabeças dos siloviki.

Estes sabem que o ímpeto reformista de Gorbachov, que (tal como Medvedev pretende) quis reduzir a dependência energética e modernizar a decrépita indústria soviética sem mudar o regime, deu origem a um colapso revolucionário que arrasou com o seu poder e privilégios. A promoção do empreendedorismo cria centros de poder que ameaçam a hegemonia estatal e o seu parasitismo sobre as rendas da venda de matérias-primas.

Assim, os poderes vigentes não querem correr o risco de uma nova Perestroika e muito dificilmente Medvedev conseguirá o apoio de cima para os seus devaneios reformistas. Enquanto a conversa não passar de conversa, Medvedev será tolerado.

Mas conseguirão o “duo dinâmico” e os seus clientes manter o status-quo à frente de uma economia cujos problemas vão muito para além da simples dependência energética, tal como demonstra a anémica recuperação da economia, mau grado o aumento dos preços dos hidrocarbonetos, e a incapacidade crónica de resolver os problemas da população em geral? E não será a “abertura liberal” de Medvedev um catalisador de um colapso do sistema vindo não de cima, mas de baixo?

O actual clima social na Rússia, tal como descreve (genialmente, pelo que transcrevo o comentário na íntegra) um comentador anónimo russo de um blog semelhante a este, tem contornos de “pré-revolucionário”. Diz ele: “Nós, que vivemos na Rússia, sentimos a mesma espécie de histeria oficial ocorrida nos anos 80. Assistimos a uma espécie de frenético apertar do cerco com contornos cada vez mais absurdos. Um historiador a estudar o tratamento dos prisioneiros alemães nas décadas de 40 e 50 é preso por violar leis de privacidade. A agência contra os narcóticos publica uma lista de obras clássicas a retirar das bibliotecas por “propagandearem o uso de estupefacientes”. Os deputados querem retirar a cidadania russa ao ministro dos negócios estrangeiros georgiano, ainda que a constituição não o permita. Funcionários governamentais acusam um polícia que usou a internet para condenar a corrupção de estar a soldo da USAID. Uma agência noticiosa escreve que a Ucrânia pediu ajuda à Rússia para combater a gripe suína, citando um comunicado à imprensa do presidente ucraniano (só que esse comunicado não diz uma palavra acerca da Rússia). Famílias de acolhimento devem apresentar recibos de todos os gastos dos subsídios estatais. Os estrangeiros contratados ao abrigo de vistos de trabalho têm agora que apresentar diplomas apostilhados. Uma universidade em São Petersburgo está a obrigar os seus professores a submeter os seus artigos a escrutínio antes de serem enviados para jornais internacionais. Outra universidade tem uma lista de estudantes “extremistas”, que inclui apoiantes do Yabloko.

Vemos acções destas por todo o lado, mas não me parece que obedeçam estritamente a uma ordem de cima. Ficamos com a impressão de que os tipos no poder (a todos os níveis) sentem que o jogo está no fim, que o grandioso contrato social está a desfazer-se e que eles estão a espernear com tentativas de controlar o incontrolável. O resultado é um conjunto surreal de realidades sobrepostas. Uma realidade é a dos grandes desígnios de Medvedev escritos no seu blog e discursos. Há a realidade da TV, encalhada no modelo de Putin de culpar o Ocidente (especialmente os EUA) por tudo e mais alguma coisa, ao mesmo tempo que pinta um quadro que descreve uns poucos problemas locais mas um sistema basicamente sólido, embora as suas acusações sobre a intervenção maligna ocidental comecem a ficar verdadeiramente cómicas. Há a terceira realidade da vida real, na qual a corrupção está totalmente fora de controlo e algumas regiões e cidades estão mergulhadas na mais abjecta pobreza.

Os poderes vigentes não querem mexer no sistema, pois compreendem que a situação mais perigosa para um regime corrupto é tentar repará-lo superficialmente. Mas não me parece que o modelo de Putin venha a funcionar por muito mais tempo. Tal como todos os governos corruptos, este não soube quando parar, e a paciência da população está a esgotar-se. Por enquanto, assistimos a pequenas repressões aqui e acolá. Mas não vai resultar por muito tempo, pelo que eles terão ou que reprimir em grande ou sofrer mudanças profundas. Seja qual for o caso, será o seu fim. Daí que não admira que lá em cima reine o pânico.”

Aconteça o que acontecer, o futuro imediato da Rússia promete ser interessante."